Galharufas 13

Moacir Leal não recebeu galharufas. Acredita que Jô Martinez foi a
responsável pela sua inclusão no teatro. Aqui em Curitiba.
Estará em cartaz em SP com a peça "Henfil Já", no Teatro Imprensa.
No ofício desde 1994, tem muita história para contar.
A PRISÃO
Em 1998 fui convidado pelo diretor Julmar Leardini pra fazer um soldado nazista na peça
"B. B. o virulento" (sobre Bertolt Brecht), texto e direção de Julmar.
Bom! Lá estávamos nós na praça do Expedicionário, aquela em frente ao Instituto Goethe,
pra tirarmos fotos pra serem usadas no cartaz e programa, eu estava vestido de soldado
nazista carregando uma bandeira enorme com uma suástica, a outra atriz vestida de
soldado bolchevique com uma bandeira enorme com a foice e o martelo e o Mauro
Zanatta (que fazia o papel de Brecht) com um jaquetão de couro, bem ao estilo do Bertolt.
Quando percebo a chegada de, eu contei, nove camburões e vinte e nove policiais. Recebo
a “ordem”: Desce daí, rapaz, e vai enrolando esta bandeira. TÁ PENSANDO O QUÊ!
Obedeci imediatamente, seguido pelos outros dois atores. Julmar tenta se explicar
com os policias, que queriam nos prender de qualquer maneira, mas eles mesmos não
sabiam qual o nosso crime. Uns queriam nos liberar, outros não, eu fui ameaçado de ir
pro cacete, um policial dizia que nós tínhamos é que ir pro pau.
Nisto me aparece um velhinho gritando a plenos pulmões: Prendam eles! Prendam eles!
Eu lutei na guerra contra isto! Tentávamos explicar que não estavamos divulgando o
nazismo , muito pelo contrário, a história era sobre um homem que lutou contra, foi
perseguido, etc...
Acabamos eu , Claudia e Julmar no camburão (era uma Veraneio) e Mauro foi levado
em seu carro dirigido por um policial. No caminho, nós estávamos no chiqueirinho mas
dava pra ver e ouvir os policiais, eles pelo rádio explicavam a prisão e queriam saber qual
o nosso crime. Aleluia! Descobriram! Era crime de lesa pátria (crime federal), parece que
na época fazia uns dois anos que o Brasil assinara um tratado de proibição de
manifestação ou divulgação ou qualquer coisa do tipo a favor do nazismo. Pensei :
- Ainda bem que o crime é federal, vão nos levar pra Polícia Federal e lá espero que o
delegado seja mais esclarecido.
Chegamos à delegacia e enquanto esperávamos o delegado entra um soldado da PM
com nossas duas bazucas cenográficas (de papelão) na mão dizendo em voz alta:
- Olha o que tinham no carro! Eu dei uma de abusado, olhei pro tenente que chefiou nossa
prisão (ele era um cara jovem e já estávamos dentro da delegacia) e disse: - Bonita minha
farda , não? Ele me encarou com ódio no olhar e respondeu: - Bonita é a minha farda, rapaz!
Fiquei na minha.
Aparece o delegado, era um japonês. Pensei: - Japoneses são inteligentes , ele vai saber
que isto é teatro.
Delegado pergunta o que foi que aconteceu, um soldado abre a bandeira com a foice e o
martelo no chão. Delegado diz: - Comunismo não é mais crime no Brasil.
Soldado abre a outra bandeira, a com a suástica.
O delegado balança a cabeça negativamente e nos diz: - Vocês pensam que porque acabou
a ditadura podem fazer o que quiserem. Eu senti nele um tom tranquilo, sem ameaças, quase
como uma piada. Os PMs queriam ainda nos complicarem mais, mas o delegado se encheu,
mandou eles terminarem logo a ocorrência, que o caso agora era deles (Polícia Federal).
Julmar desce com o delegado, conversa, consegue nos liberar, nos conta que o delegado
declamou Brecht pra ele, que ele entendia , mas teria que abrir um processo, não teria como
deixar de fazer. Lembro bem que em nenhum momento tive medo, só pensava: - Eu estou
certo, por que temer? O advogado Rene Dotti soube desta história, assumiu nosso caso,
que foi arquivado, devolveram-nos as bandeiras, pois dentro do Teatro podíamos usá-las,
Julmar mudou o nome do meu personagem pra SOLDADO CABEÇA REDONDA, o da
Claudia pra Cabeça Pontuda, estreamos no Sesc da Esquina, fizemos temporada no
Mini-Guaíra, onde queimaram nossa placa de divulgação que ficava na entrada do teatro.
Mais tarde a peça virou um monólogo, e acho que ficou bem melhor sem os soldados.
E é isto, às vezes penso, se fosse na época da ditadura, o que teria acontecido com a gente?
Escrito por Lenise Pinheiro às 09h55
Medida por Medida
Texto William Shakespeare

Direção Gilberto Gawronski
Cenografia Maria Sarmento e Beanka Maris
Iluminação Paulo Cesar Medeiros

