Cacilda
 

Antologia do Teatro Anarquista

Certa feita, um partidário de Antonio Candido respondeu a um partidário de Haroldo de Campos, no confronto sem fim sobre a cronologia da literatura brasileira, que os concretistas reescreviam a história para culminar neles mesmos, concretistas. Até discordo, mas a imagem é avassaladora _derruba a discussão estética com um juízo moral.

O problema é que os julgamentos exigem equilíbrio e logo remetem o raciocínio para o outro lado. Foi assim que comecei a pensar que também a cronologia do teatro brasileiro moderno, como estabelecida por Décio de Almeida Prado, amigo de Candido, foi escrita para, não culminar, mas começar pelo Teatro Brasileiro de Comédia.

Para começar com um teatro erguido pelo mesmo Décio, sendo o TBC supostamente derivado do grupo amador dirigido por ele nos anos 40 e de outro, dirigido por Alfredo Mesquita. O problema é que cronologias são narrativas lineares como quaisquer outras _e hoje se autodenunciam como distorção, por viés etnocêntrico ou alguma outra motivação.

Qualquer um pode fazer a sua, nestes tempos fragmentados, desde que reúna indícios minimamente verossímeis. Aliás, quanto mais intrincada a narrativa, ainda que contraditória, melhor.

Esses pensamentos voltaram todos agora, lendo a "Antologia do Teatro Anarquista", edição preparada por Maria Thereza Vargas para a coleção de João Roberto Faria na Martins Fontes. Talvez Décio não tenha discípulos mais dedicados e próximos, até no temperamento, do que Maria Thereza e João Roberto. Mas o que publicam é uma outra história.

Esta antologia de três peças e sua introdução remetem inevitavelmente ao "outro crítico" que tanto confrontou o TBC e a crítica militante de Décio nos anos 50, Miroel Silveira. Conheci Miroel antes de conhecer Décio. Era também quatrocentão e também pregava em favor do teatro moderno, mas não com a morte da geração anterior.

E ele levantou então outra modernização, anterior, nos filodramáticos e seu teatro de décadas em São Paulo. Em "A Contribuição Italiana ao Teatro Brasileiro" (1976) ele encontrou até uma Cacilda, mais até, uma Duse brasileira, em Itália Fausta, cuja influência avançou não apenas pelo TBC mas até o besteirol, como caricatura que seja.

Nesta antologia e antes em "Teatro Operário na Cidade de São Paulo", que escreveu com Mariângela Alves de Lima em 1980, Maria Thereza evita o corte étnico de Miroel e revela, no mesmo fenômeno, o corte político, tão rico ou mais. São três autores que buscam não só a revolução social, mas também a comportamental, da igualdade da mulher.

Na narrativa política, em que a esperança com a Revolução Russa está por toda parte nas três peças, encontram-se pontes com o teatro mais assumidamente comunista _e esteticamente vanguardista_ dos anos 20 e 30, de Álvaro Moreyra, Oswald de Andrade, Flávio de Carvalho, também negados pela "modernização conservadora" posterior.

A própria antologia trata de fazer as relações, referindo-se aqui e ali a Itália Fausta ou Flávio de Carvalho, numa breve mas inescapável "Cronologia" que segue o teatro operário desde as primeiras manifestações no fim do século 19 até os anos 60, tomando por referências sobretudo o jornal "A Plebe" e o Centro de Cultura Social.

Mas a edição importa também pelas três peças. Ainda que marquem mais pela temática do que pela estética, como avalia Maria Thereza, não faltam qualidades dramáticas, especialmente em "O Semeador", de Avelino Fóscolo, desenvolvida ao longo de décadas, desde a primeira encenação em 1905/06 até o Festival dos Sapateiros em 1922.

É panfletária, como também as outras duas, mas já revela uma dramaturgia que se desenvolve, cresce em complexidade. E cujo eco se faz sentir até hoje, embora negada pela história oficial.

