Cacilda
 

Oficina, 50

Daqui a pouco começa a festa barroca de aniversário do Oficina.

Depois de meses, voltei a ligar no domingo para o Zé. Estava na porta da 20ª seção, 251ª zona, no colégio da Pedroso de Moraes em que voto até hoje. Estava para anular o voto, minha primeira vez, e um bocado confuso. Era uma da tarde e o telefone acordou o Zé. Ele é parâmetro para mim, em qualquer coisa.

No caso, sabia que ele gostava de Gilberto Kassab, de quem fala desde a posse que o único defeito é não sair do armário, como os prefeitos de Berlim, Paris e, na época, Londres. E sabia que gostava muito de Eduardo Suplicy e, um pouco menos, de Marta. Sobretudo, ele gosta de Lula, como antes de Leonel Brizola.

Mais importante, nestes tempos, o Oficina tem patrocínio de todo lado.

Conversamos, ele falou por um lado, por outro, por um terceiro. Absolutamente racional e, mais importante para mim, capaz de ir além da dicotomia que faz o nosso cotidiano _ou pelo menos o meu próprio vício jornalístico, sempre correndo para identificar dois pólos em qualquer situação, como conflito teatral.

Não votei como ele. Fui anular, mas não sabia como e teclei "branco".

Ele nem tentou me demover, apenas falou o que pensava. Sempre foi assim. Eu me aproximei do Oficina, então sem existência imobiliária, sem teatro, depois de uma primeira divergência. Publiquei que o grupo tentaria então montar "Bacantes", mais uma vez, e ele respondeu com um artigo sem fim _e fascinante.

Acabei me juntando à trupe e ajudei a montar "As Boas", no Centro Cultural, quase duas décadas atrás, com Zé, Marcelo Drummond e Raul Cortez de Madame. Depois ajudei a montar "Ham-let" e não cheguei a estrear, mas ganhei o papel que represento até hoje, na minha fantasia. Eu sou Horácio, o amigo de Hamlet.

Hamlet que, para mim, é o Marcelo, o Zé e o Oficina, num só. É também o Pascoal, a Alleyona, a Denise Assunção. É também Bete Coelho e toda a família de "Cacilda", talvez a última encenação que acompanhei de perto, como Horário. Depois o Oficina iniciou outra de suas tantas vidas, com a viagem maravilhosa de "Os Sertões".

Já não consigo mais acompanhar passo a passo os caminhos do grupo. Em meio à demanda de trabalho, nestas eleições com crise, estou vendo "Os Bandidos" em prestações. Sexta-feira, assisti ao primeiro ato, que me fez lembrar "Cacilda". Domingo, assisti ao terceiro, que me trouxe memórias do final de "Ham-let".

Marcelo está bonito, como antes, e sereno. Confronta a força de Aury Porto, seu irmão na peça de Schiller. Sylvia Prado é a própria Cacilda. Vera Barreto Leite parece tomada por alguma entidade. A banda é parte integral da cena, como Zé tanto queria. O terreiro eletrônico, outro sonho antigo do diretor, está de pé.

Achei eu mesmo em cena, em uma velha gravação com Marcelo a ensinar guerrilha urbana. Sou um dos "bandidos", não tem jeito.

Escrito por Nelson de Sá às 15h31

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Narcisianas

Texto e Direção Ariela Goldman

Elenco

Espaço dos Satyros 1 - SP

Hoje às 21h

Escrito por Lenise Pinheiro às 09h20

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Memória do Mundo

Texto inspirado na vida e na obra de

Jorge Luis Borges

Direção Élcio Nogueira Seixas

Ator João Paulo Lorezon

Espaço Haroldo de Campos 

Casa das Rosas - SP

Sábados às 21h e Domingos às 19h

Escrito por Lenise Pinheiro às 09h44

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1º Festival de Teatro Grotesco de São Paulo

Organizador Antonio Rocco

Na programação de hoje: Os Piratas do Caribe

Texto Otavio Frias Filho

Direção Marcos Loureiro

Elenco Luciana Caruso, Nora Toledo, Laerte Késsimos, Fabiano Augusto,

Ivan Capúa e Eloy Nunes

Teatro Next - SP

Sábados 21h30

Escrito por Lenise Pinheiro às 10h32

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Macbeth - Como Nasce um Deserto

Texto William Shakespeare

Direção Éderson José e Arieta Corrêa

Participação Especial Irmãs Poroca, Maroca e Indaiá

Atores Marcelo Diaz,

...Continua

Sesc Avenida Paulista - SP

Sestas, Sábados e Domingos às 19h30

Escrito por Lenise Pinheiro às 10h48

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Artistas!