Atores Nildo Parente, Rodolfo Bottino, Gilberto Gawronski, Luis Salém,
Ricardo Blat, Celso André, Alcemar Vieira, Gustavo Wabner, Tatsu
Carvalho, Sergio Maciel, Rafael Leal, Mutilo Fontes e Wallace Lima

Figurinos Antonio Medeiros e Cao Albuquerque








Teatro Guaíra - Curitiba
Mostra Oficial
Escrito por Lenise Pinheiro às 09h54
AUTOPEÇAS - Projeto da Cia. dos Atores
Esta propriedade está condenada
Texto Tennessee Williams

Direção Cristina Moura, Susana Ribeiro e
Renato Linhares



Atores Susana Ribeiro e Renato Linhares
Teatro Paiol - Curitiba
Mostra Oficial
Escrito por Lenise Pinheiro às 12h06
Apropriação
Texto a partir da obra de Harold Pinter
Direção Bel Garcia

Atores Thierry Tremouroux e Leonardo Netto





Teatro Paiol - Curitiba
Mostra Oficial
Escrito por Lenise Pinheiro às 12h02
Bate Man
Texto e Direção Gerald Thomas

Ator Marcelo Olinto




Teatro Paiol - Curitiba
Mostra Oficial
Escrito por Lenise Pinheiro às 12h00
Talvez
Texto Álamo Facó

Direção César Augusto



Ator Álamo Facó
Teatro Paiol - Curitiba
Mostra Oficial
Escrito por Lenise Pinheiro às 11h58
Galharufas 12

Paulo Biscaia no detalhe Nehle Franke
antes de começar cada apresentação a gente na Vigor Mortis tem um
Entrar em cena sem fazer isso é garantia de insegurança...

Fátima Ortiz
GAlharufas?
A palavra me leva para 1972 quando comecei a
circular pelas coxias do Teatro Guaira. Lembro de
corre-corre dos novos para achá-las e não recebi
nenhuma nem passei pra frente o ritual.
Acho que na época era praticado sem cuidados ,
achei confuso.
Depois disso nunca mais ouvi falarr nas tais.
Juro que não saberia dizer direito do que se trata.
Mandiga nossa de cada dia é a imprescíndivel merda.
Não me lembro de nenhuma vez ter liberado a platéia
sem convocá-la.
os deuses do teatro e eles sempre aparecem para nos proteger
Também aplaudimos depois da Merda que é para chamar
Escrito por Lenise Pinheiro às 11h56
Camile Claudel
Direção Carlos Eduardo Veríssimo Placa

Com a Cia Casa 3 de Artes



Teatro Londrina - Curitiba
Escrito por Lenise Pinheiro às 12h22
Galharufas 11
Eu tenho vários níveis de Galharufas, a galharufa geral dos grupos
que participo, Cia Senhas e Antropofocus, e os meus.
A Cia Senhas tem um ritual que antes de começar o espetaculo todos
os atores e técnicos fazem uma roda com um copinho de vinho, se olham
nos olhos, fazem um brinde, jogam um pouco pro santo e no final sempre
sai um grito de Boa Viagem!

Escrito por Lenise Pinheiro às 11h56
Galharufas 10

Como todo atriz em início de carreira, também fui vítima das tais
galharufas!
Me recordo quando estava estagiando no Teatro Guaira, da mesma história
que é de praxe, de ter ido atrás da chave da boca de cena! Mas melhor
ainda, um colega meu foi buscar uma arara ( de roupas!) no zoológico!
Acredito ser uma brincadeira saudável que acaba enriquecendo o
convívio dos artistas envolvidos no espetáculo, criando assim uma maior
cumplicidade entre nós, que acaba sendo percebida em cena.
Recebí minhas Galharufas dos técnicos do Teatro Guaira quando era
estagiária! Tive minha “vingança saudável” quando repassava o trote
para os novos estagiários!
Infelizmente, acredito que essa tradição caiu no esquecimento.
Mas isso não impede que coisas engraçadas deixem de acontecer em cena.
Me recordo certa vez, quando encenava o espetáculo “O Marido
Confundido” de Moliére, que em minha cena final quando minha
personagem fingia que se matava com uma faca, na boca de cena,
desce da platéia uma senhora enlouquecida e começa a me
chacoalhar em pleno palco, gritando:
“Não se mate, não se mate!!”. (risos)
Mandingas faço várias...! Eu sempre chego muito tempo antes do
horário combinado, checo mais de três vezes todos os acessórios
que irei utilizar em cena, faço meu ritual de rezas e entro no palco
sempre com o pé direito!
Giovana de Liz
Escrito por Lenise Pinheiro às 02h15
O homem que salvou a cabra ou Silvya não foi pro brejo

Max Leean
Diretor de Produção responsável pelo "record" em tempo de montagem de cenário e iluminação na 18a. Edição do Festival de Curitiba

