Cacilda
 

Outros horizontes

Perdi a segunda e última semana em Curitiba, mas Valmir Santos estava lá com a Lenise e destacou o novo teatro mineiro, domingo na Folha (assinantes). Em três peças no Fringe e uma na mostra oficial, pelo que o Vals escreve, o festival voltou a reafirmar sua vocação de romper com o eixo e iluminar a diversidade: 

_ O território do teatro mineiro desenhado neste festival dá notícia de outros horizontes. “Alguns Leões Falam”, da cia. Clara, “Rubros: Vestido - Bandeira – Batom”, dirigido por Rita Clemente, atriz também de “Dias Felizes: Suíte”, e “Aqueles Dois”, da cia. Lunera, não são tributários da linguagem popular que o Galpão forjou, ainda que o coletivo seja referência. A sensação é da fome pelo experimento com o desejo pelo rigor.

Menos “sensibilidade” e mais “sofisticação”, nos novos horizontes mineiros. E o Vals avançou no balanço do festival, hoje também no jornal, com o número de espectadores, que bateu em 144 mil, mas principalmente com o contraste entre as pré-estréias nacionais da mostra oficial e as revelações do Fringe.

 

Drica Moraes em nova peça de Patrícia Melo e Deborah Colker também com trabalho novo marcaram o fim do evento, mas: 

_ Em seus dez anos, o Fringe desbancou de vez a anacrônica Mostra de Teatro Contemporâneo. Nem tudo o que se vê na oficial, amparada por curadoria, com cachê, supera em qualidade a mostra paralela, de produções que pagam de R$ 30 a R$ 50 e são auto-sustentadas. Um exemplo foi a constrangedora e pretensa comédia “Nada que Eu Disser Será Suficiente” (RJ), escalada pela organização. Sua antítese foi “Três Mulheres e Aparecida”, esmerada atuação-solo de Rita Assemany, de Salvador, com textos de Aninha Franco e direção de Nadja Turenko. Nomes que o Brasil deveria conhecer mais.

A Folha Online, por outro lado, entrevistou Leandro Knopfholz para um balanço em que os destaques foram o público sempre crescente e o Risorama, a mostra paralela de stand up que confirma em Curitiba o fenômeno que já se conhece de São Paulo.

 

As quase 300 peças, o público aos milhares, o envolvimento da cidade e do entorno, até o êxito do Risorama: o festival está cada vez mais parecido com seu modelo, Edimburgo, como tanto queria Leandro, seu idealizador, de volta agora à direção.

Escrito por Nelson de Sá às 10h32

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Senhora dos Afogados

Na saída, Bete Coelho lembra “Nelson 2 Rodrigues”, que fez com Antunes, e como “Senhora dos Afogados” redescobre agora o autor e seu diretor, a exemplo daquela montagem histórica. Ricardo Fernandes concorda e acrescenta que o circo está muito presente nesta montagem. Que Nelson Rodrigues está na fronteira do Brasil popular com a grande arte.

 

Também eu concordo, mas não vi “Nelson 2 Rodrigues”. Assisti a “Paraizo Zona Norte” e a marca histórica que foi, junto com a anterior, por revelar sob a máscara da comédia de costumes a tragédia em Nelson Rodrigues.

 

Mas jamais consegui comprar a história de “peças míticas”, a divisão com que Sábato Magaldi organizou editorialmente as 17 peças para o Teatro Completo. E divisão que faz de “Senhora dos Afogados a “última peça mítica” do autor, como escreve Leyla Perrone-Moisés no lindo programa da peça _que o espectador tem que procurar no saguão, pois é grátis mas não está à vista.

 

(Nem eles dois, o autor e seu editor, me parecem muito convencidos da classificação usada no Teatro Completo, pela conversa que Sábato relata no livro. Registre-se porém que seu estudo sobre Nelson vai muito além de datações e classificações. Também sua visão da história do teatro brasileiro, tão diversa de Décio de Almeida Prado.)

 

De volta à estréia de sexta, a platéia do Sesc Anchieta estava lotada e num canto, escondido pelo escuro, mas não muito, apareceu Antunes. D. Eduarda (Valentina Lattuada) confrontava Misael (Lee Thalor) sobre a morte da prostituta. Foi a cena em que o horror aflorou claramente pela primeira vez, na montagem.

 

Uma espectadora, na minha frente, teve um espasmo, uma reação involuntária diante da cena, como outros tiveram em outros momentos da encenação, por vezes diante do vazamento da tragédia no humor, por vezes o contrário _o patético e cômico escapando do terrível.

 

No dia seguinte à estréia, ouvi em outra platéia que d. Eduarda não estava bem. E fiquei pensando que era, precisamente, a interpretação que mais marcava o espetáculo. É incômoda, carrega na distorção da voz, típica do CPT há tanto tempo, mas agora com um histrionismo que eu desconhecia na escola “antuniana”.

 

É o oposto, creio eu: Valentina ou d. Eduarda está bem demais; Moema é que talvez pedisse uma maior aproximação com o mito trágico de Electra ou com Iemanjá, fontes sempre citadas de Nelson Rodrigues. Mas é questão de ajuste e tempo para uma atriz estreante e promissora como é Angélica di Paula.

 

Esta “Senhora dos Afogados”, independente de detalhes, talvez até por eles, é das encenações mais significativas e arriscadas de Antunes em anos.

Escrito por Nelson de Sá às 11h40

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

A Ordem do Mundo

Texto Patrícia Melo

Direção Aderbal Freire Filho

Atriz Drica  Moraes

Teatro da Reitoria - Curitiba

Escrito por Lenise Pinheiro às 12h13

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Para um amigo de tênis All Star

Que novas cores se apresentem em sua vida!

