Cacilda
 

Teat(r)o Oficina - 2011

Tarde de sexta 10 de junho

Ensaio com Zé Celso para a Ilustrada

Aqui, a entrevista na íntegra

Inspirado em Catherine Hirsch

Roderick Humeres

Camila Mota

Flavia Lobo Soares, Gabriela Mellão e Lina Bo Bardi

Vai dar tudo certo

 

Escrito por Lenise Pinheiro às 21h24

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A Virgem de Orleans

Passei a apresentação de "Joana d'Arc - A Virgem de Orleans", de Friedrich von Schiller, lembrando de tempos em tempos da "Santa Joana dos Matadouros", de Bertolt Brecht, que conheço um pouco mais. Era um alemão dialogando com o outro, passo a passo.

Depois fui ler que Brecht construiu, de fato, uma antipeça, contra o romântico Schiller, de quem parodiou cenas inteiras, criticamente.

Schiller construiu uma personagem e uma peça, de fato, inebriantes. Na tradução de Mario Vitor Santos, na encenação de Marcelo Fonseca e no empenho da protagonista Liz Reis, a heroína acende todas as luzes da empatia e faz _ou pelo menos fez comigo_ chorar por ela.

Na resistência muda à injustiça ou na coragem cega contra os assassinos das crianças francesas, o espectador está com Joana. Confia nela como se fosse, de fato, representante de Deus, do destino. A visão celestial, logo de cara, é aceita com inteira suspensão da falta de fé.

Para aliviar o engajamento ou talvez para permitir alívio cômico ao longo espetáculo, a encenação espalha intervenções mais inspiradas em Brecht do que no texto de Schiller. Um olhar direto para plateia, uma piada física sobre a masculinidade francesa, outra sobre o mercantilismo clerical.

É o melhor da encenação, que reuniu elenco extenso mas parece enfrentar limitações grandes de orçamento, a começar do decaído teatro Bibi Ferreira.

Liz Reis tem a beleza, o vigor e a paixão para Joana, mas também tem seu limite na voz. No elenco, o próprio Fonseca, talvez por acumular a direção, carrega na ironia e perde na paixão. (Seu romântico "Baal", curiosamente de Brecht, foi a lembrança que voltou agora, em contraste.)

Quaisquer que sejam as restrições a esta primeira montagem de "A Virgem de Orleans" no Brasil, Schiller leva o espetáculo de roldão. A plateia, de noite popular, prendeu o olhar no palco ao longo de mais de duas horas. Só foi mostrar inquietudade perto do fim, mas então o metrô já estava para fechar.

Escrito por Nelson de Sá às 10h46

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Lenise PinheiroO blog Cacilda é coordenado por Nelson de Sá, articulista da Folha, e pela repórter-fotográfica Lenise Pinheiro.

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