Cacilda
 

Luis Antonio Gabriela

A Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA) escolheu "Luis Antonio Gabriela" como a peça de 2011. Corri para ver a última apresentação no último domingo na Funarte, neste ano em que não consegui acompanhar teatro como antes.

Quando da estreia no início do ano no Centro Cultural São Paulo, Antunes Filho já comentava ser o melhor espetáculo na cidade. Não sou de listas de fim de ano, mas concordo agora que a peça de Nelson Baskerville fecha 2011 lá no alto, entre as melhores que pude ver.

É incontornavelmente emocionante, em seu relato não apenas da vida do menino Luis Antonio que se torna o transexual Gabriela, interpretados com encantamento por Marcos Felipe, mas de toda a família, a começar do irmão _o próprio diretor Baskerville.

A maneira como expõe a existência dos dois, recorrendo a documentos tiradas diretamente da realidade, como fotos, cartas e depoimentos, chega a ser avassaladora para as emoções do público. Não é possível resistir à avalanche, com tantas pontes que acaba fazendo, dramática e comicamente, com a vida em família de cada um da plateia.

Paradoxalmente, como recorre também à quebra de linearidade _o que é proposto em vídeo pelo próprio diretor, durante o primeiro ensaio com os atores, projetado durante a apresentação_ a resistência se torna ainda menor.

Não existe chance de falta de fé, de distanciamento, pois os mecanismos brechtianos antes usados para levar o espectador de volta à realidade, em contraste com o que vê no palco, são agora usados para corroborar aquela realidade que está lá, no mesmo palco. Como escreveu Christiane Riera, "as quebras confessionais emocionam pela verdade escancarada".

Em paralelo ao que realiza Baskerville com maestria, só consigo pensar em Spalding Gray e Karen Finley, na Nova York dos anos 80 e 90, que expunham suas existências de maneira igualmente crua.

Mas saindo do teatro, diante daquele entorno de realidade em que se transformou o quarteirão da Funarte no centro de São Paulo, quase uma segunda cracolândia, é inevitável racionalizar _e vêm então os questionamentos que perseguiam os mesmos Gray e Finley.

Assim, embora não propriamente linear e com efeitos de aparente distanciamento, "Luis Antonio Gabriela" é uma narrativa, não é a realidade _e a mente do espectador passa a se questionar quase imediatamente sobre algumas verdades, como o papel de irmão na família e a falta de abordagem da diferença étnica.

Nestes tempos de confessionalismo higienizado nas redes sociais e de "reality" integralmente editada na televisão de massa, com narrativas conduzidas ao gosto da audiência, para não dizer ao gosto dos anunciantes, qualquer realidade encontra um público aberto, receptivo, como eu mesmo me mantive ao longo de toda a apresentação, mas na superfície.

Escrito por Nelson de Sá às 13h26

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Assombrações do Recife Velho

Texto Gilberto Freire

Dramaturgia e Direção Newton Moreno

Atores Carlos Ataide, Cris Rocha, Carol Badra, Eduardo Reyes,

Erica Montanheiro, Katia Daher, José Roberto Jardim,

Mariana Souto Mayor, Marcelo Andrade, Paulo de Pontes e

Simone Evaristo

Cenários  Carol Badra, Leopoldo Pacheco, Marcelo Andrade e

Newton Moreno

Iluminação Alessandra Domingues

Figurinos Carol Badra e Leopoldo Pacheco

Espaço dos Fofos - SP

Encerramento da Temporada 2011

Escrito por Lenise Pinheiro às 14h46

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Cyrano de Bergerac

Texto Edmond Rostand

Tradução Marcos Daud

Direção João Fonseca

Atores Bruce Gomlevsky, Julia Carrera, Sergio Guizé, Alexandre Contini,

Daniel Zubrinsky, Gustavo Damasceno, Ricardo Ventura, Ivan Vellame,

Dida Camero, Yasmin Gomlevsky, Gaspar Filho, Arthur Brandão,

Gláucio Gomes e Ricardo Tostes

Cenografia Nello Marese

Iluminação Luiz Paulo Nenen

Figurinos Inês Salgado

Operador de Luz Katia Barreto

Operador de Som Gutto Dutra

Camareira Sonia Maria

Centro Cultural Banco do Brasil - SP

Sextas e Sábados 19h30 Domingos 18h

Temporada Volta em 13 de Janeiro de 2012

Escrito por Lenise Pinheiro às 14h11

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Lenise PinheiroO blog Cacilda é coordenado por Nelson de Sá, articulista da Folha, e pela repórter-fotográfica Lenise Pinheiro.

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