A Obscena Sra. D

Texto: Hilda Hilst
Direção: Donizeti Mazonas e Rosi Campos

Atriz: Susan Damasceno


Quartas, quintas e sextas às 21:00 hs

Sesc Consolação - 3º andar
Escrito por Lenise Pinheiro às 10h14
Prepare seu coração
Eu tinha que ver. Quando li no jornal que uma turma da EAD estava apresentando um musical no teatro-laboratório, com músicos da ECA, lembrei o “Sweeney Todd” da OperÁria e fui às pressas.
Era, afinal, mais uma confirmação _ou esperança_ para o teatro musical
São 18 atores/cantores/bailarinos no palco, nem todos lá muito desenvolvidos, mas fiquei pensando se a atriz que faz Marta ou a que faz Sônia, se o ator que faz José Carlos ou o que faz Walter, se o comediante que faz Eduardo, entre tantos, se eles vão estar em cena em dois ou três anos, talvez no Abril. (O programa bem que podia identificar os atores.)
É emocionante tanta gente arriscando, tão cedo, mas “Prepare seu Coração” foi oportunidade para bem mais, para mim.
A história de 1968 vai sendo reescrita desde já, parece que vem até série da Globo por aí, e a versão corrente é estranhamente dada por aqueles que já então, à época, se opunham a 68.
“Prepare seu Coração”, concepção e dramaturgia de Mário Vianna, com Fábio Torres e a direção de Iacov Hillel, é bem mais inteligente e sobretudo mais crítica do que o blablablá antidrogas, contra Che, contra a utopia.
Opõe a luta armada à quieta aprovação da ditadura, opções angustiadas e ilusórias, ambas. Desvela o engajamento de Caetano Veloso, em contraste com o bom-mocismo de Chico Buarque. Subverte idéias fechadas sobre Jovem Guarda e os hippies, sobre uma primeira traição de José Dirceu, sobre cumplicidade de opostos.
É cruel com 68, mas também quase tão envolvente, apaixonada quanto "Hair", que ecoa na encenação.
Porém uma divergência. Vianna diz que queria e realizou um novo musical, diferente tanto da Broadway quando das biografias da praça Tiradentes, gêneros que tomaram São Paulo. Daí suas canções dos festivais, de Roberto Carlos a Geraldo Vandré.
Mas Broadway e o saudosismo carioca não são o problema. Wolf Maya disse muito tempo atrás e eu concordo que o teatro musical só retorna no Brasil quando os compositores voltarem, eles também.
Vale para os mesmos Caetano e principalmente Chico Buarque, presentes nos quadros de “Prepare seu Coração”, alguns com canções escritas não só para festivais de Record e Excelsior mas para musicais de Arena e Oficina.
Sem "score" original, o musical é sempre evocação, saudade da Broadway de “Hair” ou da “Roda Viva” de Marília Pêra.
Mas não importa. O talento de Vianna para quadros de comédia e música, talento também do diretor, dos atores e dos ainda mais jovens músicos comandados por Carlos Bauzys, faz da peça uma aposta.
Antes de mais nada, exigiria coreografia, mas alguns meses sob a pressão de produtores comerciais e “Prepare seu Coração” poderia “transferir” para o palco profissional.
Escrito por Nelson de Sá às 23h52
Um ator, um tablado e uma paixão

Cena do espetáculo Renato Russo, com o ator Bruce Gomlevsky
MERDA!!!!!
Escrito por Lenise Pinheiro às 10h36
Calabar - Breviário
Texto de Chico Buarque e Ruy Guerra
Atores: Luciana Paes e Ivan Kraut




Adaptação e direção: Heron Coelho e Rafael Gomes (esq)

Atores: Luciana Paes e José Eduardo Rennó
Sesc Avenida Paulista
Sexta a domingo às 21:00 hs
Escrito por Lenise Pinheiro às 09h48
Um dia de Ulysses
Estréia hoje. 454º Aniversário de São Paulo.


Companhia Teatro dos Narradores.
Direção: José Fernando de Azevedo.

Ator: Dárcio de Oliveira

Atores: Barbara Araujo e Danilo Minharro

Espaço Maquinaria.