Texto Waldemar Neves

Direção Felipe Sant'Angelo

Co Direção Pedro Granatto

Atores Marina Wisnik, Bruna Lessa e Luiz Gustavo Jahjah

Teatro Coletivo Fábrica - SP

Quartas e Quintas 21h30

Escrito por Lenise Pinheiro às 12h03

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Machado de Assis do Teatro

Volta e meia, penso o que João Roberto Faria escreveria sobre o teatro contemporâneo. O que revelaria de Zé Celso ou de Antônio Araújo em São Paulo. Ou então o que teria a descobrir de José de Anchieta e das festas barrocas, voltando alguns séculos em Salvador.

Quanto mais leio de teatro brasileiro e passa o tempo, mais fica claro que "Idéias Teatrais", livro anterior seu, é a melhor obra já escrita sobre o vasto mundo que é "o teatro nacional".

O "João Caetano" de Décio de Almeida Prado, de quem herdou a cadeira acadêmica, é o mais próximo que vem à cabeça. E este "Machado de Assis do Teatro", agora.

Não é difícil compreender o que levou Décio e João Roberto a se fixarem naquela segunda metade do século 19.  De seus livros, por mais que os dois autores sejam rigorosos e até cruéis com seus objetos, salta uma cena complexa _que em décadas passou da virtual inexistência para um "sistema", com artistas e espectadores integrados, pressões para avançar por este ou aquele caminho, com vitoriosos pontuais, depois derrotados.

Deve ter sido assim em outros períodos de ouro, como os anos 40 no Rio e 50 em São Paulo.

No caso, se "Idéias Teatrais" retratava um entrechoque até agressivo de vertentes, uma maravilhosa polifonia neste que é um "enjeitado" sempre em criação, "o teatro nacional", agora "Machado de Assis do Teatro" descobre como ele se manteve ao longo do tempo no coração do maior escritor brasileiro.

Não que este tivesse maiores ilusões. Desde logo, sabe bem que "o nosso teatro é um mito", não existe. Por mais de década, bate-se contra o teatro como "indústria", aquele das traduções, e como "mercadoria". Quer o teatro realista, que chama "moderno", e quer o autor brasileiro.

Foi uma paixão que, para enfim ceder lugar ao romancista de gênio, precisou antes passar pela decepção de confirmar que "o teatro não se criou", não aquele que ele tanto desejava. E o que restou em cena, a certa altura, foram "espetáculos de feira".

Ainda assim, distante, seus "textos críticos e escritos diversos", subtítulo do livro, voltam de ano em ano aos teatros, como se não pudessem se manter distantes muito tempo. E ele escreve sobre revistas e "mágicas", algumas até elogia.

Também e da mesma maneira, entre admirado e estrito, escreve das atrizes Sarah Bernhardt e Eleonora Duse, cuja beleza o livro expõe em fotos de então.

É assim também com seus pareceres de censor, tarefa que não deve ser olhada anacronicamente mas, entre outras coisas, pelo que revela de sua persistência em erguer o teatro.

A menos de um mês de sua morte, já doente, ele encontra força para, em carta, dizer como lamenta ter perdido uma apresentação teatral.

Revelou-se com o tempo um converso de Shakespeare, que conheceu italiano no palco, mas o amor pelo teatro, ao que tudo indica, nasceu com Alexandre Dumas. Ele escreve, na morte deste, sobre "o tempo da nossa adolescência, a minha e a de outros":

_ Naquela quadra cada peça nova de Dumas Filho vinha logo impressa no primeiro paquete, os rapazes corriam a lê-la, a traduzi-la, a levá-la ao teatro, onde os atores a estudavam e a representavam ante um público atento e entusiasta, que a ouvia dez, vinte, trinta vezes. E adverti que não eram, como agora, teatros de verão, com jardim, mesas, cerveja e mulheres. Eram teatros fechados, alguns tinham as célebres e incômodas travessas, que aumentavam na platéia o número de assentos. Noites de festas; os rapazes corriam a ver a "Dama das Camélias". Bons rapazes, onde vão eles?

Ele abre sua trajetória no teatro, de fato, empolgado. Adolescente, escreve no primeiro texto selecionado por João Roberto Faria para o livro, "Ao teatro! Ao teatro! Oh! que é sublime!". Lembrei da Lenise.

