Rock 'n' Roll
Depois de duas peças seguidas de Heiner Mueller, Tom Stoppard se apresenta como um alívio, no mesmo Sesc Pinheiros da semana anterior. Segue narrativa linear, é engraçado, cheio de "one-liners", de citações clássicas acessíveis.
Mas não demora e se percebe alguma coisa errada. A peça retrata a política tcheca, da Primavera de Praga à Revolução de Veludo, mas ele não é. Nasceu lá e saiu com menos de dois anos, antes de tudo acontecer; trocou de nome para o Stoppard do padrasto inglês; cresceu na Inglaterra e aprendeu no teatro inglês.
Desvela-se em pouco tempo que seu problema é o tcheco Vaclav Havel. Dedicada a ele, a peça se reporta diversas vezes ao então dissidente, depois presidente, mas antes de tudo dramaturgo que marcou a cultura ocidental do século passado.
A peça de Stoppard é como uma versão ampliada de "Audiência", em que o alter ego de Havel, Ferdinand, dialoga com um proletário. O protagonista, como o próprio Havel, é um intelectual forçado a trabalhar em uma cervejaria pela ditadura socialista.
"Rock 'n' Roll" acompanha também um intelectual forçado a trabalhar como proletário, Jan, mas numa padaria. A maior diferença é que ele não resiste ao regime, quer só ouvir "rock 'n' roll", Beach Boys, Pink Floyd, uma banda psicodélica tcheca.
E questiona seguidamente Havel, mencionado pelo próprio nome ou representado por um personagem engajado de nome Ferdinand, em diálogos superficiais com Jan.
Chega a ser embaraçoso. Uma característica muito lembrada de Havel é seu fascínio pelo CBGB de Nova York, pelo rock de Frank Zappa. Presidente, ele tornou o músico americano, vanguardista e engajado, um consultor de seu governo.
Não foi Pink Floyd que inspirou a Revolução de Veludo. Foi Zappa. Foi uma música sua que deu nome à banda que a peça toma por ícone, Plastic People, mas prefere relacionar com Syd Barrett, presume-se, por ser mais ao gosto do dramaturgo inglês.
É como se Stoppard tirasse sorrateiramente a revolução das mãos de Havel e Zappa e passasse ao inacreditável Guns N' Roses, também presente. Como se tentasse creditar a queda da ditadura não mais à resistência tcheca, mas ao fascínio do capitalismo inglês, representado por ele mesmo, Stoppard.
Parasse por aí e seria só constrangedor. Mas Stoppard vai além da defesa de uma suposta alienação roqueira e relaciona a Revolução de Veludo com a vitória do neoliberalismo e o fim da história.
Dois anos depois da estreia, arrebentou a crise global de 2008.
Ok, como bom autor inglês, Stoppard desenha bem personagens, cenas, piadas, que Otávio Augusto aproveita, inspirado talvez em Paulo Francis, e que Gisele Fróes torce e distorce com uma genialidade anárquica. É ela, em seus dois papéis, o melhor de "Rock 'n' Roll".
Mas nada salva uma fraude como esta de Tom Stoppard, que se estende por três horas no esforço orwelliano de reescrever o que Vaclav Havel, nos poucos minutos de "Audiência", gravou na história.
Escrito por Nelson de Sá às 15h48
Restos

Texto Neil Labute

Encenação Marcio Aurelio

Ator Antonio Fagundes

Cenário André Cortez

Figurinos Ricardo Almeida

Iluminação Marcio Aurelio

Teatro Faap - SP
Quintas e sextas 21h, sábados 20h e domingos 18h
Escrito por Lenise Pinheiro às 14h46
Paixão por Comédia
Andrea Maltarolli
28 set 1962 - 22 set 2009

em SP ou no Rio, Lenise?
Lucas Pretti | lucaspretti@gmail.com | http://www.teatroparaalguem.com.br
| São Paulo, SP, Brasil | 22/09/2009 15:34
Resposta:
Olha Lucas taí uma pergunta difícil para eu te responder
nesse momento!
Estou com as plantas dos pés em SP, com o coração partido
de emoção e com os olhos da saudade voltados para a praia
do Arpoador. Onde morava minha amiga Andrea,
que foi roteirizar as tramas da ethernidade.
Muito de mim está no Rio.
De volta a SP. Um bj da Lenise
PS. Andrea Maltarolli escreveu para o teatro Mulheres Alteradas,
inspirada nos quadrinhos de Maitena, em parceria com o
Bernardo Jablonski, atendendo ao convite dos produtores
Eduardo Figueiredo e Maurício Machado.
A estreia está prevista para 2010.
Escrito por Lenise Pinheiro às 20h21
Diário de um Louco

