Cacilda
 

Aqui Quase Longe

Texto Ana Roxo

Direção Gabriel Carmona


Atrizes Fernanda Castello Branco, Julia Ianina,

Paula Weinfeld  e Thaís Medeiros

Atores convidados Jerônimo Martins e Ricardo Estevam



Cenografia Isay Weinfeld


Figurinos Mira Haar


Produção Cia. Delas de Teatro

SESC Av Paulista - SP

Quartas e Quintas 20h

Escrito por Lenise Pinheiro às 13h20

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

O Banquete

Bem que Marcelo Drummond avisou que "O Banquete" era a montagem mais descontrolada do Oficina. Na primeira vez em que Zé Celso falou dela, meses atrás, comentou que tinha pouco mais de uma hora. Sábado passado, nem sei quanto durou.

É que se trata de uma orgia de fato, mais para vinho do que para comida. São taças e taças, servidas sem intervalo, até que o elenco, a banda, o público todo se encontra num estado de leve mas permanente embriaguez, com riso solto, alegre, como em festa.

No fim, nos bastidores, Zé e Marcelo conversavam, ainda rindo, mas já projetando ensaio, que a apresentação estava tomada por cacos. Mas o descontrole vai muito além do texto, que na encenação mantém e expande o diálogo de Platão.

Mal consigo imaginar como reagiria Anatol Rosenfeld, que simbolizou o confronto com o Oficina no fim dos anos 60, quando se rompeu a quarta parede, a separação de palco e plateia. Sábado, fomos muitos os chamados ao palco, para este "Banquete".

E grande parte dos espectadores, na verdade, já começa em cena, em colchões espalhados pela pista do teatro.

As intervenções originais dos convidados de Agatão estão todas lá, por vezes em música, quase sempre em rima, com atuações amadurecidas do elenco mais provado da companhia, com Letícia Coura e Camila Mota e Sylvia Prado no comando de seus muitos talentos e do público.

Sylvia, que já havia marcado "Os Bandidos" em viés trágico, retorna agora com ritmo e a comédia virulenta de Aristófanes.

Zé e Marcelo, Sócrates e o anfitrião Agatão, são os celebrantes do rito. O segundo faz desde logo, na entrada, a ponte com "Bacantes" e Dionísio. E parte do elenco remete, saudosamente para mim, àquela fase do Oficina. Flávio Rocha, Patrícia Winceski, Hector Othon, Fabiana Serroni, parecem estar todos de volta.

Fabiana, bacante que me "estraçalhou" e também a Caetano Veloso e muitos mais, uns dez anos atrás, é a Hera do Zeus de Hector, se bem compreendi. Uma disputa física entre os dois, tendo o deus buscado uma mortal na plateia, aliás sentada ao meu lado, resultou na passagem mais chocante do descontrole.

A espectadora caiu do praticável, bateu a cabeça nos degraus de uma pequena escada e, a um metro de mim, jorrou sangue. Foi para o hospital Pérola Byington, a uma quadra. E o espetáculo prosseguiu.

Quando voltei, lá fui novamente à pista, levado por Eros, foco do diálogo e personagem fascinante nas mãos do jovem ator Ariclenes Barroso, formado ao longo dos últimos anos por Sylvia Prado e pela companhia. Foi a interpretação que mais me impressionou.

Em meio ao banquete que tantas vezes remete a uma bacanal, ele se mantém sereno, seguro, a lembrar o Antoine Doinel do clássico de François Truffaut, "Os Incompreendidos". O mesmo olhar, a mesma expressão vulnerável em torno da qual corre o furacão do tempo.

Fim da peça e, passada a meia-noite, fui correndo até o hospital Pérola Byington. Estava tudo bem.

PS - Daqui a pouco, às 20h, Marcelo e Elaine Cesar abrem a Ocupação Zé Celso, no Itaú Cultural.

Escrito por Nelson de Sá às 16h56

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

A Casa de Bernarda Alba

Texto Federico García Lorca


Direção e Iluminação Juliana Galdino


Assistente de Direção Ana Paula Cernick

Elenco Ana Lessa, Cristiane Alves, Danielle Cabral,

Julia Novaes, Katiana Rangel, Neide Magalhães,

Renata Bruel e Simone Feliciano

Club Noir - SP

Domingo 20h

Escrito por Lenise Pinheiro às 23h07

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Som & Fúria/A Tragédia Shakespeariana

Escaldado da versão em filme de "Domésticas", que tornou constrangedora a singela encenação de Renata Melo, eu vinha evitando o "Som & Fúria" de Fernando Meirelles, na televisão. Já concluí tempos atrás que também "Cidade de Deus" deve muito à co-direção de Kátia Lund, que preparou os atores.

