Cacilda
 

Galharufas 13

Moacir Leal não recebeu galharufas. Acredita que Jô Martinez foi a

responsável pela sua inclusão no teatro. Aqui em Curitiba.

Estará em cartaz em SP com a peça "Henfil Já", no Teatro Imprensa.

No ofício desde 1994, tem muita história para contar.

                                                             A PRISÃO

 

Em 1998 fui convidado pelo diretor Julmar Leardini pra fazer um soldado nazista na peça

"B. B. o virulento" (sobre Bertolt Brecht), texto e direção de Julmar.

Bom! Lá estávamos nós na praça do Expedicionário, aquela em frente ao Instituto Goethe,

pra tirarmos fotos pra serem usadas no cartaz e programa, eu estava vestido de soldado

nazista carregando uma bandeira enorme com uma suástica, a outra atriz vestida de

soldado bolchevique com uma bandeira enorme com a foice e o martelo e o Mauro

Zanatta (que fazia o papel de Brecht) com um jaquetão de couro, bem ao estilo do Bertolt.

Quando percebo a chegada de, eu contei, nove camburões e vinte e nove policiais. Recebo

a “ordem”: Desce daí, rapaz, e vai enrolando esta bandeira. TÁ PENSANDO O QUÊ! 

Obedeci imediatamente, seguido pelos outros dois atores. Julmar tenta se explicar

com os policias, que queriam nos prender de qualquer maneira, mas eles mesmos não

sabiam qual o nosso crime. Uns queriam nos liberar, outros não, eu fui ameaçado de ir

pro cacete, um policial dizia que nós tínhamos é que ir pro pau.

Nisto me aparece um velhinho gritando a plenos pulmões: Prendam eles! Prendam eles!

Eu lutei na guerra contra isto! Tentávamos explicar que não estavamos divulgando o

nazismo , muito pelo contrário, a história era sobre um homem que lutou contra, foi

perseguido, etc...

Acabamos eu , Claudia e Julmar no camburão (era uma Veraneio) e Mauro foi levado

em seu carro dirigido por um policial. No caminho, nós estávamos no chiqueirinho mas

dava pra ver e ouvir os policiais, eles pelo rádio explicavam a prisão e queriam  saber qual

o nosso crime. Aleluia! Descobriram! Era crime de lesa pátria (crime federal),  parece que

na época fazia uns dois anos que o Brasil assinara um tratado de proibição de

manifestação ou divulgação ou qualquer coisa do tipo a  favor do nazismo. Pensei :

- Ainda bem que o crime é federal, vão nos levar pra Polícia Federal e lá espero que o

delegado seja mais esclarecido.

Chegamos à delegacia e enquanto esperávamos o delegado entra um soldado da PM

com nossas duas bazucas cenográficas (de papelão) na mão dizendo em voz alta:

- Olha o que tinham no carro! Eu dei uma de abusado, olhei pro tenente que chefiou nossa

prisão (ele era um cara jovem e já estávamos dentro da delegacia) e disse: - Bonita minha

farda , não? Ele me encarou com ódio no olhar e respondeu: - Bonita é a minha farda, rapaz!

Fiquei na minha.

Aparece o delegado, era um japonês. Pensei: - Japoneses são inteligentes , ele vai saber

que isto é teatro.

Delegado pergunta o que foi que aconteceu, um soldado abre a bandeira com a foice e o

martelo no chão. Delegado diz: - Comunismo não é mais crime no Brasil.

Soldado abre a outra bandeira, a com a suástica.

O delegado balança a cabeça negativamente e nos diz: - Vocês pensam que porque acabou

a ditadura podem fazer o que quiserem. Eu senti nele um tom tranquilo, sem ameaças, quase

como uma piada.  Os PMs queriam ainda nos complicarem mais, mas o delegado se encheu,

mandou eles terminarem logo a ocorrência, que o caso agora era deles (Polícia Federal).

Julmar desce com o delegado, conversa, consegue nos liberar, nos conta que o delegado

declamou Brecht pra ele, que ele entendia , mas teria que abrir um processo, não teria como

deixar de fazer. Lembro bem que em nenhum momento tive medo, só pensava: - Eu estou

certo, por que temer? O advogado Rene Dotti soube desta história, assumiu nosso caso,

que foi arquivado, devolveram-nos as bandeiras, pois dentro do Teatro podíamos usá-las,

Julmar mudou o nome do meu personagem pra SOLDADO CABEÇA REDONDA, o da

Claudia pra Cabeça Pontuda, estreamos no Sesc da Esquina, fizemos temporada no

Mini-Guaíra, onde queimaram nossa placa de divulgação que ficava na entrada do teatro.

Mais tarde a peça virou um monólogo, e acho que ficou bem melhor sem os soldados.

E é isto, às vezes penso, se fosse na época da ditadura, o que teria acontecido com a gente?

Escrito por Lenise Pinheiro às 09h55

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Medida por Medida

Texto William Shakespeare

Direção Gilberto Gawronski

Cenografia Maria Sarmento e Beanka Maris

Iluminação Paulo Cesar Medeiros

Atores Nildo Parente, Rodolfo Bottino, Gilberto Gawronski, Luis Salém,

Ricardo Blat, Celso André, Alcemar Vieira, Gustavo Wabner, Tatsu

Carvalho, Sergio Maciel, Rafael Leal, Mutilo Fontes e Wallace Lima

Figurinos Antonio Medeiros e Cao Albuquerque

Teatro Guaíra - Curitiba

Mostra Oficial

Escrito por Lenise Pinheiro às 09h54

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

AUTOPEÇAS - Projeto da Cia. dos Atores

Esta propriedade está condenada

Texto Tennessee Williams

Direção Cristina Moura, Susana Ribeiro e

Renato Linhares

Atores Susana Ribeiro e Renato Linhares

Teatro Paiol - Curitiba

Mostra Oficial

Escrito por Lenise Pinheiro às 12h06

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Apropriação

Texto a partir da obra de Harold Pinter

Direção Bel Garcia

Atores Thierry Tremouroux e Leonardo Netto

Teatro Paiol - Curitiba

Mostra Oficial

Escrito por Lenise Pinheiro às 12h02

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Bate Man

Texto e Direção Gerald Thomas

Ator Marcelo Olinto

Teatro Paiol - Curitiba

Mostra Oficial

Escrito por Lenise Pinheiro às 12h00

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Talvez

Texto Álamo Facó

Direção César Augusto

Ator Álamo Facó

Teatro Paiol - Curitiba

Mostra Oficial

Escrito por Lenise Pinheiro às 11h58

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Galharufas 12

Paulo Biscaia no detalhe Nehle Franke

Eu sou diretor, então minhas histórias com galharufas são parcas,
mas se pensar bem o diretor de teatro nada mais é do que um
galharufeiro. 
De cara a única coisa que me lembro é de quando eu fiz assistência
de direção para o Gerald no Nowhere Man. Durante os ensaios, eu
ficava dando o ponto e o Dama sempre engasgava em uma frase:
"eu prefiro morrer de inanição ...". e o restante da frase eu dava
o ponto : "... E com pregos cravados nas minhas costas..."