Texto Nikolai Gogol

Direção Alexandre Bordalho


Ator Cláudio Tovar


Cenário e Figurinos Cláudio Tovar


Iluminação Aurélio Di Simone

Teatro do Leblon - RJ
Hoje 21h
Escrito por Lenise Pinheiro às 18h52
Moby Dick
Texto Herman Melville

Direção Aderbal Freire Filho
Assistente de Direção Fernando Philbert
Atores Chico Diaz, Isio Ghelman, Orã Figueiredo e André Mattos




Cenário Fernando Mello da Costa e Rostand Albuquerque








Figurinos Kika Lopes
Iluminação Maneco Quinderé

Teatro Poeira - RJ


Quintas, sextas e sábados 21h, domingos 19h
Escrito por Lenise Pinheiro às 15h03
Para Frederico Goyana



Ator Fransérgio Araújo
Teatro dos Quatro - RJ
Escrito por Lenise Pinheiro às 12h06
Quartett
Os gestos medidos, tão precisos, de Isabelle Huppert. As "cadeiras hamletmachine" ou derivadas de Bob Wilson. A derrisão de Heiner Mueller dissecada à essência formal.
"Quartett" foi de tamanho apuro, remate tão perfeito, na primeira apresentação, sábado no Sesc Pinheiros, que deu náusea, à saída.
Huppert mal soava humana. Para além do ritmo que sobrepunha afetadamente ao significado das palavras, havia os esgares apurados, as risadas seriadas para deleite dos espectadores, uma, duas, três vezes, eu inclusive.
Diante da plateia lotada por boa parte da classe teatral, de Fabiana Gugli a Mario Bortolotto, de Bia Lessa a Antunes Filho, nenhum deles ingênuo quanto ao fascínio da celebridade, ainda assim o resultado foi um rito de sociedade do espetáculo.
A atriz era adorável, a encenação, até o texto era adorável. Mueller adorado: aí sim havia ironia dialética.
Mas se era terrorismo o que ele queria retratar, como escreve em texto traduzido para o programa, fracassou. Até tortura resulta em êxtase estético, no palco.
Deixei o teatro às pressas, correndo para um Bar Mitzvah, sedento de um rito imperfeito, algum sinal de vida. Porque de Artaud, com quem Mueller dizia se identificar, pouco resta neste "Quartett".
(Permite até compreender Gerald Thomas, quando remete a Mueller e "Quartett" para postar, com trombetas, "Minha vida no palco acabou".)

Finalmente reencontrei, atrás de outros livros, empoeirada, capa vermelha já desbotada, a tradução de Fernando Peixoto para "Quarteto".
Editada em 1987, antes da queda do Muro, a introdução revela como o dramaturgo pode ser lido de forma diferente, até demais:
Conheci Heiner Mueller na estreia de seus textos em Paris, em 1979. Foi-me apresentado por Bernard Dort. Depois estivemos juntos em Berlim, em 1984, em seu apartamento cheio de papéis e livros, onde nem ele encontra facilmente o que procura: continua silencioso às vezes, mas fala bastante quando se entusiasma, uma inteligência ágil, olhos vivos que brilham de forma questionadora por trás de fortes lentes, o charuto entre os lábios, sempre extremamente gentil... Seria simplificador manipular a fórmula clássica da dialética e dizer que, se Brecht foi a tese e Artaud a antítese, Mueller é a síntese de projeto teatral no século 20. Mas há algo de verdadeiro na simplicação: em seus textos, a firmeza ideológica é revestida de dúvidas e perplexidades, mas não perde uma configuração racional. Mas certamente passa por um transbordante processo de derrisão... A prática do marxismo surge, em Mueller, como objeto crítico e crítica. Não uma crítica do inimigo ou de quem está fora do processo: ao contrário, a vigilância implacável de quem vive uma realidade e extrai dela sua matéria-prima. Heiner Mueller vive na RDA, num país que constrói o socialismo; e justamente por sua postura ousada e desafiadora, que lhe tem criado problemas, auxilia essa construção.
Escrito por Nelson de Sá às 12h00
Cacilda!!