Entre um e outro comercial, o diretor agora encontrou uma série canadense sobre teatro e decidiu-se por adaptar. Mas é tudo tão falso. Os supostos ensaios, os diálogos, os personagens, nada tem a menor verossimilhança.

Pedro Paulo Rangel, Regina Casé, Dan Stulbach, atores que acompanho há décadas, de algumas interpretações históricas no palco, enfrentam alguns de seus piores momentos nesta produção que acaba, enfim, hoje.

E trata-se de Shakespeare, do título que a série recebeu por aqui à tragédia em torno da qual se desenrolam seus lugares-comuns e até preconceitos sobre o teatro.

Mas basta. "Hamlet" e Shakespeare não se circunscrevem às supercialidades publicitárias. Acaba de sair "A Tragédia Shakespeariana" (Martins Fontes), que, por razão que não consigo compreender, vem passando despercebido.

É uma obra para fazer esquecer não só a Globo mas os vaticínios de Bárbara Heliodora e congêneres.

Trata-se de uma série de aulas ou palestras de A.C. Bradley em Oxford, onde era professor de poesia. Em 1904, adianta muito do que o século 20 pensaria _e encenaria_ de Shakespeare e seu personagem maior, o príncipe Hamlet.

É o grande inspirador de um crítico recente, o americano Harold Bloom, que como ele se deixa levar por personagens e suas razões, como um encenador em busca de um caminho para ler e revelar o teatro shakespeariano aos espectadores de hoje.

Bloom costuma dar Bradley como antídoto às leituras do século 20, mas "A Tragédia Shakespeariana" parece, na verdade, inspirar as próprias abordagens modernas.

Como Shakespeare, passa o tempo e também ele se mostra, mais e mais, "nosso contemporâneo".

Sobre Hamlet, por exemplo. Muito do que escreve é resposta à "espécie de concepção" de Coleridge, de que a tragédia deriva da personalidade reflexiva, de "atividade intelectual exagerada e aversão proporcional à ação concreta". Nada disso, diz Bradley:

A causa direta da irresolução de Hamlet é um estado de espírito anormal e induzido por circunstâncias especiais, um estado de profunda melancolia... Seu temperamento o deixava propenso à instabilidade nervosa, a rápidas e extremas mudanças de humor e sensações. Tinha tendência a se tornar, durante esse tempo, presa do humor ou das sensações que tivessem se apossado dele, quer fossem alegres, quer deprimentes. Esse temperamento era chamado pelos elizabetanos de melancólico. E Hamlet parece ser um exemplo desse tipo. A doutrina dos temperamentos era tão popular no tempo de Shakespeare que ele pode perfeitamente ter conferido esse a Hamlet de forma consciente e planejada... Ele dá a Hamlet um temperamento que só descambaria para a melancolia por uma pressão fora do comum, mas que, mesmo assim, representa perigo. Na peça, vemos o perigo consumado.  

O questionamento costumeiro que se faz a Bradley é que ele se deixa levar por Hamlet, Macbeth, Otelo, Lear como se fossem seres humanos, não personagens.

Bloom, em "A Invenção do Humano", coroou o bode e proclamou que Bradley estava certo: Shakespeare criou o homem.

Escrito por Nelson de Sá às 18h14

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

A Margem

Direção Luís Igreja

Atores Ademir de Souza e Tania Gollnick

Cenografia Companhia do Gesto - RJ

Figurinos Vera Gribel

Iluminação Luís Igreja

Sest/ Senat - São José do Rio Preto

 

Escrito por Lenise Pinheiro às 12h06

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

As Noivas

Inspirado em Nelson Rodrigues

Direção Leandro Aveiro

Companhia Livre de Teatro

Teatro Seta - São José do Rio Preto

Hoje 19h

Escrito por Lenise Pinheiro às 13h48

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Memórias de um Sargento de Milícias

