Cacilda
 

Ah! Esse cara.

ATOR E MAQUIADOR

WALMIR SPARAPANE

NOS BASTIDORES DO TEATRO FAAP - SP

EM CARTAZ NA CIDADE

Escrito por Lenise Pinheiro às 22h23

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Nas coxias

O primeiro post que fiz para este blog Cacilda, em teste, Beta, quando ainda nem sabíamos que nome teria, foi sobre um encontro fortuito com Fernando Henrique nos camarins de “Quando Nietzsche Chorou”, com Cássio Scapin e Nelson Baskerville, no teatro Imprensa.

 

Se bem recordo, relatava a impressão de um homem não mais poderoso, mas vulnerável, envelhecido, sem aduladores, sem a corte que cerca políticos. E relatava uma pergunta curiosa sobre Ulysses Cohn, diretor da peça, ser filho de Gabriel Cohn, o sociólogo velho amigo do casal.

 

O ano passou, Fernando Henrique voltou a ser FHC e, como prova, arranhou um bocado o poder de Lula e de José Serra. Não, ele não é vulnerável, um destituído.

 

E também não é mais aquele do primeiro mandato, que posava com Joaquim Nabuco debaixo do braço, “O Abolicionismo”. Caetano Veloso, então, até musicou Nabuco.

 

Talvez ele nunca tenha sido esse Fernando Henrique que vislumbrei um dia e imaginei ter reencontrado no teatro. Nem seu modelo era o que então se fantasiava: acabei de ler o “perfil” de 380 páginas, “Os salões e as ruas”, escrito por Angela Alonso, do Cebrap _e, da diplomacia à rua do Ouvidor, Nabuco foi antes de tudo um cortesão.

 

“Filhinho de papai”, no dizer de José de Alencar, em resposta a uma crítica à sua peça “O Jesuíta”, em “O Globo”, jornal de Quintino Bocaiúva na época. Eram todos dramaturgos, naquele fim de século 19. Nabuco escreveu ele próprio uma peça, “L’Option”. Cinco atos, em francês, sobre a guerra franco-prussiana.

 

Era então o Quinquim que “gostava de conviver com aristocratas”. Mas tinha “talento para o palco” político, achou nele sua causa e partiu para “construir a própria lenda”. Que ergueu antes no exterior e depois no contraste com o “abolicionismo popular”, do mulato José do Patronício.

 

Um pouco como Fernando Henrique, da Fundação Ford à Ivy League, agora. E que não fala mais em abolir coisa alguma.

 

 

Corte para outro livro, “Quem pagou a conta?”, sobre “a CIA na guerra fria da cultura”, escrito por Frances Saunders, que foi editora de artes da “New Statesman”. No que pude ler até agora, serve de alegoria para a guerra cultural tucano-petista travada por aqui, em São Paulo, desde a democratização.

 

Quando editor de artes, acompanhei cotidianamente _e com menos consciência do que imagino ter agora_ esse “kulturkampf” que envolvia os grupos teatrais, as orquestras sinfônicas, editoras.

 

É um conflito em tudo semelhante ao relatado no livro de Saunders, só que este em Nova York, Berlim, pelos “corações e mentes” da Europa.

 

E também pelos “corações e mentes” do Brasil, FHC inclusive, afirma a “Tribuna da Imprensa” de Hélio Fernandes, com o escândalo de sempre no Rio. Ainda não vi indicação disso no livro, cheguei só à metade, mas “Quem pagou a conta?” está fascinante pelo que desvenda dos camarins _e do borderô_ da cultura de meio século para cá.

Escrito por Nelson de Sá às 10h00

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Em algum lugar do planeta

Plan B

Cie 111 e Aurélien Bory para lembrar o Festival de Rio Preto.

Vem aí, Curitiba.