Foto do espetáculo Bolacha Maria, um punhado de neve que restou

da tempestade.

Texto Manoel Carlos Karam

Direção Nadja Naira

Elenco Alan Raffo, Alexandre Nero, Diego Fortes, Sol

Faganello, Tatiana Blum

Teuni - Curitiba

Escrito por Lenise Pinheiro às 18h01

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Deserto

Mostra de Processo Criativo

da Cia. Brasielira de Teatro

Dramaturgia Bianca Ramoneda

Direção Marcio Abreu

Ator Luis Melo

Teatro Novelas Curitibanas - Curitiba

Escrito por Lenise Pinheiro às 17h55

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Não assim tão longe

Criação Insólita Cia. de Teatro

Direção Maureen Miranda

Atores Adriana Seiffert e Daniel Siwek

 

Espaço Dois - Curitiba

Escrito por Lenise Pinheiro às 17h51

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Transparência da Carne

Texto João Nunes e Maurício de Almeida

Atores Fernando Aleixo e Ana Carolina Mundim

Teatro Londrina - Curitiba

Escrito por Lenise Pinheiro às 17h47

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Don Juan

Em tempos de hipocrisia, nada melhor que Molière. Não tem para Shakespeare nem para Nelson Rodrigues, por mais que ambos sejam universais, atemporais. Para retratar vida pública e mentira, moral e religião e política, Molière é indispensável.

Fui ver "Don Juan", em parte porque a escola do meu filho pré-adolescente pediu. (As escolas paulistanas andam encantadas com o teatro.) Fui também porque havia encontrado Jairo Mattos no teatro Maria Della Costa, no final da temporada lotada de "Carro de Paulista", de Mário Vianna, que ele encenou e da qual gostei muito.

Fomos então ao Ágora, na semana em que se revelou o "escândalo" do governador em Nova York, assistir a "Don Juan", direção de Roberto Lage, com Jairo no personagem-título. E foi como conhecer de fato, como ser apresentado pela primeira vez à peça e seu protagonista.

Já tinha visto "Don Juan" em outras encenações e leituras, mas sempre como um Molière maior, comédia alta em contraste com as farsas. Jairo, agora, traz a peça aos mortais, sem ilusão com o papel como alguns dos antecessores. Desta vez, seu d. Juan divide com o Sganarello de Angelo Brandini o melhor do humor de Molière. São uma dupla, de fato, a lembrar d. Quixote e Sancho Pança ou, por aqui, Oscarito e Grande Otelo.

Com Hermes Baroli nos papéis de Pierrot e d. Carlos, detalhadamente construídos em gesto e fala, mais o elenco em intervenções pontuais, é uma das companhias de comédia mais afinadas que pude ver em muito tempo, no teatro de São Paulo. (Assim como musical, sempre lembro, comédia não é para ver nas primeiras semanas, precisa de tempo, ganhar coesão e ritmo.)

Mas "Don Juan" é sim, não tem jeito, teatro maior. E o que ecoa depois de deixar a apresentação são as palavras de Molière. Pela boca de d. Juan Tenório:

_ A hipocrisia é o vício da moda e os vícios da moda passam por virtudes. O personagem do homem de bem é o melhor de todos os que se podem interpretar hoje em dia... Não abandonarei meus hábitos agradáveis, mas terei o cuidado de me divertir na surdina. Essa é a maneira de fazer impunemente tudo o que quiser. Vou me erigir censor das ações dos outros. Julgarei duramente e terei apenas boa opinião de mim mesmo. Farei oposição ferrenha aos meus adversários acusando-os dos crimes que sempre cometi. Obstruirei as ações de quem discordar de meus atos denegrindo-os publicamente ao revelar suas vidas íntimas inconfessáveis, pois você sabe, Sganarello, que a intimidade é sempre inconfessável... Perseguirei meus inimigos acusando-os impiedosamente e desencadeando campanhas sordidamente moralistas. As pessoas os cobrirão de injúrias e os condenarão antes de qualquer julgamento. É assim que se aproveitam as fraquezas dos homens. É assim que um sábio se acomoda aos vícios de seu século.

Como estava dizendo, em tempos de hipocrisia, nada melhor.

Escrito por Nelson de Sá às 16h02

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Dia do Teatro

O Globo Online anuncia que, em Belo Horizonte, o movimento Redemoinho se mobiliza hoje pelo Dia Internacional do Circo. É mais ou menos a notícia, mas não só em BH e não só pelo circo. Em Curitiba aconteceu manifestação agora há pouco, pelo Dia Internacional do Teatro, com umas duzentas pessoas no Memorial. Ivam Cabral leu o Manifesto.

 

E no país inteiro tem. Em São Paulo, o site da cooperativa de teatro avisa que, na praça Patriarca, desde as 10h tem “overdose teatral”, às 16h começa a “concentração” e às 17h sai a “caminhada” para o Teatro Municipal, do outro lado do viaduto do Chá, para a leitura do Manifesto. No meio do caminho, intervenções de Eugênio Lima etc.

 

Ao fundo, como se sabe, está o conflito entre os dois modelos de política cultural, ambos com recursos públicos: incentivo fiscal ou fomento.

 

Celso Frateschi, da Funarte, escreve hoje na Folha, não por coincidência, um artigo contra o projeto de lei que cria uma secretaria de teatro “para apressar o fluxo de financiamento via renúncia fiscal” e que “permite o abatimento de até 125% (sic) sobre o valor financiado”. É o projeto de lei bancado pelos produtores do Rio e Globo.

