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Soltando os cachorros/Não sou feliz, mas tenho marido

Em meio ao surto de peças sobre crise de classe média no teatro paulistano, que se repete a cada ano mas desta vez avança por áreas antes alternativas, "Soltando os cachorros" tem a singularidade, para começar, de partir de Hilda Hilst, Marisa Raja Gabaglia e Cassandra Rios, não Maria Adelaide Amaral.

Décadas atrás, eram três nomes que ecoavam escândalo, promiscuidade ou coisa que o valha. Daí os "cachorros" do título.

Marisa havia sido mulher e escreveu sobre Hosmany Ramos, que começou cirurgião plástico de celebridades e acabou homicida. Cassandra escrevia pornografia, pelo que eu ouvia então, adolescente. Mas só conheço um pouco mais de Hilda, a mais estabelecida das três e hoje sempre nos palcos, em obras cortantes.

Pelo espetáculo em cartaz no Sesc Paulista, que costura palavras das três, elas não estavam em níveis muito diversos. E eram todas, afinal de contas, "malditas".

Inusitadamente, suas palavras hoje soam quase pudicas, quando antes assustavam ou causavam revolta. Não falta sequer uma certa ingenuidade, mesclada às expressões em desuso.

O efeito é, em muitos momentos, delicioso, em especial pelo envolvimento das três atrizes. Não é de hoje que Lavínia Pannunzio encanta, longilínea, insinuante, aqui num jogo entre lúdico e amadurecido com Letícia Teixeira e Lílian de Lima.

Mais uma vez, não consigo ou não quero me identificar com aquela busca, mas acompanho bem e até reconheço.

Na mesma direção, mas com texto que vaza inteiramente para o besteirol, "Não sou feliz, mas tenho marido", no teatro Procópio Ferreira, nos Jardins, vale antes de mais nada pelo talento cômico de Zezé Polessa.

Também aqui se trata de classe média e sexo ou, melhor, de um casamento. Mas os clichês são em proporção avassaladora, sem qualquer busca em desvendar coisa alguma.

O fim é unicamente divertir, brincar, o que Zezé faz tão bem, em ritmo certamente desenvolvido pelos dois anos de grande público, mais preparação corporal de Deborah Colker, mais direção de arte de Grindo Cardia, mais figurino de Alexandre Herchcovitch, que nem parece monólogo.

Escrito por Nelson de Sá às 18h58

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O homem da tarja preta

Estava temeroso de assistir a "O homem da tarja preta". Contardo Calligaris havia visto minha montagem de "4.48 Psicose" e dispensado Sarah Kane, maior autora de sua geração, como melodramática ou coisa menor, em suposto contraste com a tragédia do Oficina.

Por outro lado, eu havia lido que "Homem" partia de uma cena ecoada de "Closer", de Patrick Marber, da mesma geração, mas este sim dramaturgo de menor alcance _ainda que eu goste de sua escrita pop, nascida da franja "stand up" de Londres, onde ele reinou até partir para a dramaturgia.

A cena, um homem diante de um computador se fazendo passar por mulher em uma sala de chat, poderia ser a própria definição de "golpe de teatro", coisa que, com o tempo, vim a abominar em teatro.

Mau começo, pensava eu, também temeroso do monólogo, gênero limitado de teatro, na minha experiência. Mas lá fui, dias atrás, sete da noite de uma quinta-feira, ao auditório instalado no Conjunto Nacional.

E o espetáculo, para meu espanto, funciona.

Em parte, é pelo imenso talento de Ricardo Bittencourt para o texto não originalmente dramático, que marcou Zé Celso e tantos outros quando ele ainda era um de Los Catedrásticos, uma década atrás. Em parte, é pela genialidade de Bete Coelho em desvendar verdade e vida nas construções mais racionais, como desenvolveu com Gerald Thomas.

Mas o certo é que também Contardo está lá e é teatro. Mais para a metade final, "Homem" vai perdendo um pouco o viço, como se não soubesse para onde levar o público, mas até então funciona.

Não consigo ou não quero me identificar com toda aquela busca masculina, pequeno-burguesa, elite branca, mas é prazeroso seguir jogo de raciocínio tão bem armado, encenado, representado.

Ajuda também a ver ou rever um lado de Ricardo que andava oculto no Oficina. E reencontra Bete e o teatro.

Escrito por Nelson de Sá às 18h50

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Dona Flor e seus dois maridos

Texto Jorge Amado

Direção Pedro Vasconcelos

Assistente de Direção Ana Paula Bouzas

Direção Musical Bruno Marques

Elenco: Carol Castro, Marcelo Faria, Duda Ribeiro, Ana Paula Bouzas,

Marcello Gonçalves, Elvira Helena, Carlos André Faria, Carolina Freitas,

Nelito Reis, Daniely Stenzel, Ewe Pamplona, Fabio Nascimento, Lisieux Maia,

Luana Xavier e Marco Bravo

Cenografia e Figurinos Ronald Teixeira

Iluminação Luciano Xavier

Teatro da Faap - SP

Sextas e Sábados 21h Domingos 18h

Escrito por Lenise Pinheiro às 11h04

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Os cantos do hotel

Baseado nos poemas de Federico García Lorca


Direção e Iluminação Ivan Feijó



Assistência de Direção Renata Lamonega

Hotel Green Garden Company

Atores Dandara Monteiro, Fernanda Bello,

Guilherme Rodio, Henrique Sverner, João Hannuch,

Larissa Vieira, Marina Patari e Sabrina Orthmann




Teatro O Inflamável


Hoje 21h

Escrito por Lenise Pinheiro às 19h34

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Shirley Valentine

Texto Willy Russel

Atriz Betty Faria

Direção Guilherme Leme


Iluminação Wagner Freire


Cenários Aurora dos Campos


Figurinos Tatiana Brescia


Centro Cultural Banco do Brasil - SP

Quintas, Sextas e Sábados 19h30 Domingos 18h

Escrito por Lenise Pinheiro às 19h51

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Texto Letizia Russo


Direção Alvise Camozzi


Ator João Miguel


Cenografia Laura Vinci


Figurino Marina Reis


Iluminação Alessandra Domingues

Sesc Avenida Paulista -SP

Sextas, Sábados e Domingos 20h30

Escrito por Lenise Pinheiro às 16h25

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Lenise PinheiroO blog Cacilda é coordenado por Nelson de Sá, articulista da Folha, e pela repórter-fotográfica Lenise Pinheiro.

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