Cacilda
 

Tríptico [Richard Maxwell] Burger King

Texto Richard Maxwell

Direção Roberto Alvim

Tradução Roberto Alvim e Danielle Cabral

Atores Ana Paula Csernik, Janaina Aphonso, Kenan Bernardes,

Renato Forner, Ricardo Grasson e Rodrigo Pavon

Cenografia Roberto Alvim

Figurinos Juliana Galdino

Iluminação Roberto Alvim e Wagner Antônio

Club Noir - SP

Sextas 21h

Escrito por Lenise Pinheiro às 18h53

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"Contested Will", primeira parte

Nos estudos shakespearianos, James Shapiro é hoje, até onde posso perceber, a maior referência. Professor de Columbia, ele escreveu e acaba de lançar "Contested Will", que li até a metade e quero começar a comentar aqui, e antes publicou "1599", que já chegou e vou ler em seguida. Nenhum dos dois livros saiu no Brasil, por enquanto.

"Contested Will" ou Will contestado, ou ainda testamento contestado, tem por subtítulo "Who Wrote Shakespeare", quem escreveu Shakespeare. Shapiro disseca a história já de dois séculos do questionamento da autoria das peças e dos poemas por William Shakespeare.

Não que concorde, pelo contrário. O que faz é tentar compreender o que levou grandes escritores e pensadores como Freud, Henry James e Mark Twain a duvidar que o homem de Stratford tenha criado as obras. E também por que, depois de dois séculos da morte, começou o questionamento.

Se compreendi bem _e antes de entrar no que parece ser o mais radical do livro_ Shapiro credita a reação à frustração com a relativa falta de informações sobre a vida do poeta. E a consequente busca delas nas suas próprias peças e nos Sonetos, aproximando Shakespeare de seus personagens.

Foi o que começaram a fazer os que endossavam o bardo e também, na sequência, os que não identificaram nos personagens o ator provinciano, de vida familiar, escolar e comercial aparentemente medíocre.

Até então, início do século 19, não havia a atenção que se passou a dar à autobiografia, ao artista se sobrepondo à arte. O olhar do século 19 sobre o teatro da virada dos séculos 16/17, anacrônico como sublinha Shapiro, resultou na "questão da autoria". E teria se espelhado não só nos que duvidaram, mas também nos que seguiram acreditando, tão culpados quanto.

O movimento coincidiu ou foi estimulado pelos questionamentos de Homero e do próprio Jesus Cristo dos Evangelhos, que passaram na mesma época a ser vistos como mitos, não as figuras históricas descritas até então. Foi o início da "alta crítica", como se rotulou o estudo da Bíblia como literatura, não a palavra de Deus.

No caso de Shakespeare, começando pela americana Delia Bacon, que propõe Francis Bacon como verdadeiro autor, Shapiro detalha individualmente as motivações dos principais questionadores da autoria. As razões de Delia, por exemplo, ecoam sua formação puritana e uma tragédia amorosa. Ela termina louca, internada.

Os também americanos Mark Twain e Henry James, a seguir, são menos caricatos, mas igualmente dissecados por buscar e não encontrar no homem Shakespeare a grandeza que os dois escritores viam neles mesmos.

Em toda parte, Shapiro identifica o renitente preconceito com as "origens humildes" de Shakespeare. Mas Delia, Twain, James e outros são apenas uma preparação para o grande confronto, no meio de "Contested Will", que se revela quando ele ataca Sigmund Freud diretamente e com artilharia pesada.

Shapiro vê na leitura de "Hamlet" por Freud, logo após a morte de seu pai em 1896, a causa ou parte da causa do seu abandono da teoria da sedução em favor da teoria edipiana.

Mais precisamente, Shapiro ressalta a leitura por Freud de um livro de Georg Brandes que dizia que a peça havia sido escrita logo após a morte do pai de Shakespeare. Como afirmou o próprio Freud, um "acontecimento real", a morte do pai, teria levado a escrever "Hamlet".

"Hamlet" e sua melancolia se tornaram assim, tanto quanto "Édipo Rei", testemunhas centrais da nova teoria freudiana. Até que, mais de duas décadas depois, em 1921, um preocupado Freud escreveu a Ernest Jones que, em novo livro, Brandes se corrigia e afirmava que "Hamlet" era de 1599, antes da morte do pai.

Porém Freud não mudou de ideia e seguiu acreditando que "Hamlet" foi escrito após um experiência edipiana. Pouco depois, passou a confidenciar sua inclinação para a "questão da autoria". E logo abraçou publicamente a defesa de um autor alternativo, não Francis Bacon, mas o conde de Oxford, Edward de Vere.

Chegou até ele pelo responsável por lançar o novo candidato a autor de "Hamlet", John Thomas Looney, que publicou seu livro sobre Oxford em 1920, sendo lido pouco depois por Freud. Mas já é a segunda parte de "Contested Will", que comento num próximo post.

Escrito por Nelson de Sá às 03h24

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Fotografia de Palco

A Fotografia de Palco pode ser considerada como testemunho.
Documentos inspirados. Registros.
A arte milenar chamada teatro diverte e adverte.
Resfolegante e suada, serve ao público, conhecimento.
Tudo ao mesmo tempo. Ao vivo.
Os negativos e arquivos digitais produzidos pelos rastros dos atores.
Verdadeiros magos a meu ver.
Aos diretores... o prazer de reger a orquestra.
Aos fotógrafos... a missão de reverenciar a memória.
Minha pátria é o Teatro Brasileiro. E a sua?
Para Antunes Filho a Fotografia de Palco é "divertida, imaginativa,

desdobrável. De muitos e muitos momentos".
Para Zé Celso é "Obra de arte trans fotográfica".
Concordo com os dois. Em gênero, número e graus de miopia.
MERDA

Escrito por Lenise Pinheiro às 12h59

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Lenise PinheiroO blog Cacilda é coordenado por Nelson de Sá, articulista da Folha, e pela repórter-fotográfica Lenise Pinheiro.

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