 

Do outro lado, o Manifesto de hoje propõe o prêmio Teatro Brasileiro para produção e circulação de trabalhos “com relevância artística” e para “manutenção de núcleos artísticos com trabalho contínuo”. Isso tudo, “descentralizado por região”. É o fomento federal, bancado pelo Redemoinho e grupos em geral. O projeto também já está no Congresso.

 

No final do artigo de Celso Frateschi, escrito com Juca Ferreira, do Ministério da Cultura:

 

_ Comemoramos o Dia Internacional do Teatro com velhas angústias e novas esperanças, mas com ânimo renovado para o debate e a busca de soluções mais estruturantes para a atividade, que atendam ao teatro não apenas como atividade econômica, mas também na sua dimensão simbólica e, principalmente, como direito do cidadão.

 

PS 29.3 - O artigo rendeu. A Folha publica hoje a reportagem "Palco da discórdia", em que Eduardo Barata, da associação dos produtores do Rio, e outros questionam Celso Frateschi. "Somos a classe média do teatro, que está tão achacada quanto toda a classe média brasileira", diz ele. Ney Piacentini, da Cooperativa Paulista de Teatro, defende o artigo.

 

Em entrevista, Juca Ferreira diz que é preciso "ter coragem de dar um salto muito grande, no sentido de substituir os mecanismos de financiamento, que são praticamente centrados na Lei Rouanet", e informa que o MinC já tem "um desenho feito". Mas ele "contempla a modificação da Lei Rouanet", não sua extinção. Diz que, por meio dela, a cultura levantou "quase R$ 1 bilhão" no ano passado.

 

Da minha parte, fiquei triste de ler que os escandalosos R$ 40 milhões levantados via renúncia fiscal e denunciados no artigo eram da Time for Fun, antiga CIE, comprada por Armínio Fraga, de quem eu esperava um choque de capitalismo e não a persistente dependência do Estado.

Escrito por Nelson de Sá às 13h42

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Rubros

Vestido - Bandeira - Baton

Texto Adélia Nicolete

Direção Rita Clemente

Atrizes Ana Regis

e Patrícia Reis

Teatro José Maria Santos - Curitiba

Escrito por Lenise Pinheiro às 14h47

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Hitchcock Blonde

Companhia Vigor Mortis

Texto Terry Johnson

Direção Paulo Biscaia Filho

Atores Chico Nogueira, Edson Bueno,

Michelle Pucci, Mariana Zanette, Marco Novack

e Rafaella Marques

Cenário Guilherme Sant'ana

Iluminação Wagner Corrêa

Teatro Novelas Curitibanas

 

Escrito por Lenise Pinheiro às 14h18

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Avental Todo Sujo de Ovo

Texto Marcos Barbosa

Direção Fábio Nieto Lopes

Elenco Leo Passos

Sensibilidade baiana, truculência universal

Teatro travestido em emoção

Christiane Veigga

Lino Costa

Eva Kowalska

Teatro Reikrauss - Curitiba

Escrito por Lenise Pinheiro às 14h09

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Henfil Já

Textos Henfil

Direção Nena Inoue

Elenco André Coelho

Moa Leal

Gabriel Gorosito

Teatro Teuni - Curitiba

 

Escrito por Lenise Pinheiro às 13h57

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Alguns Leões Falam

Esses emocionam.

Cia. Clara de Teatro - BH - MG

Texto e direção Anderson Aníbal

Na platéia, Miguel de Anunciação, olhar e coração no teatro.

Cássio Machado - André (dir)

Camile Gracian - Clara

Daniel Carfa - Rocha (esq)

Teatro Cléon Jacques - Curitiba

Escrito por Lenise Pinheiro às 16h03

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Jozú, o encantador de ratos

de Hilda Hilst

Direção Alexandre David

Atriz Carla Jausz

Cenografia Dudu Garcia

Iluminação Paulo Cezar Medeiros

Casa Vermelha - Curitiba

Escrito por Lenise Pinheiro às 15h53

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Vila Verde

“A Fauna” é o espetáculo de que mais gostei dos Satyros, à primeira vista, em quase duas décadas. Fazia tempo que eu e a Lê falávamos de ir à favela Pantanal, onde Rodolfo García Vázquez e Ivam Cabral têm um projeto de anos, até já combinamos com os dois.

 

Mas foi só na periferia de Curitiba, hoje agigantada ela também, muito diferente da cidade dada como modelo quando o festival começou, que pudemos vislumbrar o que a dupla busca, para além da praça Roosevelt e da Vila Madalena. No caso, por sugestão de Leandro Knopfholz.

 

A minha experiência, naquele lusco-fusco entre urbano e rural, foi de uma festa barroca, uma via meio sacra, meio profana, entre as alegorias do Brasil da miséria e da urbanidade.

 

O primeiro quadro trazia Ivam falando de si mesmo _e errando gloriosamente o texto_ seguido por uma criança toda de branco, a recitar. E foi num teatro de fato, palco, platéia, mais o entorno de escola, futebol.

 

Já a caminho, levados por um líder comunitário, vimos rappers dali mesmo, jovens, e uma cena sobre maternidade adolescente, em plena sala de aula, com atrizes saídos da comunidade. Caso de Célia Aparecida Mattos, que “não vive sem ler” e cujo “maior sonho é escrever um livro”.

 

Daí para as ruas e pequenas casas, a começar da tragédia _e da presença, com triste canto_ de uma personagem local, a Índia. Depois outra casa, uma cooperativa de costureiras antes depressivas, o depoimento/cena de uma grávida menor de idade, as crianças num carro depenado.

 

Nos quadros costurados pelos Satyros, alguns com atores da companhia mesclados aos artistas encontrados na Vila Verde, foi a realidade que emoldurou com fascínio todo o caminho. Não faltou tensão.

