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Memória da Cana

Newton Moreno e Os Fofos Encenam remetem, de fato, a Nelson Rodrigues. Newton, autor e desta vez mais para diretor, e o elenco inteiro também se encontram desenraizados, com a memória da cana-de-açúcar, mas já distantes dela.

"Memória da Cana", nome dado à obra em progresso que o grupo vem criando publicamente a partir do "Álbum de Família", até amanhã no Itaucultural, traz um conforto de esperança, para Nelson renascer além dos limites em que está fechado, hoje.

Ele surgiu popular, entre a comédia e o melodrama, mas também já multifacetado, ambicionando ao longe a tragédia moderna de Eugene O'Neill.

Depois de sua morte, veio o crítico do "Teatro Completo", Sábato Magaldi, e o identificou aqui e ali como mítico, à moda de Jung. Veio o diretor Antunes Filho e o revelou universal e desenraizado, não mais carioca e certamente não pernambucano. Veio o biógrafo Ruy Castro e elevou seu jornalismo à altura de sua dramaturgia. Mais recentemente, o editor Caco Coelho completou o serviço com o folhetinista, o cronista etc.

Diante de tantos Nelsons, alguns enriquecedores, outros redutores, sempre me esforcei em reencontrar o primeiro, o original, que imaginava inspirado na Zona Norte do Rio, na testemunha ocular do subúrbio, de sua família imediata na Aldeia Campista dos "três apitos".

Daí, imaginava eu, a comédia popular, ainda que ele vá muito além dela, à maneira de O'Neill ou, em paralelo talvez mais adequado, Anton Tchecov. Mas vem agora Newton Moreno e vislumbra mais: a "memória da cana" em Nelson Rodrigues e sua família quase toda pernambucana.

Os quatro citados, ao reapresentarem o dramaturgo após sua morte, retrataram mais de si mesmos do que do grande autor, propriamente. Aliás, é qualidade de todo artista maior retornar como um espelho em outros tempos, reviver em outros artistas, dissolver-se na humanidade.

Newton é um dos mais talentosos e ricos dentre os dramaturgos contemporâneos, nascidos de companhias mais ou menos estáveis, principalmente a partir da Lei do Fomento.

Ele e os Fofos se aproximam de Nelson sem qualquer resguardo ou reverência. São generosos com ele, querem conhecer mais dele e levar outros a conhecer mais. Daí a obra em progresso, como se o público fizesse também parte da busca ao tesouro rodriguiano.

Um dos guias ocultos da jornada seria Gilberto Freyre, pernambucano como Nelson e Newton e fonte de espetáculo anterior dos Fofos, mas que se manteve mais enraizado por lá _e se orgulhava dos elogios que o dramaturgo lançava em sua direção.

Para o espectador, é como se o autor de "Casa-Grande & Senzala" encaminhasse toda a mise-en-scène em construção, nos quartos da casa grande, na mesa imensa, como estrela a guiar o diretor e adaptador e seus atores, que reescrevem nos corpos um Nelson Rodrigues que só eles e Gilberto Freyre conheciam.

Escrito por Nelson de Sá às 17h15

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Prêt-à-Porter - Coletânea 2

Textos: Centro de Pesquisa Teatral do Sesc

Coordenação Geral: Antunes Filho

Movimento 1 - Estrela da Manhã

Atores: Emerson Danesi e Kaio Pezzutti

Movimento 2 - Bibelô de Estrada

Atores: Emerson Danesi e Marília Simões

Movimento 3 - Poente do Sol Nascente

Atores Emerson Danesi e Susan Damasceno

No programa da peça: Gilberto Freyre

"Acredito que nunca ficarei completamente maduro nem nas idéias,

nem no estilo, mas sempre verde, incompleto e experimental".

Espaço CPT/SESC - SP

Sábados 18h30

 

Escrito por Lenise Pinheiro às 12h03

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Cachorro - Reestreia

Texto Jô Bilac

Direção Vinicius Arneiro

Atores Carolina Pismel, Felipe Abib

e Paulo Verlings

Caixa Cultural Sé - SP

Quintas a Sábados 19h30 Domingos 18h

Escrito por Lenise Pinheiro às 10h26

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Amigo é coisa pra se guardar...

...no lado esquerdo da plateia!!!

O precioso apoio do Jader Rocha!!! Fotógrafo!!!

Aluno da oficina, na primeira edição do Festival de Curitiba, há 18 anos.

Meu muito obrigada e um beijo para a Tania Araújo.

Escrito por Lenise Pinheiro às 21h34

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Instruções para Lavar Roupa Suja

Texto Pagu Leal

Direção Silvia Monteiro

Elenco Pagu Leal e Flavio Streit

Cenário Cleverson de Oliveira

Iluminação Waldo Léon

Teatro Guaíra - Miniauditório Glauco Flores de Sá Brito - Curitiba

Quartas a Sábados 21h Domingos 20h

Escrito por Lenise Pinheiro às 21h20

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Tieta do Agreste

É o oposto extremo do teatro musical do Abril, poucas quadras abaixo, na Brigadeiro Luís Antônio. A direção musical de Pedro Paulo Bogosian é solta, não constrange, não limita _e dá a deixa para que todo o espetáculo se desenhe assim.

Trata-se de "Tieta do Agreste", no teatro Brigadeiro. Nem sempre atinge o mais bem-sucedido dos resultados, como na coreografia, que só dá as caras quando as poucas bailarinas de fato estão em cena, sem coro. E ainda assim ergue quadros memoráveis, caso do bordel em São Paulo.

Até cenas de canto, em menor número do que se espera num musical, podem escorregar nos limites de voz. Mas pouco importa, não com Pedro Paulo, ao vivo, em uma extensão do palco, com seu sorriso aberto para a ação diante dele, sem se deixar obcecar e desviar pelo detalhe.

Devo ter feito parte de um de seus primeiros laboratórios musicais, muito jovem, três décadas atrás, os dois na mesma classe de teatro. Ele criou e dirigiu. Lembro pouco, mas tenho claro que Pedro Paulo já era assim, sereno e de olhar carinhoso. E criativo.

Acompanhei muito da peça pelo seu olhar, estava perto da banda. Alegrava-se com a comédia de Neusa Romano e Maria do Carmo Soares e se admirava de reações da platéia, obviamente envolvida pela apresentação, em passagens ao que parece inusitadas.

O público é atração em si mesmo. É também o oposto do Abril, mais popular, com respostas espontâneas e quase impertinentes ao que ocorre no palco. Reage mais à nudez dos homens do que à das mulheres, aos gritos, como em auditório.

Inspirada em Jorge Amado, a peça não desperdiça as sugestões de sensualidade. Concentram-se em Tânia Alves, que faz a prostituta que retorna à cidade, mas não só. Não vi Emanuelle Araújo como Estela, mas Vyvian Albouquerque, no papel, pelo que indica o programa, foi delicada e envolvente.

Não posso dizer que tenha me empolgado pelos cenários decorativos ou pelos figurinos irregulares, mas as letras das canções, tão centrais no gênero, assinadas pela diretora Christina Trevisan e por Pedro Paulo, são inteligentes e tratam seu tema de forma nada ingênua.

É quase um musical cínico, apesar de toda a exaltação da lubricidade, tirada do escritor. Foi o que me fez sair do teatro pensando por que não se tem ainda um prêmio, ao menos como categoria separada, para o teatro musical. Não é por falta de produção ou de qualidade.

Escrito por Nelson de Sá às 02h26

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Lenise PinheiroO blog Cacilda é coordenado por Nelson de Sá, articulista da Folha, e pela repórter-fotográfica Lenise Pinheiro.

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