Cacilda
 

Cândida

Texto Bernard Shaw

Direção Zé Henrique de Paula

Atores Bia Seidl e Sérgio Mastrospaqua

Teatro Polytheama - Jundiaí

Hoje 20h

Escrito por Lenise Pinheiro às 18h39

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O Outro Pé da Sereia

Baseado no Livro de Mia Couto: O Outro Pé da Sereia

Direção Roberto Rosa

Dramaturgia Fábio Salem Daie e Lina Agifu

Atores Ed Moraes, Fernando Bezzerra, Lina Agifu, Luanah Cruz,

Marília Carbonari e Mônica Augusto

Cenografia e Figurinos Chris Aizner

Iluminação Roberto Rosa e Décio Filho

SESC Paulista - SP

Sextas, sábados e domingos 21h

Escrito por Lenise Pinheiro às 17h15

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Entre Quatro Paredes

Texto Jean-Paul Sartre


Diretor Rodrigo Fabbro


Atores Bruna Thedy, Gustavo Sarzi, Lucas Beda,

Marta Caetano e Tiago Real

Cenário: Rodrigo Fabbro e Júlio Meirom

Figurinos: Valéria Feldman

Iluminação: Maria Druck e Mami Faganelo


Espaço dos Satyros 2 - SP

Sextas à meia noite

Estréia 03 de julho de 2009


Escrito por Lenise Pinheiro às 15h00

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Music-hall

Em algum lugar do passado, Luiz Päetow me confidenciou que começou em musical, no teatro Cultura Inglesa, em Pinheiros. Comédia musical, Broadway "trash", mas me falta o nome.

Não consigo imaginar o ator das "Peças" de Gertrude Stein/Márcio Aurélio e dos "Prêt-à-Porter" de Antunes Filho cantando e dançando. Este "Music-Hall" que ele dirigiu para a Cia. da Mentira é um olhar, creio, sobre aquele passado.

Music hall, salão de música, como se sabe, é a versão inglesa do vaudeville americano e do show de variedades. Por aqui, a manifestação mais próxima seria o teatro de revista. Mas esta é uma revista reprocessada pela máquina de Jean-Luc Lagarce.

Como na desconstrução do melodrana em "História de Amor (Últimos Capítulos)", de Lagarce, dirigida por Antônio Araújo, também agora a apresentação termina e o público, ao menos naquele sábado de estreia no teatro de Silvio Santos, mal sabe o que fazer, como reagir.

O estranhamento é semelhante também ao que se seguiu à apresentação de "Olerê! Olará!", que Dionísio Neto escreveu e encenou como uma autópsia do teatro de revista, mas ainda divulgado, até na televisão, como revista de verdade.

"Music-hall" não é uma peça provocativa nem Lagarce é um autor provocativo, no significado costumeiro do termo. Não é teatro de choque, mas ele entra pelas frestas e corrói aos poucos, até o público se compreender integrado nele.

Nada parece linear ou, à primeira impressão, tem sentido. Mas a familiaridade, a sensação de que aquelas palavras já foram suas um dia e agora voltam pela mão do teatro, vai se estabelecendo até tudo soar quase casual, um prazeroso livre-pensar.

Algumas vezes tive a impressão de que Gabriela Flores, na máscara da atriz mambembe e decadente retratada em "Music-hall", falava diretamente para mim, embora varresse os olhos pela plateia e, certamente, deixasse a mesma impressão nos demais.

Ela está linda, seu rosto e seu olhar brilham de perfeição.

Palavra nenhuma parece escapar, desperdiçada por ela e pelos quatro outros atores da Cia. da Mentira. Do início ao fim, fazem um tributo e uma reflexão tragicômica sobre a vida no teatro, do que ele tem de mais mesquinho e chão à glória do artista.

Gilda Nomacce, em sintonia diversa e complementar com Gabriela, uma outra face da mesma personagem, confronta o público, questiona-o aos gritos, só para este se perceber, segundos depois, mais de uma vez, em inteligente e bem executada armadilha cômica.

Duas atrizes de Antunes, com certeza.

Corri depois a ouvir a gravação de "A Little Night Music", musical de Stephen Sondheim também sobre uma grande atriz em turnê, melancólica e irônica diante da glória do teatro, com suas casas meio vazias e a frustração que aproxima da tragédia.

Fora o desenvolvimento dos "Prêt-à-Porter", imagino ser este "Music-hall" o primeiro salto de Luiz Päetow na direção. Como era de esperar do "wunderkind" que conheci e entrevistei dez anos atrás no CPT, é de uma sofistação incomum entre nós.

Escrito por Nelson de Sá às 11h01

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Andrea Maltarolli

Breve em cartaz nos Teatros de SP

Escrito por Lenise Pinheiro às 11h28

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Cacilda Becker e Fredi Kleemann

Diva e fotógrafo se encontram na ethernidade.

Cacilda - Inimigos Íntimos 1952

O Leito Nupcial - Cacilda e Walmor Chagas 1954

Arsênico e Alfazema - Cacilda, Madalena Nicol, Mílton Ribeiro e Célia Biar 1949

Cacilda - Entre Quatro Paredes 1950

Cacilda e Zeni Pereira - Paiol Velho 1951

Cacilda - Raízes 1961

Cacilda e Walmor Chagas - A Terceira Pessoa 1962

Cacilda, Nydia Licia e Sergio Cardoso - Entre Quatro Paredes 1950

Cacilda e Paulo Autran - A Dama das Camélias 1951

Cacilda - A Dama das Camélias 1951

Cacilda e Elizabeth Henreid - A Dama das Camélias 1951

Cacilda - A Dama das Camélias 1951

Cacilda e Elizabeth Henreid - A Dama das Camélias 1951

Cacilda - Pega Fogo 1950

Cacilda - O Anjo de Pedra 1950

Escrito por Lenise Pinheiro às 13h15

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Cacilda

O primeiro e talvez único questionamento que ouvi sobre este blog Cacilda foi não ter visto Cacilda em cena. Não achei necessário responder, por ser a resposta evidente demais para necessitar expressão.

