Cacilda
 

Kusnet, Ariclenes, Jô

Tenho a sensação de que tudo o que aprecio em teatro passa pela referência de Zé Celso, depois de tanto tempo de trabalho e convivência. É assim com Jô Soares, que ensaiou no Oficina a tragédia “’Tis Pity She’s a Whore”, clássico do autor pós-shakespeariano John Ford, de 1630, e deixou no diretor a imagem de um grande ator.

 

Seria a primeira montagem depois da histórica “Pequenos Burgueses”, mas nem com o título de “Pena que Ela Seja uma P...” a peça venceu a censura, naqueles primeiros meses da ditadura. Zé lamenta até hoje, mas a memória da qualidade do ator sobreviveu.

 

Desde que ouvi histórias daquela montagem, não tenho como resistir a Jô Soares, por mais que me esforce. Dias atrás, jantava com Bete Coelho e Renato Godá quando ele ligou e apareceu. Já tínhamos nos encontrado antes, sabia de sua fixação _também minha_ por stand-up. E o que sobreveio foi, entremeado por diálogos, um espetáculo.

 

Sou fã de Grace Gianoukas, Danilo Gentili e toda a cena da comédia paulistana, mas Jô é caso à parte. Madrugada, no salão vazio do restaurante japonês, sem constrangimentos de linguagem, contando histórias supostamente verdadeiras _e escatológicas_ de Ary Barroso e do teatro que conheceu nos anos 50, ele confirmou Zé inteiramente.

 

Pensei e cobrei dele então que volte à cena, não em recital de Fernando Pessoa, por melhor que seja, e não na direção, mas no palco, propriamente. Como comediante stand-up, que seja.

 

Sobre Zé, ele entra em cena daqui a pouco, 15h no Oficina, para a aula magna “A Arte do Teat(r)o”. Ele deve contar, imagino, o que ensinou e aprendeu com Jô e tantos mais, do russo stanislaviskiano Eugênio Kusnet ao jovem Ariclenes, do Projeto Bixigão. É para “todos os mortais”, para “os que amam a Arte de Viver”. Depois eu relato.

Escrito por Nelson de Sá às 10h53

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My sweet prince

Conversando com Inácio Araújo ontem à noite, já depois do fechamento na redação, entrou “Tropa de Elite” no meio e de repente só falávamos do filme. Ele recebeu a edição dos “Cahiers”, que não precisou de muitas palavras para varrer com o filme, eu concordei e fui além, Inácio pensou que não é bem assim etc.

 

É sempre assim com o filme, parece. Foi um prazer assistir, naquele vídeo entrecortado, mas é um sem-fim, uma tortura de pensar. E é assim também Wagner Moura, o Capitão Nascimento na tela e o Hamlet já em ensaios, na representação mais antecipada em anos.

 

Sabe-se agora, pelo Daniel Castro, que Fernando Meirelles está até gravando os ensaios para uma série ou coisa que o valha na Globo, no lançamento de um formato de programa cuja franquia ele, o diretor, foi comprar no Canadá. Foi notícia até , pelo que acompanho.

 

Ontem também, com reapresentação domingo às 15h30 no Canal Brasil, Wagner Moura e seu Hamlet foram foco de um programa de cabo de nome “Todos os Homens do Mundo”, com uma interminável entrevista sem rumo, que só consigo descrever agora como superficial, em que até o narrador parecia entediado.

 

Mas gostei muito de uma resposta. Naquela promiscuidade de entrevista de celebridades, falaram de uma preparadora de atores dos filmes, ele elogiou, agradeceu, perguntaram então se usaria em “Hamlet” e ele disse não, o teatro é diferente. Outra: ele ouve Radiohead o dia inteiro. Como Sarah Kane.

 

Wagner Moura é obviamente um grande ator de cinema, consigo dizer agora, mas nem Daniel Day-Lewis e seu célebre episódio de “stage fright” com o personagem, diante do Fantasma, receberam tanto holofote. Imagino que seja, guardadas as diferenças de tempo e lugar, uma reencarnação de John Barrymore como mito de mídia.

 

 

Pouco antes de encontrar Inácio, conversei com Silvana Arantes, a primeira jornalista, até onde sei, a escrever e publicar que o Capitão Nascimento era sua grande interpretação na tela, antes dos DVDs piratas, da febre nacional, da reação. Ela que foi do começo ao fim com “Tropa de Elite”, até o festival de Berlim.

 

Descobri que também ela viu “A Máquina”, dada por ele, no tal programa de cabo, como o marco zero de sua história de ator, ele que quase parou jornalista. Foi a encenação de João Falcão que deu às câmeras Wagner Moura, Lázaro Ramos, Wladimir Brichta. E já então, quase dez anos atrás, o primeiro marcou Silvana.

