Cacilda
 

Três Homens Baixos

Texto Rodrigo Murat 

Direção Jonas Bloch


Atores Carlo Briani, Orlando Vieira e Walter Breda





Cenário Renato Scripilliti


Iluminação Berilo Nosella

Figurinos Ellen Cristine


Voz Off  Georgia Gomyde

Produção Executiva Daniel Palmeira


Produção Orlando Vieira

 

Teatro Jaguará - SP

Sextas 21h30 Sábados 21h e Domingos 19h

Escrito por Lenise Pinheiro às 15h08

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Mulheres Insanas

Direção Grace Gianoukas

Atrizes Agnes Zuliani, Grace Gianoukas e Mila Ribeiro

Maquiagem Eliseu Cabral

Teatro Itália - SP

Sextas e Sábados 21h Domingos 19h

Escrito por Lenise Pinheiro às 13h30

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The Journals of Spalding Gray

Eu não sabia, mas vi Spalding Gray em seu instante de maior felicidade. Foi no P.S. 122, em Nova York, final dos anos 90, quando havia descoberto a vida na convivência com os dois filhos.

É o que revela a edição de seus diários escritos desde 1967, quando sua mãe se matou, até 2004, quando ele se matou. "The Journals of Spalding Gray" é uma jornada de quatro décadas e três mulheres de um homem assombrado pela mãe.

É também uma janela única para o ator e autor que fez parte do Performance Group de Richard Schechner e depois criou o Wooster Group com Elizabeth LeCompte, sua primeira mulher, duas companhias essenciais do teatro nova-iorquino e mundial.

O artista que desenvolveu quase um gênero todo, com seus solos confessionais que reuniam stand up e interpretação, tragédia e comédia.

Nos solos ele já expunha sua vida, de certa maneira, e os diários são apenas um prolongamento, com detalhes que pouco ou nada abordava no palco, como o sexo com homens, que relata de forma crua.

É a crueza, a falta de apuro formal, o que mais atrai nos textos agora revelados. Podem até ter sido escritos para serem lidos, para alguém ler, como ele parece indicar uma ou outra vez, mas escapam do controle. Como quando repete por páginas as mesmas palavras, já perto do fim, assustadoramente obcecado.

Mas quando o vi em "Morning, Noon and Night" ele era a paz por inteiro. Pelo que conta o livro, saía do teatro de mãos dadas a passear pelo Village com Kathie Russo, sua terceira e última mulher.

O próprio monólogo, embora ainda com as revelações costumeiras e de efeito cômico de suas traições, no caso, da mulher anterior, Renee Shafransky, desenhava uma existência idílica, morando com Russo e os filhos em uma pequena cidade para o lado dos Hamptons, mas nada de luxo, só paz e quietudade.

Havia sido muito diferente até ali, com relações mais ou menos conflituosas com LeCompte e Shafransky, que ao mesmo tempo marcaram suas décadas de maior criação, em parceria com ambas.

"Swimming to Cambodia", instigado e dirigido por Shafransky, foi seu auge no teatro e em seguida na celebridade do cinema, com o filme da peça, dirigido em 1987 por Jonathan Demme _e que foi a versão que conheci.

É o quadro clássico, que foi para a história do teatro: uma mesa pequena, uma cadeira, um caderno escolar em que ele havia escrito e reescrito à mão e no qual voltaria a reescrever o texto do espetáculo.

Não se levantava, às vezes acrescentava um ou outro elemento, um velho gravador, vídeos. Nada demais, só para quebrar um pouco a cena.

Não se pode dizer que era inteiramente novidade. Tinha parentesco, antes de mais nada, com uma longa jornada de oratória no teatro americano que remete a Mark Twain e antes.

Gray influenciou outros artistas de teatro e fascinou cineastas. Depois de Demme, Steven Soderbergh filmou "Gray's Anatomy" e há pouco mais de um ano lançou o documentário póstumo "And Everything Is Going Fine".

Não é o caso de detalhar, tentar reproduzir, mas de ler. É barato e de fácil acesso, em e-book. Para quem conheceu Gray e sua exposição no palco, o mergulho se aprofunda. É menos engraçado e leve, chega a ser terrível.

Escrito por Nelson de Sá às 10h32

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Lenise PinheiroO blog Cacilda é coordenado por Nelson de Sá, articulista da Folha, e pela repórter-fotográfica Lenise Pinheiro.

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