Texto e Direção Guido Caratori

Atores Drica Sanches, Guido Caratori e Pedro Torres

Companhia Fábrica de Sonhos

Sesi - São José do Rio Preto

Hoje 21h30

Escrito por Lenise Pinheiro às 13h42

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Miséria, Servidor de Dois Estancieiros

Texto Carlos Goldoni

Adaptação Hamilton Leite e Juliana Kersting

Direção Hamilton Leite

Atores Carla Costa, Diego Machado , Giancarlo Carlomagno,

Juliana Kersting, Paulo Brasil e Roberta Darkiewicz

Cenografia Paulo Balardim

Figurinos Alexandre Silva

Adereços Juliano Rossi e Rafael Dal'Osto

21 de julho Praça do Bairro São Franciso

22 de julho Extenção Jales

23 de julho Extenção Santa fé do Sul

24 de julho Extenção Mirassol

Festival Internacional de Teatro de São José do Rio Preto

Pena que o Nelson não pode vir!

Escrito por Lenise Pinheiro às 11h11

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

No papel da vítima

Se pudesse, estaria agora no festival de São José do Rio Preto.

Gosto de festivais, principalmente porque entreabrem uma porta para o teatro ainda em formação, em construção. Em Edimburgo, modelo maior, é preciso ver muita coisa ruim, arrastada, amadora no pior sentido, mas em algum momento você vai distinguir um sinal da realidade presente, um reflexo do tempo _e também do futuro.

Quando "Terrorismo" apareceu,  eu não estava lá. Foi logo depois do 11 de Setembro, mas a peça é anterior, uns dois anos, e já então os irmãos Presnyakov traçavam o futuro. Logo depois chegou ao Brasil, em curta temporada no Viga, se bem me lembro. Novamente, eu não estava lá.

No último fim de semana, com Ariela Goldman na direção, os irmãos Presnyakov ressurgiram finalmente com "No Papel da Vítima" no teatro da ECA/EAD na Cidade Universitária. Eu não podia perder a chance.

E os autores russos e os jovens atores, ainda apresentados como "turma 58", se identificaram plenamente em ironia e niilismo. É farsa, mas política e socialmente questionadora, um retrato disforme não só da Rússia pós-comunista e pós-privatização dos irmãos, mas também do Brasil pós-democratização e pós-privatização de seu elenco.

Sociedades comerciais, sem lugar para sonho ou romantismo. Com gerações cínicas que se acumulam umas às outras.

"No Papel da Vítima", sobre um jovem adulto que ainda mora com os pais e vive de interpretar a vítima em reconstituições policiais, expõe suas caricaturas do cotidiano russo com uma desfaçatez que faz lembrar Mikhail Bulgakov, ainda que sem o mesmo refinamento.

Faz lembrar mais, na verdade, Joe Orton. A tradução de Denise Weinberg, ao que parece, foi realizada a partir da versão inglesa, uma de muitas feitas pela dupla.

Não posso afirmar que tenha apreciado figurino ou cenários, mas Ariela Goldman, assistida por Edu Guimarães, imprimiu nos jovens atores da sua encenação uma envolvente qualidade farsesca, um despudor, um sarcasmo sem fim. Também o ritmo, essencial no gênero.

E tem trunfos flagrantes no talento dos dois jovens atores que dividem o protagonista Valya, Cássio Inácio e Ricardo Monastero. Gostei também da mãe, interpretada por Joice Barbosa, e do inspetor de Tom Roberto.

Mas é cedo demais para iniciar juízos. Sabe-se lá, dos vinte e tantos atores em cena, quais vão persistir e abraçar novos personagens, crescer. Começaram bem, com os irmãos russos.