Escrito por Nelson de Sá às 22h17

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X Moradias

Escrito por Lenise Pinheiro às 11h31

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O Menino Teresa

Texto e Direção Marcelo Romagnoli

Atrizes Claudia Missura e Tata Fernandes

Teatro Alfa - Sala B - SP

Sábados e Domingos às 16h

Escrito por Lenise Pinheiro às 14h41

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Cândida

Texto Bernard Shaw

Direção Zé Henrique de Paula

Atores Bia Seidl e Sérgio Mastrospaqua

Teatro Polytheama - Jundiaí

Hoje 20h

Escrito por Lenise Pinheiro às 18h39

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O Outro Pé da Sereia

Baseado no Livro de Mia Couto: O Outro Pé da Sereia

Direção Roberto Rosa

Dramaturgia Fábio Salem Daie e Lina Agifu

Atores Ed Moraes, Fernando Bezzerra, Lina Agifu, Luanah Cruz,

Marília Carbonari e Mônica Augusto

Cenografia e Figurinos Chris Aizner

Iluminação Roberto Rosa e Décio Filho

SESC Paulista - SP

Sextas, sábados e domingos 21h

Escrito por Lenise Pinheiro às 17h15

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Entre Quatro Paredes

Texto Jean-Paul Sartre


Diretor Rodrigo Fabbro


Atores Bruna Thedy, Gustavo Sarzi, Lucas Beda,

Marta Caetano e Tiago Real

Cenário: Rodrigo Fabbro e Júlio Meirom

Figurinos: Valéria Feldman

Iluminação: Maria Druck e Mami Faganelo


Espaço dos Satyros 2 - SP

Sextas à meia noite

Estréia 03 de julho de 2009


Escrito por Lenise Pinheiro às 15h00

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Music-hall

Em algum lugar do passado, Luiz Päetow me confidenciou que começou em musical, no teatro Cultura Inglesa, em Pinheiros. Comédia musical, Broadway "trash", mas me falta o nome.

Não consigo imaginar o ator das "Peças" de Gertrude Stein/Márcio Aurélio e dos "Prêt-à-Porter" de Antunes Filho cantando e dançando. Este "Music-Hall" que ele dirigiu para a Cia. da Mentira é um olhar, creio, sobre aquele passado.

Music hall, salão de música, como se sabe, é a versão inglesa do vaudeville americano e do show de variedades. Por aqui, a manifestação mais próxima seria o teatro de revista. Mas esta é uma revista reprocessada pela máquina de Jean-Luc Lagarce.

Como na desconstrução do melodrana em "História de Amor (Últimos Capítulos)", de Lagarce, dirigida por Antônio Araújo, também agora a apresentação termina e o público, ao menos naquele sábado de estreia no teatro de Silvio Santos, mal sabe o que fazer, como reagir.

O estranhamento é semelhante também ao que se seguiu à apresentação de "Olerê! Olará!", que Dionísio Neto escreveu e encenou como uma autópsia do teatro de revista, mas ainda divulgado, até na televisão, como revista de verdade.

"Music-hall" não é uma peça provocativa nem Lagarce é um autor provocativo, no significado costumeiro do termo. Não é teatro de choque, mas ele entra pelas frestas e corrói aos poucos, até o público se compreender integrado nele.

Nada parece linear ou, à primeira impressão, tem sentido. Mas a familiaridade, a sensação de que aquelas palavras já foram suas um dia e agora voltam pela mão do teatro, vai se estabelecendo até tudo soar quase casual, um prazeroso livre-pensar.

Algumas vezes tive a impressão de que Gabriela Flores, na máscara da atriz mambembe e decadente retratada em "Music-hall", falava diretamente para mim, embora varresse os olhos pela plateia e, certamente, deixasse a mesma impressão nos demais.

Ela está linda, seu rosto e seu olhar brilham de perfeição.