Escrito por Nelson de Sá às 23h38

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Ménage

Texto Joe Pintauro, David Ives, Guilherme Solari e Ivo Müller

Direção Marina Person

Atores Domingas Person e Ivo Müller

Sesc Avenida Paulista - SP

Terças e Quartas às 21h30

Escrito por Lenise Pinheiro às 09h16

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Hygiene

Concepção e Interpretação Grupo XIX de Teatro

Direção Luiz Fernando Marques

Vila Maria Zélia - SP

Domingo às 16h

Escrito por Lenise Pinheiro às 23h29

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Glass

Direção e Dramaturgia Haroldo Rego e Tavinho Teixeira

Atrizes Ângela Câmara, Luciana Fróes e Raquel Rocha

Sesc Pompéia - SP

Hoje, sexta e sábado às 21h30

Escrito por Lenise Pinheiro às 20h32

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Testemunha das ruínas

Antes de Marta Suplicy ceder ao preconceito, como se o preconceito de que foi vítima pudesse justificar mais preconceito, eu tinha esperança de algum pensamento sobre a cidade, a partir do teatro, este ano.

Foi o que me levou a atravessar São Paulo no sábado para assistir, no Fábrica da Pompéia de Lina Bo Bardi, ao espetáculo multimídia colombiano "Testemunha das Ruínas", sobre o cerco e destruição do bairro El Cartucho, uma década atrás, no centro de Bogotá.

O episódio é célebre, em parte, porque é uma sombra na aura de louvor que envolve a cidade, que viveu uma experiência nos moldes de Curitiba, com corredores de ônibus, modernização em geral, auto-estima elevada.

E também consciência social, com seguidos prefeitos progressistas.

Cartucho era como a Cracolândia em São Paulo, enraizada ainda mais, por décadas, com toda sorte de crimes e marginalização e etnias de todos cantos do país e de outros. De vez em quando, bombas do terror.

A encenação, me explicou depois o Ricardo Fernandes, produtor, pode ser enquadrada no teatro pós-dramático de Hans-Thies Lehmann, na vertente documental, ele que publicou seu livro há pouco no Brasil.

Com quatro telões móveis e projetores, a performance cerca uma ex-moradora do Cartucho que, em entrevista em áudio, com tradução, conta o que se passou e presenciou, em conjunção com imagens chocantes.

Ao mesmo tempo, ela se mantém em cena, ao vivo, entre a platéia e os telões, a testemunha. Cozinhando como fazia então, em braseiros de rua, preparando um alimento popular que ao final é servido aos espectadores.

Os integrantes do Mapa Teatro, a companhia colombiana que vem de encenar o "4.48" de Sarah Kane, interagem com as imagens, interferem, movimentam os telões. Não há dramaturgia, propriamente; narrações e descrição têm caráter documental, até jornalístico.

A apresentação toda impressiona, aquele amontoar de realidades no palco, mas o que marca de fato é a trajetória final do Cartucho, mostrada de maneira não linear, mas com alguma atenção à cronologia até o final.

Como na Cracolândia original, o fim da história mostra a desolação do modernoso parque Terceiro Milênio em pleno coração de Bogotá, que nem árvores tem, mas gramados e calçamento. No amplo espaço antes degradado de casas e vielas, não se vê ninguém.

Aqui, também no centro de São Paulo, a Cracolândia perdeu sua existência física, sob pressão policial, apenas para se encontrar em outras partes do mesmo centro de São Paulo, as quais eu atravesso no meio da noite, assustado, saindo do trabalho.

No caso de El Cartucho, ninguém mais põe os pés no espaço urbano. E os seres que lá viviam se mudaram para o Bronx, também no centro de Bogotá, mas comandado por gangue e inacessível como um morro do Rio.

A peça colombiana não faz um julgamento, apenas expõe. E eu fiquei pensando então, já durante a apresentação, qual seria a saída.

Lembrei do projeto de Cibele Forjaz para ocupar a Cracolância, recusado pela comissão do fomento. Da resistência de Zé à Broadway paulistana no Bixiga, da qual restam ruínas no entorno do teatro. De Antônio Araújo por igreja, hospital, presídio, o rio Tietê.

E dos Satyros que se apaixonaram pela praça decadente, onde sonharam as primeiras Satyrianas, que floresceram na Virada Cultural, embora os políticos não admitam a inspiração e citem alguma cidade européia.

