Cacilda
 

Zezé Mota e Suzana Faini em SETE

Texto e direção: Charles Möeller
Música: Ed Motta
Letras: Claudio Botelho
Direção musical: Claudio Botelho e Ed Motta

Atores

Alessandra Maestrini (Amélia)
Alessandra Verney (Bianca)
Eliana Pittman (Rosa)
Janaina Azevedo (Elvira)
Ivana Domenico (Madalena)
Rogéria (Odete)
Marina Ruy Barbosa (Clara)
Betto Serrador
Jarbas Homem de Mello
Marcel Octavio
Otavio Zobaran
Pedro Sol
Stein Junior
Tuto Gonçalves

Músicos
Alexandre Brasil (baixo)
Alex Freitas / Levi Chaves (sax alto)
Gabriel Guenther (bateria)
Pedro Mibielli / Anderson Pequeno (violino)
Thaís Ferreira (violoncelo)
Vitor Gonçalves (piano)

Cenários: Rogério Falcão
Figurinos: Rita Murtinho
Visagismo: Beto Carramanhos
Iluminação: Paulo César Medeiros

Teatro Sergio Cardoso - SP

Sextas 21h30 Sábados 21h e Domingos 18h

Escrito por Lenise Pinheiro às 12h29

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A noite mais fria do ano

É bastante engenhoso o confronto entre as duas peças deste "A noite mais fria do ano". Não pelo que aproxima uma de outra, pelas pontes que vai lançando, mas pelo que desvenda de inconciliável entre elas, que imagino reflexos do próprio Marcelo Rubens Paiva.

De um lado, o jornalista, ativista político, figura pública, cara do bem. Do outro, talvez mais sombrio, o artista, dramaturgo, agora diretor. O melhor, ao menos na minha fantasia, enquanto assistia à apresentação, era exatamente os dois ou as duas peças não se misturarem bem, não conseguirem se encontrar em um só.

É fascinante como um quebra-cabeça sem solução, a ponto de o autor precisar passar também à direção, para tentar colar os pedaços.

As personagens masculinas da primeira metade nada têm a ver com suas presenças na segunda. Os atores estão todos, Mário Bortolotto, Alex Gruli, até Hugo Possolo com seu impagável dono de barraca de rua, bem mais à vontade na primeira, quando ecoam o melhor teatro de Paiva, de cortante diálogo masculino.

O retrato que fazem do jornalismo, até onde eu conheço, é dos mais fiéis e impiedosos. Aquele cinismo decadente, está tudo lá, de um jeito ou de outro, com a arte do Bortolotto ator.

Na segunda metade, o artista de Possolo e Paiva ainda não se achou. É certamente a máscara mais questionada _o artista_ daí talvez um certo pendor dramático, aqui piedoso.

Paula Cohen, que é apenas uma imagem, uma referência na primeira peça, se abre em sensualidade. É quase uma idealização feminina, capaz de tudo, uma redenção, tanto quanto inspiração, para seu artista perdido.

Foi isso, que fique claro, o que eu fantasiei enquanto acompanhava "A noite mais fria do ano" no Sesc Paulista. O espetáculo é também e principalmente um desabafo do carpinteiro Marcelo Rubens Paiva, 20 anos de teatro, sobre o amor.

Escrito por Nelson de Sá às 11h54

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Olerê! Olará!

Passa o tempo e os solilóquios de Dionísio Neto, entremeados às suas narrativas, não perdem a força. Desde "Opus Profundum", eles são a prova dos nove de seu alcance como dramaturgo _e uma singularidade artística inusitada nestas praias.

"Olerê! Olará!", que evoca de modo tão consciente e aprofundado o teatro de revista, ainda lembra mais, ao menos para mim, aquela primeira e explosiva criação musical que aproximou teatro de hip-hop e da cena eletrônica.

Como antes, nem tudo neste novo espetáculo dá liga, mas o que dá enche de prazer os sentidos todos. E são pelo menos três descobertas no palco deste novo O Inflamável, "cabaré" em plena boca do luxo, mas a duas quadras do colo do Centro de Pesquisa Teatral de Antunes Filho.

A dramaticidade de Jeyne Stakflétt na personagem da "neovedete" Elisabeth Vitória Régia I escapa de vez da revista, já perto do final, para entrar nas viagens maiores do raciocínio de Dionísio. É a apoteose, por assim dizer.