Escrito por Lenise Pinheiro às 11h34
Galharufas 9

Escrito por Lenise Pinheiro às 11h27
Galharufas 8


Recebi. Demorei pra lembrar, mas posso dizer que recebi.
A minha memória sobre isso talvez seja inventada, como quando você conta coisas sobre a infância.
É como se você passasse a fazer parte de uma grande família.
A família do teatro.
O objeto eu ganhei da Sabrina Rosa, uma atriz de Curitiba que vive atualmente em Madrid. Mas considero que ganhei também as galharufas em forma de palavras de alguns mestres que cruzaram meu caminho no teatro.
Escrito por Lenise Pinheiro às 11h23
Delicadas embalagens
Direção Sueli Cristina dos Santos Araújo
Cia. Senhas de Teatro




Figurinos Amábilis de Jesus




Solar do Rosário - Curitiba
Fringe
Escrito por Lenise Pinheiro às 11h21
Fala comigo como a chuva
Texto Tennessee Williams

Direção Cynthia Paulino

Atores Samira Ávila e Luiz Arthur



Teatro Cleon Jacques - Curitiba
Fringe
Escrito por Lenise Pinheiro às 19h51
D graça... mas tem que pagar/Árvores abatidas ou Para Luis Melo
Jaime Lerner renasceu, para mim ao menos, neste 18º festival de Curitiba, pelas mãos agradecidas de Leandro Knopfholz. O prefeito que transformou a cidade até então provinciana em experiência para o mundo foi também padrinho da primeira edição.
Ele fala com evidente orgulho do festival, um dos legados daquela renascença de duas, três décadas atrás.
Era brizolista então, o que se manteve por mais alguns anos, mas antes interessado em encenar uma outra Curitiba. Seu ofício é o urbanismo, ainda que a relação com o teatro vá além do apadrinhamento de 91. Uma de suas filhas está em cartaz este ano.
Lerner não é mais prefeito, atravessou uma gestão triste como governador, mas reaparece com nova instalação urbana, exposta no próprio festival. O nome é "rua portátil" e recria barracas de camelôs em cor vermelha e desenho delicado, que se montam e desmontam na frente dos teatros.
Mas decaiu o espírito da cidade. Curitiba agora faz lembrar São Paulo. A imagem que se leva dela _eu escrevo a caminho de São Paulo_ é do trânsito, das pessoas apressadas, do mau humor.
Por mais que Leandro faça para resgatar, inclusive reencenando Jaime Lerner, parece ser outra cidade, hoje. Dois exemplos são dois espetáculos do Fringe _que hoje é, antes de mais nada, curitibano.

Os comediantes da cidade foram pontas-de-lança da febre que se tornou força primordial do festival, a partir do Risorama, e depois tomou São Paulo e Rio. Obra de Leandro, inspirada por Edimburgo.
Mas o tempo passou e um talento local, Katiuscia Canoro, retorna agora explorando, dois anos após a revelação no mesmo Fringe, o que virou uma personagem popularesca de televisão, Lady Kate. Em cena, as referências são voltadas à televisão.
Não faltam nem bordões, "tô pagano", "dinheiro eu tenho, só me falta-me o gramour", essas coisas.
"D graça... mas tem que pagar" surgiu por aqui como um besteirol no teatro Lala Schneider. Reúne quadros que remetem a "stand up", números de cortina, de duplas, criados por Katiuscia e pela também curitibana Fabiula Nascimento, ambas de exuberante talento.
Mas o esgarçamento transforma agora o que era teatro em subproduto de "Zorra Total" e não, como foi na verdade, o contrário. Resulta até, aqui e ali, em reafirmação de preconceito, como o programa.
Outro exemplo, mais assustador, é "Árvores abatidas ou para Luis Melo". Em que pesem os múltiplos talentos da atriz Rosana Stavis, que celebra seus 20 anos de teatro curitibano também com uma opereta, a partir desta quinta, e em que pese o original de Thomas Bernhard, a peça resulta um ataque grosseiro.
Nada de "roman à clef". Enxertam-se nomes canhestramente no original, usando a qualidade de um dos maiores escritores europeus para atingir esta ou aquela personalidade local. A apresentação consegue ser engraçada, por conta de atriz e autor, mas os enxertos estragam até a graça.
Para quem vem de fora, mais parecem rancores, mau humor, mesquinharia seletiva.

