Cacilda
 

Glass

Direção e Dramaturgia Haroldo Rego e Tavinho Teixeira

Atrizes Ângela Câmara, Luciana Fróes e Raquel Rocha

Sesc Pompéia - SP

Hoje, sexta e sábado às 21h30

Escrito por Lenise Pinheiro às 20h32

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Testemunha das ruínas

Antes de Marta Suplicy ceder ao preconceito, como se o preconceito de que foi vítima pudesse justificar mais preconceito, eu tinha esperança de algum pensamento sobre a cidade, a partir do teatro, este ano.

Foi o que me levou a atravessar São Paulo no sábado para assistir, no Fábrica da Pompéia de Lina Bo Bardi, ao espetáculo multimídia colombiano "Testemunha das Ruínas", sobre o cerco e destruição do bairro El Cartucho, uma década atrás, no centro de Bogotá.

O episódio é célebre, em parte, porque é uma sombra na aura de louvor que envolve a cidade, que viveu uma experiência nos moldes de Curitiba, com corredores de ônibus, modernização em geral, auto-estima elevada.

E também consciência social, com seguidos prefeitos progressistas.

Cartucho era como a Cracolândia em São Paulo, enraizada ainda mais, por décadas, com toda sorte de crimes e marginalização e etnias de todos cantos do país e de outros. De vez em quando, bombas do terror.

A encenação, me explicou depois o Ricardo Fernandes, produtor, pode ser enquadrada no teatro pós-dramático de Hans-Thies Lehmann, na vertente documental, ele que publicou seu livro há pouco no Brasil.

Com quatro telões móveis e projetores, a performance cerca uma ex-moradora do Cartucho que, em entrevista em áudio, com tradução, conta o que se passou e presenciou, em conjunção com imagens chocantes.

Ao mesmo tempo, ela se mantém em cena, ao vivo, entre a platéia e os telões, a testemunha. Cozinhando como fazia então, em braseiros de rua, preparando um alimento popular que ao final é servido aos espectadores.

Os integrantes do Mapa Teatro, a companhia colombiana que vem de encenar o "4.48" de Sarah Kane, interagem com as imagens, interferem, movimentam os telões. Não há dramaturgia, propriamente; narrações e descrição têm caráter documental, até jornalístico.

A apresentação toda impressiona, aquele amontoar de realidades no palco, mas o que marca de fato é a trajetória final do Cartucho, mostrada de maneira não linear, mas com alguma atenção à cronologia até o final.

Como na Cracolândia original, o fim da história mostra a desolação do modernoso parque Terceiro Milênio em pleno coração de Bogotá, que nem árvores tem, mas gramados e calçamento. No amplo espaço antes degradado de casas e vielas, não se vê ninguém.

Aqui, também no centro de São Paulo, a Cracolândia perdeu sua existência física, sob pressão policial, apenas para se encontrar em outras partes do mesmo centro de São Paulo, as quais eu atravesso no meio da noite, assustado, saindo do trabalho.

No caso de El Cartucho, ninguém mais põe os pés no espaço urbano. E os seres que lá viviam se mudaram para o Bronx, também no centro de Bogotá, mas comandado por gangue e inacessível como um morro do Rio.

A peça colombiana não faz um julgamento, apenas expõe. E eu fiquei pensando então, já durante a apresentação, qual seria a saída.

Lembrei do projeto de Cibele Forjaz para ocupar a Cracolância, recusado pela comissão do fomento. Da resistência de Zé à Broadway paulistana no Bixiga, da qual restam ruínas no entorno do teatro. De Antônio Araújo por igreja, hospital, presídio, o rio Tietê.

E dos Satyros que se apaixonaram pela praça decadente, onde sonharam as primeiras Satyrianas, que floresceram na Virada Cultural, embora os políticos não admitam a inspiração e citem alguma cidade européia.

Era o que eu tinha esperança para este ano, até uns dias atrás.

Escrito por Nelson de Sá às 23h26

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Les Squames

Criação e Direção Barthélémy Bompard

Grupo Kumulus - França

 

 

Vale do Anhangabaú - São Paulo

Hoje e quinta dia 16 de outubro às 15h

Escrito por Lenise Pinheiro às 09h27

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Viúva porém Honesta

Texto Nelson Rodrigues

Direção Eloisa Vitz

Assistente de Direção Daniela Rocha

Elenco Carlos Gimenez, Daniela Rocha, Diogo Pasquim,

Edson Alves, Elam Lima, Eloisa Vitz, Gabriel Ferry, Laura Vidodoto,

Marco Barreto, Marcos Machado, Marcos Batista

Teatro Gil Vicente - SP

Sábados 21h e Domingos 20h

Escrito por Lenise Pinheiro às 08h42

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Lenise PinheiroO blog Cacilda é coordenado por Nelson de Sá, articulista da Folha, e pela repórter-fotográfica Lenise Pinheiro.

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