Escrito por Nelson de Sá às 16h55

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

ABIS/OM

 

Concepção, Direção, Atuação, Figurino, Cenografia e

Design de luz  Gerrah Tenfuss

Cicc - SJ do Rio Preto

Dias 17 e 18 às 19h

Paralela Vila Toninho - SJ do Rio Preto

Dias 19 e 20 às 20h

Escrito por Lenise Pinheiro às 22h36

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Arcane

Les Philebulistes - França

Direção Simon Carrot

Acróbatas Maxime Bourdon e Sébastien Bruas

Represa Municipal - São José do Rio Preto

Hoje 21 h

Escrito por Lenise Pinheiro às 18h17

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Hilda Hilst O Espírito da Coisa

Dramaturgia Gaspar Guimarães

Direção Ruy Cortez

Atriz Rosaly Papadopol

Cenário André Cortez

Figurino Anne Cerrutti

Iluminação Fábio Retti

Espaço dos Satyros - SP

Terças e Quartas às 21h

Escrito por Lenise Pinheiro às 15h29

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Gloriosa

Minha mãe viu Roberto Carlos, não agora, no Maracanã, mas antes, no Teatro Municipal, e não gostou nada de Marília Pêra. Foi muito dramática, algo assim, teatro no mau sentido. Uma amiga atriz que viu o show na televisão falou a mesma coisa.

Não sei bem por que a grande atriz causa tais reações, não é de hoje. Ouvi coisas semelhantes de sua participação no belo filme de Eduardo Coutinho sobre atrizes, "Jogo de Cena", uns dois anos atrás.

Jamais conversei, mas tenho a imagem de uma mulher que não se defende, que é vulnerável.

Simpatizo com a origem de palco, filha de atores da praça Tiradentes, corista e depois estrela de musicais. Recordo sempre os relatos cruentos sobre o ataque a "Roda Viva", quando teria sido o principal alvo do Comando de Caça aos Comunistas.

Recordo também o muro que se ergueu em torno dela, por apoiar Collor vinte anos atrás.

As imagens voltam todas ao vê-la em cena em nova comédia musical, obviamente uma homenagem de Möeller & Botelho à grande atriz brasileira de musicais, como a cantora sem voz de "Gloriosa".

Está em plena forma, no tempo de humor, com o canto ensaiado ao menor detalhe para o desastre de Florence Jenkins, soprano que não desistiu, por mais que um muro de recusa _de julgamento_ se erguesse contra seu desejo de cantar.

Ela não sabia cantar nem jamais aprenderia, mas foi até o fim, até o Carnegie Hall, mostra a peça.

Trata-se porém de uma comédia do West End e, portanto, Marília Pêra tem a cena final para mostrar que não é, afinal, uma Florence. Que sabe cantar e bem. De todo modo, é como comediante que a grande atriz brilha, desta vez.

Ela e também Eduardo Galvão e Guida Vianna, em produção de resto tradicional e nada marcante, nos Jardins, teatro Procópio Ferreira.

Na apresentação de "Gloriosa" também notei, como antes em Denise Stoklos, uma jovem que "textou" durante a apresentação. Desta vez, fiquei me perguntando se eram os "tweets" que, pelo que leio, vêm cortando a "cauda longa" dos blogs.

Twitter é tão "ferramenta social" que se aproxima mais de Orkut ou Facebook. E faz lembrar como o jornal segue vivo, como referência persistente nesta sociedade de espetáculo e celebridade. O papel sobrevive, crítica inclusive.

Escrito por Nelson de Sá às 14h54

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

IBEJIS

Direção e dramaturgia: Paulo Faria



Elenco: Daniel Morozetti, Neusa Velasco, Welton Santos e Jorge Peña



Figurinos: Paulo Faria

Direção musical e preparação vocal: Denise Venturini

Preparação percussiva: Jorge Peña

Preparação física: Eduardo Gomes

Bonecos e adereços: Jeferson Cecim

Iluminação: Ciso de Souza


Sede Luz do Faroeste - SP

Domingos 16 h

Escrito por Lenise Pinheiro às 11h24

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Dias de Campo Belo

Texto e Direção William Costa Lima

Grupo Pequeno Teatro de Torneado

Atores Vitor Belíssimo e William Costa Lima

Vila Maria Zélia - SP

Sábados 20h Domingos 19h

Escrito por Lenise Pinheiro às 14h33

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Memórias do Subsolo

Texto Fiodor Dostoiévski

Direção e  Cenário Cassio Brasil

Atriz Mika Lins

Sesc Consolação - Espaço Beta - SP

Quartas, quintas e sextas às 21h

Escrito por Lenise Pinheiro às 10h55

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Da Razão das Coisas

Texto Quim Monzó

Direção Antonio Januzelli

Tradução e Adaptação Eliana Teruel

Atores Eliana Teruel e José Dornellas

Sesc Pinheiros Auditório - SP

Sextas 21h e sábados 19h30

Escrito por Lenise Pinheiro às 18h44

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

X Moradias

A atriz Ana Andreatta mandou mensagem de texto na quinta-feira. "Você não pode [perder] a Lenise de freira, no projeto xmoradias-roteiro3-consolação/bela vista. tá hilário!" Depois, "Nelson, vá vê-la que tá imperdível. Bj, ana".