A isso chegou a autofagia no teatro de Curitiba, espelho da cidade. Que não é mais de Jaime Lerner, embora ele, como Leandro Knopfholz, se apresente disposto ao resgate.
Escrito por Nelson de Sá às 15h09
Galharufas 7
Claudete Pereira Jorge
A primeira vez que ouvi falar em galharufa foi com o ator paranaense
Sansores França. Na época fiquei curiosíssima para saber o que era a
tal da galharufa. Sansores me dizia que para ser uma verdadeira atriz
eu deveria receber uma galharufa, o que me deixou de cabelo em pé,
pois não tinha idéia do que era. A partir de um determinado ponto da
minha carreira, ele disse que eu já tinha adquirido a dita cuja.
Fui saber o que era, de fato, quando recebi uma galharufa de verdade
do diretor Ademar Guerra, na peça Colônia Cecília, montada pelo TCP.
Ele, num certo momento dos ensaios, tirou todo o texto da minha
personagem para ver o que eu faria em cena. Ele me dizia
“vamos ver o que você é capaz de fazer sem esta sua voz”.
Recebi ainda uma outra do diretor Marcelo Marchioro, quando tirei a
rótula do lugar durante um espetáculo e tive que colocá-la de volta
no mesmo instante para continuá-lo e, de fato, fui até o fim da peça.
Galharufa é um ritual de passagem de “você achar que é uma
atriz”, para “ser de fato uma atriz”. Você ganha uma galharufa
sempre que você se supera. Quando num instante decisivo,
você realmente “atua".
Às vezes a galharufa é encarada como um trote.
Certa vez, o Alexandre França fez uma série de leituras dramáticas
com textos seus. Inventei uma história de que um deles seria lido
na língua do P.
Minha filha Helena Portela ajudou com a galharufa, ensaiando o texto
na língua do P sempre que o França aparecia aqui em casa. Ele caiu
direitinho. Só foi descobrir na hora da apresentação que tudo se
passava de uma grande brincadeira.
Sempre levo o meu São Jorge e o meu Santo Expedito para o camarim.
Chego bem cedo ao teatro para me tranquilizar.
Brinco com o elenco, com o pessoal da técnica. Faço uma oração,
fumo um cigarro e entro em cena.

Teatro da Caixa Cultural - Curitiba
Fringe
Escrito por Lenise Pinheiro às 01h35
Galharufas 6
Vc recebeu as Galharufas? Como pode definir esse ritual de passagem?
R: Sim. Sacanagem pura dos amigos, minha formação é do teatro de pavilhão,
logo que comecei a trabalhar... aprontaram, eu tinha que trocar de figurino
ato seguinte, qdo cheguei no camarim estava toda amarrada e cheia de nós,
comecei a chorar.
R: Outra situação foi numa apresentação da Paixão de Cristo, que na apoteose
da ressurreição de Cristo levantou um painel que fazia parte do cenário e sem
querer os contra-regras levaram a peruca do Cristo enrolada no cenário, enfim, a
tragédia virou comédia.
Outra situação aconteceu no teatro Regina Vogue, íamos estrear O Menino
Maluquinho quando um dos atores recebeu uma caixinha preta com fita roxa da
ex-namorada, o elenco ficou todo assustado, não deixei que tocassem, pensei
que fosse uma bomba ou um feitiço, assim que o ator chegou eu o chamei e
comuniquei da caixa preta e disse não abra porque é coisa ruim, eu estou toda
arrepiada, ele começou a rir e disse que era um costume deles.
De quem ganhou as Galharufas? E para quem passou?
R: Dos colegas do teatro de pavilhão –minha formação teatral.
Eu não passei adiante... ainda.
Acha que essa tradição caiu no esquecimento?
R: Acho que não, não é muito comum mas acontece, existem ainda os adeptos.
Tem alguma mandinga? Conserva algum ritual teatral?
R: Purifico o teatro com incenso e coloco sal atrás das portas
Regina Vogue
atriz e diretora teatral
Curitiba
Escrito por Lenise Pinheiro às 01h18
Los juegos provechosos/Aranha marrom não usa Roberto Carlos
Avançando pela madrugada de sábado, foi hora de ver a mostra Novos Repertórios, que há muitos festivais vem servindo de referência para selecionar alguma coisa, na cacofonia de produções de Curitiba que tomaram a programação.
Desde uma revolta da classe teatral curitibana, anos atrás, o evento se abriu um pouco além da conta aos espetáculos locais, muitos deles amadores ou estudantis, que ocuparam grande parte do Fringe. Muita coisa boa vem saindo de Curitiba nas últimas décadas, mas está quase impossível distinguir, deste jeito, agora.
Novos Repertórios, que me parecia uma saída, frustrou um pouco desta vez, nas duas peças que foi possível.
"Los juegos provechosos", da Cia. Silenciosa, apresentada às 21h30 no calçadão de grande movimento em que se transformou a Boca Maldita, foi muito engraçada, uma "performance sexy" com loiras oxigenadas em intervenções como prostitutas ou lavando carro com os próprios corpos. Uma delas, bastante gorda e alcançando uma mistura inteligente de humor e sensualidade.
Também o loiro oxigenado Henrique Saidel, misto de "performer" e diretor, certamente o coração da ironia rasgante que a companhia faz com a cultura pop e, neste espetáculo, com a pornografia e até com o comércio evangélico.
Uma última loira, no momento exemplar do amadurecimento do grupo paranaense, desce sete andares carregando uma boneca inflável, que enfim joga sobre o público, e bradando contra o "relativismo". Arrisca para além do que devia a própria vida, mas mostra que o jogo da Cia. Silenciosa não é mera provocação inconsequente, como aparentava no anterior "Jesus vem de Hannover".
O problema, para mim ao menos, está no fato de que o mesmo grupo já vem da edição anterior, o que indica, por maior que seja o crescimento de Saidel como artista, uma certa acomodação dos Novos Repertórios.