Sexta, sábado e domingo às 20:00 hs.
Escrito por Lenise Pinheiro às 13h34
O riso e o siso
Desde que vi e me empolguei por Carlos Loffler no palco, sem saber que era o neto de Oscarito, tenho a ilusão de que existe algo de especial na arte da família. E que Oscarito é uma figura singular no teatro do Brasil.
Que é algo “natural” ou mais autêntico _até do que os também grandes, maiores do que ele na memória pública, Procópio Ferreira e Grande Otelo.
Oscarito que nem brasileiro é, propriamente. Nem espanhol. É de circo e de raízes distantes, na Alemanha, em Portugal e sabe-se lá mais onde.
É tudo muito instigante para mim, na carreira e na genealogia, daí certa frustração com a biografia de Flávio Marinho. Acabei de ler agora, enfim, mas foi arrastado. Não pelas informações, que surgem aos montes no livro, mas pelo olhar, em parte ao menos.
O subtítulo é “O riso e o siso”, para contrastar a personagem em cena e fora dela, mas a narrativa se contorce pelas mais de 300 páginas para não compreender ou arriscar do que se trata. Só no fim aceita, às pressas e por terceiros, a depressão.
Mas é explicado então por ser um artista esquecido por seu público ou melodrama que o valha _e não pela melancolia que o acompanhava desde o princípio. Ao longo da biografia, Marinho fala em concentração, timidez, conservadorismo; tristeza, não, ele recusa.
Outro equívoco persistente e empobrecedor é recusar outro conflito _entre o Rio de Oscarito, das revistas, da rádio Nacional, de Getúlio, e o de hoje, de Globo, seu teatro etc.
E as recusas não páram por aí, mas também não faltam qualidades à obra de Marinho. Ele que, afinal, foi quem levou o neto de Oscarito ao palco em “Splish Splash” e depois no “Theatro Musical Brazileiro
Está nessas cenas recuperadas, em dramaturgia e depoimentos, o melhor de “O riso e o siso”. Permitem vislumbrar o humor físico, que aprendeu com os tios no circo. E também a comédia verbal, não menos significativa, pelo jeito, ao contrário do que se pensa.
Desde os anos 60, por outro lado, se pensa em Oscarito como cinema, Atlântida. Nada mais restritivo, mostra Flávio Marinho, com a reconstituição cuidadosa de dezenas de revistas e comédias, entre quadros de cortina e de picadeiro.
Nada que sobreviva inteiramente, como se sabe do teatro, que não se reproduz. A não ser, talvez, no sangue.
Escrito por Nelson de Sá às 11h23
Seca
Em cartaz de segunda a domingo.
Nas cisternas secas do Nordeste.
Socorro!!!

Detalhe do cenário de Os Sertões - A Terra
Direção: Zé Celso Martinez Corrêa
Escrito por Lenise Pinheiro às 09h01
Regra de três ou mais
Será que os nós e as cordas do teatro estão para as relações humanas
assim como a união e a cumplicidade estão para o convívio???

Escrito por Lenise Pinheiro às 14h54
Nocaute
Uma das tiradas de Marcelo Mansfield ao testar seu novo stand-up, sexta-feira na Oswald de Andrade, foi se exasperar por ter de explicar o que é stand-up. Dizia, “vá ver no wikipedia”.
Mas ele explicou. Na verdade, no final foi quase uma conferência, com perguntas bem informadas do público, alguns muito jovens, outros velhos companheiros de humor e teatro de Mansfield.
No stand-up propriamente, ele citou frases célebres, por exemplo, de um artista moribundo que não guardei o nome, “morrer é fácil, difícil é fazer comédia”. A coisa toda me fez lembrar uma imagem de Danny Simon, irmão de Neil, dando aula de comédia uns 20 anos atrás.
Fez lembrar também teste semelhante, no PS 122 de Nova York, de um dos célebres solos de Spalding Gray, que tinham muito de stand-up, embora ele se apresentasse, com ironia, sempre sentado.
Mas Gray não explicava, jamais explicou coisa alguma, nem mesmo seu suicídio. E stand-up, como provam o talento de Mansfield e a reação do público em “Nocaute”, é só o rótulo para uma arte que o brasileiro _ou qualquer um_ aprecia sem restrições, desde que com graça.
Como se sabe e o próprio Mansfield tratou de espalhar na sexta, é toda uma turma que está em cartaz
Se tem uma coisa que nem Marcelo nem Rafinha resolveram, ainda, é como tratar de política. Até que eles lidam bem com o preconceito, também chave para o humor politicamente incorreto, mas em política ainda patinam, por mais que saibam bem que foi Lenny Bruce.
Ninguém foi tão radical nos anos 60, em comédia, nem tão incorreto politicamente _sem precisar, muito pelo contrário, tornar-se um moralista reacionário. Ninguém se entregou tanto, ao extremo de se assumir informante da polícia. Dizem que também ele se matou.
Óbvio que Marcelo Mansfield, Rafinha e tantos mais não precisam nem devem se suicidar, mas “morrer é fácil, difícil é fazer comédia” não pode ser só uma “one-liner”, uma piada de autocomiseração.
(Aliás, se alguém souber, por favor, me diga quem é o autor.)
Escrito por Nelson de Sá às 11h02
A Pane
Agora em São Paulo, no Teatro Sesc Anchieta.

