Cacilda
 

Uma Empresa e seus Segredos

Zé Celso comentou tempos atrás e confirmou agora que preferia Maria Della Costa a Cacilda Becker. Pelo jeito, tudo mudou quando Cacilda rompeu com a ordem e liderou a classe na resposta a um editorial que pedia censura nos palcos de São Paulo, em 1968.

Fechou-se então o círculo histórico que identificou o teatro brasileiro moderno com São Paulo. "Uma Empresa e seus Segredos: Companhia Maria Della Costa" (Perspectiva), livro que me fascinou nestas férias no Rio, põe abaixo o mito da primazia paulistana e conservadora na modernização do teatro nacional.

A partir de sua estrela singular, Maria Della Costa, linda e engajada, que lançou Bertolt Brecht no país, estabelece toda uma cronologia histórica alternativa, popular e brasileira, paulista inclusive, mas também carioca, gaúcha, imigrante.

A modernidade se firmaria, não em 1948, com o Teatro Brasileiro de Comédia, TBC, em São Paulo, mas dez anos antes com o Teatro do Estudante do Brasil, TEB, no Rio, e com a direção de Itália Fausta para "Romeu e Julieta".

Gentile Maria Marchioro Polloni, Alessandro Marcello Polloni, Fausta Polloni, Ruggero Jacobi, Paschoal Carlos Magno. Os protagonistas desta nova velha história, com exceções, carregam a origem italiana _e são, em vários casos, esquerdistas notórios.

Tânia Brandão escreve, a certa altura, que "o namoro de Sandro Polônio e Maria Della Costa com o Partido Comunista, que já estivera em pauta com Itália Fausta e provavelmente foi estimulado por Miroel Silveira, será uma nota persistente em suas carreiras".

A autora não chega a afirmar ou sequer insinuar, mas a sensação deixada pelo livro, ao menos sobre mim, é de que houve um expurgo na história do modernismo brasileiro, não de ordem documental ou estética, mas política. E um expurgo que retrocede aos anos 20.

É indicação bastante a resistência permanente à aceitação não só do Teatro do Estudante, mas de experiências anteriores e que tiveram certa linearidade histórica, do Teatro de Brinquedo de Álvaro Moreyra ao Teatro da Experiência de Flávio de Carvalho e à dramaturgia de Oswald de Andrade, entre outros tantos.

As linhas se entrecruzam. Itália Fausta, tia que criou o produtor e ator Sandro Polônio e sogra de Maria Della Costa, esteve no Teatro do Estudante do Brasil e depois no Teatro Popular de Arte, primeiro nome da Companhia Maria Della Costa.

Paschoal Carlos Magno foi ator no Teatro de Brinquedo e antes, nos primeiros passos modernistas de Renato Vianna. Este, antes de dirigir a primeira peça modernista, em 1922, parceiro de Villa-Lobos e Ronald de Carvalho, escrevia para Itália Fausta.

E muitos daqueles que viriam a simbolizar a modernidade paulista nos anos 50 foram tirados do TEB e do Rio, de Ziembinski a Ruggero Jacobi na direção, de Sergio Cardoso à própria Cacilda Becker na interpretação _como mostra a "Cacilda 2", do Oficina.

"Uma Empresa e seus Segredos", na verdade, não se arrisca a voltar além de 1938, com o "Romeu e Julieta" dirigido por Itália Fausta para o TEB  de Paschoal Carlos Magno. Mas abre o caminho para uma revisão menos distorcida do teatro do século 20 no Brasil.

Em seus questionamentos a Décio de Almeida Prado, protagonista no estabelecimento da modernização conservadora e paulista do teatro, Tânia Brandão não chega a ser pioneira. Como ela mesma relata, dois críticos se ergueram desde logo.

Miroel Silveira, na "Folha da Manhã", e Ruggero Jacobi, na "Folha da Noite" e na "Última Hora", defenderam como puderam o Teatro Popular de Arte e sua sucessora Companhia Maria Della Costa do cerco de "O Estado de S. Paulo" e do TBC.

Miroel, de quem fui próximo, deixou um livro que de certa maneira precede cronologicamente este "Uma Empresa e seus Segredos", intitulado "A Contribuição Italiana ao Teatro Brasileiro". Como agora com Maria Della Costa, aquele se desenvolve em torno de Itália Fausta.

E Ruggero escreveu, já de volta à Itália, "Teatro in Brasile", jamais traduzido. Ele batalhou pelo teatro nacional e popular, sem trégua, e foi quem primeiro defendeu o valor de "O Rei da Vela", de Oswald, levando à montagem célebre, como confirma Zé Celso.

Escrito por Nelson de Sá às 17h34

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Cats

Audições e ensaios. A estréia é em março

Paula Lima atua pela primeira vez num musical

Teatro Abril - SP

Escrito por Lenise Pinheiro às 12h07

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O Inferno sou eu

Texto Juliana Rosenthal K.
Direção José Rubens Siqueira
Elenco Marisa Orth e Paula Weinfeld
Cenários Isay Weinfeld
Figurinos Cassio Brasil


Iluminação Guilherme Bonfanti

Teatro Jaraguá - SP

Sextas 21h30 Sábados 21h Domingos 19h


Escrito por Lenise Pinheiro às 10h38

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Lenise PinheiroO blog Cacilda é coordenado por Nelson de Sá, articulista da Folha, e pela repórter-fotográfica Lenise Pinheiro.

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