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Spider-Man: Turn Off the Dark

Na virada do ano, "Spider-Man: Turn Off the Dark" foi manchete no "New York Post" de Rupert Murdoch, "Mangled web", teia rasgada, dizendo do suposto risco de que o musical nem sequer estreie. Na verdade, porém, a peça já está em cartaz.

Mais de dois meses de pré-estreias, "previews", ao preço de um espetáculo em cartaz, quase US$ 300 para os melhores lugares, chamaram a atenção até da procuradoria, que cobrou dos produtores mais respeito ao consumidor.

Também já levaram ao menos duas publicações locais a avançar o sinal e adiantar relatos mais ou menos críticos, abrindo debate sobre o próprio jornalismo _que envolveu o lendário (e cruel) John Simon, ex-crítico da "New York", hoje blogueiro.

Antes mesmo da manchete, o "Post" já estava em campanha contra "Spider-Man" por conta do alto custo da produção, também destacado pelo programa "60 Minutes" ainda em novembro, e depois pelos primeiros acidentes com os atores.

(Também pode ter influenciado o tabloide, em sua guerra contra o musical, o ataque que é feito do palco à própria imprensa, na figura do publisher J. Jonah Jameson, do tabloide fictício "Daily Bugle", que persegue o Homem-Aranha e distorce a realidade.)

"Spider-Man" é o espetáculo teatral de maior repercussão que já presenciei. Envolvendo Marvel, a diretora Julie Taymor e os compositores Bono e The Edge, do U2, virou febre antes mesmo de começarem os ensaios no teatro Foxwood.

A sala foi contratada e reformada por ser a única com proporções aceitáveis, na Broadway, para o tamanho da produção. Foi o que avisou o produtor executivo ao reabrir as cortinas para mais uma pré-estreia, nesta semana, sob o impacto de novo acidente.

Desta vez com imagens de celular, a queda de um dos bailarinos que fazia o Homem-Aranha foi seguida do afastamento oficial da atriz que fazia uma das personagens centrais, Arachne, ferida numa pré-estreia anterior.

Com custos hollywoodianos, inicialmente US$ 25 milhões mas já em US$ 65 milhões, não é um grande musical, até o momento. Está longe do melhor de Julie Taymor no palco, com "The Lion King" (97) ou a ópera "The Magic Flute" (04).

Desta vez, a ascendência da diretora sobre roteiro e música é ainda maior, mas o resultado é irregular e confuso. (É preciso anotar que muito ainda pode mudar até a estreia oficial, prevista agora para 7 de fevereiro.)

Ela acrescentou à trama do gibi dos anos 60 e do filme de 2002 a citada Arachne, com a qual teria sonhado anos atrás _e que guarda relação próxima demais com a Rainha da Noite de sua "Flauta Mágica", inclusive no figurino e nas "fúrias".

A nova personagem busca dar um viés mítico grego à história em quadrinhos, quase uma justificativa. Na mesma direção, um grupo de jovens fãs de HQ, quatro "geeks", reconta a história do Homem-Aranha remetendo aos coros gregos.

Mas as novidades se integram mal à trama conhecida, que vira uma balbúrdia e esconde até o romance entre Peter Parker/Homem-Aranha e Mary Jane Watson. No segundo ato, é mais a história de Arachne do que de Spider-Man, o personagem-título.

De roldão, a barafunda leva também as canções de Bono e The Edge. Ainda se percebem suas marcas, nos riffs das guitarras em pleno palco ou no canto atormentado, mas a música é acessória no espetáculo, não central.

E a maior aposta de Bono para seu primeiro musical, a canção "A Freak Like Me Needs Company", sua "Send in the Clowns" para levantar o público perto do final, foi simplesmente recusada pela diretora, ainda nos ensaios, e trocada por outra.

Como se percebe, o conflito neste "Spider-Man" não é restrito aos atores feridos nas acrobacias aéreas _de resto anticlimáticas, uma versão piorada dos números com cabos dos filmes chineses que andaram em voga.

Os acidentes, com a campanha escandalosa do "Post", na qual embarcaram "New York Times", revistas, telejornais de CBS, NBC e ABC, canais de notícias, esconderam os problemas maiores do espetáculo e o enredaram em um frenesi midiático.

A mediação crítica ficou por conta da internet, fragmentada em blogs e sites de discussão como All That Chat. Ao que consta, foram eles e não os acidentes que levaram ao adiamento da estreia oficial, para ajustes.

Escrito por Nelson de Sá às 12h20

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Resta pouco a dizer

Textos Samuel Beckett

Concepção, Cenografia e Direção Adriano Guimarães e Fernando Guimarães

Atores Bruno Torres, Camila Evangelista, Diego de León, Fábio Barreto,

Felipe Ventura, Leandro Menezes, Mateus Ferrari, Michelly Scanzi,

Otávio Salas, Tati Ramos e Valéria Rocha

Figurinos Ana Miguel

Iluminação Dalton Camargos

Montagem e Operação de Luz Emmanoel Queiroz

Cenotécnico Josenildo Sousa

Produção Executiva Bruna Madsen e Claudio Codagnola

Teatro SESC Anchieta - SP

Sextas e Sábados 21h Domingos 19h

Escrito por Lenise Pinheiro às 18h35

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Lenise PinheiroO blog Cacilda é coordenado por Nelson de Sá, articulista da Folha, e pela repórter-fotográfica Lenise Pinheiro.

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