 

A certa altura, um SUV com quatro jovens negros parou ao lado do público ambulante, “rap” em alto volume, braços de fora, como se saídos de algum filme americano ou capa de CD dos Racionais. Noutro momento, passamos todos, cercados por crianças em festa, diante da sede dos Alcoólicos Anônimos.

 

Com peso inescapável, um templo neopentecostal, de uma igreja de nome comprido que eu não conhecia nem memorizei, fazia contraste com a obra inacabada de uma grande igreja católica, bem no coração da comunidade. Da procissão teatral, cruzamos olhares com o pastor e depois com o padre, tão semelhantes.

 

A festa vai até o fim de semana e não deve se repetir em lugar nenhum. É única.

Escrito por Nelson de Sá às 12h02

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Delas

Acompanhei Lenise no que me restou de fim de semana no festival, por duas peças, pequenas jóias. A primeira foi no Solar do Barão, que vem se estabelecendo ao lado da Federal como referência do Fringe.

 

Mas foi por acaso que chegamos lá. Na madrugada anterior, a atriz Júlia Ianina “felipetou” a nossa mesa, lembrando fotos que a Lê tirou e uma leitura que fez comigo, quando tentei montar “Vento Forte para Papagaio Subir”, pouco antes do Zé. Ela leu Maria das Dores soberbamente.

 

E lá fomos nós para a peça, horas depois, ao meio-dia no Solar. Escrita e co-dirigida por Ana Roxo, convidada pelas atrizes da Cia. Delas, “A Invenção de Loren” foi uma graça e um achado, no Fringe. Feminina, extremamente sensual, tratava porém da solidão _e de amor.

 

A curiosa sinopse “sci-fi”: uma jovem solitária cria um chip que, implantado na cabeça, leva a pessoa a fantasiar um amor, um amigo, muitos amigos. Abre um negócio de telemarketing, para explorar o serviço. Mas a coisa toda, como algum antidepressivo, acaba dando muito errado.

 

A peça é engraçada, inteligente, bem encenada. Mas “A Invenção de Loren” tem principalmente a pegada de suas quatro atrizes, Júlia, Thaís, Lillian e Fernanda, todas novas mas já experientes de palco, sem temor para o humor e o patético.

Escrito por Nelson de Sá às 11h57

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Instalações da Realidade

A Fauna - Os Satyros

Textos besuntados de Brasil

Reprises vivenciadas

Janelas de indiscrição

Passados abandonados

 

Vícios derramados

Asdrúbal trouxe o trombone mais uma vez

Latidos, toadas e rolemãs

Atritos e costura

Dirigidos por Rodolfo García Vázquez

Roda de bamba

Tênis All Star

Lua Cheia

Fiquei por lá

De olho no Mocarzel

Escrito por Lenise Pinheiro às 16h29

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

A Invenção de Loren

Dramaturgia: Ana Roxo

Direção Ana Roxo e Dadniela Evelise

Lilian Damasceno

Julia Ianina

Thaís Medeiros

Fernanda Castello Branco e Julia Ianina

Solar do Barão - Curitiba

Escrito por Lenise Pinheiro às 16h12

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Por Júpiter

Júpiter: Conquista da Galáxia

Direção Ryohei Kondo

Teatro Ópera de Arame - Curitiba

Escrito por Lenise Pinheiro às 16h06

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Cenas curitibanas 2

Mais _e ainda_ do primeiro dia em Curitiba, sexta-feira, agora que o fim de semana vai acabando e retorno a São Paulo:

 

4. Encontro Lenise Pinheiro e Íris Cavalcanti e vamos a um bar com narguilé atrás de Valmir Santos. Mais tarde aparece Kil Abreu. A conversa é política e teatro, as manifestações do dia 27, o conflito entre grupos e produtores no Congresso, o fomento.

 

Em especial, meio comicamente, o jogo global e a perspectiva de uma Globo Teatro, repetindo no palco _e nos musicais_ o avanço fora da televisão, de Globo Filmes etc. Mas o melhor, em teoria de conspiração, foram as piadas em torno do nome do Festival de Curitiba, que teria perdido o “de Teatro” por exigência dos capitalistas antiteatrais.

 

5. Onze da noite, hora de ir ao Fringe, no teatro da Federal, com a mostra Novos Repertórios, mais experimental e, em geral, com melhor produção. Era “Jesus Vem de Hannover”, peça sem linearidade, antes seqüência aleatória de cenas em que um ou outro personagem se repete, mais pela presença dos atores que por nexo.

 

Foi exasperante durante parte do tempo, mas a direção promete. Sabe o que faz, ergue cenas com invenção visual e dramática que faz lembrar Zé Celso ou Gerald Thomas. E é um menino, aliás, ele operou em diálogo contínuo com o palco através da luz, do som, da projeção e até de uns aquecedores móveis que resumiam a ironia que escorreu do espetáculo.

 

Poderia ter programa para identificar personagens e atores, alguns muito bons.

 

6. Uma e meia  da manhã e estamos no Café do Teatro, fim de noite meio tradicional da cena curitibana, perto do que foi a primeira sede do festival, há 17 anos. Estava lotado, atores e atrizes, grupos inteiros, os garçons perdidos.

 

De repente, surge um amigo de outra vida, que não via desde o século passado e agora trabalha com elenco na Globo. Estava feliz, vinha de duas boas peças, atores e atrizes de qualidade. Um dia antes, uma montagem sem qualificação quase fez com que voltasse ao Rio. Mas as duas haviam contido a revolta e agora ele falava em ficar até o fim, para ver tudo o que puder, das 250 do festival.