Escrito por Lenise Pinheiro às 11h28

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A princesa

Foi um risco e tanto das duas novas produtoras de São Paulo, Master e Break a Leg!, estrear com a montagem de “Aída”. Vi anos atrás, na estréia em Atlanta, Geórgia, e me espantei com a exposição tão franca e engajada de escravidão e racismo.

Porque não é do Egito que se trata, obviamente, mas dos Estados Unidos _o que se evidenciava ainda mais em Atlanta, o foco do movimento pelos direitos civis, grande alvo da guerra civil e quase capital do Sul que foi institucionalmente racista até pouco tempo atrás.

 

O que levou a pensar que o espetáculo poderia entusiasmar o público paulista de musicais, em pleno Cultura Artística?

 

Não que a encenação não seja bem-sucedida. Ela tem quadros de tirar o fôlego; outros nem tanto, que já não funcionavam no original. Mas a revolta no cativeiro não é tema que caia bem por aqui, no país condenado pela ONU por racismo, outra vez.

 

Talvez encontrasse menos resistência no Rio de Jorge Ben, filho de mãe etíope _e cujos versos de “África Brasil” eu sempre achei puro teatro: 

Aqui onde estão os homens
Há um grande leilão
Dizem que nele há uma princesa à venda
Que veio junto com os seus súditos
Acorrentados, acorrentados em carros de boi
Eu quero ver quando Zumbi chegar
Eu quero ver o que vai, o que vai acontecer
Zumbi é senhor das guerras

Quando sonhei com um musical sobre Nelson Triunfo, era a canção que fecharia em apoteose o primeiro ato. E é a mesma história da princesa núbia Aída, no musical que Elton John e Tim Rice criaram após o sucesso do “Rei Leão” de Julie Taymor, também inspirado na África.

 

Andréa Marquee, que já nasceu exuberante no palco do “Hair” de Jorge Fernando e confirmou o talento em “Rent”, tem carisma e voz para sustentar a peça. Não vi maior diferença entre ela e a idolatrada Heather Headley, que ganhou Tony quando se transferiu para a Broadway.

 

Mas o musical tem um grande problema que o diretor Augusto Thomas Vannucci não conseguiu sanar, ele também: o amor de Aída, seu opressor Radamés, é um personagem que não se sustenta em pé. Nos EUA, achei que era devido ao ator, mas o problema se repete.

 

O romance algo suicida, que ecoa “Romeu e Julieta”, é por demais desfavorável ao amante de Aída, na trama. De qualquer maneira, o “casting” tem equívocos, principalmente o desperdício que é Saulo Vasconcelos como Zoser. Talvez como Radamés ele garantisse maior equilíbrio, mas é passado, a peça é esta.

 

E melhor é lembrar que Naíma, que veio dos musicais de Rodrigo Pitta, está arrebatadora como Amnéris. Carol Bezerra também _e principalmente Danilo Morais, quase estreante, mas já com domínio de palco e tempo de comédia. Dele, sou capaz de apostar, ainda se vai ouvir muita coisa.

Escrito por Nelson de Sá às 11h02

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Bichos de Teatro

Grupo Caixa Preta apresenta

BARTLEBY, O ESCRITURÁRIO

de Herman Melville (1819-1891)



Uma das obras literárias mais importantes da
humanidade,

segundo Jorge Luis Borges, Bartleby, o escriturário. Parte do

legado de Melville, chamado pelo escritor francês

Albert Camus de "O Homero do Oceano Pacífico". 

Adaptação José Sanchis Sinisterra

Direção Jô Zacarias Goulart

Cácia Goulart e  Rodrigo Gaion.

André Cortez nos cenários.

e Produção Divina Elisete

"Prefiro não fazer", no dizer do ator.

No Sesc Paulista. Teatro de Câmara

Estréia 29 de fevereiro.

Escrito por Lenise Pinheiro às 09h25

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Lenise PinheiroO blog Cacilda é coordenado por Nelson de Sá, articulista da Folha, e pela repórter-fotográfica Lenise Pinheiro.

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