Cacilda
 

American Idiot

Antes que eu me perca por inteiro no trabalho, uma última nota sobre o teatro em Nova York.

Por insistência do meu filho de 14 anos, fui ver "American Idiot", idiota americano, musical que o diretor de "Spring Awakening", O Despertar da Primavera, convenceu o líder do Green Day, Billie Joe Armstrong, a criar _a partir do álbum de mesmo título, grande sucesso de seis anos atrás.

Não sou fã da banda neopunk da baía de San Francisco, mas conhecia alguma coisa. E o espetáculo foi revelador.

A partir das músicas originais, que compunham um mural da América pós 11 de Setembro, pessimista e desesperançada, mergulhada nas guerras do Afeganistão e do Iraque, nasceu um dos musicais mais niilistas que eu já havia visto _e eu vi muito Sondheim...

Na narrativa criada para o palco pelo próprio Armstrong, três amigos pós-adolescentes tomam caminhos distintos nessa América suburbana de George W. Bush: o herói vai para a metrópole; outro fica para trás na cidade interiorana, após engravidar a namorada; o terceiro também vai para a cidade grande, mas não se adapta e parte para a guerra.

Os três se dão muito mal. O protagonista mergulha em drogas pesadas e na frustração; o que ficou para trás acaba se separando e perde a família; o militar perde uma perna no Iraque.

Os melhores quadros musicais envolvem Johnny, o herói ou anti-herói, e St. Jimmy, seu alter-ego de sonho, punk e suicida _de longe o grande personagem do espetáculo.

As músicas são, em grande parte, hits já conhecidos e que a plateia acompanha mexendo os lábios ou cantando descontroladamente. Não há orquestra, mas uma banda no palco. O volume é altíssimo. O público mais parece de show do que da Broadway; boa parte parece estar vendo pela terceira, quarta vez.

De vez em quando, ao longo da temporada, o próprio Amstrong assume algum papel, substituindo atores por alguns dias. Foi assim com Johnny e com St. Jimmy. Agora se anuncia que Melissa Etheridge, a cantora pop, é quem vai passar um tempo como Jimmy.

Em suma, é um "rock musical" na tradição de "Hair" ou "Rent", mas com uma trama menos convincente e personagens menos definidos, além de um final aberto, confuso. Aproxima-se mais da "ópera rock" de bandas como The Who e criações como "Quadrophenia", em que as canções concentram a atenção, não a dramaticidade.

E é certamente um espetáculo pop, de sucesso, uma das poucas produções do ano passado que sobreviveram à virada do ano na Broadway. Deve estimular ainda mais a crescente face pop do teatro de Nova York, parte da diversidade demográfica que este vem buscando desde a chegada das corporações de entretenimento.

Já está em pré-estreias uma comédia musical que reúne os criadores de "South Park" e de "Avenue Q", intitulada "The Book of Mormon", cujos primeiros relatos descrevem como muito engraçada e ofensiva, com números como "Fuck You, God".

Também se fala de uma versão de "Fight Club", Clube da Luta, não sei se com ou sem Pixies. E tem, claro, "Spiderman", do U2.

Escrito por Nelson de Sá às 22h59

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A Árvore Seca

Texto Alexandre Sansão

Direção Antonio Vanfill e Leandro Goddinho

Atriz Ester Laccava

Cenário Marcelo Larrea

Iluminação Marcelo Montenegro

Figurino Antonio Vanfill

Trilha Sonora Ester Laccava e Leandro Goddinho

Operação de Luz e Som Vinicius Andrade

Produção Executiva Alexandre Lacava

Produção Mariana Marcondes

SESC Pinheiros - Auditório - SP

Sextas e Sábados 21h

Escrito por Lenise Pinheiro às 10h06

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Lenise PinheiroO blog Cacilda é coordenado por Nelson de Sá, articulista da Folha, e pela repórter-fotográfica Lenise Pinheiro.

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