Palavra nenhuma parece escapar, desperdiçada por ela e pelos quatro outros atores da Cia. da Mentira. Do início ao fim, fazem um tributo e uma reflexão tragicômica sobre a vida no teatro, do que ele tem de mais mesquinho e chão à glória do artista.

Gilda Nomacce, em sintonia diversa e complementar com Gabriela, uma outra face da mesma personagem, confronta o público, questiona-o aos gritos, só para este se perceber, segundos depois, mais de uma vez, em inteligente e bem executada armadilha cômica.

Duas atrizes de Antunes, com certeza.

Corri depois a ouvir a gravação de "A Little Night Music", musical de Stephen Sondheim também sobre uma grande atriz em turnê, melancólica e irônica diante da glória do teatro, com suas casas meio vazias e a frustração que aproxima da tragédia.

Fora o desenvolvimento dos "Prêt-à-Porter", imagino ser este "Music-hall" o primeiro salto de Luiz Päetow na direção. Como era de esperar do "wunderkind" que conheci e entrevistei dez anos atrás no CPT, é de uma sofistação incomum entre nós.

Escrito por Nelson de Sá às 11h01

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Andrea Maltarolli

Breve em cartaz nos Teatros de SP

Escrito por Lenise Pinheiro às 11h28

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Cacilda Becker e Fredi Kleemann

Diva e fotógrafo se encontram na ethernidade.

Cacilda - Inimigos Íntimos 1952

O Leito Nupcial - Cacilda e Walmor Chagas 1954

Arsênico e Alfazema - Cacilda, Madalena Nicol, Mílton Ribeiro e Célia Biar 1949

Cacilda - Entre Quatro Paredes 1950

Cacilda e Zeni Pereira - Paiol Velho 1951

Cacilda - Raízes 1961

Cacilda e Walmor Chagas - A Terceira Pessoa 1962

Cacilda, Nydia Licia e Sergio Cardoso - Entre Quatro Paredes 1950

Cacilda e Paulo Autran - A Dama das Camélias 1951

Cacilda - A Dama das Camélias 1951

Cacilda e Elizabeth Henreid - A Dama das Camélias 1951

Cacilda - A Dama das Camélias 1951

Cacilda e Elizabeth Henreid - A Dama das Camélias 1951

Cacilda - Pega Fogo 1950

Cacilda - O Anjo de Pedra 1950

Escrito por Lenise Pinheiro às 13h15

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Cacilda

O primeiro e talvez único questionamento que ouvi sobre este blog Cacilda foi não ter visto Cacilda em cena. Não achei necessário responder, por ser a resposta evidente demais para necessitar expressão.

Como expressou o poeta em 1969, morreram Cacilda Becker. E eu também tenho, sempre terei a minha.

Mas compreendo o ciúme. Por muito tempo ela teve dono. Não em vida, quando os proprietários eram muitos e nenhum, e sim depois, para a história. Quiseram fechá-la nos domínios que então cercavam a narrativa do teatro brasileiro, melhor ainda, paulista.

O problema é que sua sedução sempre foi muito além daqueles três, quatro quarteiros de major Diogo e Quedinho, onde ela depositou seu prêmio e rompeu definitivamente com a narrativa, pouco antes de morrer.

Imagino ter se dado então, naquela calçada, quando ela se jogou contra a censura, o nascimento público/político das muitas Cacildas.

Mas elas já existiam lá atrás, em sua trajetória no palco e fora dele. Mais recentemente, eu vi Cacilda na rua Jaceguai, na pele de sua prima distante Marisa Orth, em leitura. Brevemente também, vi Cacilda em Lavínia Pannunzio. E em muitas, todas.

Ela está no Houaiss e no dia-a-dia de quem já nem sabe que existiu, um dia, uma atriz que deu origem à interjeição.

Sua história, da atriz como alegoria do país, volta a ser contada este ano, na segunda produção da tetralogia do Oficina. (Quando conheci, era nonalogia, nove peças, dezenas de Cacildas.)