No Jardim Botânico vejo Cacilda!!
Aqui no Rio sua vida de cabo a rabo no Espaço Tom Jobim.
Obra de arte sobre a atriz.
Aquarelas em cena aberta. Fotografias.
Registros de um corpo de baile e orquestra.
O melhor lugar, tudo a fazer, Cacilda!!
Exclamações que em uníssono sussurram Vida.
Escrevo para reencontrar Zé Celso. Apaixonados que somos.
O clima no teatro é de romance.
Final de tarde e a concentração dos atores.
A voz do diretor, ao lembrar o elenco que ouvir é preciso.
Faço parte dele. Ouço minhas cigarras internas.
Vai começar!! Cadê o Nelson de Sá ¿
Acentos duplos na encubadeira. Para nascer em SP.
Zé Celso entra em cena e brinda conosco o início dos trabalhos.
Mágico e alvissareiro.
Festeja estar no Rio. No cio. Cacilda e ele. Duas sirigaitas.
Público às pencas. Pares perfeitos. Namoradeiros.
No teatro do contágio. Chacrinhas, Marlenes, Emilinhas e Dulcinas.
A produção de Cacilda no Rio. Teatro, cinema, jogatina e política.
Nos tempos da delicadeza e da brilhantina.
Uma viagem pro centro do Rio. Vargas. Otelos. Noivas e Gaivotas.
Translados porta a porta com a infidelidade.
Prometia ser cocote. E foi.
É Anna Guilhermina. A luz de nossos olhos. Como quer Zé Celso.
Desdemonizou geral.
Extraordinário jogo de atores.
Surtados, diáfanos, poliglotas e gostosos.
Bruxos e guerreiros. Risonhos e beijoqueiros.
Fadas herdeiras. Abençoadas.
Como Beth Goulart em Clarice, em cartaz aqui no Rio.
No escurinho do cinema de Cacilda!
Projeções nos trazem Bete Coelho e Ligia Cortez.
Otavio Frias Filho no papel de Miroel. Na gravação do DVD em 2001.
Poucos lumens para tanta emoção.
O espetáculo está sujeito a cortes. Para ganhar ritmo em SP.
Muitos ensaios virão!!
Para tirar os pingos dos iis. Cacilda!!
Escrito por Lenise Pinheiro às 12h13
IN ON IT
Texto Daniel Macivor

Direção Enrique Diaz




Atores Emílio de Mello e Fernando Eiras


Cenografia Domingos de Alcântara
Figurinos Luciana Cardoso
Iluminação Maneco Quinderé
Teatro Maria Clara Machado (Planetário) - RJ
Quintas, Sextas e Sábados 21h Domingos 20h
Escrito por Lenise Pinheiro às 12h11
Sonho de Outono
Texto Jon Fosse

Direção Emilio de Mello

Atores Adriano Garib, Camila Amado, Christiana Kalache,





Daniele do Rosário e Zemanuel Piñero


Cenografia Flavio Graff

Figurinos Marcelo Olinto
Iluminação Tomás Ribas
Adereços-fotos Carlos Alberto dos Santos
Camareira Elisa Oliveira
Centro Cultural Correios - RJ
Quintas, Sextas, Sábados e Domingos às 19hs
Escrito por Lenise Pinheiro às 12h14
O Estrangeiro