Como expressou o poeta em 1969, morreram Cacilda Becker. E eu também tenho, sempre terei a minha.

Mas compreendo o ciúme. Por muito tempo ela teve dono. Não em vida, quando os proprietários eram muitos e nenhum, e sim depois, para a história. Quiseram fechá-la nos domínios que então cercavam a narrativa do teatro brasileiro, melhor ainda, paulista.

O problema é que sua sedução sempre foi muito além daqueles três, quatro quarteiros de major Diogo e Quedinho, onde ela depositou seu prêmio e rompeu definitivamente com a narrativa, pouco antes de morrer.

Imagino ter se dado então, naquela calçada, quando ela se jogou contra a censura, o nascimento público/político das muitas Cacildas.

Mas elas já existiam lá atrás, em sua trajetória no palco e fora dele. Mais recentemente, eu vi Cacilda na rua Jaceguai, na pele de sua prima distante Marisa Orth, em leitura. Brevemente também, vi Cacilda em Lavínia Pannunzio. E em muitas, todas.

Ela está no Houaiss e no dia-a-dia de quem já nem sabe que existiu, um dia, uma atriz que deu origem à interjeição.

Sua história, da atriz como alegoria do país, volta a ser contada este ano, na segunda produção da tetralogia do Oficina. (Quando conheci, era nonalogia, nove peças, dezenas de Cacildas.)

Ana Guilhermina, que deve viver a jovem atriz na encenação, lê uma carta escrita por Cacilda em 1942, hoje às 21h no teatro.

Agora há pouco, abrindo "Uma atriz: Cacilda Becker", com textos dela e de seus amadores desde Miroel Silveira, caiu uma longa carta de próprio punho. Não me recordo como foi parar lá, vou procurar Maria Thereza Vargas e deixar com ela.

Escrita em maio de 1955, para Luciano Salce já na Itália, ele que havia dirigido "Floradas na Serra", é uma revelação sem fim. Três passagens:

- Cacilda mora numa casa nova, está feliz como nunca, quase não faz teatro, mas em compensação faz um jardim lindo, faz doces para as sobremesas, engorda e começa a envelhecer serenamente. Enfim! No Rio tive um sucesso grande, fui acarinhada, mimada e, contudo, ganhei outra medalha... Voltei feliz. Fiz amigos simpáticos e pela primeira vez vivi uma vida absolutamente boêmia e de grã-fina... Foi divertido, passou, mas me fez um enorme bem. Fortaleci-me. Não tenho mais medo de nada. Faço televisão e ganho dinheiro. Sonho com teatro. Parece que dentro de um mês começarei a fazer a Maria Stuart. Preparo-me para isso como uma fera, muito embora não goste da peça. Tenho trabalhado a voz... com D. Alice! Vai tudo bem. Parece que tenho voz...

- Vivo muito só. Adoro essa solidão. Tenho um belo romance platônico que poderá acabar em casamento. Essa é toda a realidade. Existem muitas versões dela, mas essa é a minha. Sou feliz, meu caro Salce, e começo até a ter medo disso. Parece que tudo mudou. Devo lhe confessar que ainda e acima de tudo amo o teatro, porém em relação ao TBC, apesar da grande estima em que o tenho, creio que é um caso praticamente liquidado, no sentido sentimental. Acho que foi bom ter acontecido isso. Não era realmente sadio ligar uma carreira a um teatro. Farei uso do TBC enquanto me convier e eles lá farão o mesmo com relação a mim. Assim é que deve ser, não é? Cleyde tem progredido de modo incrível. Freddi assusta e Walmor Chagas, conforme eu previa, é um grande ator. Acredito nele cegamente. Tem possibilidades artístisticas e intelectuais excepcionais. É apenas, ainda, muito jovem.

- Mas agora falemos de coisas sérias. Meu filho hoje pela manhã acordou-me às 8h e me fez esta pergunta: - Mamãe, e o Salce? - Que é que tem? - Onde é que ele está? Juro! Acordei e pensei: Cuca é mais grato do que eu! Vou escrever para o Salce e dizer que lhe devo muito e que gosto muito dele. Contar que "Floradas" foi a vítima inocente da minha vingança mesquinha, mas que nunca se escreveu tanto e tão bem de um filme brasileiro como desse. Vou dizer ao Salce principalmente que ele nos faria um grande bem se estivesse por aqui. Então você se casou! Fez bem! Sempre fui pró-casamento, você sabe. Mulher, filhos e casa, acho que isso sim vale a pena. Um dia você me verá na Itália, creia. Tenho trabalhado para isso e hei de conseguir. Você ainda crê em mim? Por incrível que pareça, creio que amadureci como atriz e que farei alguma coisa nova na Maria Stuart. Felicidades para você, Salce, e não se esqueça da amiga mais belicosa do mundo.

PS - Lucas Neves seguiu Cacilda até Pirassununga, onde tudo começou.

Escrito por Nelson de Sá às 09h30

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Lenise PinheiroO blog Cacilda é coordenado por Nelson de Sá, articulista da Folha, e pela repórter-fotográfica Lenise Pinheiro.

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