 

Da minha parte, não distingui nenhum dos três na montagem, achava os quatro atores um amontoado de exercícios físicos, coisa da encenação. Gostei e muito da presença de Karina Falcão, a sobrinha de João, tão inadequada, tão demasiado humana, como Sofia Coppola no terceiro “Chefão”, tudo maravilhosamente equivocado.

 

Silvana até concorda sobre Karina, mas é sobre Wagner _e Lázaro_ que ela discorre, tanto naquela peça como nos filmes que viria a fazer ao longo da década. Comento: na trilha até se tornar o homem de figurino preto que, nos intervalos, vende lojas Marisa e cerveja Antarctica. Pois agora é ele, como diz Horácio, o “meu doce príncipe”.

 

A partir de 20 de junho no teatro Faap.

Escrito por Nelson de Sá às 22h24

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Trabalho em equipe

José de Anchieta

Cenógrafo e Figurinista de

A Megera Domada

Direção Cacá Rosset

os protagonistas

Cristiane Tricerri e Hélio Barbosa

Descontração nos camarins do Teatro Sergio Cardoso

Maureen Miranda na prova de maquiagem

Criação de Westerley Dornellas

Carola Costa no mundo mágico de Shakespeare

Escrito por Lenise Pinheiro às 10h53

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O conflito continua

O Globo Online postou uma reportagem bastante equilibrada sobre as divergências entre os defensores da Lei Programa de Fomento ao Teatro Brasileiro e os defensores da Lei Geral do Teatro, uma versão da Lei Rouanet. Antes, aqui.

 

Mais importante, o site deu a íntegra dos dois projetos de lei, ambos já em tramitação no Congresso. Vale a pena ler e discutir, para compreender melhor o que está em jogo, de um lado e de outro.

 

E o debate prossegue. Domingo, a Folha deu editorial sobre os dois projetos, intitulado “Aperfeiçoar a Lei Rouanet”, e defendeu, em suma:

_ Não é o caso de ampliar a fatia de verbas públicas destinada às artes. O setor já recebe anualmente cerca de R$ 1 bilhão em renúncia fiscal. É o mesmo que o Orçamento de 2007 reservou para a habitação. O modelo de financiamento baseado na Lei Rouanet tem alguns defeitos e uma grande virtude, que é a de conter o aparelhamento político da cultura, inevitável no modelo estatal defendido pelo Ministério da Cultura [Fomento]. É o caso, assim, de tentar aperfeiçoar a legislação para desbastá-la dos defeitos. Uma proposta para evitar que os empresários apenas escolham quais artistas vão receber recursos públicos é baixar um pouco o limite de 100% de abatimento. Isso forçaria a empresa a colocar também algum dinheiro do próprio bolso.

Hoje, o diretor dos Satyros, Rodolfo García Vázquez, respondeu ou, melhor dizendo, desabafou no “Painel do Leitor”:

_ Fiquei chocado com o editorial. Pensei que a Folha soubesse dimensionar a aberração da referida lei [Rouanet]. É óbvio que existem espetáculos que são viáveis e não precisariam dessas leis. Mas então por que justamente eles são os maiores beneficiados pela isenção fiscal? O risco de manipulação ideológica caso a Lei Rouanet fosse extinta ignora que a própria lei já manipula verbas por meio dos departamentos de marketing das empresas. São pessoas de marketing os verdadeiros vetores ideológicos da cultura brasileira da última década! Alegar que a Lei Rouanet é adequada como parte de uma política cultural é desmerecer a cultura, atitude típica da nossa sociedade, que encara a arte como algo secundário e fútil.

PS - Sobre o manifesto no Dia do Teatro, leia mais na Bacante e no site da Cooperativa. Sobre o debate entre as duas partes no Senado, leia mais no blog de Regina Duarte, com a Agência Senado.

Escrito por Nelson de Sá às 13h08

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Terça-feira é dia de visita

Na Tamanduá. Empresa de Iluminação do

Beto Bruel

Tudo muito organizado

Para ser iluminador é preciso muita garra

Primeira mesa de luz do Teatro Cultura Artística

parte do acervo que inclui publicações, determinação e

alto astral 

Um coração valoroso e muitas portas abertas

Escrito por Lenise Pinheiro às 12h16

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No Céu da Avenida Paulista

Hoje dia 6 de abril aniversário de nascimento

da atriz Cacilda Becker

Festa na Paulista antigo endereço da atriz

Atual ocupação do Falso Espetáculo com a Companhia Vazia

Elisa Ohtake, Emerson Menesez e Ricardo Oliveira

No Sesc Paulista - Topo

Viva!! Também comemoro o aniversário de um amigo!

Escrito por Lenise Pinheiro às 10h51

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Lenise PinheiroO blog Cacilda é coordenado por Nelson de Sá, articulista da Folha, e pela repórter-fotográfica Lenise Pinheiro.

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