Autor: Friedrich Dürrenmatt


Direção, Iluminação e Trilha Sonora: José Henrique

Elenco: Antonio Alves, Henrique César, Henrique
Pagnoncelli, Gustavo Ottoni, Ricardo Leite Lopes,
Rogério Freitas e Silvia Monte.
Cenário e Figurinos: Ney Madeira



Gastronomia: Rubinho Veloso (La Buca Romana)

Sábados 21:00 hs e Domingos 19:00 hs
Escrito por Lenise Pinheiro às 10h01
O Baile no Rio de Janeiro
O BAILE, de Jean Claude Penchenat

com roteiro de Walderez Cardoso Gomes.
Direção de José Possi Neto

Música, cultura e política numa mesma montagem.


Terceira temporada de sucesso.

Figurinos: Marilia Carneiro

Teatro João Caetano, na Praça Tiradentes - RJ


Qui. a sáb. 19:30 hs
Dom. 19:00 hs
Escrito por Lenise Pinheiro às 12h33
O negrinho Otelo
Das duas biografias das férias, de Oscarito e de Grande Otelo, a que terminei antes foi a de Otelo.
Estava até mais animado com a primeira, a personagem é menos conhecida, sua genealogia teatral é fascinante, mas a história contada por Sérgio Cabral, do grande ator negro, desde o circo, sem entusiasmo pueril pelo objeto nem melodrama, venceu.
Cabral, que eu já admirava pelas biografias também teatrais de Ary Barroso, Nara Leão, não caiu na esparrela de explicar a existência de Otelo por álcool ou por desventuras amorosas _como nos necrológios todos, tão fixados nos últimos anos de sua vida.
“Grande Otelo, uma Biografia” (editora 34) nada esconde, é muitas vezes cruel, mas tenta dar às coisas o tamanho certo.
Também não afeta distância. Entrega-se logo: “Um dia, o redator destas linhas esteve com o ator e confessou que gostava tanto dele que, ao vê-lo, tinha vontade de chorar”. Apaixonado e impiedoso, deixa entrever por que Otelo é tão grande na memória nacional.
Da minha parte, o mais revelador no livro foi a persistente vinculação de Sebastião Bernardes de Souza Prata, um de seus tantos nomes, à cultura negra popular. Não foi radical, pelo contrário, mas a toda hora fazia o país lembrar o próprio preconceito.
Isso, desde o princípio no palco, quando era ainda descrito como “colored”. Anos 20 e estreava, aos oito, como declamador ou “entertainer”, o que foi a vida toda, na Cia. Negra de Revistas, dos lendários De Chocolat e Jaime Silva, em peças tipo “Café Torrado”.
Nelson Rodrigues, adolescente e já escrevendo em jornal, falou que “o sucesso do dia foi o negrinho Otelo, de precocidade admirável, dono de uma voz agradável e educada, tendo sempre, brincando nos seus menores movimentos, uma comicidade adorável”.
Saiu da companhia, estudou, diz Cabral que tinha facilidade com inglês e francês, largou tudo, viveu na rua, tornou-se amigo de Abdias Nascimento em pensão na São João, até voltar ao palco pelas mãos de Oscarito e Jardel Jércolis, o lendário produtor, pai de Jardel Filho.
Por sete décadas, sua vida foi de uma lenda a outra, da idéia para o samba sobre a destruição da praça Onze, “o ponto de reunião da comunidade negra” e coração do Carnaval popular do Rio, ao filme “Moleque Tião” que abriu a Atlântida, ao Cassino da Urca, ao Cinema Novo.
Ao longo do tempo, resistiu ao comando, sempre _dos produtores de revista, diretores de teatro, cineastas, do partidão, resistiu até ao movimento negro. Ao se encontrar com Orson Welles ou Josephine Baker, reagia sem deslumbramento, quase com desfaçatez.
Vinícius de Moraes ouviu de Welles, que filmou Otelo obsessivamente e depois não editou, que havia no ator “um trágico de primeira qualidade”. Mais, “um gênio”.
Escrito por Nelson de Sá às 10h26
Besouro - Herói Popular
Musical Besouro Cordão de Ouro

De Paulo Cesar Pinheiro

Direção: João das Neves

Capoeira e poesia


Sesc Pompéia

Sextas e sábados às 21:30 hs
Domingos às 18:30 hs
Escrito por Lenise Pinheiro às 09h25
Estética de história em quadrinhos
Graphic, no Centro Cultural São Paulo.