Neste sentido, "Aranha marrom não usa Roberto Carlos", que começou depois da meia-noite na mesma mostra, na universidade federal, é novidade maior. São três jovens "intérpretes criadores", Emanuelle Sotoski, Lígia Oliveira e Rúbia Romani, que formam com outras atrizes a Cia. Acruel, inusitadamente pós-feminista.
A juventude transparece na criação dos diálogos e solilóquios confessionais ou, melhor, na falta de uma edição mais cruel dos mesmos. Achados significativos, em interpretação, encenação e até no texto, se perdem em meio a frivolidades.
Mas é o próprio retrato do Fringe, creio eu. É preciso uma paciência extrema até chegar a um pequeno prazer, um relance do futuro. "Aranha marrom" tem isso em várias cenas. E tem Roberto Carlos.
Escrito por Nelson de Sá às 12h55
A inveja dos anjos

Armazém Companhia de Teatro

Dramaturgia Maurício Arruda Mendonça e Paulo de Moraes

Direção Paulo de Moraes
Elenco Marcelo Guerra, Patrícia Selonk, Ricardo Martins ,
Simone Mazzer, Simone Vianna, Thales Coutinho e Verônica Rocha




Cenografia Carla Berri e Paulo de Moraes

Iluminação Maneco Quinderé

Figurinos Rita Murtinho

Teatro da Reitoria - Curitiba
Mostra Oficial
Escrito por Lenise Pinheiro às 12h50
As ruas de Bagdá ou Aranha marron NÃO USA Roberto Carlos
Criação e Interpretação
Emanuelle Sotoski
Lígia Oliveira e
Rubia Romani

Iluminação Beto Bruel



TEUNI - Curitiba
Fringe
Escrito por Lenise Pinheiro às 12h39
Galharufas 5
Estava eu fazendo minha primeira peça profissional com
Paulo Autram, que veio fazer A Vida de Galileu, de Brecht,
no Teatro de Comédia do Paraná, em 1990, no papel de um
menino, aprendiz de Galileu, quando o Paulo me diz, no meio
da cena, nossa que peitinho tem esse menino, e eu me matei
de rir, é claro que ele adorava te desconcertar, mas adorei essa
brincadeira no meio de toda aquela seriedade que era a peça.
E ficou uma lição dessa convivência com Paulo, que acima de tudo,
no fazer teatral, você tem que se divertir, e viva Paulo Autram.
Agora tem outra que aconteceu com Damaceno (Diretor Teatral).
Mandaram ele buscar a chave para abrir a boca de cena e lá foi ele
buscá-la, ou então, recentemente, a Regina Vogue mandou um
contra-regra novo pegar a arara, e ele ficou horas procurando um
pássaro!
Eu sempre faço um ritual de proteção antes de entrar em cena,
seja no teatro ou no show, é um signo de proteção e poder que
minha guru Zankara me ensinou, mas não posso revelar qual é,
também bato três vezes no chão do palco e peço aos meus guias
que me protejam, haja proteção!



Rosana Stavis
Escrito por Lenise Pinheiro às 12h03
Amêsa
Estou com pouco tempo em Curitiba. Desci do avião e corri para o largo da Ordem, Sala Londrina, ontem no fim da tarde. Espetáculo baiano para texto angolano, eu tinha que ver.
Não conhecia nada de José Mena Abrantes, mas na forma em que foi adaptado e encenado por Suelma Costa ele foi uma viagem.
O palco tem uma mesa, "Amêsa" é o nome da peça e também do objeto-quase-personagem, e flores espalhadas pelo entorno. A iluminação marcada e a música ritmada e sempre presente fazem o resto. E a atriz Heloisa Jorge brilha.
Ela é linda e dança, desdobra seu corpo ao redor, em cima e embaixo da mesa, vestido vermelho, enquanto dispara versos sobre como, tão bonita, precisa ter cuidado, "se não vão te meter em magia". Daí salta para "a criança morreu", no nascimento, "vida não-vivida".
É bem mais sensual e triste do que eu consigo descrever. Seu corpo, de cócoras, de ponta-cabeça, remete para imagens de natureza e mulher.
Da paixão ela vai para a morte da criança e desta parte para a revolta contra o "verdugo" de olhos verdes.
Firme, resoluta, busca deixar "o eu que então eu era" para "o nós que havia no meu eu". E é então que tira o pano negro que prendia seu cabelo e ele se abre, gigantesco e exuberante como o de Nelson Triunfo.
Mas Heloisa Jorge é o Anti-Nelson Triunfo. De Pernambuco, ele partiu do maracatu para o break de São Paulo, é industrial, moderno.
Heloisa parte da Bahia e volta no tempo, cruza o oceano até a Mina que Abrantes ajudou a tirar da colonização européia. A revolta da personagem, no final, é espelho da revolta política, que é africana e que tem suas raízes, deste lado, na Bahia.
Enfim, eu viajei na apresentação. A última é hoje, também às 21h.
Escrito por Nelson de Sá às 11h21
Galharufas 4