Escrito por Nelson de Sá às 12h24

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Cenas curitibanas

Vou ficar pouco em Curitiba, desta vez, e a agenda está corrida. Abaixo, alguns registros do primeiro dia, ontem:

1. Desde a fila do embarque em São Paulo, ela exausta, vindo de Nova York em roda-viva, e depois no atropelo do vôo e já em Curitiba, conversamos, Fabiana Gugli e eu, e ela falou da tensão para a apresentação já no dia seguinte e dos percalços de organização que atrasaram Gerald Thomas. Mas ela queria era contar do "Hamlet" do Wooster, que viu no final da temporada no Public Theater, para minha inveja.

Falou da fusão ou da sincronia entre as imagens em movimento, filmadas da peça dirigida por John Gielgud e protagonizada por Richard Burton meio século atrás, e os atores do Wooster em primeiro plano, no palco, com Scott Shepherd como protagonista. Foi a metalinguagem da metalinguagem da metalinguagem, brincou ela, lembrando como as imagens projetadas e os sons do filme _e dos atores ao vivo_ eram trabalhados, um dando lugar ao outro, pelas mãos dos técnicos. Um outro Wooster, voltando a ser inovador, diz Fabiana.

2. Horas depois, encontro Lúcia Camargo no teatro Guaíra, onde a conheci, se lembro bem, nos primórdios do festival. Era então uma das principais responsáveis pela gestão da cultura no Paraná, ajudou a fazer o festival. Depois foi para São Paulo, onde ajudou a dar forma e papel definido ao Teatro Municipal das óperas _e onde tivemos contato mais regular. Agora está no Palácio das Artes, Belo Horizonte, fazendo o mesmo com a sinfônica de Minas e muito mais.

É o modelo mais aperfeiçoado, que pude vislumbrar, de administrador público da cultura. Da direita à esquerda ao centro, já trabalhou com todo mundo. Eu queria saber mais, sobretudo agora que estou no fim de "Quem Pagou a Conta?", mas o teatro virou uma confusão e nos perdemos. Antes, contou de Israel do Vale, com quem trabalhei no jornal e que se voltou à televisão pública; depois de prêmios pela programação na Rede Minas, relatou, ele virou o diretor de programação da nova TV Brasil.

3. Beatles é golpe baixo. (Roberto Carlos dos anos 60, também.) Não tem como não se emocionar ou, no meu caso, não tem como não sentir saudades de mim mesmo, da criança que era, na época. Com os 1.200 lugares lotados, "Beatles num Céu de Diamantes", de Möeller & Botelho, foi melhor do que esperava. Não cai na armadilha de buscar narrativa para as canções, muitas vezes em biografia romanceada, como faz o teatro musical saudoso dos anos 30, da rádio Nacional.

Mas também não é recital, como cheguei a ouvir e concordar. O espetáculo dos dois magos do musical brasileiro é uma declaração de amor à canção popular, não a eleva além do que é, nem quer justificação dramática: busca _e consegue_ tirar das músicas tão conhecidas, mais do que um arranjo diferente, um envolvimento renovado. Descobre novas camadas e leituras, sem trair a memória das gravações originais. É um feito, sobretudo a partir da metade, de "While My Guitar Gently Weeps", até o fim com quadros de tirar o fôlego.

(continua)

Escrito por Nelson de Sá às 15h36

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Mostra Oficial

Aqueles Dois

Texto Caio Fernando Abreu

 Direção Zé Walter Albinati

Companhia Luna Lunera

Teatro Paiol Curitiba

 

Escrito por Lenise Pinheiro às 14h09

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Fringe 2008

Jesus vem de Hannover

Texto Léo  Gluck

Direção Henrique Saidel

Companhia Silenciosa

Teuni - Curitiba

Mostra Novos Repertórios

Escrito por Lenise Pinheiro às 14h05

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Besouro antes dos Beatles

Estou enfim em Curitiba, depois de vencer alguns obstáculos, a começar do atraso no vôo. Daqui a pouco, assisto o musical de Cláudio Botelho e Charles Möeller a partir dos Beatles.

Antes porém de mergulhar um pouco mais na cultura anglo-americana, um registro para "Besouro Cordão-de-Ouro". Na apresentação de Yoshito Ono no Sesc Paulista, dias atrás, Antunes Filho estava lá e contou que viu o musical inteiramente brasileiro e gostou muito.

Dia seguinte e também Luiz Amorim, que até outro dia estava em cena no "Fantasma da Ópera", contou que viu e gostou demais, no Sesc Pompéia, ele que admira o autor e compositor Paulo César Pinheiro.

Bem que tentei assistir, ao vislumbrar semelhanças com o sapateado de "Bring in 'Da Noite, Bring in 'Da Funk", mas só fui acordar no final da temporada em São Paulo e não consegui.

Era uma chance de confirmar se, com a volta de pelo menos um grande compositor de música popular, o teatro musical brasileiro estava dando mais um passo à frente. Recorro então a Mariângela Alves de Lima, que viu "Besouro Cordão-de-Ouro" e escreveu:

_ Protagonista de episódios de valentia que se propagam em diferentes narrativas, o capoeirista do espetáculo funciona como um pretexto para ingressarmos no universo estetizado [da capoeira]. E é em torno do reconhecimento da beleza e do poder de sedução desse jogo antigo que se organiza a encenação. Convidado a ocupar um espaço circular, tal como o das rodas que cercam a arena do jogo-dança dos capoeiristas, o público é envolvido pela representação. Forma espetacular privilegiada no teatro musical brasileiro, que o diretor João das Neves ajudou a criar, o teatro épico cujos narradores se colocam na mesma posição do público tem implícita a idéia de que a arte apenas formaliza um conhecimento que é de todos.

