Cacilda
 

Um dia de Ulysses

Estréia hoje. 454º Aniversário de São Paulo.

Companhia Teatro dos Narradores.

Direção: José Fernando de Azevedo.

Ator: Dárcio de Oliveira

Atores: Barbara Araujo e Danilo Minharro

Espaço Maquinaria.

Sexta, sábado e domingo às 20:00 hs.

Escrito por Lenise Pinheiro às 13h34

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O riso e o siso

Desde que vi e me empolguei por Carlos Loffler no palco, sem saber que era o neto de Oscarito, tenho a ilusão de que existe algo de especial na arte da família. E que Oscarito é uma figura singular no teatro do Brasil.

 

Que é algo “natural” ou mais autêntico _até do que os também grandes, maiores do que ele na memória pública, Procópio Ferreira e Grande Otelo.

 

Oscarito que nem brasileiro é, propriamente. Nem espanhol. É de circo e de raízes distantes, na Alemanha, em Portugal e sabe-se lá mais onde.

 

É tudo muito instigante para mim, na carreira e na genealogia, daí certa frustração com a biografia de Flávio Marinho. Acabei de ler agora, enfim, mas foi arrastado. Não pelas informações, que surgem aos montes no livro, mas pelo olhar, em parte ao menos.

 

O subtítulo é “O riso e o siso”, para contrastar a personagem em cena e fora dela, mas a narrativa se contorce pelas mais de 300 páginas para não compreender ou arriscar do que se trata. Só no fim aceita, às pressas e por terceiros, a depressão.

 

Mas é explicado então por ser um artista esquecido por seu público ou melodrama que o valha _e não pela melancolia que o acompanhava desde o princípio. Ao longo da biografia, Marinho fala em concentração, timidez, conservadorismo; tristeza, não, ele recusa.

 

Outro equívoco persistente e empobrecedor é recusar outro conflito _entre o Rio de Oscarito, das revistas, da rádio Nacional, de Getúlio, e o de hoje, de Globo, seu teatro etc.

 

E as recusas não páram por aí, mas também não faltam qualidades à obra de Marinho. Ele que, afinal, foi quem levou o neto de Oscarito ao palco em “Splish Splash” e depois no “Theatro Musical Brazileiro 3”, já sem Luiz Antônio Martinez Corrêa, para refazer um esquete célebre do avô, reproduzido no livro.

 

Está nessas cenas recuperadas, em dramaturgia e depoimentos, o melhor de “O riso e o siso”. Permitem vislumbrar o humor físico, que aprendeu com os tios no circo. E também a comédia verbal, não menos significativa, pelo jeito, ao contrário do que se pensa.

 

Desde os anos 60, por outro lado, se pensa em Oscarito como cinema, Atlântida. Nada mais restritivo, mostra Flávio Marinho, com a reconstituição cuidadosa de dezenas de revistas e comédias, entre quadros de cortina e de picadeiro.

 

Nada que sobreviva inteiramente, como se sabe do teatro, que não se reproduz. A não ser, talvez, no sangue.

Escrito por Nelson de Sá às 11h23

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Seca

Em cartaz de segunda a domingo.

Nas cisternas secas do Nordeste.

Socorro!!!

Detalhe do cenário de Os Sertões - A Terra

Direção: Zé Celso Martinez Corrêa

Escrito por Lenise Pinheiro às 09h01

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Regra de três ou mais

Será que os nós e as cordas do teatro estão para as relações humanas

assim como a união e a cumplicidade estão para o convívio???

Escrito por Lenise Pinheiro às 14h54

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Nocaute

Uma das tiradas de Marcelo Mansfield ao testar seu novo stand-up, sexta-feira na Oswald de Andrade, foi se exasperar por ter de explicar o que é stand-up. Dizia, “vá ver no wikipedia”.

 

Mas ele explicou. Na verdade, no final foi quase uma conferência, com perguntas bem informadas do público, alguns muito jovens, outros velhos companheiros de humor e teatro de Mansfield.

 

No stand-up propriamente, ele citou frases célebres, por exemplo, de um artista moribundo que não guardei o nome, “morrer é fácil, difícil é fazer comédia”. A coisa toda me fez lembrar uma imagem de Danny Simon, irmão de Neil, dando aula de comédia uns 20 anos atrás.

 

Fez lembrar também teste semelhante, no PS 122 de Nova York, de um dos célebres solos de Spalding Gray, que tinham muito de stand-up, embora ele se apresentasse, com ironia, sempre sentado.

 

Mas Gray não explicava, jamais explicou coisa alguma, nem mesmo seu suicídio. E stand-up, como provam o talento de Mansfield e a reação do público em “Nocaute”, é só o rótulo para uma arte que o brasileiro _ou qualquer um_ aprecia sem restrições, desde que com graça.

 

Como se sabe e o próprio Mansfield tratou de espalhar na sexta, é toda uma turma que está em cartaz em São Paulo. Dos que ele citou, eu já havia visto o stand-up de Rafinha Bastos no Crowne Plaza.

 

Se tem uma coisa que nem Marcelo nem Rafinha resolveram, ainda, é como tratar de política. Até que eles lidam bem com o preconceito, também chave para o humor politicamente incorreto, mas em política ainda patinam, por mais que saibam bem que foi Lenny Bruce.

 

Ninguém foi tão radical nos anos 60, em comédia, nem tão incorreto politicamente _sem precisar, muito pelo contrário, tornar-se um moralista reacionário. Ninguém se entregou tanto, ao extremo de se assumir informante da polícia. Dizem que também ele se matou.

 

Óbvio que Marcelo Mansfield, Rafinha e tantos mais não precisam nem devem se suicidar, mas “morrer é fácil, difícil é fazer comédia” não pode ser só uma “one-liner”, uma piada de autocomiseração.

 

(Aliás, se alguém souber, por favor, me diga quem é o autor.)

Escrito por Nelson de Sá às 11h02

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A Pane

Agora em São Paulo, no Teatro Sesc Anchieta.

Autor: Friedrich Dürrenmatt

Direção, Iluminação e Trilha Sonora: José Henrique

Elenco: Antonio Alves, Henrique César, Henrique

Pagnoncelli, Gustavo Ottoni, Ricardo Leite Lopes,

Rogério Freitas e Silvia Monte.

Cenário e Figurinos: Ney Madeira

Gastronomia: Rubinho Veloso (La Buca Romana)

Sábados 21:00 hs e Domingos 19:00 hs

Escrito por Lenise Pinheiro às 10h01

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Lenise PinheiroO blog Cacilda é coordenado por Nelson de Sá, articulista da Folha, e pela repórter-fotográfica Lenise Pinheiro.

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