Cacilda
 

O Cantil

Dramaturgia e Direção Fran Teixeira

Grupo Teatro Máquina - Ceará

Elenco Aline Silva, Edivaldo Batista, Levy Mota e Márcio Medeiros

Centro Cultural São Paulo - SP

Sextas e Sábados às 21h Dom 20h

Escrito por Lenise Pinheiro às 11h27

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Soslaio

Texto Priscila Gontijo

Direção Donizeti Mazonas e Gabriela Flôres

Atores  Gilda Nomacce, Priscila Gontijo,Silvio Restiffe, 

Lianna Matheus, Donizeti Mazonas e Gabriela Flôres

Teatro da Universidade de São Paulo - TUSP

Quinta, Sexta e Sábado 21h

Domingo 20h

 

Escrito por Lenise Pinheiro às 12h25

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A Mulher que Ri

Por acaso, um dia depois de ver "A Mulher que Ri" na sala menor do teatro Alfa, liguei a televisão e dei com "Tônica Dominante". É o filme que Fernando Alves Pinto protagonizava quando, no meio das filmagens, sofreu um acidente e ficou em coma, mais de dez anos atrás.

É uma bela obra, algo obcecada pelos instrumentos e seus movimentos, a "mise-en-scène" toda de uma orquestra, mas também com tomadas do rosto solitário, acuado de seu personagem central, um clarinetista. É um ator que sempre me fascinou, da platéia, em parte por sua experiência trágica, imagino, mas principalmente por sua placidez.

É como se fosse um espectador, ele também, diante daquele universo que corre em torno dele, sem que possa agir para mudar seu rumo. Um pouco como o Horácio shakespeariano, enxerga as ações, racionaliza por nós, sem se deixar levar pela trama. Pelo que me contam, Fernando também fez um Lucky marcante em "Esperando Godot", com comentário consciente e preciso da realidade.

Em "A Mulher que Ri", ele é o filho ou o escritor que reencontra, em algum sonho, seus pais proletários. Quem ri é a mãe, diante da tragédia cotidiana de sua vida miserável.

São personagens com os quais é possível se identificar desde logo, a exemplo dos tacos de madeira que se soltam do cenário _e das nossas casas de antigamente, como escreve a diretora Yara de Novaes no programa, sobre a cena-chave da peça, quando mãe e filho buscam alguma moeda perdida nos vãos do assoalho.

A mãe tudo faz pelo filho, e o pai também tudo faz, mas em luta constante com seu orgulho e com as imposições de sua existência dependente.

Eloisa Elena é uma mãe tocante, por vezes verdadeiramente patética, mas os momentos em que engasguei, durante a apresentação, foram por conta de Plínio Soares, que faz o pai. Ele lembra, em parte, o pai mineiro do jovem Billy Elliot, no filme e depois musical de Stephen Daldry _durante anos meu diretor inglês favorito.

Tem um coração que se derrete pelo filho, a quem ama reservada mas integralmente. Mas o personagem de Alves Pinto, tomado pelo egoísmo natural que exige que deixe aquele lugar, aquela pobreza, que busque sua vida e abandone a família, é quase incompreensível para seu pai.

A peça de Paulo Santoro é inspirada num conto húngaro que desconheço, mas me remeteu seguidas vezes para o "Quase Memória", que Carlos Heitor Cony escreveu sobre ou para seu pai. O personagem do emocionante Plínio Soares é uma idealização, é evidente, uma "quase memória", mas pouco importa. É como se aquele pai estivesse vivo, novamente e para sempre.

Se bem me lembro, não gostei tanto de "O Canto de Gregório", a peça que lançou Santoro, aposta de Antunes Filho em dramaturgia, uns quatro anos atrás. Fiquei incomodado com o que me pareceu um amontoado dialético, quase uma peça de tese reescrita em várias direções. Mas talvez a afetação viesse da encenação, não sei.

Sei que agora o texto de Santoro é de um despojamento que nada quer esconder. É como se a peça tivesse sido dissecada às suas frases mais essenciais, confirmando o talento vislumbrado por Antunes.

(Um registro. Encontrei há pouco num sebo um fascinante programa de "O Diário de Anne Frank", que o muito jovem Antunes dirigiu há mais de meio século, com o também jovem Raul Cortez e outra aposta que deu certo depois, como sempre com Antunes, Walter Avancini.)

A encenação de Yara de Novaes, como acontecia com Cleyde Yáconis e Lúcia Romano em "O Caminho para Meca", permite as atuações mais interiorizadas de seus atores, que parecem voltar-se delicadamente para dentro de si mesmos, olhares suspensos no ar.

Mas ela não foge da busca de metáforas cênicas, a mais perfeita delas o cubo que serve de lar para aquela família no limite da fragmentação. É uma casa de brinquedo para o escritor que recorda sua infância e juventude, com paredes que se tornam portas, a remoer e reescrever a memória. Também o fio que corre o palco de lado a lado, detonando um sem fim de imagens.

Escrito por Nelson de Sá às 23h15

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Uma Pilha de Pratos na Cozinha

Texto e Direção Mario Bortolotto

Atores Paula Cohen, Eduardo Chagas, Alex Grulli e

Otávio Martins

Espaço dos Satyros 1 - SP

Segundas e Terças às 21h

Escrito por Lenise Pinheiro às 07h57

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Sede Luz do Faroeste - SP

Direção Paulo Faria

 

 

Escrito por Lenise Pinheiro às 08h45

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Lenise PinheiroO blog Cacilda é coordenado por Nelson de Sá, articulista da Folha, e pela repórter-fotográfica Lenise Pinheiro.

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