Fui no dia seguinte e nada de conseguir entrar no tal roteiro 3.

O projeto X Moradias virou uma pequena febre na cidade. Depois de tentar e muito esperar, de desistir e voltar, acabei encaixado no roteiro 1. Lenise Pinheiro estava no percurso Consolação/Bela Vista, eu fui por Higienópolis/Santa Cecília, do outro lado.

E foi adorável. Em dupla, por duas horas e meia, três horas, sob garoa, você anda de prédio em prédio, apartamento em apartamento, sempre criado ou recriado por artistas convidados pelo projeto.

Para minha sorte, segui com Raquel Anastásia, atriz de Antunes Filho, agora Cibele Forjaz, que eu não conhecia de conversar, mas é a melhor companhia. Sensível às criações, inteligente, bem-humorada.

Nossa primeira parada, saindo do Sesc Consolação pela rua Maria Antônia, foi na avenida Higienópolis, apartamento do ator Raul Carmilo Granado, em cena com Maria da Conceição, instalados e dirigidos por Daniela Thomas.

A mãe na sala, sem poder sair de uma cadeira. O filho na cozinha, preparando uma massa para bolo, algo assim. Em todos os cômodos, banheiro inclusive, câmeras e aparelhos de televisão. Na sala, com a mãe, binóculo na mão, uma série de controles.

O cenário, apesar de corriqueiro, tinha detalhes movidos a dedo. Um em especial. No quarto do filho, a janela era baixa demais, pouco acima do joelho, estava aberta e tinha, colada a ela, uma cadeira. Do nono andar, a fantasia de uma saída para o jovem, em voo e vertigem.

Não é o caso de relatar, uma a uma, todas as moradias.

Mas Raquel Anastásia se emocionou especialmente com Letícia Sekito, num trailer parado num estacionamento, na rua Barão de Tatuí. Um pouco kitsch, extremamente delicada, foi uma mistura de cerimônia de chá com leves passos de dança inspirados por uma carta de tarô.

Da minha parte, foi tensa, dramática a passagem pelo universo de Simone Mina, artista de sensibilidade única, que se cercou de animais num ambiente que, para mim, remetia em tudo a Artaud. Descalça, lendo Derrida, acho.

Antes de fechar o trajeto num cafezinho com Cibele Forjaz, presenciamos, eu e Raquel, a cena engraçadíssima de uma vizinha do apartamento onde se apresentaria Elisa Ohtake, discutindo com o zelador. Cômica pelas duas figuras, mas que resultou na censura da "moradia", para nossa tristeza.

De volta ao Sesc Consolação, nos despedimos e saímos, eu e Raquel, cada um para um lado.

Retornei no dia seguinte, sábado de encerramento do projeto, depois de ligar para Ricardo Muniz Fernandez, o curador. Eu tinha que ver. Fui direto para o apartamento onde Lenise estava, na Consolação, e confirmei finalmente o que Ana Andreatta havia enviado, empolgada.

A personagem da freira é conhecida minha e de outros, de muitos anos, mas enfim eu soube por quê. Que o teatro estava na origem de tudo, Lenise ainda adolescente, menos até, uma criança. E fui revelado freira, também eu, diante do espelho, tão engraçado quanto Lelo Filho.

Mais não conto, porque tenho certeza que essa história vai voltar, recontada.

Escrito por Nelson de Sá às 01h44

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Ver mensagens anteriores

PERFIL

Lenise Pinheiro Blog de teatro com textos e fotografias de peças em cartaz ou por estrear. Montagens antigas, ensaios, indicações e vivências e experimentos. Eventuais visitas a salas de teatro, e suas respectivas companhias. Coberturas de Festivais de Teatro, apontamentos com novidades e curiosidades em torno do tema.

BUSCA NO BLOG


ARQUIVO


Ver mensagens anteriores
 

Copyright Folha Online. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução do conteúdo desta página
em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita da Folha Online.