No começo eu dava o ponto dizendo a palavra "prego" ,
mas um dia resolvi fazer um gesto ridículo. Fiz uma mímica apontando
meus indicadores para as costas. Ele pegou esse gesto e transformou
isso em uma deliciosa marca grotesca. 

Pra mim isso foi maravilhoso porque é uma galharufa de mão dupla.
Eu galharufei ele e ele me galharufava em todas as apresentações. 
em tempo: sobre susperstições e rituais.
antes de começar cada apresentação a gente na Vigor Mortis tem um
ritual: junta as mãos como um time de vôlei (em sentido anti horário e
tem que ser num ritmo legal) e a cada mão que se junta ao monte se
grita " Thunder... thunder..." e ao  final "Thundercats Ho!!! "
Entrar em cena sem fazer isso é garantia de insegurança...
...mas nunca deixamos de fazer isso.  

Fátima Ortiz

GAlharufas?
A palavra me leva para 1972 quando comecei a

circular pelas coxias do Teatro Guaira. Lembro de

corre-corre dos novos para achá-las e não recebi

nenhuma nem passei pra frente o ritual.

Acho que na época  era praticado sem cuidados ,

achei confuso.

Depois disso nunca mais ouvi falarr nas tais.

Juro que não saberia dizer direito do que se trata.

Mandiga nossa de cada dia é a imprescíndivel merda.

Não me lembro de nenhuma vez ter liberado a platéia

sem convocá-la.


Também aplaudimos depois da Merda que é para chamar

os deuses do teatro e eles sempre aparecem para nos

proteger

Escrito por Lenise Pinheiro às 11h56

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Camile Claudel

Direção Carlos Eduardo Veríssimo Placa

Com a Cia Casa 3 de Artes

Teatro Londrina - Curitiba

Escrito por Lenise Pinheiro às 12h22

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Galharufas 11

Eu tenho vários níveis de Galharufas, a galharufa geral dos  grupos

que participo,  Cia Senhas e Antropofocus, e os meus.

A Cia Senhas tem um ritual que antes de começar o espetaculo todos

os atores e técnicos fazem uma roda com um copinho de vinho, se olham

nos olhos, fazem um brinde, jogam um pouco pro santo e no final sempre

sai um grito de Boa Viagem!

No Antropofocus antes de começar também fazemos uma roda colocamos
as mãos uma sobre a outra, como um time que vai começar o jogo, e claro, 
temos um grito de guerra. Depois quando acaba o espetáculo também
fazemos a mesma roda com o mesmo grito, para encerrar o jogo.
As minhas galharufas são bem simples, antes de entrar em cena, 
na maioria das vezes peço proteção esfregando as mãos e fazendo
um circulo em volta do corpo.Também sinto muita vontade de fazer xixi,
pois sei que no mínimo de uma hora eu não vou poder ir ao banheiro,
então fico indo de 5 em 5 minutos, as vezes me irrita.
Para mim,os rituais dos grupos são mais importante do que os meus,
se a gente deixa de fazer, sempre fica aquela sensação de estar faltando
alguma coisa para iniciar o espetáculo, acho que todos os integrantes
sentem isso,  é como se esses rituais disessem : 
Estamos todos juntos no jogo. 
Por isso evitamos deixar de fazer
Anne Sibele Celli

 

Escrito por Lenise Pinheiro às 11h56

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Galharufas 10

Como todo atriz em início de carreira, também fui vítima das tais

galharufas!

Me recordo quando estava estagiando no Teatro Guaira, da mesma história

que é de praxe, de ter ido atrás da chave da boca de cena! Mas melhor

ainda, um colega meu foi buscar uma arara ( de roupas!) no zoológico!

Acredito ser uma brincadeira saudável que acaba enriquecendo o

convívio dos artistas envolvidos no espetáculo, criando assim uma maior

cumplicidade entre nós, que acaba sendo percebida em cena.

Recebí minhas Galharufas dos técnicos do Teatro Guaira quando era

estagiária! Tive minha “vingança saudável” quando repassava o trote

para os novos estagiários!

Infelizmente, acredito que essa tradição caiu no esquecimento.

Mas isso não impede que coisas engraçadas deixem de acontecer em cena.

Me recordo certa vez, quando encenava o espetáculo “O Marido

Confundido” de Moliére, que em minha cena final quando minha

personagem fingia que se matava com uma faca, na boca de cena,

desce  da platéia uma senhora enlouquecida e começa a me

chacoalhar em pleno palco, gritando:

“Não se mate, não se mate!!”. (risos)

Mandingas faço várias...! Eu sempre chego muito tempo antes do

horário combinado, checo mais de três vezes todos os acessórios

que irei utilizar em cena, faço meu ritual de rezas e  entro no palco

sempre com o pé direito!

Giovana de Liz

Escrito por Lenise Pinheiro às 02h15

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

O homem que salvou a cabra ou Silvya não foi pro brejo

Max Leean

Diretor de Produção responsável pelo "record" em tempo de montagem de cenário e iluminação na 18a. Edição do Festival de Curitiba

Escrito por Lenise Pinheiro às 11h34

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Galharufas 9

Eu fiz curso superior de teatro (nos idos de 1990), pra me tornar atriz. Mas na verdade cresci profissionalmente no meio técnico, entre os iluminadores. Aqui em Curitiba, claro, à sombra do nosso grande Beto Bruel, que além de excelente profissional é um arqueólogo da cultura teatral curitibana. Recebi um apadrinhamento do Beto Bruel, meio informalmente, como é sua característica.
Tive a honra também de cruzar muito cedo meu caminho com Jorginho de Carvalho, este dinossauro das tradições. Deles ouvi muitas histórias e herdei algumas superstições, estas bobagens que a gente nunca conta pra ninguém. Mas acho que ninguém mais lembra dessas tradições, porque ninguém tem mais grandes mestres, as pessoas hoje se formam sozinhas, em muitos cursos rápidos. Não existe mais aquele aprendizado de artesão.
 