Escrito por Lenise Pinheiro às 11h42
Galharufas 3

Lembro de minha primeira Galharufa. Eu fazia parte do elenco de apoio de uma adaptação de OTELO do grupo universitário Tanahora da PUC-PR. Eu tinha pouquíssimas falas. O espetáculo começava com cinco soldados, cada um com um jornal na mão. Todos diziam em jogral a palavra “Morto!” e “Morta!”. Pois bem, enquanto estava compenetrado para entrar em cena, nervoso com o começo de tudo, os outros atores atrás de mim sussurravam no meu ouvido “Merda!”, repetidamente, e ao começar a cena eu me policiava para não dizer “Merda!” ao invés de “Morta!”.
Outra. No espetáculo Cãocoisa e a Coisa Homem, primeiro espetáculo do ACT - Ateliê de Criação Teatral, havia uma cena linda no final onde eu fazia um filhote de lobo que morria nos braços de seu dono em plena nevasca. Nesta época eu tinha um piercing no mamilo esquerdo. E o grande Luis Melo, que fazia o dono do filhote morto, falava brilhantemente seu texto, comovia todos da platéia enquanto apertava discretamente o meu piercing. Ninguém percebia, mas eu me segurava para permanecer “morto”...
Como ritual, gosto de ficar alguns minutos sozinho, esvaziando a cabeça e respirando. Depois abraçar os colegas e fazer um brinde com Xiboquinha. (*)
(*) Xiboquinha é uma espécie de cachaça curtida com canela, bem popular.
O meu último projeto (HENFIL JÁ!) começou com um brinde de Xiboquinha num momento em que estávamos todos desiludidos, mas com esperança... Não desistimos, o espetáculo nasceu, e desde então brindamos o nosso ofício com Xiboquinha... rs André Coelho


Escrito por Lenise Pinheiro às 11h05
Álbum de Família - Salvador - Bahia
Texto Nelson Rodrigues
Direção Paulo Henrique Alcântara



Grupo Monotauro
Teatro Regina Vogue - Curitiba
Fringe
Escrito por Lenise Pinheiro às 08h46
Ascensão e Queda da Cidade de Mahagonny - Campinas - São Paulo
Texto Bertolt Brecht

Direção Marcelo Ramos Lazzaratto

Companhia de Teatro Acidental



Teatro José Maria Santos - Curitiba
Fringe
Escrito por Lenise Pinheiro às 08h43
Galharufas 2 - Enéas Lour

Lembro muito bem da "pegadinha" da galarufa quando comecei
minha carreira lá no Teatro Guaíra.
Na verdade era uma variação dela : Os "maquinistas"
(carpinteiros) lá do Guaíra pediam aos cenógrafos
novatos, como eu na época, que fossem buscar no
almoxarifado a "chave-da-boca-de-cena" e o
funcionário do almoxarife, sabendo do trote, dava
para a pessoa uma caixa cheia de pesos para que
ela levasse até o palco.
Acho saudável esse tipo de "ritual" que trazia um
contato amigável entre os novatos e os técnicos
mais experientes. Infelizmente, hoje não acontece
mais. Quanto a "mandingas" ou "rituais"teatrais,
não tenho nenhum(a).
Conheci dois diretores (Oraci Gemba e
Roberto Menghini) que não permitiam que ninguém
assoviasse dentro do teatro e muito menos no dia
da estreia, porque isso dava azar para a peça!

Enéas Lour - Diretor de Teatro
Curitiba
Escrito por Lenise Pinheiro às 08h29
Galharufas - Aniversário de 2 anos do Cacilda Blog de Teatro
Hoje Edição de Aniversário
Todos os teatros se encontram no Cacilda Blog de Teatro.
Criado em parceria com o Nelson de Sá.
Olhares de nós dois. Na net.
Ciscos. Picos de teatro na veia.





Escrito por Lenise Pinheiro às 09h32
Os festivais e a crise
Vai começar mais um festival de Curitiba e, para variar, só se fala do "line-up" de peças comerciais, com elenco de novela etc.
Acho cada vez menos aceitável a justificativa de que é para agradar ao público da cidade, classe média tão característica que a propaganda brasileira testa lá seus lançamentos.
Quase duas décadas depois do nascimento do festival, ou Curitiba se livra da pecha ou sua mostra de teatro vai acabar cedendo seu lugar de proeminência aos concorrentes nacionais _que já não são fracos e cujo maior defeito sempre foi a resistência ao modelo aberto e democrático do "fringe", desenvolvido em Edimburgo e Avignon.
A própria classe média brasileira, como mensurada por institutos de pesquisa e estudos publicitários, não é mais a mesma, hoje. E o festival de Curitiba, ao menos no formato oficial que sustenta, começa a soar como um anacronismo.
Mas eu nunca me animei muito mesmo com a mostra "oficial", fosse ela norteada comercial ou institucionalmente, pelos grupos de sempre, com as pesquisas formais de sempre.
Prefiro a franja, o "fringe" em que se mistura a produção de todo lado do país. Até porque considero o teatro a franja de toda comunidade, brotando nos "baixos" _como agora, na São Paulo do Baixo Augusta.

