Cacilda
 

45 MINUTOS

Texto Marcelo Pedreira

Direção, Cenografia e Iluminação Roberto Alvim

Ator Caco Ciocler

Figurinos, Preparação Vocal e Corporal Juliana Galdino

Operação de Luz Juca Baracho

Operação de Som Leandro Lapagesse

Produção Marcelo Chaffin

Direção de Produção Miriam Juvino

Centro Cultural São Paulo - Sala Jardel Filho - SP

Quintas, Sextas, Sábados 21h Domingos 20h

Escrito por Lenise Pinheiro às 14h57

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Carne - Patriarcado e Capitalismo

Roteiro Fernanda Azevedo e Fernando Kinas

Direção Fernando Kinas

Atrizes Fernanda Azevedo e Monica Rodrigues

Direção Musical Eduardo Contrera

Produção Luiz Nunes

Teatro Coletivo - SP

Sextas e Sábados 21h Domingos 20h

Escrito por Lenise Pinheiro às 14h46

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Sem Pensar

É uma bela peça, "Spur of the Moment", Sem Pensar, na tradução. Entendo agora por que tanta atenção quando de sua estreia no Royal Court, há exatamente um ano. À maneira de David Mamet, sua jovem autora, Anya Reiss, joga com um escândalo moral corrente, no caso, a pedofilia, tão presente das séries americanas de TV ao noticiário do Vaticano.

E o explora ao limite, sempre a um passo do horror ou da redenção, sem permitir ao espectador uma escolha fácil do caminho a seguir. É um crime? É apenas o moralismo que o faz assim, suprimindo o amor?

Na trama, um estudante de 21 anos vai morar, como inquilino, junto a um casal e a filha de 13 anos. O marido perdeu o emprego; a mulher o rejeita porque ele teve uma amante; o inquilino traz um passado de depressão e tentativa de suicídio. Não há um adulto na casa que não se apresente em estado de descontrole.

E a menina, como se descobre aos poucos, até a cena final, é quem precisa se virar para que o caos e a destruição não tomem conta. Em auto-sacrifício quase subliminar, mas bastante tocante, ela se mostra afinal o único adulto da casa, capaz de ceder para que não aconteça o pior.

Enquanto os adultos aceitam aliviados a ficção criada por ela, a menina, Delilah, é o único ser consciente no palco, entristecido, até embrutecido por sua própria racionalidade, que põe a casa e o mundo no eixo.

É pena que texto e personagem se percam em meio ao inacreditável histrionismo de Denise Fraga, que faz a mãe. Muito dele pode ser creditado ao diretor, mas é impossível esconder que a atriz quase suprime a tragédia da peça, com o que parece ser a enésima versão de sua Olímpia, que andou dando as caras até em Brecht.

A atriz pode ir _e já foi_ a extremos maiores de dramaticidade e sensualidade no palco, mas parece ter entregue os pontos. Ela é aquilo, não esperem que encontre nuances ou até sua face sombria. É o que sabe e quer fazer _ou pelo menos o que sabe que obtém boa recepção da plateia: sua risada escrachada, as palavras desperdiçadas, seu esforço para sufocar qualquer risco de revelação.

E Denise Fraga sabe o que está fazendo. Diz no programa que, em meio ao entretenimento sem parada, espera que o espectador leve algo para pensar.

Mas isso não basta, falta a experiência do momento, sem ela não há teatro. Um contraste possível, até inevitável, é com a tragicômica interpretação de Mariana Lima em "Pterodáctilos", em que a atriz faz rir, mas seu simples olhar derrama tristeza, dor aguda.

Em "Sem Pensar", quem chega mais perto é Júlia Novaes, que faz a menina. A consciência que projeta, quando mata seu amor juvenil, pelo bem do próprio objeto de seu amor, vale a entrada.

Escrito por Nelson de Sá às 15h47

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Cemitério de Elefantes

Espaço dos Satyros 2 - SP

Terças 22h

Escrito por Lenise Pinheiro às 16h54

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Lenise PinheiroO blog Cacilda é coordenado por Nelson de Sá, articulista da Folha, e pela repórter-fotográfica Lenise Pinheiro.

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