Minhas supertições
Sempre gosto de agradecer ao palco, em silêncio, quando ele já está vazio, após a última apresentação da temporada. Faço uma reverência, ou gasto um tempo num olhar mais demorado. E sempre, sempre que passo pelo palco do Guairão e ele está vazio, faço questão de parar lá uns segundos e observar aquela imensa platéia cheia de expectativa, de lugares que nos esperam.
Nadja Naira

Escrito por Lenise Pinheiro às 11h27

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Galharufas 8

Eu comecei muito cedo. Aos 15 já tava em cena, fazendo teatro na escola. Com 17 já estava na escola de teatro e atuava profissionalmente. E com 18 tive convite para atuar com o Marcelo Marchioro. Marcelo é um dos grandes diretores de Curitiba e que nos anos 90 formou a maioria dos nossos grandes atores. Eu tive a sorte de começar com ele, que foi quem me ensinou a falar em cena. E tive a sorte também de namorar na mesma época o Carlos Manuel, filósofo e diretor (que também foi assistente do Marchioro por muito tempo) que me levou pra morar na França e me ensinou, literalmente, tudo o que sei sobre teatro até hoje. Ele que me pôs no "bom caminho"; me fez ter boa formação e me levou pra ver tudo o que tinha de melhor no mundo. Não foi pouca coisa. Hoje mora na Alemanha (há mais de 10 anos) e se tornou um grande diretor.
Além desses, trabalhei muito com Regina Vogue e Isidoro Diniz, que também considero meus padrinhos de profissão em Curitiba. Em outra esfera tenho como padrinho na profissão de Produtora e Programadora o Janjão (João Carlos Couto), que conheci em Paris e com quem trabalhei no Teatro Alfa em SP.
Acho que pude exercitar essa passagem de conhecimento só agora, na companhia brasileira de teatro, onde encontrei ressonância e compartilhamento das ideias que faço sobre o exercício do teatro. A tradição dos grandes mestres, diretores, já não se vê mais como
antigamente (salvo raras exceções)... as parcerias já não duram mais como antes... assim como os casamentos.
Acho que, pelo fato de eu não ter expectativas com relação a ser atriz (isso é só mais uma coisa que faço relacionada ao teatro; eu sobretudo produzo, escrevo, dirijo e traduzo), eu sinto que desenvolvi uma ligação de igual pra igual com o momento de estar em cena, entre a cena e eu.
Este momento não me assusta (e raramente fico nervosa), ele é apenas mais um dos momentos de um longo caminho (claro, com o detalhe do prazer da presença do publico). Mas o fato de não mitificar este momento acho que me ajudou até mesmo a ser uma atriz melhor. E, como fiz dele um momento igual aos outros, aqui não cabem mais ritos. O Rito pra mim é o "trabalho nosso de cada dia". Eu rezo todos os dias e trabalho muito.
Giovana Soar

Recebi. Demorei pra lembrar, mas posso dizer que recebi.

A minha memória sobre isso talvez seja inventada, como quando você conta coisas sobre a infância.  

É como se você passasse a fazer parte de uma grande família.

A família do teatro.

O objeto eu ganhei da Sabrina Rosa, uma atriz de Curitiba que vive atualmente em Madrid. Mas considero que ganhei também as galharufas em forma de palavras de alguns mestres que cruzaram meu caminho no teatro.

O objeto se perdeu, era de papel, frágil, durou pouco. As palavras passo para os meus inestimáveis atores e companheiros de todo o dia.

Acho que o ritual vem caindo no esquecimento, mas talvez esteja na consciência sobre o que herdamos dos maravilhosos artistas que vieram
antes de nós.
 
Sempre que entro num teatro pra montar uma peça, pego o primeiro objeto pequeno que encontro no chão e guardo comigo. Tenho uma coleção enorme de pregos, parafusos, pedaços de fio e coisas afins.

Ficar sozinho no palco ou no cenário andando de um lado pro outro, continuamente.

Isso me ajuda a pensar e a me sentir em casa.

Marcio Abreu

Escrito por Lenise Pinheiro às 11h23

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Delicadas embalagens

Direção Sueli Cristina dos Santos Araújo

Cia. Senhas de Teatro

Figurinos Amábilis de Jesus

Solar do Rosário - Curitiba

Fringe

Escrito por Lenise Pinheiro às 11h21

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Fala comigo como a chuva

Texto Tennessee Williams

Direção Cynthia Paulino

Atores Samira Ávila e Luiz Arthur

Teatro Cleon Jacques - Curitiba

Fringe

Escrito por Lenise Pinheiro às 19h51

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

D graça... mas tem que pagar/Árvores abatidas ou Para Luis Melo

Jaime Lerner renasceu, para mim ao menos, neste 18º festival de Curitiba, pelas mãos agradecidas de Leandro Knopfholz. O prefeito que transformou a cidade até então provinciana em experiência para o mundo foi também padrinho da primeira edição.

Ele fala com evidente orgulho do festival, um dos legados daquela renascença de duas, três décadas atrás.

Era brizolista então, o que se manteve por mais alguns anos, mas antes interessado em encenar uma outra Curitiba. Seu ofício é o urbanismo, ainda que a relação com o teatro vá além do apadrinhamento de 91. Uma de suas filhas está em cartaz este ano.

Lerner não é mais prefeito, atravessou uma gestão triste como governador, mas reaparece com nova instalação urbana, exposta no próprio festival. O nome é "rua portátil" e recria barracas de camelôs em cor vermelha e desenho delicado, que se montam e desmontam na frente dos teatros.

Mas decaiu o espírito da cidade. Curitiba agora faz lembrar São Paulo. A imagem que se leva dela _eu escrevo a caminho de São Paulo_ é do trânsito, das pessoas apressadas, do mau humor.

Por mais que Leandro faça para resgatar, inclusive reencenando Jaime Lerner, parece ser outra cidade, hoje. Dois exemplos são dois espetáculos do Fringe _que hoje é, antes de mais nada, curitibano.

Os comediantes da cidade foram pontas-de-lança da febre que se tornou força primordial do festival, a partir do Risorama, e depois tomou São Paulo e Rio. Obra de Leandro, inspirada por Edimburgo.

Mas o tempo passou e um talento local, Katiuscia Canoro, retorna agora explorando, dois anos após a revelação no mesmo Fringe, o que virou uma personagem popularesca de televisão, Lady Kate. Em cena, as referências são voltadas à televisão.

Não faltam nem bordões, "tô pagano", "dinheiro eu tenho, só me falta-me o gramour", essas coisas.

"D graça... mas tem que pagar" surgiu por aqui como um besteirol no teatro Lala Schneider. Reúne quadros que remetem a "stand up", números de cortina, de duplas, criados por Katiuscia e pela também curitibana Fabiula Nascimento, ambas de exuberante talento.