E estão aí, acho eu, os problemas de verdade, aqueles que ameaçam os festivais maiores e abertos de Curitiba, Avignon, Edimburgo. A realidade bate à porta, sobretudo lá, mas também aqui, um pouco.
A crise que começou financeira e americana vai derrubando patrocínios que permitiram décadas de produção cultural e vai, por outro lado, exacerbando problemas crônicos de gestão das "franjas".
Se Avignon chegou a ter toda uma edição suspensa por greve, para grande frustração do Valmir Santos, que foi até lá, agora é Edimburgo que se avizinha de coisa semelhante, em sua administração.
Já chegou perto no ano passado, quando a venda de ingressos entrou em colapso, a ponto de causar tumultos em muitas salas. A resposta para este ano foi profissionalizar a gestão, criar o cargo de "chief executive", recém-preenchido, e buscar patrocinadores comerciais de porte.
Em suma, tornar o festival um negócio _o que só fez ampliar a reação dos produtores independentes, inclusive das quatro salas principais, Assembly Rooms, Pleasence e outras, com dezenas de espetáculos todo ano e que ameaçam há tempos criar organização paralela.
Para piorar as coisas, veio a crise e os temores no início deste ano eram de que o festival precisaria apelar por fundos estatais de emergência, de até R$ 2 milhões, para garantir a edição.
Diante de ameaças tamanhas, como se vê, soa relativamente contornável a perda do dinheiro da Petrobras, que respondia por apenas um quinto dos recursos do festival de Curitiba.
Escrito por Nelson de Sá às 15h20
A Alma Boa de Setsuan - Agradecimentos
Texto Bertolt Brecht
Direção Marco Antonio Braz
Elenco levanta platéia lotada em Curitiba.


Teatro Guaíra - Curitiba
Dom 19h
Escrito por Lenise Pinheiro às 23h46
A Noite Mais Fria do Ano

Texto e Direção Marcelo Rubens Paiva





Assistente de Direção Fernanda D'Dumbra
Atores Alex Gruli, Hugo Possolo,
Mário Bortolotto e Paula Cohen




Cenografia Zé Carratu



Iluminação Rui Mendes e Lu Barone


Estreia hoje
Sesc Paulista - SP
Sextas, sábados e domingos às 21h
Escrito por Lenise Pinheiro às 10h34
Complexo Sistema de Enfraquecimento da Sensibilidade
Sem os recursos de produção que Gerald Thomas já teve um dia _e que ainda levanta, de vez em quando ao menos_ Ruy Filho cria imagens de grande efeito em "Complexo Sistema de Enfraquecimento da Sensibilidade".
Em cartaz nos subterrâneos dos Satyros, o espetáculo enfrenta a precariedade do lugar e sai vitorioso. Alguns instantâneos imprimem profundamente, casos do corpo (de ator) preso a todos os cantos do teatro e da bicicleta juvenil amassada, como que atropelada por um caminhão.
O espaço é especialmente significativo por indicar uma trilha de diferenciação entre Ruy Filho e sua influência assumida, Gerald.
Naquele subterrâneo, para além de Gerald, as cenas de tortura remetem ao universo pop americano, PG-13, e ao mesmo tempo ao jogo realista bruto das encenações de Rodolfo Garcia Vazquez. Deixei o teatro, já madrugada, com a cabeça cheia de conexões também com a Sadako de "Ring", com Damien Hirst e outros.
Foi a minha maneira de fugir à obviedade que remetia "Complexo Sistema" a Gerald, à "Classe Morta" e outras tantas referências. Reconheço a qualidade, mas não consigo me entusiasmar com aquilo que, em Ruy, remete abertamente a criadores anteriores.
Sei bem que é um dos melhores caminhos para todo artista em formação. Lembro sempre que Antunes foi assistente de Ziembinski e Ruggero Jacobbi, que Zé Celso assistiu ao Boal. Que Luiz Fernando Marques aprendeu com Antonio Araújo, Cibele Forjaz com Zé e infindáveis outros exemplos.
Aliás, Shakespeare, pelo que leio, estudou à maneira de então, primeiro copiando integralmente os textos clássicos, depois alterando, por fim criando plenamente.
Ruy Filho, me parece, está no final da transformação, ainda sob angústia da influência mas já priorizando traços próprios e fortes, que não é possível relacionar a quem quer que seja. Lenise, que percebe essas coisas como ninguém, me alerta do jovem diretor há tempos.
"Complexo Sistema", às quartas e quintas, segue em cartaz só até a semana que vem.
Escrito por Nelson de Sá às 21h04
Eldorado
Dramaturgia Santiago Serrano e Eduardo Okamoto
Direção Marcelo Lazzaratto
Ator Eduardo Okamoto

Teatro Imprensa - SP
Quartas e Quintas 21h
Escrito por Lenise Pinheiro às 17h49
Chorávamos Terra Ontem à Noite
Texto Eduardo Ruiz

Direção Lavínia Pannunzio
Direção de Arte Marcio Vinícius

Atores Eduardo Ruiz e Gustavo Sol

Música Bruno Elisabetsky
Viga Espaço Cênico - SP
Sábados 21h Domingos 19h
Escrito por Lenise Pinheiro às 10h10
Cem Gramas de Dentes
Texto Bosco Brasil
Direção Georgette Fadel
Iluminação Guilherme Bonfanti




