Cacilda
 

Sin sangre

Texto Alessandro Barícco


Direção Juan Carlos Zagal


Atores Laura Pizarro, Juan Carlos Zagal, Diego Fontecilla,

Ernesto Anacona e Etiene Bobenrieth


Cenários Rodrigo Bazáes, Cristian Reyes e Cristian Mayorga


Figurinos Loreto Monsalve


Compañia Teatro Cinema

Sesc Vila Mariana - SP

Sexta e Sábado 21h Domingo 18h

Escrito por Lenise Pinheiro às 12h02

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Por um Fio

Texto Drauzio Varella

Direção Moacir Chaves

Atores Regina Braga e Rodolfo Vaz

Cenário J.C. Serroni

Iluminação Aurélio di Simoni

Teatro Sesc Anchieta - SP

Estréia 02/04/09  

21h

Escrito por Lenise Pinheiro às 11h51

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Galharufas 13

Moacir Leal não recebeu galharufas. Acredita que Jô Martinez foi a

responsável pela sua inclusão no teatro. Aqui em Curitiba.

Estará em cartaz em SP com a peça "Henfil Já", no Teatro Imprensa.

No ofício desde 1994, tem muita história para contar.

                                                             A PRISÃO

 

Em 1998 fui convidado pelo diretor Julmar Leardini pra fazer um soldado nazista na peça

"B. B. o virulento" (sobre Bertolt Brecht), texto e direção de Julmar.

Bom! Lá estávamos nós na praça do Expedicionário, aquela em frente ao Instituto Goethe,

pra tirarmos fotos pra serem usadas no cartaz e programa, eu estava vestido de soldado

nazista carregando uma bandeira enorme com uma suástica, a outra atriz vestida de

soldado bolchevique com uma bandeira enorme com a foice e o martelo e o Mauro

Zanatta (que fazia o papel de Brecht) com um jaquetão de couro, bem ao estilo do Bertolt.

Quando percebo a chegada de, eu contei, nove camburões e vinte e nove policiais. Recebo

a “ordem”: Desce daí, rapaz, e vai enrolando esta bandeira. TÁ PENSANDO O QUÊ! 

Obedeci imediatamente, seguido pelos outros dois atores. Julmar tenta se explicar

com os policias, que queriam nos prender de qualquer maneira, mas eles mesmos não

sabiam qual o nosso crime. Uns queriam nos liberar, outros não, eu fui ameaçado de ir

pro cacete, um policial dizia que nós tínhamos é que ir pro pau.

Nisto me aparece um velhinho gritando a plenos pulmões: Prendam eles! Prendam eles!

Eu lutei na guerra contra isto! Tentávamos explicar que não estavamos divulgando o

nazismo , muito pelo contrário, a história era sobre um homem que lutou contra, foi

perseguido, etc...

Acabamos eu , Claudia e Julmar no camburão (era uma Veraneio) e Mauro foi levado

em seu carro dirigido por um policial. No caminho, nós estávamos no chiqueirinho mas

dava pra ver e ouvir os policiais, eles pelo rádio explicavam a prisão e queriam  saber qual

o nosso crime. Aleluia! Descobriram! Era crime de lesa pátria (crime federal),  parece que

na época fazia uns dois anos que o Brasil assinara um tratado de proibição de

manifestação ou divulgação ou qualquer coisa do tipo a  favor do nazismo. Pensei :

- Ainda bem que o crime é federal, vão nos levar pra Polícia Federal e lá espero que o

delegado seja mais esclarecido.

Chegamos à delegacia e enquanto esperávamos o delegado entra um soldado da PM

com nossas duas bazucas cenográficas (de papelão) na mão dizendo em voz alta:

- Olha o que tinham no carro! Eu dei uma de abusado, olhei pro tenente que chefiou nossa

prisão (ele era um cara jovem e já estávamos dentro da delegacia) e disse: - Bonita minha

farda , não? Ele me encarou com ódio no olhar e respondeu: - Bonita é a minha farda, rapaz!

Fiquei na minha.

Aparece o delegado, era um japonês. Pensei: - Japoneses são inteligentes , ele vai saber

que isto é teatro.

Delegado pergunta o que foi que aconteceu, um soldado abre a bandeira com a foice e o

martelo no chão. Delegado diz: - Comunismo não é mais crime no Brasil.

Soldado abre a outra bandeira, a com a suástica.

O delegado balança a cabeça negativamente e nos diz: - Vocês pensam que porque acabou

a ditadura podem fazer o que quiserem. Eu senti nele um tom tranquilo, sem ameaças, quase

como uma piada.  Os PMs queriam ainda nos complicarem mais, mas o delegado se encheu,

mandou eles terminarem logo a ocorrência, que o caso agora era deles (Polícia Federal).

Julmar desce com o delegado, conversa, consegue nos liberar, nos conta que o delegado

declamou Brecht pra ele, que ele entendia , mas teria que abrir um processo, não teria como

deixar de fazer. Lembro bem que em nenhum momento tive medo, só pensava: - Eu estou

certo, por que temer? O advogado Rene Dotti soube desta história, assumiu nosso caso,

que foi arquivado, devolveram-nos as bandeiras, pois dentro do Teatro podíamos usá-las,

Julmar mudou o nome do meu personagem pra SOLDADO CABEÇA REDONDA, o da

Claudia pra Cabeça Pontuda, estreamos no Sesc da Esquina, fizemos temporada no

Mini-Guaíra, onde queimaram nossa placa de divulgação que ficava na entrada do teatro.

Mais tarde a peça virou um monólogo, e acho que ficou bem melhor sem os soldados.

E é isto, às vezes penso, se fosse na época da ditadura, o que teria acontecido com a gente?

Escrito por Lenise Pinheiro às 09h55

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Medida por Medida

Texto William Shakespeare

Direção Gilberto Gawronski

Cenografia Maria Sarmento e Beanka Maris

Iluminação Paulo Cesar Medeiros

Atores Nildo Parente, Rodolfo Bottino, Gilberto Gawronski, Luis Salém,

Ricardo Blat, Celso André, Alcemar Vieira, Gustavo Wabner, Tatsu

Carvalho, Sergio Maciel, Rafael Leal, Mutilo Fontes e Wallace Lima

Figurinos Antonio Medeiros e Cao Albuquerque

Teatro Guaíra - Curitiba

Mostra Oficial

Escrito por Lenise Pinheiro às 09h54

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Ver mensagens anteriores

PERFIL

Lenise PinheiroO blog Cacilda é coordenado por Nelson de Sá, articulista da Folha, e pela repórter-fotográfica Lenise Pinheiro.

SITES RELACIONADOS

RSS

BUSCA NO BLOG


ARQUIVO


Ver mensagens anteriores
 

Copyright Folha Online. Todos os direitos reservados. ɉ proibida a reprodução do conteúdo desta página
em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita da Folha Online.