Cacilda
 

A Serpente

Texto Nelson Rodrigues

Direção Yara de Novaes

Elenco Cynthia Falabella, Débora Falabella,

Alexandre Cioletti, Cida Morenyx e Mario Hermeto

Tuca - SP

Sex e Sáb 21h   Dom 19h

Escrito por Lenise Pinheiro às 11h34

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Sem comentários

Fica aí a inspiração

Escrito por Lenise Pinheiro às 17h47

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Desconhecidos

Costumo enquadrar Dionísio Neto com Mark Ravenhill, de "Shopping and Fucking", ou Martin McDonagh, de "The Beauty Queen of Leenane", naqueles meados dos anos 90 de redescoberta da dramaturgia por EUA e Europa e também por aqui. "Opus Profundum" e "Perpétua" eram peças que contavam histórias, como aquelas duas inglesas e outras.

Mais até, que paravam tudo, cortavam a linha da narrativa, para anunciar uma história, que então contavam. Era, paradoxalmente, um tapa na cara da não-linearidade, uma das normas então do modernismo ou pós-modernismo tornado canônico. Eram assim também os diálogos de Quentin Tarantino, nos seus primeiros roteiros para cinema, e os primeiros contos de Irvine Welsh.

Agora, passado tanto tempo, Dionísio ou seu personagem em "Desconhecidos", em cartaz no Sesc Consolação, até ameaça contar uma "história", pergunta se a personagem de Simona Queiroz não quer ouvir. Mas ela não demonstra o menor interesse, ele mesmo pouco se importa e a peça segue sem história-dentro-da-história, ao menos como narração.

Esse aparente abandono de um certo vício metalinguístico não é obviamente a única diferença, na dramaturgia de Dionísio. Como ele já havia evidenciado em "Os Dois Lados da Rua Augusta", intervenção urbana que realizou também com Ivan Feijó no ano passado, a ironia cortante e tantas vezes arrogante de antes deu lugar ao humor mais desabrido, popular.

E muitas vezes voltado contra si mesmo. Em "Desconhecidos", como indica o humor retratado por Lenise Pinheiro aqui mesmo no blog, ele chega a contar piadas, em diálogo com o público, como um stand-up que expõe a cena teatral do eixo Rio-São Paulo, mas, em especial, que expõe a si mesmo, até fisicamente, seus erros, fracassos, meias certezas.

Disse que não havia história-dentro-da-história, mas "Desconhecidos" é integralmente, na verdade, uma peça-dentro-da-peça-dentro-da-peça. É introduzida aparentemente pelo próprio autor, que depois ressurge como um ator de televisão casado com uma atriz de teatro, passando-se por fim à cena teatral de um assassino e sua vítima.

Com direito, ainda, ao delírio do assassino e a introdução de um último e mais arquetípico personagem.

No amontoado cênico resultante, um porto seguro, de empatia crescente ao longo da apresentação, é Simona Queiroz. Nas encenações de Ivan Feijó e nas personagens criadas por Dionísio, no que acompanhei até hoje, as atrizes ou suas personagens surgem sempre tocantes, belas, avassaladoras, mas também frágeis e quebradiças. Como em Chico Buarque, por vezes.

Escrito por Nelson de Sá às 08h20

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Assombrações

A experiência se repete em toda cidade, pelo mundo. Os teatros vão surgindo onde ela está mais exposta e feia e decadente. Em São Paulo, por onde passa o Minhocão, um dos monstros urbanos nascidos do pesadelo militar, o teatro vai atrás, tentando dar vida ao entorno. Foi assim com Satyros, Folias, Next e muitos mais.

Desde a virada do ano, também com Os Fofos Encenam. Finalmente consegui ver "Assombrações do Recife Velho", de três anos atrás, que tentei assistir então, em outra intervenção urbana do grupo, mas parecia estar sempre cheio. Agora, no novo espaço da companhia, é ainda mais carregado de memória pessoal.

O teatro fico do lado oposto ao Oficina, com o Minhocão no meio, e perto do Imprensa, Abril. Mas sobretudo, para mim, fica onde eu e outros estudantes fazíamos vigília no Comitê Brasileiro pela Anistia, antes de retornarem ex-guerrilheiros e tantos mais. (José Serra, conta a lenda, chorou ao encontrar o Minhocão que rasgou São Paulo.)

É curioso ver uma peça de espírito tão pernambucano, mais até, recifense em locação tão paulistana, ao menos para mim. Já atravessei madrugada pelas ruas do Recife então em recuperação arquitetônica, até o amanhecer, ao lado de Ney Piacentini, e "Assombrações" me trouxe um pouco daquelas andanças soltas.

O sotaque, o São João no calor da noite, até o Boca-de-Ouro que, imagino, inspirou Nelson Rodrigues. O dramaturgo do subúrbio carioca, mas de raiz recifense, registrou sobre o conterrâneo Gilberto Freyre, autor das "Assombrações do Recife Velho", que "ninguém escreve tão bem, aqui ou em qualquer outro idioma".

O eco do grande escritor está na invariavelmente bela adaptação de Newton Moreno para as lendas urbanas recontadas, do lobisomem ao bode vermelho. Mas é a partir dos poucos registros sobre o revolucionário pernambucano frei Caneca, feitos no livro de 1951, que o diretor ergue a cena mais envolvente.

O frei do ator pernambucano Paulo de Pontes e as assombrações que ele evoca, dos anos 70 no Recife, são também aquelas que acompanham até hoje o Brasil _e São Paulo em especial, dos mortos e desaparecidos da ditadura militar, na ferida nacional que não dá indicação de que vai se fechar tão cedo.

Escrito por Nelson de Sá às 12h21

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Acqua Toffana

Acqua Toffana Direção Pedro Brício Atriz Dani Barros

Sesc Avenida Paulista - 12º andar - SP

Sex a Dom 21h

Escrito por Lenise Pinheiro às 12h01

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Lenise PinheiroO blog Cacilda é coordenado por Nelson de Sá, articulista da Folha, e pela repórter-fotográfica Lenise Pinheiro.

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