Texto Albert Camus

Direção Vera Holtz e Guilherme Leme

Ator Guilherme Leme




Teatro do Leblon -Sala Tonia Carrero - RJ
Quintas 17h Sextas e Sábados 21h30 Domingos 20h
Escrito por Lenise Pinheiro às 10h54
Hamlet-Máquina
No final da primeira apresentação de "Hamlet-Máquina", no Sesc Santana lotado, parte do público até se levantou, mas a maioria mal aplaudia, não se levantou e demonstrou incômodo e irritação.
Um espectador, mais para o fim da plateia, vaiou, "buuu", depois repetiu, "buuu". Não afetou os atores, que festejaram nas coxias, com gritos exultantes por terem conseguido erguer um espetáculo pleno, com texto tão intrincado, em duas semanas, pouco mais ou menos.
Eu estava na parte que se ergueu para aplaudir e não compreendo até agora a reação. Andei rondando uma encenação do texto, tempos atrás, e sei o quanto o diretor-ator búlgaro Dimiter Gotscheff e os atores brasileiros Gero Camilo e Paula Cohen revelaram da peça de Heiner Mueller.
Que era derrisória, já sabia bem, avisado por Fernando Peixoto, seu primeiro tradutor, contra quem resisti por muito tempo. Mas, nas leituras e nos esforços que fiz para destrinchar a peça, não imaginava ser tão aberta à comédia, ao riso _ao meu e de mais uns poucos, pelo menos.
O programa informava ser uma versão da montagem realizada pelo mesmo diretor associado do Deutsches Theater, dois anos atrás em Berlim, o que talvez explique sua facilidade, como encenador e como ator, em reconstruir a produção e sua própria interpretação.
Já o que realizaram Camilo e Cohen foi impressionante, também por sair do zero, mas não só. Não sei a origem dos textos do primeiro, que complementam o original de Mueller na abertura e no fechamento, mas ele estava irrepreensível, quase perfeito demais no ritmo, na irritante ironia com o Hamlet de Gotscheff.
A segunda foi além e, como sua personagem ou suas personagens, parece dar um salto no abismo. Seus gestos, figurino, seu trêmulo sarcasmo _ela surge no palco em desacordo frontal com a precisão dos outros dois, contrária ao rigor, à forma acabada da encenação.
(Arriscando simplificar além do aceitável, o Hamlet de Mueller retrata um intelectual alemão-oriental no fim dos anos 70, desconfiado do fantasma do pai socialista, talvez Trotski ou Lenin, que quer dele a vingança contra o socialismo real, do usurpador Stalin ou Erich Honecker.
Desesperançado, ele olha com inveja aquela que ainda carrega um sonho radical, Ofélia ou Ulrike Meinhoff _a intelectual alemã-ocidental que se revoltou e por fim se enforcou na prisão, na Alemanha Ocidental, pouco antes de Mueller escrever sua peça.)
O suicídio interpretado e narrado por Ofélia/Ulrike/Paula foi, para mim ao menos, o melhor da apresentação. Daí compreender o "buuu" do espectador solitário, mas não a irritação, a má vontade tão paulistana da maioria da plateia.
Escrito por Nelson de Sá às 16h13
Dorotéia

Texto Nelson Rodrigues


Direção Eloisa Vitz

Atores Daniela Rocha Rosa, Diogo Pasquim, Eloísa Vitz,
Elam Lima, Hélio Souto Jr, Laura Vidotto, Lorena Bertino,
Marcos De Vuonno, Marcos Machado e Miriam Jardim










Cenários Grupo Gattu
Iluminação Newton Saike
Figurinos Grupo Gattu
Teatro Gil Vicente - SP
Sábados 21h Domingos 20h
Escrito por Lenise Pinheiro às 12h24
Tecer Cuerpo
Texto e Direção Claudio Toucachir
Atores Melisa Hermida, Daniela Pai,
José Maria Marcos, Hernãn Gristein e
Magdalena Grondona



Centro Cultural Banco do Brasil - SP
Quintas a sábados 19h30 Domingos 18h
Escrito por Lenise Pinheiro às 17h46
Das Cinzas

Texto Samuel Beckett

Direção e Interpretação Aury Porto




Iluminação Ricardo Morañez




Vídeos Gabriel Fernandes



Marília Halla e Oswaldo Sant'ana
Sonoplastia Ivan Garro
Figurino Beto Mainieri
Funarte Sala Renée Gumiel - SP
Sexta e Sábado 21h Domingo 20h
Escrito por Lenise Pinheiro às 17h27
Epístola aos Jovens Atores

Texto e Direção Olivier Py

Atores John Arnold e Samuel Churin

Cenotécnico Florent Gallier

Tradutor Paulo Chamon

Sesc Vila Mariana - SP
Terça a Quinta 21h
Sesc Santos - Santos
Sábado 21h
Escrito por Lenise Pinheiro às 11h38
Hamlet Máquina
Texto Heiner Müller

Direção Dimiter Gotscheff




Atores Dimiter Gotscheff, Gero Camilo e Paula Cohen





Teatro Sesc Santana - SP
Quarta e Quinta 21 h
Escrito por Lenise Pinheiro às 08h16



