Cacilda
 

As 3 Velhas - Nova Temporada

Texto Alejandro Jodorowsky

Idealização Teatro Pândega

Direção Maria Alice Vergueiro

Atores Maria Alice Vergueiro, Luciano Chirolli, Danilo Grangheia

e Marco Luz

Direção de Arte Simone Mina e Carol Bertier

Desenho de Luz Alessandra Domingues

Tradução Fábio Furtado

Assistência de Direção Carolina Splendore, Aila Rodrigues

e Viviane Palandi

Direção de Produção e Administração Marcio Gallacci

Assistente de Produção e Direção de Palco Tiago Miranda

Produção Executiva Elisete Jeremias

Trilha Sonora Original Otavio Ortega

Realização e Produção Luciano Chirolli Produções Artísticas

Galpão do Folias - SP

Quintas a Sábados 21h30 Domingos 19h

Escrito por Lenise Pinheiro às 20h40

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Cartas de Amor para Stálin

Jamais vi uma peça de Mikhail Bulgakov. Já li "O Mestre e Margarida", até escrevi sobre o romance póstumo semi-autobiográfico, quando saiu em tradução da Ars Poetica, quase duas décadas atrás. Também a pequena biografia que ele escreveu de Molière, com quem se identificava no teatro.

Mas nada das peças. A vida trágica do dramaturgo russo é tão instigante para o Ocidente, o contraste entre seu humor e o que a Rússia socialista fez com ele é tão chocante, que o que chega de Bulgakov é quase sempre sobre sua vida, não sua obra teatral, origem dos problemas.

Talvez "Cartas de Amor para Stálin", em cartaz no Sesc Santana, seja também resultante deste fascínio externo com a opressão de sua vida. O dramaturgo está presente, mas como personagem acuado, confuso, dramático, nada sarcástico diante do poder sem limites do ditador.

O Stálin no palco é uma criação sua, peça-dentro-da-peça, imagem que o artista prisioneiro, impotente, consegue projetar. Mas é ainda assim a presença mais forte, entre os personagens que o dramaturgo espanhol Juan Mayorca colocou em cena.

Ricardo Bittencourt não tem muito com que trabalhar, faz o possível com seu Bulgakov obcecado pelo ditador que havia visto tantas vezes as suas peças e o sufoca tão diretamente, pessoalmente. O texto deixa no ar, mas indica que o célebre telefonema de Stálin para Bulgakov não passa de alucinação, parte de sua obsessão.

Independente de origem real ou imaginária, o Stálin do telefonema e depois no palco é o que há de mais impressionante em "Cartas". Como em "O Mestre e Margarida", no qual a peça parece ter se baseado, mais até que nas cartas, o demônio rouba a cena do casal _até porque este se mantém longe da paixão que havia entre O Mestre e Margarida.

A diferença é que o sarcasmo, que vaza por todo lado no romance, na peça de Mayorca se restringe, fugaz, ao próprio diabo. E este é uma incorporação da paranóia do Bulgakov da peça, o que enfraquece ainda mais a personagem do dramaturgo, pois seu antagonista é imaginário na própria trama.

Stálin, de qualquer maneira, poderia carregar a peça sozinho. Suas intervenções diretas, relativamente poucas e curtas, expulsam o que há de dramático e autopiedoso na trama, dando lugar a um desrespeito sarcástico que, este sim, faz lembrar a escrita de Bulgakov.

É com este Stálin que Bete Coelho se deleita _e não com a mulher de Bulgakov, que interpreta até por mais tempo no palco. Nas suas mãos, o ditador ganha gestos imprevisíveis, reações tresloucadas, ecoando outros ditadores histriônicos e abrindo caminho, enfim, para o riso.

No que parece indicar uma criação conjunta com a direção de Paulo Dourado, a cena em que Stálin/Bete Coelho pisa sobre o peito de Bulgakov/Ricardo Bittencourt, cabeça suspensa para fora do palco, é a imagem que sintetiza o espetáculo.

A encenação ganha muito com o cenário de Flávia Soares e a direção de imagens de Gabriel Fernandes, que recorrem às artes gráficas e plásticas e ao cinema da Rússia naquele início do século 20.

Também com o envolvimento de Manuel da Costa Pinto, na tradução, na adaptação e no programa.