Curiosamente, também Botelho e Möeller, de longo currículo, mas em musicais anglo-americanos, encenam em arena esta noite. Mas prossegue e encerra Mariângela:

_ Musicais não se sustentam apenas sobre idéias, mas, antes, sobre a execução musical e coreográfica. Luciana Rabello, diretora musical, harmoniza um grupo de intérpretes e músicos em que ninguém perde a individualidade, ou seja, a música aproveita a voz do ator e capricha-se na elocução para que não se perca, além da poesia das letras, o componente narrativo. Também as composições evitam a curva dramática da canção popular mais em voga. São melodias e ritmos hipnóticos, crescendo por meio da repetição e da aceleração, tal como os cantos que estimulam os jogadores nas rodas de capoeira. O efeito é envolvente e parece natural que, ao fim, a platéia contribua, ecoando as palmas ritmadas de estímulo aos intérpretes-jogadores.

Escrito por Nelson de Sá às 18h18

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Dar as caras

Já em Curitiba. 17ª edição do Festival.

As companhias começam a chegar.

Se encontram.

E metem os peitos.

Escrito por Lenise Pinheiro às 12h44

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Produtores vs. grupos

Ninguém imaginou que aquelas páginas inteiras nos jornais, aqueles spots na programação, aqueles encontros com a classe sairiam de graça, não é?

 

Começou meses atrás, com ataques à Funarte em “O Globo”, por suposta responsabilidade paralela no abandono, pela Prefeitura do Rio de Janeiro, da rede de teatros municipais.

 

Semanas atrás, o jogo foi escancarado no “Jornal Nacional”. Em suma, “artistas e produtores entregaram ao Senado o anteprojeto de lei que propõe novos mecanismos de captação de recursos para espetáculos teatrais” e “prevê a criação de uma secretaria nacional do teatro”.

 

Ontem, no blog de Jorge Bastos Moreno, texto de “O Globo” detalhou que “atores e produtores de teatro discutiram, em comissão do Senado, o anteprojeto que pretende dar mais agilidade ao acesso de recursos via Lei Rouanet”.

 

Diz que “a sessão foi acalourada, porque os artistas, representados por Regina Duarte e pelo produtor teatral fluminense Eduardo Barata, defenderam a lei, mas o presidente da Funarte, Celso Frateschi, disse que é contra”.

 

Chegou-se, por fim, ao prêmio Shell, na noite passada. Como relatou o Globo Online, Cibele Forjaz, que venceu em direção, “fez uma emocionada defesa do trabalho coletivo” e mandou “um recado aos ‘globais’ do Rio”, conclamando a se manifestarem em favor do teatro de grupo, dia 27:

_ Faço teatro há 25 anos. São 25 anos de trabalho coletivo. Fiz de tudo um pouco. Mas os prêmios vêm na hora certa, quando talvez não importem mais, quando o diretor não é nada, só olhos e ouvidos para os atores e a equipe. Quero dedicar este prêmio à arte coletiva que resiste em todos os lugares do Brasil.

Escrito por Nelson de Sá às 11h18

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Um ano de Blog Cacilda

Muito obrigada a todos

Em especial ao meu parceiro de teatro e de zodíaco. Nelson de Sá.

Amor. Cacilda. 

Escrito por Lenise Pinheiro às 18h02

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Japan Pop Show

Sempre me intrigou por que o butô se espalhou por aqui _e não, por exemplo, o kabuki. Na única vez em que estive no Japão, o longo e multifacetado espetáculo que vi num teatro kabuki de Tóquio me pareceu tão espalhafatoso, cômico, populista, tão coisa de mercado livre, com comida e tudo, enfim, tão mais brasileiro...

 

Porém, assistindo agora à apresentação de Yoshito Ono na abertura da “exposição-evento” Tokyogaqui, fiquei com a sensação de que o butô que carrego na memória está mais para preconceito que para a realidade. Afinal, apesar do seqüestro formalista que sofreram aqui e ali, Yoshito e o pai, Kazuo, sempre escorreram ironia, humor.

 

Até os minutos sem fim no início da apresentação, com Yoshito paralisado, me soaram engraçados, desta vez. Fizeram com que lembrasse Elisa Ohtake e seus movimentos entre cômicos, sensuais e rigorosos _ela que também vai se apresentar no Tokyogaqui, mas que, até onde sei, não tem ligação com butô.

 

De qualquer maneira, o Tokyogaqui, mistura que quer dizer “imagem de Tóquio aqui”, vai muito além, até maio.

 

O butô está restrito ao 9º andar do Sesc Paulista, na instalação que celebra os 101 anos de vida de Kazuo com o genial Caixa de Imagens e outros, todos mais ou menos discípulos. Já Elisa Ohtake se apresenta no mês que vem no alto do prédio, com vista para a avenida Paulista, o bairro da Liberdade e toda a São Paulo dos japoneses.

 

E já no dia seguinte à abertura, sábado, voltei com meus três filhos ao prédio, agora ao 5º andar. Nada de teatro, propriamente, mas colagens e coleções de imagens pop japonesas, de Ultraman a Dragon Ball Z, mais aula de como desenhar mangá, publicações da Conrad, jogos eletrônicos do Nintendo Wii à disputa de dança, filmes.

 

Nem sei bem o que tirar de tanta coisa acumulada, como ir além do consumo, mas os meninos gostaram muito.

Escrito por Nelson de Sá às 09h23

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Teatro Oficina - 2008

50 anos

com corpinho de 30

Marcelo Drummond é(thernamente) Dionísyos

As Bacantes

direção de Zé Celso Martinez Corrêa em 1996

Teat(r)o Oficina - São Paulo

Escrito por Lenise Pinheiro às 10h33

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Aos ossos que tanto doem

Voltei depois de anos ao Ruth Escobar e não imaginava a decadência. Fisicamente, pouco mudou, mas o espírito é outro, como é outro o entorno do teatro e, creio eu, boa parte do Bexiga. Tem cada vez menos criança nas calçadas, a vida em comunidade vai sumindo do bairro, parece.

