Cacilda
 

Seleção natural

Uns seis meses atrás, fui até o Next, na Rego Freitas, uma sala adaptada para teatro em rua escura, aparência decadente. Eram peças desagradáveis, como descreveria Nelson Rodrigues, escritas por dramaturgos que surgiram quando o milênio se aproximava, como diria Tony Kushner.

Os textos curtos "grotescos" traziam as marcas já conhecidas dos autores. No caso de Otavio Frias Filho, as personagens em traços essenciais, desenhadas com crueldade, atiradas no nada, em contido "despair".

Seu "Tutankaton" foi durante anos uma fixação minha e de Marcelo Drummond. Queríamos convencer Zé Celso a encenar, mas ele resistiu à peça que, no argumento, era a própria negação de suas revoluções, dos anos 60. Era a contra-revolução, ele jamais aceitaria.

Mas era só a superfície. Nela havia também a retomada paradoxalmente libertadora da narrativa, que começava. E havia a Aids como metáfora para o fim do milênio. Sempre vi paralelo com "Angels in America", que Kushner começou a escrever no mesmo fim dos anos 80 thatcheristas. Paralelo em tudo, até no kitsch.

Mas o tempo passou, "O Livro de Jó" fez as vezes de reflexo da época e "Tutankaton" se viu restrita a duas célebres leituras dramáticas encenadas por Gabriel Villela com Bete Coelho e Marisa Orth, gravadas na memória de uns poucos.

Outras peças de Otavio, como "Don Juan" e principalmente "Rancor", receberam montagens significativas, mas ele seguiu aos poucos a sina dos dramaturgos brasileiros, em que até Nelson Rodrigues se viu afastado dos palcos, com o tempo, ainda vivo.

Essas imagens retornam ao ler os ensaios de teatro que respondem por parte da coletânea "Seleção Natural", recém-lançada. Um deles em especial, especialmente revelador, rememora sua convivência com Heiner Müller, em passagem pelo Brasil, duas décadas atrás.

O teatro de Otavio, desde a leitura de uma versão anterior do ensaio nos "Novos Estudos Cebrap", me parece uma resposta a Müller e seu "teatro pós-dramático", como é classificado hoje. Também, de certa maneira, um complemento, uma consequência de Müller.

Ou ainda, uma negação. "Apesar das linhas de continuidade e do diálogo subjacente com Brecht", escreve Otavio, "a relação entre os dois é de negação, mais do que de complementaridade". Brecht é "solar, confiante". Müller, "sombrio, pessimista".

(No meu entender, como evidencia "Hamletmachine" na cena em que Hamlet, que não age, se traveste de Ofélia, que age, Müller trazia ambos, como Brecht também. E sua encenação derradeira, de "Arturo Ui", vista em São Paulo, reafirmou a dialética interna e obsessiva até o fim.)

O tema Brecht/Müller, com outros nomes, está em outro ensaio emblemático, sobre a "Angústia da Influência", e se reproduz ao longo do livro até em textos que buscam escapar ao teatro. Como na imagem da capa, de Escher, é sua obsessão e sua roda da fortuna.

O que não impede, pelo contrário, que as revelações se apresentem, de parágrafo em parágrafo, por todos os ensaios de teatro. Sobre a fonte rural, pernambucana de Nelson Rodrigues, por exemplo, ou sobre a dívida rodriguiana às ideias de Dostoiévski.

(O mesmo não se pode dizer da compra, pelo valor de face, da classificação junguiana da obra do dramaturgo, por Sábato Magaldi. Ou dos limites históricos e estéticos estabelecidos por Décio de Almeida Prado, tão diverso dos companheiros de geração, em prejuízo do teatro.)

Escrito por Nelson de Sá às 12h06

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O Endireita

Texto Edson Athayde

Direção Zé Henrique de Paula


Atores Davi Amarante, Nábia Villela, Cadu de Souza,

João Buono, Bárbara Bonnie (stand-in)


Assistente de Direção Thiago Ledier

Direção Musical  Fernanda Maia

Preparação de Atores Inês Aranha


Cenografia, Figurinos e Maquiagem Zé Henrique de Paula



Iluminação Fran Barros


Trilha Composta Fernanda Maia

Coordenador de Produção Sergio Mastropasqua


Produção Executiva Claudia Miranda

Teatro do Centro da Terra - SP

Sextas 21h30 sábados 21 h domingos 19 h

Escrito por Lenise Pinheiro às 10h50

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Anatomia Frozen

Texto Bryony Lavery

Direção Marcio Aurelio

Atores Joca Andreazza e Paulo Marcello

Teatro Imprensa - SP

Quintas e Sextas às 21h

Breve no Espaço Parlapatões

Quartas e Quintas às 21h

Escrito por Lenise Pinheiro às 17h58

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A Falecida Vapt-Vupt 2

Texto Nelson Rodrigues


Direção Antunes Filho

Atores Adriano Bolshi, Andrell Lopes, Angélica Colombo,

Bruna Anauate, Eloisa Costa, Erick Gallani, Fred Mesquita,

Geraldo Mário, João Paulo, Lee Thalor, Marco Biglia,

Marcos de Andrade, Michelle Boesche, Tatiana Lenna,

Ygor Fiori

Cenografia e Figurinos Rosângela Ribeiro


Iluminação Davi de Brito


Sonoplastia Raul Teixeira

Grupo de Teatro Macunaíma

Sesc Consolação - CPT - SP

Sextas 21h Sábados 19h e 21 h

Escrito por Lenise Pinheiro às 12h40

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Lenise PinheiroO blog Cacilda é coordenado por Nelson de Sá, articulista da Folha, e pela repórter-fotográfica Lenise Pinheiro.

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