Cacilda
 

Brutal

Texto e Direção Mario Bortolotto

Atores Carolina Manica, Érika Puga, Laerte Mello, Luciana Caruso,

Maria Manoella, Martha Nowill e Walter Figueiredo

Sonoplastia e Iluminação Mario Bortolotto

Figurinos Olivia Hanssen

Sextas meia noite

Espaço Parlapatões - SP

Em outros horários...

Meus agradecimentos aos feras

Marcos Meneghessi e Reynaldo Thomaz

 

Escrito por Lenise Pinheiro às 19h05

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Rock 'n' Roll

Depois de duas peças seguidas de Heiner Mueller, Tom Stoppard se apresenta como um alívio, no mesmo Sesc Pinheiros da semana anterior. Segue narrativa linear, é engraçado, cheio de "one-liners", de citações clássicas acessíveis.

Mas não demora e se percebe alguma coisa errada. A peça retrata a política tcheca, da Primavera de Praga à Revolução de Veludo, mas ele não é. Nasceu lá e saiu com menos de dois anos, antes de tudo acontecer; trocou de nome para o Stoppard do padrasto inglês; cresceu na Inglaterra e aprendeu no teatro inglês.

Desvela-se em pouco tempo que seu problema é o tcheco Vaclav Havel. Dedicada a ele, a peça se reporta diversas vezes ao então dissidente, depois presidente, mas antes de tudo dramaturgo que marcou a cultura ocidental do século passado.

A peça de Stoppard é como uma versão ampliada de "Audiência", em que o alter ego de Havel, Ferdinand, dialoga com um proletário. O protagonista, como o próprio Havel, é um intelectual forçado a trabalhar em uma cervejaria pela ditadura socialista.

"Rock 'n' Roll" acompanha também um intelectual forçado a trabalhar como proletário, Jan, mas numa padaria. A maior diferença é que ele não resiste ao regime, quer só ouvir "rock 'n' roll", Beach Boys, Pink Floyd, uma banda psicodélica tcheca.

E questiona seguidamente Havel, mencionado pelo próprio nome ou representado por um personagem engajado de nome Ferdinand, em diálogos superficiais com Jan.

Chega a ser embaraçoso. Uma característica muito lembrada de Havel é seu fascínio pelo CBGB de Nova York, pelo rock de Frank Zappa. Presidente, ele tornou o músico americano, vanguardista e engajado, um consultor de seu governo.

Não foi Pink Floyd que inspirou a Revolução de Veludo. Foi Zappa. Foi uma música sua que deu nome à banda que a peça toma por ícone, Plastic People, mas prefere relacionar com Syd Barrett, presume-se, por ser mais ao gosto do dramaturgo inglês.

É como se Stoppard tirasse sorrateiramente a revolução das mãos de Havel e Zappa e passasse ao inacreditável Guns N' Roses, também presente. Como se tentasse creditar a queda da ditadura não mais à resistência tcheca, mas ao fascínio do capitalismo inglês, representado por ele mesmo, Stoppard.

Parasse por aí e seria só constrangedor. Mas Stoppard vai além da defesa de uma suposta alienação roqueira e relaciona a Revolução de Veludo com a vitória do neoliberalismo e o fim da história.

Dois anos depois da estreia, arrebentou a crise global de 2008.

Ok, como bom autor inglês, Stoppard desenha bem personagens, cenas, piadas, que Otávio Augusto aproveita, inspirado talvez em Paulo Francis, e que Gisele Fróes torce e distorce com uma genialidade anárquica. É ela, em seus dois papéis, o melhor de "Rock 'n' Roll".

Mas nada salva uma fraude como esta de Tom Stoppard, que se estende por três horas no esforço orwelliano de reescrever o que Vaclav Havel, nos poucos minutos de "Audiência", gravou na história.

Escrito por Nelson de Sá às 15h48

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Restos

Texto Neil Labute

Encenação Marcio Aurelio

Ator Antonio Fagundes

Cenário André Cortez

Figurinos Ricardo Almeida

Iluminação Marcio Aurelio

Teatro Faap - SP

Quintas e sextas 21h, sábados 20h e domingos 18h

Escrito por Lenise Pinheiro às 14h46

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Lenise PinheiroO blog Cacilda é coordenado por Nelson de Sá, articulista da Folha, e pela repórter-fotográfica Lenise Pinheiro.

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