 

No teatro, fora os mendigos que te cercam na escadaria ao lado, que desce para a 13 de Maio, e os guardadores que te cercam na frente, a livraria estava fechada, o elevador para deficientes, fechado, pouca gente na administração, muitos seguranças, as coisas pareciam todas meio estranhas.

 

Nas peças em cartaz, aos montes pelas paredes, mais estranhamento. Um “Arena Conta Zumbi”. E uma comédia com o ator pornográfico Mateus Carrieri, “O Amante do Meu Marido”, que promete nudez e piadas sobre homossexuais. Aos poucos, lotou de gente para ver.

 

Espalhados para distribuição, exemplares do tablóide do sindicato dos artistas com capa para o secretário de cultura de Presidente Prudente.

 

E no meio de tudo estava a nova peça de Mário Bortolotto, como ator. Ele parece buscar ambientes assim. Não está mais na praça Roosevelt das colunas sociais, mas ali, na sala menor do Ruth Escobar, com seu público tão diferente daquele que havia lotado, aos poucos, o saguão do teatro.

 

E é de amor que ele fala, de novo, flor no pântano, escorrendo. “Aos Ossos que Tanto Doem no Inverno” é de Sérgio Mello, a direção é de Soledad Yunge, mas o universo em cena, até onde vai minha experiência, é aquele de Bortolotto, que conheci um pouco mais em “Uma Pilha de Pratos na Cozinha”.

 

Com armas na mão, ameaçadores um com o outro, violentos, os dois personagens da peça, homens duros, “imperdoáveis”, se dissolvem ao recordar a mulher que os une _e que, de certa maneira, ambos mataram ao disputar. Solitários e impenetráveis, aproximam-se pela mesma tragédia. É bonito.

 

PS – Andei ausente deste espaço. Vírus no computador e minhocas na cabeça. Daqui para a frente, tudo vai ser diferente, espero.

Escrito por Nelson de Sá às 08h52

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Beleza Pura 2

Atrizes notáveis, celebrizadas aos pares.

Encontros preconizados pela história e suas personagens.

Espelhos, reflexos e luzes defletindo teatro nas expressões faciais.

Ensaios generosos, concisos e acalorados,

compondo esses diálogos, que em uníssono

sussurram MERDA!

 

Gloria Menezes e Anahir Rubim - Ricardo III de William Shakespeare

Personagem Duquesa de York

Lucinha Lins e Vera Mancini - Ópera do Malandro de Chico Buarque

Personagem Vitória Régia

Suely Franco e Denise Fraga - Trair e coçar é só começar de

Marcos Caruso. Personagem Olímpia

Tônia Carrero e Denise Weinberg - Navalha na Carne de

Plínio Marcos. Personagem Neusa Sueli

Cleyde Yáconis e Juliana Galdino - Medéia de Eurípedes.

Personagem Medéia

Ruth de Souza e Renata Zhaneta - Otelo de Willliam Shakespeare

Personagem Desdêmona

Eva Wilma e Leona Cavalli - Um bonde chamado desejo

de Tennessee Williams. Personagem Blanche Dubois

Marília Pêra e Ana Beatriz Nogueira - Fala baixo senão eu

grito de Leilah Assumpção. Personagem Mariazinha

Bibi Ferreira, Cleyde Queiróz e Georgette Fadel - Gota

d'água de Chico Buarque. Personagem Joana

Miriam Mehler e Lígia Cortez - Pequenos Burgueses de Gorki

Personagem Polia

Escrito por Lenise Pinheiro às 13h54

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Cachorro

Texto Jô Bilac

Direção Vinicius Arneiro

Atores

Felipe Abib,

Paulo Verlings

e Carolina Pismel

Cenário Daniele Geammal

Iluminação Paulo César Medeiros

Figurinos Júlia Marini

Até 6 de abril (Aniversário de Cacilda)

No Sesc Avenida Paulista

Escrito por Lenise Pinheiro às 12h23

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

De pé

Os meus três mosqueteiros, os melhores amigos que fiz ao chegar à cidade grande, são todos do ABC. Um virou editor, o outro está em Harvard, o terceiro ficou rico, mas eu ainda reconheço eles todos ao ver em cena o genial “stand up” que é Danilo Gentili, de volta com o Clube da Comédia Stand Up no Bleecker, Vila Madalena.

 

Do grupo, Rafinha Bastos emplacou no Crowne Plaza, nos Jardins, com um solo mais ou menos conservador. E Marcelo Mansfield estréia no próximo domingo, no teatro TIM, seu solo mais ou menos progressista.

 

Estavam ambos no palco quando fui assistir ou, na verdade, conhecer o Bleecker, duas semanas atrás. Estavam também Oscar Filho e duas importações muito bem-vindas de outros Estados. Mas desde a primeira vez em que vi parte do Clube, numa apresentação especial no Espaço Parlapatões, é Danilo Gentili quem prende mais.

 

Ele também muda mais o número, ao que parece. Vai amontoando imagens e tiradas sem ligação clara, quase aleatoriamente. É um jovem do ABC, como um Geraldão de Glauco, daqueles que não saíram ainda de casa, que têm nos pais uma presença sufocante, mas da qual não escapam, como não escapam do ABC.

 

Naquele dia de estréia do Clube em 2008, o quadro de Danilo foi a obsessão de sempre: o trânsito desde Santo André, a mãe, a praia poluída que só podia mesmo ser Praia Grande, o constrangimento adolescente no homem já plenamente adulto, de matar de rir. E também a escatologia, bem juvenil, mas quanto mais ofensiva melhor.