Mas o esgarçamento transforma agora o que era teatro em subproduto de "Zorra Total" e não, como foi na verdade, o contrário. Resulta até, aqui e ali, em reafirmação de preconceito, como o programa.

Outro exemplo, mais assustador, é "Árvores abatidas ou para Luis Melo". Em que pesem os múltiplos talentos da atriz Rosana Stavis, que celebra seus 20 anos de teatro curitibano também com uma opereta, a partir desta quinta, e em que pese o original de Thomas Bernhard, a peça resulta um ataque grosseiro.

Nada de "roman à clef". Enxertam-se nomes canhestramente no original, usando a qualidade de um dos maiores escritores europeus para atingir esta ou aquela personalidade local. A apresentação consegue ser engraçada, por conta de atriz e autor, mas os enxertos estragam até a graça.

Para quem vem de fora, mais parecem rancores, mau humor, mesquinharia seletiva.

A isso chegou a autofagia no teatro de Curitiba, espelho da cidade. Que não é mais de Jaime Lerner, embora ele, como Leandro Knopfholz, se apresente disposto ao resgate.

Escrito por Nelson de Sá às 15h09

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Galharufas 7

Claudete Pereira Jorge

A primeira vez que ouvi falar em galharufa foi com o ator paranaense

Sansores França. Na época fiquei curiosíssima para saber o que era a

tal da galharufa. Sansores me dizia que para ser uma verdadeira atriz

eu deveria receber uma galharufa, o que me deixou de cabelo em pé,

pois não tinha idéia do que era. A partir de um determinado ponto da

minha carreira, ele disse que eu já tinha adquirido a dita cuja.

Fui saber o que era, de fato, quando recebi uma galharufa de verdade

do diretor Ademar Guerra, na peça Colônia Cecília, montada pelo TCP.

Ele, num certo momento dos ensaios, tirou todo o texto da minha

personagem para ver o que eu faria em cena. Ele me dizia

 “vamos ver o que você é capaz de fazer sem esta sua voz”.

Recebi ainda uma outra do diretor Marcelo Marchioro, quando tirei a

rótula do lugar durante um espetáculo e tive que colocá-la de volta

no mesmo instante para continuá-lo e, de fato, fui até o fim da peça.  


Galharufa é um ritual de passagem de “você achar que é uma

atriz”, para “ser de fato uma atriz”. Você ganha uma galharufa

sempre que você se supera. Quando num instante decisivo,

você realmente “atua".

Às vezes a galharufa é encarada como um trote.

Certa vez, o Alexandre França fez uma série de leituras dramáticas

com textos seus. Inventei uma história de que um deles seria lido

na língua do P.

Minha filha Helena Portela ajudou com a galharufa, ensaiando o texto

na língua do P sempre que o França aparecia aqui em casa. Ele caiu

direitinho. Só foi descobrir na hora da apresentação que tudo se

passava de uma grande brincadeira.

Sempre levo o meu São Jorge e o meu Santo Expedito para o camarim.

Chego bem cedo ao teatro para me tranquilizar.

Brinco com o elenco, com o pessoal da técnica. Faço uma oração,

fumo um cigarro e entro em cena. 

Teatro da Caixa Cultural - Curitiba

Fringe

Escrito por Lenise Pinheiro às 01h35

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Galharufas 6

Vc recebeu as Galharufas? Como pode definir esse ritual de passagem?

R: Sim. Sacanagem pura dos amigos, minha formação é do teatro de pavilhão,

logo que comecei a trabalhar... aprontaram, eu tinha que trocar de figurino

ato seguinte, qdo cheguei no camarim estava toda amarrada e cheia de nós,

comecei a chorar.

 

 R: Outra situação foi numa apresentação da Paixão de Cristo, que na apoteose

da ressurreição de Cristo levantou um painel que fazia parte do cenário e sem

querer os contra-regras levaram a peruca do Cristo enrolada no cenário, enfim, a

tragédia virou comédia.

Outra situação aconteceu no teatro Regina Vogue, íamos estrear O Menino

Maluquinho quando um dos atores recebeu uma caixinha preta com fita roxa da

ex-namorada, o elenco ficou todo assustado, não deixei que tocassem, pensei

que fosse uma bomba ou um feitiço, assim que o ator chegou eu o chamei e

comuniquei da caixa preta e disse não abra porque é coisa ruim, eu estou toda

arrepiada, ele começou a rir e disse que era um costume deles.

De quem ganhou as Galharufas? E para quem passou?

R: Dos colegas do teatro de pavilhão –minha formação teatral.

Eu não passei adiante... ainda.

Acha que essa tradição caiu no esquecimento?

R: Acho que não, não é muito comum mas acontece, existem ainda os adeptos.

Tem alguma mandinga? Conserva algum ritual teatral?

R: Purifico o teatro com incenso e coloco sal atrás das portas

Regina Vogue

atriz e diretora teatral

Curitiba

Escrito por Lenise Pinheiro às 01h18

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Los juegos provechosos/Aranha marrom não usa Roberto Carlos

Avançando pela madrugada de sábado, foi hora de ver a mostra Novos Repertórios, que há muitos festivais vem servindo de referência para selecionar alguma coisa, na cacofonia de produções de Curitiba que tomaram a programação.

Desde uma revolta da classe teatral curitibana, anos atrás, o evento se abriu um pouco além da conta aos espetáculos locais, muitos deles amadores ou estudantis, que ocuparam grande parte do Fringe. Muita coisa boa vem saindo de Curitiba nas últimas décadas, mas está quase impossível distinguir, deste jeito, agora.

Novos Repertórios, que me parecia uma saída, frustrou um pouco desta vez, nas duas peças que foi possível.

"Los juegos provechosos", da Cia. Silenciosa, apresentada às 21h30 no calçadão de grande movimento em que se transformou a Boca Maldita, foi muito engraçada, uma "performance sexy" com loiras oxigenadas em intervenções como prostitutas ou lavando carro com os próprios corpos. Uma delas, bastante gorda e alcançando uma mistura inteligente de humor e sensualidade.

Também o loiro oxigenado Henrique Saidel, misto de "performer" e diretor, certamente o coração da ironia rasgante que a companhia faz com a cultura pop e, neste espetáculo, com a pornografia e até com o comércio evangélico.

Uma última loira, no momento exemplar do amadurecimento do grupo paranaense, desce sete andares carregando uma boneca inflável, que enfim joga sobre o público, e bradando contra o "relativismo". Arrisca para além do que devia a própria vida, mas mostra que o jogo da Cia. Silenciosa não é mera provocação inconsequente, como aparentava no anterior "Jesus vem de Hannover".

O problema, para mim ao menos, está no fato de que o mesmo grupo já vem da edição anterior, o que indica, por maior que seja o crescimento de Saidel como artista, uma certa acomodação dos Novos Repertórios.