Elenco Jorge Vermelho e Marcelo Matos







Sábados às 21h30 Domingos às 18h30
Sesc Pompéia Galpão - SP
Escrito por Lenise Pinheiro às 17h53
Homemúsica - Estreia




Michel Melamed










Teatro Sesc Anchieta - SP
Sextas e Sábados 21h Domingos 19h
Escrito por Lenise Pinheiro às 10h53
Amigas Pero no Mucho - Reestreia
Texto Celia Regina Forte

Direção José Possi Neto

Elenco Elias Andreatto, Eucir de Souza,
Leopoldo Pacheco e Romis Ferreira





Teatro Renaissance - SP
Sextas 21h30 Sábados 21h e Domingos 19h
Escrito por Lenise Pinheiro às 10h43
Bouffes du Nord
Zé Celso viaja até o fim do mês para Nova York, Havana e outras partes. Vai com Marcelo Drummond, que divide com ele a direção artística do Oficina e que, ator em "Bandidos", protagonizou com Zé uma cena de passagem de bastão, por assim dizer.
Um ritual que ambos já realizaram antes em "Bacantes" e na própria reabertura do teatro, década e meia atrás, como o príncipe e o rei Hamlet. E que deve se repetir na peregrinação de ambos por América e Caribe, fantasio eu.
Antunes Filho, de outra parte, pelo que contam atrizes formadas no Centro de Pesquisa Teatral, retomou o "Prêt-à-Porter", agora como coletânea, com um emocionante desagravo a Emerson Danesi, ator e também produtor da série.
E de fato, nesta versão em cartaz na própria sala da ensaios do CPT, é flagrante a mão de Danesi, que dá o tom das três cenas, estimulando interpretações especialmente virtuosas de Marília Simões e Susan Damasceno, como lindas e tão diferentes prostitutas.
Penso em Zé e Antunes por conta de Peter Brook, de geração anterior e que, em entrevista no final do ano ao francês "Le Monde", anunciou que vai deixar a direção artística do Bouffes du Nord, o lendário teatro que ocupa há quatro décadas no subúrbio árabe de Paris.
Já deu até nome aos sucessores, dois franceses chamados Olivier com inclinação para o teatro musical. Mas não é o que me interessa nesta história, no momento.
Que eu saiba, a exemplo do Brasil, na França também não existia a tradição institucional do diretor artístico, que passa adiante a tarefa que é também administrativa e financeira _e exaustiva.
Ela é comum na Inglaterra, nos Estados Unidos, na Alemanha, onde o teatro é abraçado como láurea nacional e recebe suporte público por sua contribuição imaterial e material à nação. A mudança de diretor artístico é sempre ocasião para debate público, civil.
Aqui, não. Imagino, quando chegar a hora de Zé e Antunes anunciarem formalmente que vão passar a bola, o que o governante da ocasião vai querer fazer ou desfazer das instituições que ambos ergueram.
Quando o secretário não for mais João Sayad ou, principalmente, quando o diretor do Sesc não for Danilo Santos de Miranda, quais serão os valores culturais de quem estiver por lá, em cargos que são tão políticos, mas nem sempre no melhor sentido?
O que sei é que Peter Brook conseguiu e está fazendo a transição que queria, na Paris de tradição semelhante à nossa. Ele apenas anunciou, só deixa formalmente a direção artística em dois, três anos, quando estiver mais perto dos 90.
E ainda assim vai seguir dirigindo, mas somente suas peças, sem o gigante material, tão lindo, que mantém em meio aos bazares. Estive lá anos atrás, com o curador Ricardo Muniz Fernandes, e gostamos mais do lugar que do espetáculo.
Mas eu queria mesmo era ter assistido ao "Hamlet" de Adrian Lester, ator do "As You Like It" de Declan Donnelann que tanto impressionou os mesmos Zé e Antunes e o mesmo Peter Brook, a ponto de convidá-lo para viver o príncipe.
Nos últimos dias, é o que estou fazendo, vendo e revendo, em DVD da encenação no Bouffes du Nord. Foi a atriz Agnes Zuliani quem me arrumou, mas o crítico Valmir Santos também tem.
Escrito por Nelson de Sá às 15h06
Comunicação a uma Academia - Estreia
Texto Franz Kafka (1883-1924)
Direção Roberto Alvim

Atriz Juliana Galdino


























Teatro Imprensa - SP
Terças e Quartas às 21h

Ao poder da presença, luz e côr de Gê Viana.
Meu muito obrigada.
Escrito por Lenise Pinheiro às 10h26
Entre Divas e Senhoritas - Última Apresentação

Dramaturgia Priscila Nicolielo e Cia. Teatro de Senhoritas

Direção Débora Zamarioli








Atrizes Isis Madi e Sandra Pestana







Cenografia Cris de Paulo


Figurinos Sandra Pestana

Iluminação Bruno Garcia

Centro Cultural São Paulo - Sala Paulo Emílio Salles Gomes - SP
Hoje às 20h
Escrito por Lenise Pinheiro às 10h40