Era o que eu tinha esperança para este ano, até uns dias atrás.

Escrito por Nelson de Sá às 23h26

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Les Squames

Criação e Direção Barthélémy Bompard

Grupo Kumulus - França

 

 

Vale do Anhangabaú - São Paulo

Hoje e quinta dia 16 de outubro às 15h

Escrito por Lenise Pinheiro às 09h27

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Viúva porém Honesta

Texto Nelson Rodrigues

Direção Eloisa Vitz

Assistente de Direção Daniela Rocha

Elenco Carlos Gimenez, Daniela Rocha, Diogo Pasquim,

Edson Alves, Elam Lima, Eloisa Vitz, Gabriel Ferry, Laura Vidodoto,

Marco Barreto, Marcos Machado, Marcos Batista

Teatro Gil Vicente - SP

Sábados 21h e Domingos 20h

Escrito por Lenise Pinheiro às 08h42

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Teatro Castelo Rá-Tim-Bum

Texto Flávio de Souza

Diretora Artística Mira Haar

Maestro Miguel Briamonte

Ator Cássio Scapin

Teatro Abril - SP

Estréia Hoje

Escrito por Lenise Pinheiro às 11h37

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Liv Ullmann em São Paulo

Hoje na Cinemateca

A atriz, que já interpretou Ofélia, Julieta, Joana D'Arc e a Nora de

A Casa de Bonecas de Henrik Ibsen no teatro,

dirige Cate Blanchett no papel de Blanche Dubois em

Um Bonde Chamado Desejo, de Tennessee Williams.

O plano inicial das duas atrizes era o cinema, mas

a vontade de fazer teatro chegou primeiro.

A atriz convidou duas vezes, em público, a atriz Karin Rodrigues

para montarem juntas Sonata de Outono, aqui no Brasil.

Oba!

Escrito por Lenise Pinheiro às 17h20

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Mostra Sesc de Artes 2008

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É só ligar.

A Mostra vem até vc!

Escrito por Lenise Pinheiro às 16h50

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Por outro lado

De Paula Nogueira, do Rio:

_ "... a última esperança de política cultural neste governo Lula"?! Você está completamente ignorante sobre a gestão de Celso Frateschi! Política cultural se constrói baseada em diálogo com classe artística e servidores! Sou servidora da Funarte há 29 anos e nunca vivi uma atmosfera de tamanha intimidação, centralização, burocratização e de paralisia institucional! A falta de diálogo com servidores e artistas, desde o início da gestão Celso Frateschi/Pedro Braz, e o desconhecimento do funcionamento da Casa e dos projetos em andamento provocaram a desarticulação e descaracterização total de vários projetos de sucesso (um deles o caso emblemático do Projeto Pixinguinha). Os "barnabés", que trabalham por amor à Cultura com um salário de merda, decidiram em assembléia se manifestar contra os abusos sofridos e apresentar ao ministro seu descontentamento com a pior gestão da Funarte em seus 32 anos!!!

Escrito por Nelson de Sá às 00h51

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Celso Frateschi

Tanto fizeram a Globo, que fomentou nova denúncia, os próprios funcionários e outros tantos que Celso Frateschi não aguentou mais e deixou a Funarte. E termina assim, num golpe de teatro, a última esperança de política cultural neste governo Lula.

Nem fomento nem nada. Não vai além de um amontoado de interesses para lá e para cá. Nas palavras do ator:

_ No momento em que se caracterizou uma série de eventos _ e você sabe que, em política, não existe coincidência _ você percebe que estão armando _ e eu, sinceramente, não estou aqui para disputar cargos, não é a minha praia.

Que os barnabés se locupletem. Celso Frateschi volta à cena.

PS - Sergio de Carvalho, sobre o episódio:

_ Celso Frateschi pagou o preço de se confrontar com a inércia privatista que movia a Funarte. De um lado, se indispôs com o baixo clero do teatro comercial do Rio, que fazia da entidade o seu quintal. De outro lado, não teve o apoio do movimento de teatro de grupo, por despolitização deste.

Faltou só incluir Juca Ferreira, o ministro.

Escrito por Nelson de Sá às 03h13

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Phaedra's Love

Entrei na fila de "Phaedra's Love", no Centro Cultural, com alguma angústia. As outras eram longas filas. A nossa, dos devotos de Sarah, era menor e me parecia carregada de seres mais ou menos singulares, para não dizer esquisitos.

