Cacilda
 

O Assalto

Texto José Vicente

Direção Marcelo Drummond

Atores Fransérgio Araújo e Haroldo Costa Ferrari

Espaço dos Satyros 1 - SP

Sexta e Sábado às 21h

Escrito por Lenise Pinheiro às 12h49

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Mercadorias e Futuro 2

Acabei de assistir ao Lirinha, do Cordel do Fogo Encantado, em "Mercadorias e Futuro". Era a última chance de ver em São Paulo, avisou a Lenise. E era uma chance especial de fechar bem o ano no teatro.

Já sabia dele do Oficina, dos dois melhores "Sertões", e tinha visto o "Árido Movie". Mas a peça, que não pode ser chamada de monólogo, é algo especial, de fato.

Ele sai pelo palco a dialogar estranhamente com máquinas, de um carrinho de som com laptop e estranhos sintonizadores a pedais espalhados pelo chão, microfones e caixas; um amontoado de aparelhos que, imagino, são parte de seu cotidiano na música e reaparecem ali distorcidos, lembrando algum sonho infantil.

Também a dramaturgia é inusitada, ao que tudo indica uma colagem de heterônimos, a começar do narrador _e casada ainda a pedaços de gravações e sonoplastia que ele comanda diretamente do palco, bem como a luz, ao menos em parte.

De alguma maneira, não soa confuso nem distante aquele amontoado de supostas profecias/poesias recolhidas por um certo Lirovsky, parodiando Leminsky e dado por autor de um livro que ele está o tempo todo a vender _e que, descobre-se na saída, realmente existe e está à venda.

O microfone e outras partes da maquinaria da performance se conectam a seu próprio figurino e, com um sem fim de fios, parecem virar uma coisa só.

Também as gravações acionadas e sampleadas ou editadas pelo próprio ator em cena, ao vivo, ligam José Paes de Lira ao faz-de-conta de Lirovsky, a ponto de não se distinguir mais o que é meia mentira ou meia verdade.

Daí não se poder falar em monólogo, pois ele jamais está sozinho; mantém-se cercado e interagindo não apenas com suas máquinas e áudios e luzes, mas com os operadores e, mais diretamente, com a platéia.

Remete ostensivamente a um stand-up, não só pelo humor contínuo e auto-referente, ao menos na aparência, mas por ser uma conversa em primeira pessoa com a platéia, querendo dela reação, retorno.

Quando chega ao final e ele diz ser uma obra ainda em criação com os espectadores, já um ano depois de sua estréia no Sesc Pompéia, mas então sem o livro e sabe-se lá sem mais o quê, o ator e dramaturgo parece estar dizendo a verdade.

Ele criou ou lapidou mais um pouco sua performance, no início da noite, e vai levar agora para o Rio, para acrescentar ainda um pouco mais na temporada de janeiro no Oi Futuro.

Achei um texto revelador, inteligente, com passagens especialmente inventivas, mas as palavras não se diferenciam da encenação ou da interpretação, então nem sei vislumbrar como coisas apartadas _e nunca são mesmo, no teatro.

Imaginei ter percebido a leveza e o humor de Leandra Leal, que só conheço como atriz, na encenação que ela divide com o autor e ator.

PS - Mais do que as tantas passagens em que Lirinha trata da mercantilização da arte, questão que não me envolve como antes, uma cena e seu tema  me assombraram _aquela em que ele revive a suposta abertura de uma apresentação de Roberto Carlos em sua cidade natal, com um golpe de teatro. É a consciência de espetáculo, brada Lirovsky.

A cena retomada é espetacular, de fato, mesmo com sua ironia mesclada a nostalgia, com "Lady Laura" em alto volume. Fez até lembrar algumas invenções cênicas do Oficina, como a decapitação de Cacilda.

Escrito por Nelson de Sá às 00h57

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Mercadorias e Futuro

Texto e interpretação José Paes Lira

Direção Leandra Leal e José Paes Lira

Espaço dos Satyros - SP

Hoje às 21h

Escrito por Lenise Pinheiro às 08h34

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Lenise PinheiroO blog Cacilda é coordenado por Nelson de Sá, articulista da Folha, e pela repórter-fotográfica Lenise Pinheiro.

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