Cacilda
 

Música para Ninar Dinossauros

É um alívio ver que Mario Bortolotto escreveu uma comédia _e musical, ao menos parcialmente_ depois do que passou.

Uma comédia politicamente incorreta, misógina, como ele mesmo proclama no correr do texto; mas também de personagens ingênuos, adolescentes anacrônicos, antes filhos do que opressores das prostitutas que compõem metade dos 12 personagens, nesta produção de médio porte.

Por qualquer razão, que não consigo identificar, são as mulheres da plateia que riem mais, bem mais. Talvez porque os papeis masculinos se exponham quase como crianças. Ou talvez, fantasiei a certa altura, porque o autor e ator, no episódio célebre, enfrentou assaltantes que agrediam duas mulheres.

(Outra imagem, que cerca hoje a figura de Bortolotto e também é abordada subliminarmente na peça, é que os tiros que levou, os dias sob risco de morte e a cobertura espetacular elevaram o dramaturgo ao panteão de celebridade de mídia, embaralhando a relação usual da plateia com o palco. Para o bem e para o mal, em ondas.)

A peça é engenhosa, a mais bem construída das que vi dele, e prostituição e misoginia não são seus temas centrais, mas atalhos. Envelhecer, os amigos, amor e sexo: são estes os eixos. Por toda parte, as "one-liners" servem de porta de entrada para devaneios nada cômicos, num ruído constante de tristeza.

À primeira vista, o texto parece remeter à farsesca "E aí, Comeu?", de Marcelo Paiva, mas logo se percebe que não é o caminho do dramaturgo. É uma comédia amarga. Não falta sequer uma tentativa de suicídio, de uma das prostitutas, lá pelo meio. E a "bagagem" revelada pouco a pouco, por todos, remete ao vazio, mais do que à saudade.

Talvez a frase de maior eco seja aquela de que, afinal, "não tem importância". Sonhos, ambição, a própria vida, nada tem.

Em tempo, "Música para Ninar Dinossauros" é dividida em dois planos, o presente quarentão e o passado pós-adolescente de três amigos. Em ambas as cenas, que se entrecuzam seguidamente sem interagir, eles estão com mulheres, prostitutas às quais se apegam quase como outros amigos, com quem falam sem precisar conter gestos e palavras.

A qualidade da interpretação surpreende, em muitas das atrizes e principalmente nos dois amigos não originalmente atores do próprio dramaturgo, Lourenço Mutarelli e Carlos Carcarah.

Como em quase tudo, é possível identificar lembranças de amigos reais em seus personagens, amontoando piadas e abuso verbal com lealdade.

Vi no segundo dia, depois de uma estreia com muito atraso no festival de Curitiba, com problemas de iluminação e de ritmo, pelo que me contaram, e não vislumbrei maiores percalços.

É, muito provavelmente, o espetáculo de maior apelo de público que Bortolotto já escreveu, encenou e interpretou -e não só por ter se tornado celebridade.  Mas sua voz singular, sua auteridade, como descreveu o diretor Roberto Alvim há pouco, num debate de ambos aqui em Curitiba, está lá. Não se perdeu.

Escrito por Nelson de Sá às 19h45

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Perfídia quase Perfeita

Texto Carlos Correia Santos

Diretor Claudio Marinho

Atores Claudiane Carvalho e Geraldo Machado

Fundação Lala Schneider - Curitiba

Hoje à meia noite

Escrito por Lenise Pinheiro às 08h31

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John & Joe

19º Festival de Curitiba

Texto Agota Kristoff

Direção Eid Ribeiro

Atores Carlos Henrique, Chico Aníbal e Epaminondas Reis

Cenário Eid Ribeiro e Estevão Machado

Iluminação José Reis (foto) e Carlos Henrique

Figurinos Criação Coletiva

Novelas Curitibanas - Curitiba

Dia 19  de março 17h e 19h

Dia 20 de março 14h e 17h

Escrito por Lenise Pinheiro às 12h11

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Travesties

Texto Tom Stoppard

Direção e Iluminação Caetano Vilela

Atores Germano Melo, Roney Fachinni, Rodrigo Lopez, Manoel

Candeias, Roberto Borges, Fabiana Gugli, Patrícia Dinely e

Anette Naiman

Cenário William Pereira

Num clima operístico a cenografia forrará o palco do Guairão

com Folhas de Jornal

Figurinos Olinto Malaquias e Chris Aisner

Teatro Guaíra - Curitiba

Dias 19 e 20 de março às 21h 

Escrito por Lenise Pinheiro às 14h48

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Louco de Pedra para comemorar 3 anos de Cacilda Blog de Teatro

Texto Celso Cruz

Ator Dill Magno

Sala Londrina - Curitiba

Quinta 18h Sexta 21h

Escrito por Lenise Pinheiro às 16h39

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Corte Seco

Direção e dramaturgia  Christiane Jatahy


Colaboração dramaturgia  José Sanchis Sinisterra


Atores Branca Messina, Cristina Amadeo, Eduardo Moscovis, Felipe Abib,

Leonardo Netto, Marjorie Estiano, Paulo Dantas, Ricardo Santos,

Stella Rabello e Thereza Piffer


Cenário Marcelo Lipiani


Iluminação  Paulo César Medeiros


Músicas  Rodrigo Marçal
Orientação corporal  Dani Lima



SESC Anchieta - SP

Hoje 19h

Escrito por Lenise Pinheiro às 11h01

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Lenise PinheiroO blog Cacilda é coordenado por Nelson de Sá, articulista da Folha, e pela repórter-fotográfica Lenise Pinheiro.

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