À distância, esperando para entrar em outra sala, vislumbrei Valmir Santos e corri até ele. Não havia mesmo chance de "Phaedra's Love" lotar. Rimos como sempre, eu e Valmir. Perguntei e ele contou que escreveu uma crítica para a "Bravo", está para sair.

Deve ser novidade para muita gente, para mim também, Valmir como crítico, ele que está para terminar o mestrado. Escrevia para um pequeno jornal do interior quando nos conhecemos, quase duas décadas atrás, mas lembro pouco dos textos. Ele prometeu postar algum dia aquelas críticas, de São Paulo, festival de Curitiba.

Voltei à minha fila e à minha má consciência. Passaram-se cinco anos da nossa montagem de "4.48" e já não sinto Sarah Kane tão próxima. E não gosto nada da morbidez que cercou sua obra.

Mas lá estava eu para ver uma montagem de sua versão para Hipólito que, dizia o jornal, é parte de alguma programação lembrando os dez anos do suicídio. Eu mesmo me sentia um bocado mórbido, como se estivesse ali para algum tipo de missa.

Mas começou a apresentação da corajosa encenação de Ricardo Gali e a memória de como ela escrevia bem para o palco foi apagando a impressão ruim. Palavra nenhuma é gratuita e está ali para preencher tempo. Os conflitos não têm parada, acumulam-se sem tomar fôlego. As imagens de choque, que a companhia abraça sem constrangimento, tornam o mal-estar quase incontrolável.

E sempre, sempre a demonstração do amor através da carne, o desespero da materialização do amor, como em Artaud, sem nada mais aceitar ou respeitar. Radical, violentamente romântica. No final, o público sem fôlego, atônito, demorou a aplaudir.

Sarah Kane nada perdeu de seu impacto, talvez jamais venha a perder. Mas a vinculação da obra com sua biografia, nas cinco peças e também no único roteiro, é incontornável. Fico pensando se ela não antecipou a dramaturgia "testemunhal", de "reportagem", que predominou nesta última década. Afinal, com mais ou menos metáforas de grande apuro formal, as cinco peças são testemunhais.

Ainda há pouco, no festival de Edimburgo, ecoou uma montagem polonesa de "4.48" em que a personagem destacada não era outra senão ela própria, até fisicamente, pelos relatos.

Mas em sua Londres, qualquer que seja a razão, as peças são pouco encenadas. Gosto de desculpar lembrando que Shakespeare também andou fora de moda e esquecido após a morte. E sei que sua dramaturgia, mais do que "in-yer-face" como dizem até hoje, é antes jacobina ou elizabetana, das primeiras tragédias shakespearianas.

Os ingleses ainda vão reencontrar sua grande autora de fim de século, para além da maldição do suicídio. Espero estar lá para ver, até porque minha maior expectativa é quanto ao dia em que alguma atriz ou companhia vai usar Sarah Kane para refletir outro tempo, seu tempo, como em Shakespeare.

Escrito por Nelson de Sá às 23h41

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A Maçonaria do Silêncio

Texto e Direção Eduardo Ruiz

Atrizes Almara Mendes, Gisele Valeri, Mirella Tronkos e

Roberta Alonso

Viga Espaço Cênico - SP

Terças e Quartas às 21h

Escrito por Lenise Pinheiro às 10h12

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Homem Cavalo & Sociedade Anônima