Neste sentido, "Aranha marrom não usa Roberto Carlos", que começou depois da meia-noite na mesma mostra, na universidade federal, é novidade maior. São três jovens "intérpretes criadores", Emanuelle Sotoski, Lígia Oliveira e Rúbia Romani, que formam com outras atrizes a Cia. Acruel, inusitadamente pós-feminista.

A juventude transparece na criação dos diálogos e solilóquios confessionais ou, melhor, na falta de uma edição mais cruel dos mesmos. Achados significativos, em interpretação, encenação e até no texto, se perdem em meio a frivolidades.

Mas é o próprio retrato do Fringe, creio eu. É preciso uma paciência extrema até chegar a um pequeno prazer, um relance do futuro. "Aranha marrom" tem isso em várias cenas. E tem Roberto Carlos.

Escrito por Nelson de Sá às 12h55

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

A inveja dos anjos

Armazém Companhia de Teatro

Dramaturgia Maurício Arruda Mendonça e Paulo de Moraes

Direção Paulo de Moraes

Elenco Marcelo Guerra, Patrícia Selonk, Ricardo Martins ,

Simone Mazzer, Simone Vianna, Thales Coutinho e Verônica Rocha

Cenografia Carla Berri e Paulo de Moraes

Iluminação Maneco Quinderé

Figurinos Rita Murtinho

Teatro da Reitoria - Curitiba

Mostra Oficial

 

Escrito por Lenise Pinheiro às 12h50

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

As ruas de Bagdá ou Aranha marron NÃO USA Roberto Carlos

Criação e Interpretação

Emanuelle Sotoski

Lígia Oliveira e

Rubia Romani

Iluminação Beto Bruel

TEUNI - Curitiba

Fringe

Escrito por Lenise Pinheiro às 12h39

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Galharufas 5

Estava eu fazendo minha primeira peça profissional com

Paulo Autram, que veio fazer A Vida de Galileu, de Brecht,

no Teatro de Comédia do Paraná, em 1990, no papel de um

menino, aprendiz de Galileu, quando o Paulo me diz, no meio

da cena, nossa que peitinho tem esse menino, e eu me matei

de rir, é claro que ele adorava te desconcertar, mas adorei essa

brincadeira no meio de toda aquela seriedade que era a peça.

E ficou uma lição dessa convivência com Paulo, que acima de tudo,

no fazer teatral, você tem que se divertir, e viva Paulo Autram.

Agora tem outra que aconteceu com Damaceno (Diretor Teatral).

Mandaram ele buscar a chave para abrir a boca de cena e lá foi ele

buscá-la, ou então, recentemente, a Regina Vogue mandou um

contra-regra novo pegar a arara, e ele ficou horas procurando um

pássaro!


Eu sempre faço um ritual de proteção antes de entrar em cena,

seja no teatro ou no show, é um signo de proteção e poder que

minha guru Zankara me ensinou, mas não posso revelar qual é,

também bato três vezes no chão do palco e peço aos meus guias

 que me protejam, haja proteção!


Rosana Stavis

Escrito por Lenise Pinheiro às 12h03

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Amêsa

Estou com pouco tempo em Curitiba. Desci do avião e corri para o largo da Ordem, Sala Londrina, ontem no fim da tarde. Espetáculo baiano para texto angolano, eu tinha que ver.

Não conhecia nada de José Mena Abrantes, mas na forma em que foi adaptado e encenado por Suelma Costa ele foi uma viagem.

O palco tem uma mesa, "Amêsa" é o nome da peça e também do objeto-quase-personagem, e flores espalhadas pelo entorno. A iluminação marcada e a música ritmada e sempre presente fazem o resto. E a atriz Heloisa Jorge brilha.

Ela é linda e dança, desdobra seu corpo ao redor, em cima e embaixo da mesa, vestido vermelho, enquanto dispara versos sobre como, tão bonita, precisa ter cuidado, "se não vão te meter em magia". Daí salta para "a criança morreu", no nascimento, "vida não-vivida".

É bem mais sensual e triste do que eu consigo descrever. Seu corpo, de cócoras, de ponta-cabeça, remete para imagens de natureza e mulher.

Da paixão ela vai para a morte da criança e desta parte para a revolta contra o "verdugo" de olhos verdes.

Firme, resoluta, busca deixar "o eu que então eu era" para "o nós que havia no meu eu". E é então que tira o pano negro que prendia seu cabelo e ele se abre, gigantesco e exuberante como o de Nelson Triunfo.

Mas Heloisa Jorge é o Anti-Nelson Triunfo. De Pernambuco, ele partiu do maracatu para o break de São Paulo, é industrial, moderno.

Heloisa parte da Bahia e volta no tempo, cruza o oceano até a Mina que Abrantes ajudou a tirar da colonização européia. A revolta da personagem, no final, é espelho da revolta política, que é africana e que tem suas raízes, deste lado, na Bahia.

Enfim, eu viajei na apresentação. A última é hoje, também às 21h.

Escrito por Nelson de Sá às 11h21

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Cabaços no Fringe

Curitiba

Escrito por Lenise Pinheiro às 11h59

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Cabaços no Fringe 2

Curitiba

Escrito por Lenise Pinheiro às 11h46

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Galharufas 4

Até fiquei um pouco complexado porque nunca recebi as Galharufas! Será que é porque eu fiz uma escola clássica e constituí o meu grupo lá dentro e nunca trabalhei com veteranos quando estava começando a fazer teatro? Sim, porque era bem comum. Mas também porque eu acho que sempre fui metido a chefão do meu grupo e ninguém
arriscou-se a pregar-me uma peça. E claro, fico mais complexado ainda porque nunca passei pra frente o que nunca recebi. Mas gosto de dar uns trotes.
Hoje mesmo, tomando café da tarde com uma atriz, amiga minha, a Martina Gallarza, falei naturalmente, enquanto mastigava pão com presunto e queijo, que ela não ia mais fazer nosso próximo espetáculo, "Kafka - Escrever é um sono mais profundo do que a morte", porque o produtor resolveu substituí-la pela Letícia Sabatella. Ela estanhou os olhos e eu, tomando um gole de café com leite, rebati mais naturalmente ainda: "Mas ele não te falou? Pra mim ele disse que tinha falado. Mas não é pessoal. É uma questão de ampliar horizontes." Ainda falamos sobre o assunto durante uns 10 minutos e depois que ela estava decepcionadíssima eu desmenti, rindo, claro! Mas diretor é meio sádico.
Veteranos de um modo geral tendem a bancar os engraçadinhos com os novos. Só que os novos andam tão espertos que nem sei se cairiam assim tão fácil. Ver para crer. Tem um ator bem jovem fazendo "O Evangelho Segundo São Mateus", que estamos ensaiando para fazer no Festival a partir do final da semana, chamado Guilherme Almeida. Amanhã, no ensaio à tarde, vou tentar passar-lhe as Garalhufas só pra ver se ele cai. Uma experiência. Depois conto.
Agora seguindo o e-mail. Se eu tenho ritual? Sim. Mas é puramente emocional, quase melodramático. Sempre, sempre, sempre... antes de entrar em cena eu peço
que meus pais (que já faleceram) me acompanhem, ajudando o filho a não pisar na bola. Às vezes eles não ouvem e eu faço umas merdas, mas só às vezes.
Beijo.
Edson Bueno