Não consigo especular o motivo, mas a Rússia volta a interessar o teatro por aqui, com autores contemporâneos como Ivan Viripaev, cujo "Oxigênio" está para estrear no Sesc Pompéia, e Alexander Galin, cujo "Casting" foi apresentado no Sesc Vila Mariana no ano passado.

Pelo pouco que pude conhecer de Bulgakov, a dramaturgia de ambos remete muito mais a ele do que a Tchecov ou Gorki. Se ao menos alguém montasse "Os Turbins", que Stálin viu 15 vezes, como diz "Cartas", ou "Batum", que exalta a juventude do mesmo Stálin, mas foi por ele proibida... Talvez algum dia.

PS 18.8 - Comentário enviado por Ricardo Bittencourt:

Nelson,
Sempre te li.
E te admiro muitíssimo.
Por isso, e só por isso, te escrevo.
O texto Cartas de Amor para Stálin não é historicista.
O Bulgákov do Mayorga é um personagem recriado, reinventado.
Também eu me afligi no início do nosso processo, afinal estudei bastante a vida do poeta, escritor, dramaturgo Michail Bulgákov.
Buscava na peça a personalidade e fatos que historiadores nos revelam como reais.
Até compreender e aceitar que o Bulgákov do Mayorga é mesmo o sujeito acuado e atormentado tão bem descrito por vc em seu artigo.
E sem rigor histórico, ou melhor, com total liberdade poética para a reinvenção deste sujeito e de sua realidade.
Também nós, em algum momento no começo dos ensaios, pensamos em incluir no texto original do Mayorga fragmentos da narrativa do Bulgákov que revelam uma personalidade, brilhantemente, satírica.
Mas, aí, não seria mais a peça escrita por Mayorga.
Seria outra obra.
A grandeza dos personagens da peça está na construção do discurso do autor, nas repetições, sutilmente, alteradas.
O Stálin da peça massacra mesmo o nosso poeta.
Por isso, a peça nos interessou e impressionou: como os poderes interferem em nossas criações e vidas e, como, quase sempre, nos afeta.
Nelson, trabalhei muito. Um trabalho duríssimo.
Arrisco afirmar que nunca havia trabalhado tanto em ensaios.
Daí a minha surpresa quando li em seu comentário que eu não tenho muito com que trabalhar neste espetáculo, devido ao enfraquecimento do personagem pelo próprio autor.
Este foi o meu trabalho, um desafio enlouquecedor: dar passagem para um personagem que só se enfraquece durante a trama, mas que existe, sim, dramaturgicamente.
Nosso Bulgákov é espelho da situação dos nossos artistas.
Estamos sendo massacrados, porém continuamos vivos e atuantes, mesmo que, às vezes, delirantes.
Beijão.
Ricardo Bittencourt.

Escrito por Nelson de Sá às 16h04

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AS Bruxas de Eastwick

Versão Brasileira / Supervisão Musical Claudio Botelho
Direção Charles Möeller


Atores Maria Clara Gueiros, Sabrina Korgut, Renata Ricci,

Eduardo Galvão, Fafy Siqueira, Renato Rabelo,

Clara Verdier, André Torquato, Ben Ludmer, Isabella Moreira

e Larissa Manoela



Cenógrafia Rogério Falcão
Figurinos Marcelo Pies



Iluminação Paulo César Medeiros


Música Marcelo Claret

Efeitos Especiais Heitor Cavalheiro


Diretores de Palco Leslie Pierce e Lucas Farias


Coro Feminino Beatriz Lucci, Germana Guilherme, Giselle Lima ,

Karina Mathias, Ivana Domenico , Juliana Lago ,

Séfora Araújo e Vanessa Costa

Coro Masculino Blota Filho, Daniel Nunes, Bruno Kimura,

Patrick Amstalden, Willian Anderson, Renato Bellini,

Paulo de Melo e Alan Rezende


Diretor Musical Marcelo Castro
Regencia / Diretor Musical Assistente Guilherme Terra
Coreográfo Alonso Barros

Coordenadora Artística Tina Salles


Maquiagem Beto Carramanhos


Teatro Bradesco - SP

Quintas e Sextas 21h Sábados 17h e 21h Domingos 16h e 20h

Escrito por Lenise Pinheiro às 13h23

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Lenise PinheiroO blog Cacilda é coordenado por Nelson de Sá, articulista da Folha, e pela repórter-fotográfica Lenise Pinheiro.

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