Cacilda
 

Para Frederico Goyana

Ator Fransérgio Araújo

Teatro dos Quatro - RJ

Escrito por Lenise Pinheiro às 12h06

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Quartett

Os gestos medidos, tão precisos, de Isabelle Huppert. As "cadeiras hamletmachine" ou derivadas de Bob Wilson. A derrisão de Heiner Mueller dissecada à essência formal.

"Quartett" foi de tamanho apuro, remate tão perfeito, na primeira apresentação, sábado no Sesc Pinheiros, que deu náusea, à saída.

Huppert mal soava humana. Para além do ritmo que sobrepunha afetadamente ao significado das palavras, havia os esgares apurados, as risadas seriadas para deleite dos espectadores, uma, duas, três vezes, eu inclusive.

Diante da plateia lotada por boa parte da classe teatral, de Fabiana Gugli a Mario Bortolotto, de Bia Lessa a Antunes Filho, nenhum deles ingênuo quanto ao fascínio da celebridade, ainda assim o resultado foi um rito de sociedade do espetáculo.

A atriz era adorável, a encenação, até o texto era adorável. Mueller adorado: aí sim havia ironia dialética.

Mas se era terrorismo o que ele queria retratar, como escreve em texto traduzido para o programa, fracassou. Até tortura resulta em êxtase estético, no palco.

Deixei o teatro às pressas, correndo para um Bar Mitzvah, sedento de um rito imperfeito, algum sinal de vida. Porque de Artaud, com quem Mueller dizia se identificar, pouco resta neste "Quartett".

(Permite até compreender Gerald Thomas, quando remete a Mueller e "Quartett" para postar, com trombetas, "Minha vida no palco acabou".)

Finalmente reencontrei, atrás de outros livros, empoeirada, capa vermelha já desbotada, a tradução de Fernando Peixoto para "Quarteto".

Editada em 1987, antes da queda do Muro, a introdução revela como o dramaturgo pode ser lido de forma diferente, até demais:

Conheci Heiner Mueller na estreia de seus textos em Paris, em 1979. Foi-me apresentado por Bernard Dort. Depois estivemos juntos em Berlim, em 1984, em seu apartamento cheio de papéis e livros, onde nem ele encontra facilmente o que procura: continua silencioso às vezes, mas fala bastante quando se entusiasma, uma inteligência ágil, olhos vivos que brilham de forma questionadora por trás de fortes lentes, o charuto entre os lábios, sempre extremamente gentil... Seria simplificador manipular a fórmula clássica da dialética e dizer que, se Brecht foi a tese e Artaud a antítese, Mueller é a síntese de projeto teatral no século 20. Mas há algo de verdadeiro na simplicação: em seus textos, a firmeza ideológica é revestida de dúvidas e perplexidades, mas não perde uma configuração racional. Mas certamente passa por um transbordante processo de derrisão... A prática do marxismo surge, em Mueller, como objeto crítico e crítica. Não uma crítica do inimigo ou de quem está fora do processo: ao contrário, a vigilância implacável de quem vive uma realidade e extrai dela sua matéria-prima. Heiner Mueller vive na RDA, num país que constrói o socialismo; e justamente por sua postura ousada e desafiadora, que lhe tem criado problemas, auxilia essa construção.

Escrito por Nelson de Sá às 12h00

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Cacilda!!

No Jardim Botânico vejo Cacilda!!

Aqui no Rio sua vida de cabo a rabo no Espaço Tom Jobim.

Obra de arte sobre a atriz.

Aquarelas em cena aberta. Fotografias.

Registros de um corpo de baile e orquestra.

O melhor lugar, tudo a fazer, Cacilda!!

Exclamações que em uníssono sussurram Vida.

 

Escrevo para reencontrar Zé Celso. Apaixonados que somos.

O clima no teatro é de romance.

Final de tarde e a concentração dos atores.

A voz do diretor, ao lembrar o elenco que ouvir é preciso.

Faço parte dele. Ouço minhas cigarras internas.

Vai começar!! Cadê o Nelson de Sá ¿

 

Acentos duplos na encubadeira. Para nascer em SP.

Zé Celso entra em cena e brinda conosco o início dos trabalhos.

Mágico e alvissareiro.

Festeja estar no Rio. No cio. Cacilda e ele. Duas sirigaitas.

Público às pencas. Pares perfeitos. Namoradeiros.

No teatro do contágio. Chacrinhas, Marlenes, Emilinhas e Dulcinas.

 

A produção de Cacilda no Rio. Teatro, cinema, jogatina e política.

Nos tempos da delicadeza e da brilhantina.

Uma viagem pro centro do Rio. Vargas. Otelos. Noivas e Gaivotas.

Translados porta a porta com a infidelidade.

Prometia ser cocote. E foi.

É Anna Guilhermina. A luz de nossos olhos. Como quer Zé Celso.

 

Desdemonizou geral.

Extraordinário jogo de atores.

Surtados, diáfanos, poliglotas e gostosos.

Bruxos e guerreiros. Risonhos e beijoqueiros.

Fadas herdeiras. Abençoadas.

Como Beth Goulart em Clarice, em cartaz aqui no Rio.

 

No escurinho do cinema de Cacilda!

Projeções nos trazem Bete Coelho e Ligia Cortez.

Otavio Frias Filho no papel de Miroel. Na gravação do DVD em 2001.

Poucos lumens para tanta emoção.

O espetáculo está sujeito a cortes. Para ganhar ritmo em SP.

Muitos ensaios virão!!

Para tirar os pingos dos iis. Cacilda!!

Escrito por Lenise Pinheiro às 12h13

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IN ON IT

Texto Daniel Macivor

Direção Enrique Diaz

Atores Emílio de Mello e Fernando Eiras

Cenografia Domingos de Alcântara

Figurinos Luciana Cardoso

Iluminação Maneco Quinderé

Teatro Maria Clara Machado (Planetário) - RJ

Quintas, Sextas e Sábados 21h Domingos 20h

Escrito por Lenise Pinheiro às 12h11

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Lenise PinheiroO blog Cacilda é coordenado por Nelson de Sá, articulista da Folha, e pela repórter-fotográfica Lenise Pinheiro.

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