Texto Criação Coletiva

Direção Andressa Ferrarezi

Assistente de Direção Luciano Carvalho

Elenco Daniela Giampietro, Maria Carolina Dressler, Nei Gomes,

Osvaldo Hortencio, Osvaldo Pinheiro e Sandra Santana

Companhia Estável de Teatro

Arsenal da Esperança - SP

Sábados e Domingos às 19h

Escrito por Lenise Pinheiro às 08h34

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Senhora dos Afogados

Texto Nelson Rodrigues

Direção José Henrique de Paula

Direção Musical Fernanda Maia

Elenco D. Eduarda - Einat Falbel, Misael - João Bourbonnais,

Avó/Dona do Bordel - Lourdes Giglioti, Moema - Marcella Piccin,

Noivo - Marcelo Góes, Paulo - Thiago Carreira, Sabiá - Alexandre Meirelles,

Vendedor de Pentes - Elber Marques, Vizinhos - Diana Troper,

Fábio Redkowicz, Paulo Bueno e Thiago Ledler

Mulheres do Cais Bárbara Bonnie, Bibi Piragibe, Carol Fioratti,

Claudia Miranda, Ci Teixeira, Karin Ogazon, Kelly Klein, Maíra Gomes e

Patrícia Vieira

Teatro do Centro da Terra - SP

Hoje - Sábado às 21h e Domingo às 19h

Escrito por Lenise Pinheiro às 09h50

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Depois do começo do mundo

Texto e Direção Hamilton Vaz Pereira

Atores Hamilton Vaz Pereira, Lena Brito,

Maria Ribeiro e Gilberto Gawronski

Sesc Ipiranga - SP

Dias 02 e 03 de outubro às 21h

Escrito por Lenise Pinheiro às 20h58

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Alice

Queria continuar escrevendo, como num balanço, sobre o que resultou da dramaturgia de grupo desenvolvida na última década e meia, em São Paulo. E retornei depois de muito tempo ao Célia Helena, na Liberdade, para ver "As Três Graças", escrita por Luis Alberto de Abreu.

O domínio da carpintaria; a inteligência no diálogo, na montagem profundamente popular, sem afetação, de Ednaldo Freire; o público tamanho que passei parte da apresentação em pé. Mas é como se eu nada tivesse a acrescentar, àquele trabalho já tão forte e estabelecido.

E uma aluna de Abreu e também de Antonio Araújo em Santo André me prendeu no meio do caminho, em casa. Assinei há pouco a HBO e numa noite qualquer da semana passada, sem saber do que se tratava, alheio que ando à propaganda cultural, dei com Andréia Horta em "Alice".

Não me lembro dela em "BR3" ou em qualquer outra peça que tenha visto em São Paulo, nos últimos anos. (Da mesma maneira, imagino, como só fui encontrar Hermila Guedes no palco depois de vê-la, tão linda, pelos olhos do mesmo Karim Aïnouz em "O Céu de Suely".)

Foi como estar diante de uma pequena jóia. Fui descobrir depois que já questionaram a série por um certo alheamento da protagonista e até por idealizar a cidade de São Paulo. Da minha parte, só consegui criticar que um passeio pela Juscelino prosseguiu pela Paulista ou vice-versa.

De tudo a que já assisti em televisão, de ficção nacional, "Alice" é a melhor coisa. É incomparável a qualquer novela, minissérie, especial, enfim, às fraudes corriqueiras da televisão brasileira. Também parece estar em outra liga em relação às séries nacionais recentes da TV paga.

Daí o entusiasmo. Foi como vislumbrar o que poderia ser a televisão no Brasil, sem os vícios de décadas _e com uma busca de verdade comparável àquela realizada pelo teatro paulistano nesta última década e meia. Não à toa, as pontes com o palco não se limitam à atriz e vão de Fernando Bonassi no roteiro a Dionísio Neto em cena de bacanal.

Não me sinto capacitado para escrever sobre séries, sua dramaturgia e história. Mas arrisco que a HBO pode estar desenvolvendo ou descobrindo em "Alice" uma ficção nacional, adaptada do modelo dramático americano, que poderia se sobrepor enfim ao folhetim.

É evidente que não vai, até porque a razão de ser da novela é seu baixo custo industrial, desde o rádio _e o custo da série é imenso. Mas pode indicar um caminho alternativo às fábricas de horrores de Globo e Record no Rio, que talvez expliquem, aliás, a esqualidez do próprio teatro no Rio.

Na trajetória de Alice naquele primeiro episódio, de tamanha entrega física e desapego, vislumbrei o próprio teatro recente de São Paulo, das obsessões urbanas do Oficina, do Vertigem, dos Satyros. Aquela mesma carne que resiste no meio de cimento, asfalto, da falta de cor.

Que até gosta, parece, de estar ali, de escorrer sangue e vida naquele amontoado de pedra e nada, evocando Artaud. Alice, a personagem, lembra muito Suely, é tão apaixonante como ela e igualmente corajosa, em figura tão frágil. No teatro, seria uma máscara de tragédia.

Escrito por Nelson de Sá às 23h25

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Lenise Pinheiro Blog de teatro com textos e fotografias de peças em cartaz ou por estrear. Montagens antigas, ensaios, indicações e vivências e experimentos. Eventuais visitas a salas de teatro, e suas respectivas companhias. Coberturas de Festivais de Teatro, apontamentos com novidades e curiosidades em torno do tema.

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