Texto e direção de Paulo Biscaia Filho.

Atores Carolina Fauquemont,
leandrodanielcolombo (nas fotos à direita)


e Rafaella Marques

Quintas a sábado às 21:00 hs e domingo às 20:00 hs
Escrito por Lenise Pinheiro às 10h10
Cheiro de teatro
Lavanda

Concepção e interpretação: Luciana Brites


Direção: Claudia Missura

Trilha Sonora: Marcelo Pellegrini

Iluminação: Alessandra Domingues


Espaço dos Parlapatões
Terças e Quartas às 21:00 hs
Escrito por Lenise Pinheiro às 15h14
Novas Diretrizes em Tempos de Paz
Texto de Bosco Brasil

Dirigido por Fernando Couto

Atores: Ari Nóbrega e Olavo Castro

Montagem do grupo Atores Associados de Minas Gerais

Centro Cultural São Paulo

Espaço Cênico Ademar Guerra

Terças e quartas às 21:00 hs
Escrito por Lenise Pinheiro às 11h40
Bravo!!!!
Lope de Vega, 1562-1636, encenador espanhol,
dizia que para fazer teatro ele precisava apenas de:

Quatro cavaletes, quatro pranchas, dois atores e uma paixão.
Com Sergio Britto, só um ator basta!

Jung e eu, espetáculo de Domingos Oliveira. Estou apaixonada!

"Celebramos toda uma existência, bebendo o melhor do teatro,
servido numa taça de uma hora". Evoé!!!!

"O sonho é a fotografia do inconsciente".



Sergio Britto muito à vontade. Muito aplaudido. Comovido.

O público entregue e emocionado.
Santo André, 13 de janeiro de 2008.
Escrito por Lenise Pinheiro às 11h16
Theatro Brazileiro
Férias entre o interior e a praia, com três meninos, mas queria deixar um registro de “Cypriano & Chan-ta-lan ou Folias e Sensações de
Suposto teatro juvenil, é bem o teatro de Luiz Antônio nos anos 70 e 80, intervalo feliz, “comic relief”, entre a explosão da liberdade e o triunfo do capital. Certamente 1968 e 1989 foram anos para a história do mundo, mas quem viveu o intervalo pode se dar por feliz.
Marcelo, carioca que viveu o Baixo Gávea, me falou da ponte Hamilton Vaz Pereira/Cacá Rosset, Maria Alice Vergueiro/Regina Casé _até Mauro Rasi/Pedro Cardoso/Miguel Magno_ que está na obra de Luis Antônio. Ele tocou tudo aquilo, naqueles anos, o besteirol paulista e carioca que sobreveio, até por fim o baiano, tão bem retratado em uma das cenas do dia 23.
Como o irmão diretor mais velho, que buscou em Oswald de Andrade a chave do tropicalismo, Luis Antônio deu a chave para o intervalo com o “Theatro Musical Brazileiro”, das revistas, dos números de cortina e muitos mais.
Das tantas imagens que ficaram da comoção que se seguiu à morte do jovem diretor, lembrado todo ano pelo irmão, algumas delas neste momento no site do Oficina, a que mais me marca é de Grande Otelo, tão triste, abraçando Zé Celso.
Otelo e também Oscarito foram fontes vitais para Luis Antônio, eles que revivem agora nas biografias lançadas por Sérgio Cabral e Flávio Marinho. Estou ainda nas primeiras metades de ambas, mas o teatro da lona de circo, a revista, o teatro musical sonhado e reanimado por ele me parecem mais poderosos do que nunca, eternos.
Escrito por Nelson de Sá às 05h04
Números e luzes no Teatro!
Nos afetos. Nos ritmos. Nos sertões.
No turbante. No salto alto. No Teatro Nô.
No Oficina. Teat(r)o e Carmem Miranda.

Os Sertões - A terra em 2002.
Saúde e Amor em 2008.
Escrito por Lenise Pinheiro às 15h10