Escrito por Lenise Pinheiro às 11h42

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Galharufas 3

Lembro de minha primeira Galharufa. Eu fazia parte do elenco de apoio de uma adaptação de OTELO do grupo universitário Tanahora da PUC-PR. Eu tinha pouquíssimas falas. O espetáculo começava com cinco soldados, cada um com um jornal na mão. Todos diziam em jogral a palavra “Morto!” e “Morta!”. Pois bem, enquanto estava compenetrado para entrar em cena, nervoso com o começo de tudo, os outros atores atrás de mim sussurravam no meu ouvido “Merda!”, repetidamente, e ao começar a cena eu me policiava para não dizer “Merda!” ao invés de “Morta!”.

Outra. No espetáculo Cãocoisa e a Coisa Homem, primeiro espetáculo do ACT - Ateliê de Criação Teatral, havia uma cena linda no final onde eu fazia um filhote de lobo que morria nos braços de seu dono em plena nevasca. Nesta época eu tinha um piercing no mamilo esquerdo. E o grande Luis Melo, que fazia o dono do filhote morto, falava brilhantemente seu texto, comovia todos da platéia enquanto apertava discretamente o meu piercing. Ninguém percebia, mas eu me segurava para permanecer “morto”...

Como ritual, gosto de ficar alguns minutos sozinho, esvaziando a cabeça e respirando. Depois abraçar os colegas e fazer um brinde com Xiboquinha. (*)

(*) Xiboquinha é uma espécie de cachaça curtida com canela, bem popular.

O meu último projeto (HENFIL JÁ!) começou com um brinde de Xiboquinha num momento em que estávamos todos desiludidos, mas com esperança... Não desistimos, o espetáculo nasceu, e desde então brindamos o nosso ofício com Xiboquinha... rs André Coelho

Comemoro, em 2009, 35 anos de teatro profissional e 55 de vida.
Eu lembro que, até uns 20 e poucos anos atrás, ainda havia essa tradição de se falar, ao menos, em galharufa. Acredito que isso se perdeu muito por aqui.
Quando converso sobre isso com atores mais novos, sinto que estou sendo anacrônico, velho, passado, etc. e tal.
Eu, sempre que entro em cena, faço o sinal da cruz e bato três vezes na madeira do palco.
Já tive o costume de pedir "ajudinha" a Dionísio, Mnemósine (deusa da memória) e a Thalia e Melpomene (as musas do teatro, representadas pelas máscaras da tragédia e da comédia).
Hoje em dia, conservo apenas o sinal e as três batidinhas.
Chico Nogueira

Escrito por Lenise Pinheiro às 11h05

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Álbum de Família - Salvador - Bahia

Texto Nelson Rodrigues

Direção Paulo Henrique Alcântara

Grupo Monotauro

Teatro Regina Vogue - Curitiba

Fringe

Escrito por Lenise Pinheiro às 08h46

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Ascensão e Queda da Cidade de Mahagonny - Campinas - São Paulo

Texto Bertolt Brecht

Direção Marcelo Ramos Lazzaratto

Companhia de Teatro Acidental

Teatro José Maria Santos - Curitiba

Fringe

Escrito por Lenise Pinheiro às 08h43

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Galharufas 2 - Enéas Lour

Lembro muito bem da "pegadinha" da galarufa quando comecei

minha carreira lá no Teatro Guaíra.

Na verdade era uma variação dela : Os "maquinistas"

(carpinteiros) lá do Guaíra pediam aos cenógrafos

novatos, como eu na época, que fossem buscar no

almoxarifado a "chave-da-boca-de-cena" e o

funcionário do almoxarife, sabendo do trote, dava

para a pessoa uma caixa cheia de pesos para que

ela levasse até o palco.


Acho saudável esse tipo de "ritual" que trazia um

contato amigável entre os novatos e os técnicos

mais experientes. Infelizmente, hoje não acontece

mais. Quanto a "mandingas" ou "rituais"teatrais,

não tenho nenhum(a).


Conheci dois diretores (Oraci Gemba e

Roberto Menghini) que não permitiam que ninguém

assoviasse dentro do teatro e muito menos no dia

da estreia, porque isso dava azar para a peça!



Enéas Lour - Diretor de Teatro

Curitiba

Escrito por Lenise Pinheiro às 08h29

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Galharufas - Aniversário de 2 anos do Cacilda Blog de Teatro

Hoje Edição de Aniversário  

Todos os teatros se encontram no Cacilda Blog de Teatro.

Criado em parceria com o Nelson de Sá.

Olhares de nós dois. Na net.

Ciscos. Picos de teatro na veia.

Mais de mil comentários, respondidos!
 
Desde 2007. O Nelson vê por escrito!
 
Enquanto isso...
Atores que atravessam a quarta parede das salas de teatro de Curitiba.
Galharufas = xiste desenvolvido no ambiente teatral, a título de trote para os novatos.
Em alguns casos a Galharufas é um presente.
Sei de atores que ganharam estojos de maquiagem, uma carta de baralho,
um anel ou mesma uma provocação.
E eu que já sou galharufada aproveito para contar como foi a minha experiência.
Ganhei um chiclete mastigado em cena aberta, depois de um beijo, 
durante o intervalo da peça.
Já passei adiante a experiência com menos apelo.
Dei de presente um pregador de roupas, para o ator Eliseu Paranhos,
um detalhe para melhorar a gola do figurino, no ensaio para as fotos.
 