 

 

Quando projetei encenar o “Minimanual do Guerrilheiro Urbano”, que considero um “stand up”, aliás, na linha dos “sermões” de padre Vieira, também “stand up” e com humor que não é de todo involuntário, imaginei muita gente, mas no gênero quem veio à cabeça foi Danilo.

 

Só alguém como ele, ridículo ao extremo da tragédia, poderia dizer aquelas barbaridades todas. Poderia declarar-se terrorista sem parecer um atentado à natureza. E expor como é patético se deixar auto-enganar. Comediantes assim, penso sempre, são tão suicidas quanto os mais iludidos terroristas.

 

Mas exagero. “Stand up” é também o mais acessível e assimilável dos gêneros. Mansfield já está na Globo. Rafinha e o próprio Danilo estão escalados para “Custe o que Custar” na Band, versão brasileira do argentino “Caiga Quien Caiga”, informa a coluna de Daniel Castro.

 

E a televisão por aqui, ao contrário do que acontece em Hollywood (televisão e cinema) com “stand up”, tende a tudo neutralizar. São poucos os que sobrevivem radicais ou pelo menos críticos, ao passar por Globo etc. Talvez nenhum. Portanto, viva Grace Gianoukas, terrorista do humor há mais de 20 anos.

 

A papisa do “Terça Insana” estréia em 2008 hoje à noite, no Avenida.

Escrito por Nelson de Sá às 11h49

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Ah! Esse cara.

ATOR E MAQUIADOR

WALMIR SPARAPANE

NOS BASTIDORES DO TEATRO FAAP - SP

EM CARTAZ NA CIDADE

Escrito por Lenise Pinheiro às 22h23

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Nas coxias

O primeiro post que fiz para este blog Cacilda, em teste, Beta, quando ainda nem sabíamos que nome teria, foi sobre um encontro fortuito com Fernando Henrique nos camarins de “Quando Nietzsche Chorou”, com Cássio Scapin e Nelson Baskerville, no teatro Imprensa.

 

Se bem recordo, relatava a impressão de um homem não mais poderoso, mas vulnerável, envelhecido, sem aduladores, sem a corte que cerca políticos. E relatava uma pergunta curiosa sobre Ulysses Cohn, diretor da peça, ser filho de Gabriel Cohn, o sociólogo velho amigo do casal.

 

O ano passou, Fernando Henrique voltou a ser FHC e, como prova, arranhou um bocado o poder de Lula e de José Serra. Não, ele não é vulnerável, um destituído.

 

E também não é mais aquele do primeiro mandato, que posava com Joaquim Nabuco debaixo do braço, “O Abolicionismo”. Caetano Veloso, então, até musicou Nabuco.

 

Talvez ele nunca tenha sido esse Fernando Henrique que vislumbrei um dia e imaginei ter reencontrado no teatro. Nem seu modelo era o que então se fantasiava: acabei de ler o “perfil” de 380 páginas, “Os salões e as ruas”, escrito por Angela Alonso, do Cebrap _e, da diplomacia à rua do Ouvidor, Nabuco foi antes de tudo um cortesão.

 

“Filhinho de papai”, no dizer de José de Alencar, em resposta a uma crítica à sua peça “O Jesuíta”, em “O Globo”, jornal de Quintino Bocaiúva na época. Eram todos dramaturgos, naquele fim de século 19. Nabuco escreveu ele próprio uma peça, “L’Option”. Cinco atos, em francês, sobre a guerra franco-prussiana.

 

Era então o Quinquim que “gostava de conviver com aristocratas”. Mas tinha “talento para o palco” político, achou nele sua causa e partiu para “construir a própria lenda”. Que ergueu antes no exterior e depois no contraste com o “abolicionismo popular”, do mulato José do Patronício.

 

Um pouco como Fernando Henrique, da Fundação Ford à Ivy League, agora. E que não fala mais em abolir coisa alguma.

 

 

Corte para outro livro, “Quem pagou a conta?”, sobre “a CIA na guerra fria da cultura”, escrito por Frances Saunders, que foi editora de artes da “New Statesman”. No que pude ler até agora, serve de alegoria para a guerra cultural tucano-petista travada por aqui, em São Paulo, desde a democratização.

 

Quando editor de artes, acompanhei cotidianamente _e com menos consciência do que imagino ter agora_ esse “kulturkampf” que envolvia os grupos teatrais, as orquestras sinfônicas, editoras.

 

É um conflito em tudo semelhante ao relatado no livro de Saunders, só que este em Nova York, Berlim, pelos “corações e mentes” da Europa.

 

E também pelos “corações e mentes” do Brasil, FHC inclusive, afirma a “Tribuna da Imprensa” de Hélio Fernandes, com o escândalo de sempre no Rio. Ainda não vi indicação disso no livro, cheguei só à metade, mas “Quem pagou a conta?” está fascinante pelo que desvenda dos camarins _e do borderô_ da cultura de meio século para cá.

Escrito por Nelson de Sá às 10h00

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Ver mensagens anteriores

PERFIL

Lenise Pinheiro Blog de teatro com textos e fotografias de peças em cartaz ou por estrear. Montagens antigas, ensaios, indicações e vivências e experimentos. Eventuais visitas a salas de teatro, e suas respectivas companhias. Coberturas de Festivais de Teatro, apontamentos com novidades e curiosidades em torno do tema.

BUSCA NO BLOG


ARQUIVO


Ver mensagens anteriores
 

Copyright Folha Online. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução do conteúdo desta página
em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita da Folha Online.