Cacilda
 

Hamlet

Com Marco Ricca foi assim também, se bem me lembro. Ator tornado produtor faz o que todo ator quer: Hamlet. Já houve tempo em que acreditava que era o certo. Do contrário, sem o desejo do ator, não seria possível ver "Hamlet" por aqui.

Ainda creio que sem o querer do protagonista não acontece a peça, aliás, qualquer peça. Mas é triste assistir à montagem de um texto que se conhece quase de cor, esperando, ouvindo, deixando-se envolver o mais possível. E chegar ao fim sem saber por que aquele texto foi encenado, hoje, 2008, no Brasil.

Pior, deixar o teatro com a sensação ruim, como acontecia com o Hamlet de Ricca, de que o ator merece todas as glórias, por seu esforço, pelo que alcança em tantas cenas, por carregar tamanha máquina, mas que a peça foi montada por esta simples razão: para o ator satisfazer o desejo.

Para afastar o pensamento, tentei comprender algumas das escolhas da tradução e da direção, ambas a cargo do sempre competente Aderbal Freire Filho. Duas em especial: o desdobramento da personagem do rei Hamlet, entre os atores todos, e a transformação de "the play's the thing" por "o teatro", no verso célebre.

Quando Hamlet compara o pai morto com o tio, no quarto de Gertrudes, a imagem que aparece para o contraste, na montagem, é de um grupo de atores. É o teatro que vence na montagem. A coisa é o teatro, exposto em coxias. Seria então o teatro o porquê da encenação.

Mas retorna o pensamento ruim, de que é o teatro que vence, ok, mas na opção do ator tornado celebridade; e já não consigo mais afastar a imagem.

Fica porém a impressão forte deixada por muitas cenas, com o Hamlet de Wagner Moura num crescendo de agressividade e violência que combina com a troca pontual do figurino, de claro para negro. É um Hamlet capaz de monstruosidades com Ofélia, Polônio, com Gertrudes. Antes um homicida, não suicida.

Falta o diálogo. De cabo a rabo, é um Hamlet que fala consigo mesmo, que ouve pouco _e a quem ouvem menos ainda.

A pouca expressão das personagens femininas, tão essenciais à tragédia, mais a opção por máscaras farsescas para Polônio e até Cláudio, sem falar do desencontro que é Príamo: Hamlet anda sozinho pelos corredores de Elsinore, encontrando conforto aqui e ali, com Horácio, talvez Rosencrantz.

PS - A certa altura, imaginei que este "Hamlet" buscaria retratar justiça e corrupção do tempo, em sua ponte para o aqui-e-agora. Não faltava nem uma ministra do Supremo na platéia. Mas ela deixou o teatro Faap no intervalo, enquanto a peça seguia por outro caminho.

Escrito por Nelson de Sá às 23h27

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Foi Carmen 2

Direção Antunes Filho

Elenco Lee Thalor (esq), Patrícia Carvalho, Paula Arruda (dir)

e Emile Sugai

Teatro Sesc Anchieta - SP

Última apresentação

Hoje às 21h

Escrito por Lenise Pinheiro às 09h32

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Dois Perdidos numa Noite Suja

Mostra Plínio Marcos

Equipe Casa Laboratório

Atores :Leonardo Ventura e Marcelo Valente
Direção: Joana Levi e Laila Garin
Desenho de luz: Fabio Retti
Teatro da Universidade de São Paulo - TUSP

Até dia 17 de agosto

Sextas e sábados às 19h 

Domingos às 18h

Escrito por Lenise Pinheiro às 10h24

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Lenise PinheiroO blog Cacilda é coordenado por Nelson de Sá, articulista da Folha, e pela repórter-fotográfica Lenise Pinheiro.

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