18ª Edição do Festival (de Teatro) de Curitiba
A primeira convidada, Atriz Pagú Leal
Galharufas é um termo que eu ouvi pela primeira vez da boca do
Mário Shoemberger e, coincidentemente, foi ele que me aplicou
- se é que se aplica, dá ou concede uma. Em 2000 nós fazíamos
um espetáculo juntos, “Trecentina - A Verdadeira Descoberta”. 
Dessa vez a dupla Scaramucho e Arlecchino, respectivamente
Mario Shoemberger e Enéas Lour, descobria o Brasil antes
mesmo de Cabral. Essa era a quarta aventura da dupla, que a
cada ano juntava um elenco de comediantes e ocupava o mini
Guaíra à meia-noite. Autores, produtores e atores das “trecentinas”,
eles eram impagáveis nas quatro edições dessa comédia sobre os
costumes curitibanos. Eu fazia uma das Calmarias, sereia engraçada
toda vestida de azul. Pois na minha primeira aparição os dois param
a peça e cantam juntos “Pagu, Pagu, quantas pregas tem o teu...
...vestido azul”. Difícil retomar o texto.
"Uma, inocente, que às vezes aplico nos iniciantes é contar que há
uma tradição no teatro infalível: bater o pé três vezes antes de entrar e
pedir Vem Dionísio. Certa feita olhei pra outra coxia e lá estava o ator,
em sua estréia no teatro, sapateando e pedindo por Dionísio." Diz ela.
A Atriz Pagú Leal se apresenta durante o Festival no Fringe com texto de sua
autoria. Melan & Colia.
Sala Londrina - Curitiba

Escrito por Lenise Pinheiro às 09h32

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Os festivais e a crise

Vai começar mais um festival de Curitiba e, para variar, só se fala do "line-up" de peças comerciais, com elenco de novela etc.

Acho cada vez menos aceitável a justificativa de que é para agradar ao público da cidade, classe média tão característica que a propaganda brasileira testa lá seus lançamentos.

Quase duas décadas depois do nascimento do festival, ou Curitiba se livra da pecha ou sua mostra de teatro vai acabar cedendo seu lugar de proeminência aos concorrentes nacionais _que já não são fracos e cujo maior defeito sempre foi a resistência ao modelo aberto e democrático do "fringe", desenvolvido em Edimburgo e Avignon.

A própria classe média brasileira, como mensurada por institutos de pesquisa e estudos publicitários, não é mais a mesma, hoje. E o festival de Curitiba, ao menos no formato oficial que sustenta, começa a soar como um anacronismo.

Mas eu nunca me animei muito mesmo com a mostra "oficial", fosse ela norteada comercial ou institucionalmente, pelos grupos de sempre, com as pesquisas formais de sempre.

Prefiro a franja, o "fringe" em que se mistura a produção de todo lado do país. Até porque considero o teatro a franja de toda comunidade, brotando nos "baixos" _como agora, na São Paulo do Baixo Augusta.

E estão aí, acho eu, os problemas de verdade, aqueles que ameaçam os festivais maiores e abertos de Curitiba, Avignon, Edimburgo. A realidade bate à porta, sobretudo lá, mas também aqui, um pouco.

A crise que começou financeira e americana vai derrubando patrocínios que permitiram décadas de produção cultural e vai, por outro lado, exacerbando problemas crônicos de gestão das "franjas".

Se Avignon chegou a ter toda uma edição suspensa por greve, para grande frustração do Valmir Santos, que foi até lá, agora é Edimburgo que se avizinha de coisa semelhante, em sua administração.

Já chegou perto no ano passado, quando a venda de ingressos entrou em colapso, a ponto de causar tumultos em muitas salas. A resposta para este ano foi profissionalizar a gestão, criar o cargo de "chief executive", recém-preenchido, e buscar patrocinadores comerciais de porte.

Em suma, tornar o festival um negócio _o que só fez ampliar a reação dos produtores independentes, inclusive das quatro salas principais, Assembly Rooms, Pleasence e outras, com dezenas de espetáculos todo ano e que ameaçam há tempos criar organização paralela.

Para piorar as coisas, veio a crise e os temores no início deste ano eram de que o festival precisaria apelar por fundos estatais de emergência, de até R$ 2 milhões, para garantir a edição.

Diante de ameaças tamanhas, como se vê, soa relativamente contornável a perda do dinheiro da Petrobras, que respondia por apenas um quinto dos recursos do festival de Curitiba.

Escrito por Nelson de Sá às 15h20

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

A Alma Boa de Setsuan - Agradecimentos

Texto Bertolt Brecht

Direção Marco Antonio Braz

Elenco levanta platéia lotada em Curitiba.

Teatro Guaíra - Curitiba

Dom 19h

Escrito por Lenise Pinheiro às 23h46

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

A Noite Mais Fria do Ano

Texto e Direção Marcelo Rubens Paiva

Assistente de Direção Fernanda D'Dumbra

Atores Alex Gruli, Hugo Possolo,

Mário Bortolotto e Paula Cohen

Cenografia Zé Carratu

Iluminação Rui Mendes e Lu Barone

Estreia hoje

Sesc Paulista - SP

Sextas, sábados e domingos às 21h

Escrito por Lenise Pinheiro às 10h34

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Complexo Sistema de Enfraquecimento da Sensibilidade

Sem os recursos de produção que Gerald Thomas já teve um dia _e que ainda levanta, de vez em quando ao menos_ Ruy Filho cria imagens de grande efeito em "Complexo Sistema de Enfraquecimento da Sensibilidade".

Em cartaz nos subterrâneos dos Satyros, o espetáculo enfrenta a precariedade do lugar e sai vitorioso. Alguns instantâneos imprimem profundamente, casos do corpo (de ator) preso a todos os cantos do teatro e da bicicleta juvenil amassada, como que atropelada por um caminhão.

O espaço é especialmente significativo por indicar uma trilha de diferenciação entre Ruy Filho e sua influência assumida, Gerald.

Naquele subterrâneo, para além de Gerald, as cenas de tortura remetem ao universo pop americano, PG-13, e ao mesmo tempo ao jogo realista bruto das encenações de Rodolfo Garcia Vazquez. Deixei o teatro, já madrugada, com a cabeça cheia de conexões também com a Sadako de "Ring", com Damien Hirst e outros.

Foi a minha maneira de fugir à obviedade que remetia "Complexo Sistema" a Gerald, à "Classe Morta" e outras tantas referências. Reconheço a qualidade, mas não consigo me entusiasmar com aquilo que, em Ruy, remete abertamente a criadores anteriores.

Sei bem que é um dos melhores caminhos para todo artista em formação. Lembro sempre que Antunes foi assistente de Ziembinski e Ruggero Jacobbi, que Zé Celso assistiu ao Boal. Que Luiz Fernando Marques aprendeu com Antonio Araújo, Cibele Forjaz com Zé e infindáveis outros exemplos.

Aliás, Shakespeare, pelo que leio, estudou à maneira de então, primeiro copiando integralmente os textos clássicos, depois alterando, por fim criando plenamente.