Ana Guilhermina, que deve viver a jovem atriz na encenação, lê uma carta escrita por Cacilda em 1942, hoje às 21h no teatro.

Agora há pouco, abrindo "Uma atriz: Cacilda Becker", com textos dela e de seus amadores desde Miroel Silveira, caiu uma longa carta de próprio punho. Não me recordo como foi parar lá, vou procurar Maria Thereza Vargas e deixar com ela.

Escrita em maio de 1955, para Luciano Salce já na Itália, ele que havia dirigido "Floradas na Serra", é uma revelação sem fim. Três passagens:

- Cacilda mora numa casa nova, está feliz como nunca, quase não faz teatro, mas em compensação faz um jardim lindo, faz doces para as sobremesas, engorda e começa a envelhecer serenamente. Enfim! No Rio tive um sucesso grande, fui acarinhada, mimada e, contudo, ganhei outra medalha... Voltei feliz. Fiz amigos simpáticos e pela primeira vez vivi uma vida absolutamente boêmia e de grã-fina... Foi divertido, passou, mas me fez um enorme bem. Fortaleci-me. Não tenho mais medo de nada. Faço televisão e ganho dinheiro. Sonho com teatro. Parece que dentro de um mês começarei a fazer a Maria Stuart. Preparo-me para isso como uma fera, muito embora não goste da peça. Tenho trabalhado a voz... com D. Alice! Vai tudo bem. Parece que tenho voz...

- Vivo muito só. Adoro essa solidão. Tenho um belo romance platônico que poderá acabar em casamento. Essa é toda a realidade. Existem muitas versões dela, mas essa é a minha. Sou feliz, meu caro Salce, e começo até a ter medo disso. Parece que tudo mudou. Devo lhe confessar que ainda e acima de tudo amo o teatro, porém em relação ao TBC, apesar da grande estima em que o tenho, creio que é um caso praticamente liquidado, no sentido sentimental. Acho que foi bom ter acontecido isso. Não era realmente sadio ligar uma carreira a um teatro. Farei uso do TBC enquanto me convier e eles lá farão o mesmo com relação a mim. Assim é que deve ser, não é? Cleyde tem progredido de modo incrível. Freddi assusta e Walmor Chagas, conforme eu previa, é um grande ator. Acredito nele cegamente. Tem possibilidades artístisticas e intelectuais excepcionais. É apenas, ainda, muito jovem.

- Mas agora falemos de coisas sérias. Meu filho hoje pela manhã acordou-me às 8h e me fez esta pergunta: - Mamãe, e o Salce? - Que é que tem? - Onde é que ele está? Juro! Acordei e pensei: Cuca é mais grato do que eu! Vou escrever para o Salce e dizer que lhe devo muito e que gosto muito dele. Contar que "Floradas" foi a vítima inocente da minha vingança mesquinha, mas que nunca se escreveu tanto e tão bem de um filme brasileiro como desse. Vou dizer ao Salce principalmente que ele nos faria um grande bem se estivesse por aqui. Então você se casou! Fez bem! Sempre fui pró-casamento, você sabe. Mulher, filhos e casa, acho que isso sim vale a pena. Um dia você me verá na Itália, creia. Tenho trabalhado para isso e hei de conseguir. Você ainda crê em mim? Por incrível que pareça, creio que amadureci como atriz e que farei alguma coisa nova na Maria Stuart. Felicidades para você, Salce, e não se esqueça da amiga mais belicosa do mundo.

PS - Lucas Neves seguiu Cacilda até Pirassununga, onde tudo começou.