Antes, Mayana Neiva como Carmen Rosa é a bela voz que garante ser este, de fato, um musical. E Giovanna Velasco, como Lulu Chuva de Prata no primeiro quadro e em outros, confirma que se trata de revista, revisão cômica da atualidade.

Não achei porém que os números de cortina funcionassem tão bem, em parte pelos próprios textos, em parte também pelo ritmo. Ah, os figurinos também não mostram quase nada das "neovedetes". Até nos anos 20 elas revelavam mais.

Escrito por Nelson de Sá às 09h37

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The Cachorro Manco Show

Texto Fábio Mendes

Direção Moacir Chaves

Ator Leandro Daniel Colombo

SESC Paulista - SP

Sextas, Sábados e Domingos  20h30

Escrito por Lenise Pinheiro às 15h09

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Crença no teatro

Este ano fiquei pouco no festival de Curitiba, dois, três dias. De resto, acompanhei pela Lenise, aqui no blog, no jornal, em conversa. Também pelo Lucas Neves e pelo Luís Fernando Ramos, jornalistas que admiro, respeito e, mais importante, aguardo ansioso e leio a cada nova edição.

E desta vez acompanhei o festival também pelo Valmir Santos, com quem formei dupla por algum tempo, no jornal. Ou trinca, pois a Lê, conosco ou agora com Lucas e Nando, é sempre o olhar revelador.

É do Valmir que eu quero escrever, neste momento, até porque meu carinho por ele vem de sempre. E ele é um crítico, enfim! Começou no fim do ano, na verdade, na mostra Cena Breve, de teatro de grupo.

Já então ele escrevia da cena curitibana que viria a marcar o festival deste ano, com peças como "Aranha marrom não usa Roberto Carlos" ou "Árvores abatidas". [Ainda não compreendo bem o que representa tamanha atenção de Curitiba com a própria Curitiba, como num espelho.]

Aqueles primeiros testes de internet e crítica prosseguiram agora, no site do festival. Ainda tateando a opinião, ele já revela uma segurança que eu desconhecia _e que não estavam presentes em seus primeiros textos publicados no "Diário de Mogi", década e meia atrás.

Vals, seu velho código no sistema de edição do jornal, que acabou virando apelido, era lendário pelos lapsos e confusões, com matérias em que faltava uma palavra ou e-mails que enviava não à redação, mas a si mesmo, levando o fechamento ao desespero.

Não resta muito deste nosso Vals nas críticas que ele escreveu para o festival, tão amadurecidas e firmes _em sua convicção e também em sua apresentação. Os posts de que mais gostei foram sobre o projeto Autopeças, Tennessee Williams e "A mulher que ri".

E sobre "Kimpa Vita, a profetisa ardente", da cia. Elinda Teatro, de Luanda, intitulado "Angolanos sublinham crença no teatro". Bordão que vale para ele mesmo. Abaixo, algumas passagens da longa crítica:

_ Kimpa Vita, uma moça de 20, 21 anos, foi condenada à fogueira por um júri inquisitorial sob acusação de se passar por santo Antônio e inflar a indignação na comunidade catequizada, torturada e escravizada pela Igreja Católica em conluio com comerciantes e militares... O que a jovem interpretada por Mel Gamboa fez dois séculos atrás foi seguir os conselhos do santo com o qual aprendeu "a lutar e a nunca desistir". Reivindicou a africanização da religião imposta, daí a acusação de bruxaria. Mesmo após sua morte, por julgamento fantoche, sua iniciativa ganhou contornos de movimento messiânico que se propaga em países africanos até hoje –os antonianos. "O que chamam de loucura é a minha verdade, a verdade do meu povo"... Independente das soluções elementares de encenação, o que causa admiração no trabalho do grupo Elinga é o sentido de presença que os atores refletem em cena. É como se reafirmassem a sua verdade, tal qual o enredo com a sacerdotisa. Um orgulho de falar do lugar que falam, em crer na arte do teatro como meio de religação com os antepassados.

Escrito por Nelson de Sá às 08h00

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Lenise PinheiroO blog Cacilda é coordenado por Nelson de Sá, articulista da Folha, e pela repórter-fotográfica Lenise Pinheiro.

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