Ruy Filho, me parece, está no final da transformação, ainda sob angústia da influência mas já priorizando traços próprios e fortes, que não é possível relacionar a quem quer que seja. Lenise, que percebe essas coisas como ninguém, me alerta do jovem diretor há tempos.

"Complexo Sistema", às quartas e quintas, segue em cartaz só até a semana que vem.

Escrito por Nelson de Sá às 21h04

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Eldorado

Dramaturgia Santiago Serrano e Eduardo Okamoto

Direção Marcelo Lazzaratto

Ator Eduardo Okamoto

Teatro Imprensa - SP

Quartas e Quintas 21h

Escrito por Lenise Pinheiro às 17h49

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Chorávamos Terra Ontem à Noite

Texto Eduardo Ruiz

Direção Lavínia Pannunzio

Direção de Arte Marcio Vinícius

Atores Eduardo Ruiz e Gustavo Sol

Música Bruno Elisabetsky

Viga Espaço Cênico - SP

Sábados 21h  Domingos 19h

Escrito por Lenise Pinheiro às 10h10

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Cem Gramas de Dentes

Texto Bosco Brasil

Direção Georgette Fadel

Iluminação Guilherme Bonfanti


Elenco Jorge Vermelho e Marcelo Matos

Sábados às 21h30 Domingos às 18h30

Sesc Pompéia Galpão - SP

 

 

Escrito por Lenise Pinheiro às 17h53

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Homemúsica - Estreia

Michel Melamed



Teatro Sesc Anchieta - SP

Sextas e Sábados 21h Domingos 19h

Escrito por Lenise Pinheiro às 10h53

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Amigas Pero no Mucho - Reestreia

Texto Celia Regina Forte


Direção José Possi Neto


Elenco Elias Andreatto, Eucir de Souza,

Leopoldo Pacheco e Romis Ferreira




Teatro Renaissance - SP

Sextas 21h30 Sábados 21h e Domingos 19h

Escrito por Lenise Pinheiro às 10h43

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Bouffes du Nord

Zé Celso viaja até o fim do mês para Nova York, Havana e outras partes. Vai com Marcelo Drummond, que divide com ele a direção artística do Oficina e que, ator em "Bandidos", protagonizou com Zé uma cena de passagem de bastão, por assim dizer.

Um ritual que ambos já realizaram antes em "Bacantes" e na própria reabertura do teatro, década e meia atrás, como o príncipe e o rei Hamlet. E que deve se repetir na peregrinação de ambos por América e Caribe, fantasio eu.

Antunes Filho, de outra parte, pelo que contam atrizes formadas no Centro de Pesquisa Teatral, retomou o "Prêt-à-Porter", agora como coletânea, com um emocionante desagravo a Emerson Danesi, ator e também produtor da série.

E de fato, nesta versão em cartaz na própria sala da ensaios do CPT, é flagrante a mão de Danesi, que dá o tom das três cenas, estimulando interpretações especialmente virtuosas de Marília Simões e Susan Damasceno, como lindas e tão diferentes prostitutas.

Penso em Zé e Antunes por conta de Peter Brook, de geração anterior e que, em entrevista no final do ano ao francês "Le Monde", anunciou que vai deixar a direção artística do Bouffes du Nord, o lendário teatro que ocupa há quatro décadas no subúrbio árabe de Paris.

Já deu até nome aos sucessores, dois franceses chamados Olivier com inclinação para o teatro musical. Mas não é o que me interessa nesta história, no momento.

Que eu saiba, a exemplo do Brasil, na França também não existia a tradição institucional do diretor artístico, que passa adiante a tarefa que é também administrativa e financeira _e exaustiva.

Ela é comum na Inglaterra, nos Estados Unidos, na Alemanha, onde o teatro é abraçado como láurea nacional e recebe suporte público por sua contribuição imaterial e material à nação. A mudança de diretor artístico é sempre ocasião para debate público, civil.

Aqui, não. Imagino, quando chegar a hora de Zé e Antunes anunciarem formalmente que vão passar a bola, o que o governante da ocasião vai querer fazer ou desfazer das instituições que ambos ergueram.

Quando o secretário não for mais João Sayad ou, principalmente, quando o diretor do Sesc não for Danilo Santos de Miranda, quais serão os valores culturais de quem estiver por lá, em cargos que são tão políticos, mas nem sempre no melhor sentido?

O que sei é que Peter Brook conseguiu e está fazendo a transição que queria, na Paris de tradição semelhante à nossa. Ele apenas anunciou, só deixa formalmente a direção artística em dois, três anos, quando estiver mais perto dos 90.

E ainda assim vai seguir dirigindo, mas somente suas peças, sem o gigante material, tão lindo, que mantém em meio aos bazares. Estive lá anos atrás, com o curador Ricardo Muniz Fernandes, e gostamos mais do lugar que do espetáculo.

Mas eu queria mesmo era ter assistido ao "Hamlet" de Adrian Lester, ator do "As You Like It" de Declan Donnelann que tanto impressionou os mesmos Zé e Antunes e o mesmo Peter Brook, a ponto de convidá-lo para viver o príncipe.

Nos últimos dias, é o que estou fazendo, vendo e revendo, em DVD da encenação no Bouffes du Nord. Foi a atriz Agnes Zuliani quem me arrumou, mas o crítico Valmir Santos também tem.

Escrito por Nelson de Sá às 15h06

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Comunicação a uma Academia - Estreia

Texto Franz Kafka (1883-1924)

Direção Roberto Alvim


Atriz Juliana Galdino

Teatro Imprensa - SP

Terças e Quartas às 21h


Ao poder da presença, luz e côr de Gê Viana.

Meu muito obrigada.

Escrito por Lenise Pinheiro às 10h26

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Entre Divas e Senhoritas - Última Apresentação

Dramaturgia Priscila Nicolielo e Cia. Teatro de Senhoritas


Direção Débora Zamarioli


Atrizes Isis Madi e Sandra Pestana


Cenografia Cris de Paulo


Figurinos Sandra Pestana


Iluminação Bruno Garcia


Centro Cultural São Paulo - Sala Paulo Emílio Salles Gomes - SP

Hoje às 20h

Escrito por Lenise Pinheiro às 10h40

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Ver mensagens anteriores

PERFIL

Lenise Pinheiro Blog de teatro com textos e fotografias de peças em cartaz ou por estrear. Montagens antigas, ensaios, indicações e vivências e experimentos. Eventuais visitas a salas de teatro, e suas respectivas companhias. Coberturas de Festivais de Teatro, apontamentos com novidades e curiosidades em torno do tema.

BUSCA NO BLOG


ARQUIVO


Ver mensagens anteriores
 

Copyright Folha Online. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução do conteúdo desta página
em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita da Folha Online.