Escrito por Nelson de Sá às 09h30

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O Caderno Rosa de Lori Lamby - Leitura Dramática

Texto Hilda Hilst

Direção Bete Coelho

Atriz Iara Jamra

Teatro do Centro da Terra - SP

Hoje às 18h

Escrito por Lenise Pinheiro às 15h55

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As Troianas

Vozes da Guerra

Direção Zé Henrique de Paula


Direção Musical e Preparação Vocal Fernanda Maia


Atrizes Inês Aranha, Kelly Klein, Norma Gabriel,


Ci Teixeira, Bibi Jaguaribe, Claudia Miranda,

Karin Ogazon, Marcella Piccin e Patrícia Vieira

Atores João Pedro de Almeida Teixeira, Alexandre Meirelles,

Fábio Redkowicz e André Darlan

Iluminação Fran Barros

SESC Paulista - SP

Sextas, Sábados e Domingos às 20h

Escrito por Lenise Pinheiro às 17h41

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7, o musical

Das muitas produções de Charles Möeller e Cláudio Botelho em São Paulo, nesta temporada, "7, o musical" foi a maior aposta, como criação.

A dupla respondia à eterna proclamação de que o teatro musical só vai confirmar todo o seu potencial, no Brasil, quando se reintegrar à grande força de cultura popular que é a canção ou a Música Popular Brasileira, como se dizia em outros tempos.

Möeller & Botelho foram buscar em Ed Motta, parcialmente ao menos, a ponte tão sonhada pelos partidários do musical desde, nas minhas contas, o Wolf Maya de "Blue Jeans".

Premiado e com longa temporada no Rio, ainda assim o espetáculo só veio para São Paulo bancado pela própria produção, como manifestou do palco a emocionada protagonista, no final da penúltima apresentação.

Mas também aí deu sinal de que o teatro musical se aproxima da maioridade. Com algum estímulo estatal, ocupou o teatro estadual mais apropriado para o gênero, o Sérgio Cardoso de quase 900 lugares, no coração do "distrito teatral".

E naquela penúltima apresentação ele estava lotado, com um público de maior diversidade, não o que paga os altos preços cobrados por salas como Abril e Alfa, para versões da Broadway.

Parecia sonho tornado realidade. Depois do Municipal para ópera, do São Pedro para opereta, a cidade ganha um grande teatro estatal para o teatro musical brasileiro.

E com um espetáculo que retoma o laço com a música popular, histórico, mas rompido depois dos últimos esforços de Chico Buarque. (Perdi e lamento sem parar, mas outra produção de retomada foi "Besouro Cordão de Ouro", de Paulo César Pinheiro e João das Neves, no Sesc Pompéia.)

A encenação em si confirmou a esperança. "7" mostrou exuberância e uma perfeição já identificadas com Möeller & Botelho. Os quadros são bem desenvolvidos, a protagonista Alessandra Maestrini é um achado a explorar mais e mais.

Zezé Motta, mais que uma homenagem histórica, ela que estreou na "Roda Viva" de Chico Buarque e Zé Celso, ilumina as melhores cenas, não só cantando, mas atuando com ironia, distanciamento, felicidade em cena.

Como se dizia _e ainda se ouve, de vez em quando_ sobre o cinema brasileiro, também aqui o enredo é um problema, com as referências se sobrepondo e com o conflito motor perdido ao longo da apresentação, como na neblina da cena.

O laço com a música brasileira poderia ser mais evidenciado, formalmente, mas esta é a opção da dupla, ao menos segundo o programa do espetáculo. (Seguem faltando, registre-se, as biografias do elenco e da equipe de criação, tão necessárias aos fãs do gênero.)

