Cacilda
 

Teatralidades Contemporâneas

Pelo que me contam os amigos, Luiz Fernando Ramos e Sílvia Fernandes são hoje os acadêmicos de teatro de maior atuação e reconhecimento, nesta geração, em São Paulo.

O primeiro é mais ativo na cena externa, crítico do jornal, editor na "Sala Preta" e agora também da "Olhares", que lança hoje no Conjunto Nacional junto com a biografia de Célia Helena por Nydia Licia. (Mais com Michel Fernandes.)

Sempre gostei do que Nando Ramos escreve, antes e agora no jornal ou no estudo que ele publicou a partir de "Cacilda!". Foi quem me deu a chave para situar e recusar o "teatro pós-dramático", mas não deixo de discordar dele, por exemplo, por não se permitir ver a grandeza _e a contemporaneidade_ do Hamlet de Marcelo Drummond.

Sílvia Fernandes, de certa maneira seu duplo, é mais recolhida nos escritos e mais propensa à teoria, até obsessiva. Seu livro recém-lançado, "Teatralidades Contemporâneas", uma coletânea de ensaios ao longo da última década, é uma viagem envolvente por seu pensamento.

O leitor acompanha SF no que parece uma busca pelo Graal da compreensão do teatro contemporâneo.

Paulo Francis, homem de teatro até sua morte, falava três décadas atrás que a crítica já era então inviável, pois não havia mais um programa comum, um ideário dominante a guiar artistas e seus críticos. Eu ouviria o mesmo, quase as mesmas palavras, anos depois, de Décio de Almeida Prado. A diversidade no pensamento do teatro havia tornado a crítica, acadêmica ou não, uma biruta de aeroporto. Artistas também, daí a fragmentação.

Pois SF parece não aceitar ou não se resignar com tal condição e, desde o primeiro texto da coletânea, se tomada cronologicamente, procura a iluminação que vai esclarecer o teatro contemporâneo, no Brasil e em todo o Ocidente.

"Teatralidades Contemporâneas" desvela como ela se desenvolveu desde Bernard Dort e Fredric Jameson, passando por Patrice Pavis, até Hans-Thies Lehman, para voltar e se definir em Pavis e no conceito de teatralidade como "instrumento eficaz de operação teórica do teatro contemporâneo", daí o título do livro.

É também o título do ensaio mais recente e aquele que, imagino, embora editado no meio do livro, marca o fim da viagem. Ela costura os teóricos já citados a outros, saltando da oposição à "arte do engano" em Platão para Josette Féral e encerrando ou sintetizando com o exemplo, que conheceu a fundo, do "BR-3" do Teatro da Vertigem:

Filtrados pelo olhar coletivo e deformados por essa modalidade contemporânea de teatralidade, performativa e fragmentária, [Brasília, Brasilândia e Brasiléia] tornam-se lugares de "desvio", irreconhecíveis em sua identidade original, mas propostos ao espectador como uma experiência radical de mergulho e reconhecimento de sua cidade e seu país.

É uma conclusão bela, estimulante, até fascinante. Mas sua longa busca, tudo o que ela vai vislumbrando e descobrindo ao longo do caminho, espelha melhor o teatro contemporâneo do que o pote no final do arco-íris.

Escrito por Nelson de Sá às 12h52

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(Depois de) Antes da Queda

Concepção, Direção e Criação Juliana Moraes

Cenário Marcia de Moraes, Stella Marini e Juliana Moraes

Iluminação André Boll

Criação e Interpretação Carolina Callegaro, Isabel Monteiro, Erica Tessarolo,

Beatriz Sano e Flávia Scheye

Produção Stella Marini

Centro Cultural São Paulo - Espaço Ademar Guerra - SP

Quarta a Domingo 19h

 

Escrito por Lenise Pinheiro às 10h19

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Lenise PinheiroO blog Cacilda é coordenado por Nelson de Sá, articulista da Folha, e pela repórter-fotográfica Lenise Pinheiro.

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