Cacilda
 

A Lua Vem da Ásia

Texto Walter Campos de Carvalho

Direção Moacir Chaves

Ator Chico Diaz

Muito obrigada Maite Urias e Milton Santos

Teatro do Centro Cultural Banco do Brasil - SP

Sextas e Sábados 19h30  Dom 18h

Escrito por Lenise Pinheiro às 11h45

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Joana D'Arc - Ensaio na Oficina Oswald de Andrade

Texto  Friedrich Von Schiller


Tradução Mario Vitor Santos

Direção Marcelo Marcus Fonseca


Atores Liz Reis, André Latorre, Wanderley Martins,

Luis de Tolledo, Marcelo Marcus Fonseca,

Thiago Molfi, Urias Garcia, David Guimarães, Cláudio José,

Sonia Molfi, João Sant’Ana, Caio Blanco, Giulia Lancellotti,

Robson Monteiro, Marcus Fernandes, Talita Righini,

Paulo Solar, Louis Caetano, Vander Lins e Eraldo Junior

 

Iluminação Davi de Brito e Vânia Jaconis
Figurinos Liz Reis e André Latorre
Trilha Sonora Marcelo Marcus Fonseca e Thiago Molfi
Preparação Corporal Liz Reis


Adereços André Latorre e Beto Silveira
Maquiagem Robson Monteiro

Assessoria de Luta Tarcísio Lakatos e Sérgio Uberti



Direção de Produção Liz Reis
Produção Executiva Cia. Teatro do Incêndio

Estreia 18 de maio

Teatro Bibi Ferreira - SP

Quartas e Quintas 21 h

Escrito por Lenise Pinheiro às 12h34

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Casa/Cabul

Tony Kushner, enquanto "Casa/Cabul" estreava em São Paulo, estava no centro de mais um conflito em Nova York.

A universidade da cidade, CUNY, havia previsto para ele uma honra acadêmica, doutor em letras, mas o dramaturgo foi denunciado no conselho como um inimigo de Israel, no meio da decisão. Acabaram votando contra, vazou e desde quinta-feira não se fala de outra coisa no teatro de língua inglesa.

Solidários, homenageados de outros anos exigiram a retirada de seus nomes em mensagens ruidosas. Críticos intercederam, de Ben Brantley a Michael Billington. O "New York Times" publicou editorial dizendo que a universidade deveria se envergonhar e reverter sua decisão.

E agora há pouco o conselho da CUNY, convocado às pressas, voltou atrás, dizendo ter cometido "um erro de princípio".

Não sabiam com quem estavam mexendo. Tony Kushner, judeu, homossexual, é uma instituição da América progressista e do teatro.

"Angels in America", quase sozinha, duas décadas atrás, estimulou ou abriu caminho para a retomada da palavra no palco, reanimando até velhos autores que andavam mudos ou se restringiam a peças curtas, como Arthur Miller e Edward Albee.

Levantou-se uma geração, dos EUA à Inglaterra e à França e até ao Brasil. De uma hora para outra, todos escreviam para teatro.

Em suas peças Kushner, contrariamente à denúncia que o envolvia em ódio, é a própria expressão do ato de estender os olhos ao diferente, à paz, por assim dizer.

O primeiro quadro de "Casa/Cabul", um monólogo que Chris Couto defende com um domínio e um envolvimento que eu desconhecia, evidencia o que tanto enfureceu quem denunciou Kushner na universidade. (Jeffrey Wiesenfeld, indicado para o conselho por um ex-governador republicano.)

A senhora Ceiling, a personagem, é uma esposa e mãe inglesa que, depressiva e sem rumo, se identifica inusitadamente com o Afeganistão, seu povo, história. Nos atos seguintes, em que não aparece mais, ela é procurada em Cabul pelo marido e pela filha, eles também em uma viagem de encontro ao outro.

Kushner, que tem Brecht como uma de suas referências, sabe que escreve menos na tradição dialética e mais na corrente realista americana, que pontua com um humor que é bem seu e o torna singular.

Sua marca maior é a política, o diálogo imediato com os conflitos da realidade. No caso, "Homebody/Kabul" foi escrita pouco antes dos ataques de 11 de setembro de 2011 e estreou três meses depois, em plena Nova York sob choque.

E agora chega ao Brasil na semana em que Osama bin Laden foi executado, não no Afeganistão, mas no Paquistão ao lado, parte, como retrata a peça, da mesma cultura pachto. Não são coincidências: é o diálogo de Kushner com a realidade.

Como sempre em sua dramaturgia, a estrutura é irregular, aparente "work in progress", com cenas que caminham quase sozinhas.

Por exemplo, pai, filha e um diplomata inglês viciado em heroína vivem uma cena surreal no quarto do hotel que parece homenagear "Blasted", de Sarah Kane _que remetia a outra guerra do Ocidente com o outro.

O diretor Zé Henrique de Paula segue a deixa do dramaturgo e de seus personagens e identifica, de forma inusitada e com grande efeito, a montagem com o Afeganistão, levando aos poucos também o espectador. Resultado de longa preparação, personagens paquistaneses falam a língua, dançam e agem como tal.

Não é difícil compreender o que tanto afeta os fanáticos de várias filiações que, desde "Angels in America", erguem obstáculos a Kushner. E ele sempre passa por eles, sorrindo, sem jamais perder a piada.

No momento em que ainda é questionado pelo que escreveu ou opinou uma década atrás, está em cartaz em Nova York seu texto mais recente, ironicamente intitulado "Guia do Homossexual Inteligente para o Capitalismo e o Socialismo com uma Chave para as Escrituras". A temporada curta vai até domingo, no Public.

Escrito por Nelson de Sá às 23h58

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Lenise PinheiroO blog Cacilda é coordenado por Nelson de Sá, articulista da Folha, e pela repórter-fotográfica Lenise Pinheiro.

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