De Möeller & Botelho, sob o título "Teatro Musical Brasileiro":

_ Existe? É possível chegar a ele sem ufanismo e/ou saudosismo? Sem a necessária obrigação de colocar o samba no palco? A mulata em cena? O jeitinho brasileiro sob o refletor? São tantos os compromissos e tantas as questões... Estamos procurando algo menos ambicioso. Apenas teatro musical, sem passaporte ou nacionalidade carimbada. Se é nosso, há de ser como nós e universal talvez, como gostaríamos... Desde que Chico Buarque, Edu Lobo, Francis Hime e outros grandes se afastaram da cena teatral, pouquíssimos compositores se interessaram pelo teatro musical. Ed Motta, de carreira expressiva na música popular, veio fazer teatro. Apostou conosco neste cavalo improvável: um musical sem canções famosas, hits do passado, biografias de ídolos da MPB... Levamos nossa história para um Rio de conto de fada, onde faz frio nas ruas e nas almas, onde há mais noite do que dia, onde cartomantes são bruxas e princesas são suburbanas infelizes.

Escrito por Nelson de Sá às 00h04

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Iluminação de Serviço

Nos bastidores do Teatro Célia Helena

Projeto Ruy Ohtake

Duas atrizes , um tablado e muitas paixões.

Julia Lemmertz e  Ligia Cortez

Ensaio fotográfico para celebrar Maria Stuart

Direção Antonio Gilberto

Teatro Célia Helena - SP

Escrito por Lenise Pinheiro às 12h48

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A Loucadora de Vídeo

Texto e Direção Antonio Rocco


Atores Lulu Pavarin, Luciana Caruso e Ivan Capúa

Iluminação Marcos Loureiro


N.Ex.T. - Núcleo Experimental de Teatro - SP


Sextas e Sábados 21h30 Domingos 19h30

Escrito por Lenise Pinheiro às 18h31

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Manter em local seco e arejado

Criadores [ph2]: estado de teatro


Iluminação Luana Gouveia


Atores Daniel Mazzarolo, Julia Moretti, Luiz Paulo Pimentel,

Maria Emilia Faganello, Paola Lopes e Rodrigo Batista







Cenário Hémon Vieira



Figurinos Bárbara Wada


SESC Paulista - SP

Quartas e quintas 20h

Escrito por Lenise Pinheiro às 11h43

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Solilóquios

Na fila para comprar um ingresso para o teatro Eva Herz, na ótima sessão das 14h30 de domingo, chegou José Possi Neto. Gosto dele desde que trabalhamos em "As Boas", ambos em esforço solidário para evitar que os conflitos inviabilizassem a montagem. (No fim inviabilizaram, mas só depois de um mês em cartaz.)

Conversamos sobre tantos monólogos na cidade. Ele culpa o governo e conta como seu trabalho foi impossibilitado durante meses, ano passado, por procrastinações em Brasília. Eu não vejo assim. Acho em grande parte um resultado de contingências de produção, com tantas pequenas, mínimas salas espalhadas por São Paulo.

Quando a plateia passa dos cem lugares, como no teatro da Livraria Cultura, é o próprio palco que limita. Muitos outros motivos podem ser especulados, do acanhamento dos artistas à eventual ganância. O certo é que estou há semanas num entra-e-sai de solilóquios.

Sobre o "Doido" de Elias Andreato, um Steven Berkoff entre nós, de quem já vi os estrondosos "Van Gogh" e "Oscar Wilde", os relatos já corriam antes da estreia em Curitiba e agora em São Paulo. Afinal, são textos sobre o teatro, representados por um ator consagrado por atores, hoje quase uma efígie para o palco paulistano das últimas décadas.

E está tudo lá, nas passagens de Tchecov ou Shakespeare, muito "Hamlet". No público, domingo, estavam outros atores, diretores, produtores. Ele foi chamado de volta várias vezes, no final. Da minha parte, respeito, mas meu envolvimento era maior com Van Gogh, Wilde.

Desta vez, cenário, figurino, cenas parecem todos caminhar em sentidos diversos. Mas o que faltou do ator "berkoffiano" dos monólogos anteriores resultou também, agora, na revelação de sua singeleza, na representação sem proteção, aberta, verdadeira celebração do teatro.

Não consigo dizer o mesmo de Fernanda Montenegro em "Viver sem Tempos Mortos", edição de Simone de Beauvoir que se estende além da conta em detalhes de alcova de Jean-Paul Sartre. E aquém, no pensamento de sua própria personagem.

