Cacilda
 

Cachorro

Texto Jô Bilac

Direção Vinicius Arneiro

Atores

Felipe Abib,

Paulo Verlings

e Carolina Pismel

Cenário Daniele Geammal

Iluminação Paulo César Medeiros

Figurinos Júlia Marini

Até 6 de abril (Aniversário de Cacilda)

No Sesc Avenida Paulista

Escrito por Lenise Pinheiro às 12h23

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De pé

Os meus três mosqueteiros, os melhores amigos que fiz ao chegar à cidade grande, são todos do ABC. Um virou editor, o outro está em Harvard, o terceiro ficou rico, mas eu ainda reconheço eles todos ao ver em cena o genial “stand up” que é Danilo Gentili, de volta com o Clube da Comédia Stand Up no Bleecker, Vila Madalena.

 

Do grupo, Rafinha Bastos emplacou no Crowne Plaza, nos Jardins, com um solo mais ou menos conservador. E Marcelo Mansfield estréia no próximo domingo, no teatro TIM, seu solo mais ou menos progressista.

 

Estavam ambos no palco quando fui assistir ou, na verdade, conhecer o Bleecker, duas semanas atrás. Estavam também Oscar Filho e duas importações muito bem-vindas de outros Estados. Mas desde a primeira vez em que vi parte do Clube, numa apresentação especial no Espaço Parlapatões, é Danilo Gentili quem prende mais.

 

Ele também muda mais o número, ao que parece. Vai amontoando imagens e tiradas sem ligação clara, quase aleatoriamente. É um jovem do ABC, como um Geraldão de Glauco, daqueles que não saíram ainda de casa, que têm nos pais uma presença sufocante, mas da qual não escapam, como não escapam do ABC.

 

Naquele dia de estréia do Clube em 2008, o quadro de Danilo foi a obsessão de sempre: o trânsito desde Santo André, a mãe, a praia poluída que só podia mesmo ser Praia Grande, o constrangimento adolescente no homem já plenamente adulto, de matar de rir. E também a escatologia, bem juvenil, mas quanto mais ofensiva melhor.

 

 

Quando projetei encenar o “Minimanual do Guerrilheiro Urbano”, que considero um “stand up”, aliás, na linha dos “sermões” de padre Vieira, também “stand up” e com humor que não é de todo involuntário, imaginei muita gente, mas no gênero quem veio à cabeça foi Danilo.

 

Só alguém como ele, ridículo ao extremo da tragédia, poderia dizer aquelas barbaridades todas. Poderia declarar-se terrorista sem parecer um atentado à natureza. E expor como é patético se deixar auto-enganar. Comediantes assim, penso sempre, são tão suicidas quanto os mais iludidos terroristas.

 

Mas exagero. “Stand up” é também o mais acessível e assimilável dos gêneros. Mansfield já está na Globo. Rafinha e o próprio Danilo estão escalados para “Custe o que Custar” na Band, versão brasileira do argentino “Caiga Quien Caiga”, informa a coluna de Daniel Castro.

 

E a televisão por aqui, ao contrário do que acontece em Hollywood (televisão e cinema) com “stand up”, tende a tudo neutralizar. São poucos os que sobrevivem radicais ou pelo menos críticos, ao passar por Globo etc. Talvez nenhum. Portanto, viva Grace Gianoukas, terrorista do humor há mais de 20 anos.

 

A papisa do “Terça Insana” estréia em 2008 hoje à noite, no Avenida.

Escrito por Nelson de Sá às 11h49

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Lenise PinheiroO blog Cacilda é coordenado por Nelson de Sá, articulista da Folha, e pela repórter-fotográfica Lenise Pinheiro.

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