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"Contested Will", segunda parte

O diretor Roland Emmerich, que destruiu o mundo em "2012" e chegou perto em "Independence Day", agora busca a destruição de William Shakespeare. Em sua nova produção, "Anonymous", a ser lançada no ano que vem, ele narra como o conde de Oxford, Edward de Vere, em meio à disputa pela sucessão de Elizabeth, escreveu as peças e os poemas e creditou ao tal ator provinciano.

"Contested Will", recém-lançado por James Shapiro, é uma coluna de resistência à carga hollywoodiana. Na primeira metade, tratada aqui, o livro descontruiu a origem da "questão da autoria" e os furos das primeiras alternativas dadas a Shakespeare, sobretudo Francis Bacon. Na segunda, concentra o fogo em Oxford e termina com a defesa do bardo.

Esta última apresenta como provas os registros das eras elizabetana e jacobina _e indica que há muito mais_ sobre Shakespeare. Sem se estender, busca deixar claro por que ele, Shapiro, vê a bibliografia anti-shakespeariana não como fonte para compreender a obra, mas como objeto para a identificação de um fenômeno contemporâneo, parte teoria de conspiração, parte culto de personalidade.

Sobre Oxford, questiona como o inglês John Thomas Looney, ao lançar a hipótese em 1920, levou para a história teatral uma frustração pessoal que trazia de seu envolvimento com a "Igreja da Humanidade", o positivismo inglês. Afastado pela seita após uma disputa de poder, Looney teria buscado no conde um paralelo de injustiça e perseguição.

Mais importante, teria encontrado no conde de Oxford _que nas intrigas elizabetanas seria mais simpático ao conde de Essex, este um símbolo da ordem cavalheiresca medieval_ o seu modelo de "condenação da igualdade revolucionária" moderna. Looney defendia o autoritarismo em oposição ao caos democrático. E chegou a deixar manifestações de anti-semitismo.

No exemplo mais corcante dado por Shapiro, Looney sugere que, ao escrever "O Mercado de Veneza", Oxford retratou a si mesmo como Antonio e ao ator Shakespeare como Shylock.

"Contested Will" volta a tratar de Freud e seu "entusiasmo" por Looney. Cita textos em que ele se declara um "seguidor" _e em que diz que, ao contrário de Shakespeare, Oxford perdeu o pai antes de "Hamlet". Mas também cita uma carta de Looney a Freud, expondo seu anti-semitismo. E lamenta que o segundo tenha preferido "fechar os olhos".

Mais do que Looney e seus seguidores até hoje, inclusive aqueles que aprofundaram a teoria conspiratória e passaram a dar Oxford como filho bastardo de Elizabeth, portanto herdeiro, o alvo do livro é Freud. Com sua seleção de trechos de cartas e outros escritos, Shapiro temerariamente questiona não apenas a origem da teoria edipiana, mas as motivações do pai do psicanálise.

Vale anotar que "O Tempo e o Cão", livro de Maria Rita Kehl lançado no fim do ano passado e já tratado aqui de passagem, abre caminho menos temerário _e, acredito, mais instigante_ para abordar não a teoria edipiana, mas a melancolia ou depressão que caracteriza o personagem que tanto impressionou e influenciou Freud, Hamlet.

Na minha leitura, Kehl resgata o príncipe da Dinamarca _que mal é citado em seu livro, registre-se_ da cela familiar em que ele foi trancado no último século. A melancolia ou depressão, hoje epidemia mundial, já não pode ser explicada tão-somente pela morte do pai ou pela traição da mãe. É a sociedade que tem "algo de podre", que está "fora do eixo", e afeta o indivíduo. Escreve ela:

Minha hipótese é que as depressões, na contemporaneidade, ocupam o lugar de sinalizador do "mal-estar da civilização" que desde a Idade Média até o início da modernidade foi ocupado pela melancolia... Analisar o aumento das depressões como sintoma do mal-estar social no século 21 significa dizer que o sofrimento dos depressivos funciona como sinal de alarme contra aquilo que faz água na grande nau da sociedade maníaca em que vivemos.

Escrito por Nelson de Sá às 02h53

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Tudo que eu queria te dizer

Texto Martha Medeiros

Direção Victor Garcia Peralta

Atriz Ana Beatriz Nogueira

Espaço Cênico Victor Garcia Peralta

Iluminação Maneco Quinderé

Trilha Composta Gabriel Mesquita

Diretor de Cena Daniel Rodrigues

Operador de Luz e Som Rogério Medeiros

Direção de Produção Fernanda Signorini

Centro Cultural Correios - Rio de Janeiro

Quintas, Sextas, Sábados e Domingos 19h

Escrito por Lenise Pinheiro às 19h08

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Ópera dos Vivos - Estudo teatral em 4 atos

Dramaturgia e Direção Sergio de Carvalho

Atores

 

          Adriana Mendonça

          Ana Cristina Petta

          Carlota Joaquina

          Carlos Escher

          Helena Albergaria

          Ney Piacentini

          Renan Rovida

          Rodrigo Bolzan

          Rogério Bandeira

Criação de Audiovisual Luiz Gustavo Cruz

Direção Musical Martin Eikmeier

Músico Maurício Braz

Criação Audio Visual Luiz Gustavo Cruz

Pesquisa, Asssistência de Direção e Produção Roberta Carbone

Produção João Pissarra

Centro Cultural Banco do Brasil - Rio de Janeiro

De quinta a Domingo 19h30

Escrito por Lenise Pinheiro às 07h46

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Comunicação a uma Academia

Texto Franz Kafka

Direção Roberto Alvim

Atores Juliana Galdino e José Geraldo Jr.

Espaço Sesc - Copacabana - Rio de Janeiro

Quintas 20h Sextas e Sábados 21h30 Domingos 20h

Escrito por Lenise Pinheiro às 16h33

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O Matador de Santas

Texto Jô Bilac

Direção Guilherme Leme

Atores Angela Vieira, Tonico Pereira, Izabella Bicalho e Rafael Sieg

Cenografia e Figurinos Leopoldo Pacheco

Iluminação Maneco Quinderé

Oi Futuro - Flamengo - Rio de Janeiro

Domingo 19h30

Em Breve

Teatro Clara Nunes - Gávea - Rio de Janeiro

Terças e Quartas 21h Quintas 17h

Escrito por Lenise Pinheiro às 15h36

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Lenise PinheiroO blog Cacilda é coordenado por Nelson de Sá, articulista da Folha, e pela repórter-fotográfica Lenise Pinheiro.

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