No caso, os problemas já começaram por ela declarar antes, ao Lucas Neves, que faz o teatro possível. Desde então, só escuto questionamentos à grande atriz, por todo lado. Não é verdade, não para ela. Nem é preciso recorrer ao levantamento da revista Bacantes para ver que um monólogo não é seu teatro possível.

Perto dos 80, é uma recusa de si mesma aos outros artistas, jovens atores, como aqueles que Paulo Autran não se cansava de reunir, em clássicos. Sendo o teatro um ofício, ela poderia transmitir por exemplo, como me descreveu certa vez, que a criação só começa nas horas avançadas do ensaio, quando a exaustão leva à entrega.

Por falar em Autran, havia também desnudamento maior, pessoal, em seus personagens das últimas décadas. Fernanda Montenegro, agora, soa distante do papel, parece antes proteger-se em Simone de Beauvoir, suas palavras, seu comportamento. Em "Dona Doida", seu monólogo anterior, parecia existir mais dela mesma naquela máscara.

Preciso reconhecer, como aconteceu com Elias Andreato, que a percepção da plateia foi muito diferente da minha, aplaudindo sem fim.

A minha divergência com outros espectadores de tantos monólogos só foi mudar no terceiro em sequência, "Calendário da Pedra", na sala Funarte da alameda Nothmann. No salão de espera, antes de começar, um jovem ironizava o Teatro Essencial de Denise Stoklos, toda a teorização que, em outros tempos, também me aborrecia.

Não penso mais assim. Aliás, minha própria reação diante do espetáculo, que estreou uns oito anos atrás e que havia visto neste intervalo de tempo, mudou muito. Agora me identifico com o humor, com o dia-a-dia repetitivo e que enxerga o melhor da existência nos detalhes mais patéticos. Que brinca com a prisão que é sua própria mímica.

Stoklos, raciocino agora, é tão engraçada como um melhor exemplar de "stand up", ainda que deitada em sua pedra. Faz as mesmas observações cortantes do cotidiano, do indivíduo, das notícias que nos seguram por instantes e desaparecem no calendário.

No fim, palmas entusiasmadas de todos. E seu agradecimento me pareceu especialmente emocionado e sincero.

PS - Para registro, ao meu lado, uma pré-adolescente passou a apresentação toda com os olhos pregados em Denise, mas os dedos colados no celular ligado e mudo. Escrevia. Depois até sofreu repreensão de uma produtora, se ouvi bem, por interferir nas transmissões do equipamento. Até agora estou tentando entender o significado de coisa, para mim, tão inusitada.

Escrito por Nelson de Sá às 02h39

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A Alma Imoral

Texto Nilton Bonder

Supervisão Amir Haddad

Adaptação e Interpretação Clarice Niskier

Iluminação Aurélio de Simoni

Teatro Eva Herz - Livraria Cultura - SP

Segundas e terças às 21h

Escrito por Lenise Pinheiro às 09h37

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Gardênia

Texto Ana Roxo

Livremente inspirado "O Amor em Tempos de Cólera" de Gabriel

Garcia Marquez

Direção Marat Descartes

Atores Cybele Jácome e Luís Marmora

Cenário e Iluminação Cristina Souto

Figurinos Simone Mina

Tecnicos Operadores Ciro Godoy e Jordana Dolores

SESC Consolação - Sala Beta_ SP

Segundas, tercas e quartas às 21h

 

Escrito por Lenise Pinheiro às 11h31

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PERFIL

Lenise Pinheiro Blog de teatro com textos e fotografias de peças em cartaz ou por estrear. Montagens antigas, ensaios, indicações e vivências e experimentos. Eventuais visitas a salas de teatro, e suas respectivas companhias. Coberturas de Festivais de Teatro, apontamentos com novidades e curiosidades em torno do tema.

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