Cacilda
 

Jogos de cena

As primeiras cenas que vi, com depoimentos tornados teatro, foram de Anna Deavere Smith, em “Twilight Los Angeles, 1992”. Relatavam sob dezenas de ângulos um fato histórico, os “riots” _a revolta dos bairros negros depois do veredicto do caso Rodney King, em que policiais brancos da cidade espancaram um miserável, em vídeo célebre.

 

Era “teatro documentário”, como descrito então, parte da série sobre o “caráter americano” que a atriz, diretora e professora de Stanford realizou por duas décadas _e que deixou outra obra significativa, anterior, “Fires in the Mirror”, sobre os “riots” do Brooklyn após o atropelamento e morte de um menino negro e em seguida o assassinato de um menino judeu.

 

O processo de Anna Deavere Smith se disseminou nos anos seguintes, ganhou adeptos pelo mundo, como Klaus Pohl na Alemanha unificada. E me vem à memória agora, ao ver “Simpatia”, com texto de José Rubens Siqueira e direção de Renata Melo, que pelo jeito faz este fim de semana as suas últimas apresentação em São Paulo, no Tuca.

 

Aqui, o jogo é o mesmo, como também em “Domésticas”, uma peça anterior de Renata Melo que virou filme, o primeiro de Fernando Meirelles. Mas o conflito social espelhado por Smith, Pohl e até por “Domésticas”, nos anos 90, dá lugar a outra demanda do teatro e da sociedade, evidenciada entre outros por “Les Éphémères”, de Ariane Mnouchkine.

 

É a família, o drama ou até o melodrama de suas relações que surge nos depoimentos _e que vai ao palco ou à tela em cenas breves, solilóquios como os de “Simpatia” ou, no cinema, com estrutura idêntica, “Jogo de Cena”, a delicada obra-prima de Eduardo Coutinho. São mulheres, mães, jovens ou velhas, seus anseios, desejos.

 

Imagino que José Rubens e Renata, como Coutinho no filme, tenham saído a campo para os depoimentos sem saber bem o que encontrariam. E o resultado é tão próximo porque estava lá _assim como a vaga melodramática da França de Mnouchkine não é “movimento”, mas expressão do tempo. Seja o que for, é emocionante.

 

Como “stand-up”, nos depoimentos cômicos que escorregam para a melancolia ou a tristeza, ou como “mise-en-scène”, na dança dos cenários e dos corpos retratados, é uma peça que não vou esquecer tão cedo. Em reação mais pessoal, talvez auto-induzida, trouxe muito da minha juventude e infância, na pequena cidade em que cresci, como Renata.

 

Reconheci, naquelas vendedoras evocadas por uma grande atriz como Xuxa Lopes ou por uma revelação, para mim, como Leandra Leal, por Luciana Carnieli, Verônica Nóbili, Ana Andreatta, sem exceção, as minhas tias, mães de amigos, amigas de minha mãe, ela mesma. E me reconheci e aos meus nos tipos masculinos de Maurício Marques e Eric Nowinski.

Escrito por Nelson de Sá às 11h44

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Novo velho Nelson

Recebi o cartão de Ano Novo de Antunes Filho, como todo dezembro e toda a classe, há tantos anos. E lá está o que já anunciou antes, a encenação de “Senhora dos Afogados”, para 2008. Ouvi que Zé Celso deve encenar também, para Maria Padilha.

 

Não entendo bem o que acontece entre eles dois, há meio século. Um monta Oswald, o outro monta Mario de Andrade. Um demora duas décadas para encenar “A Pedra do Reino”, o outro o mesmo tanto para “Os Sertões”. Os paralelos poderiam prosseguir longamente. Ainda vou perguntar aos dois.

 

Mas o que importa agora é Nelson Rodrigues, que Antunes já vasculhou em tantas montagens, a minha preferida é “Os Sete Gatinhos” de “Paraizo Zona Norte”, e Zé tateou em uma só, “Boca de Ouro”. Atacados pelo dramaturgo, de geração anterior, os então jovens diretores se mostraram afinal seus redentores. Mas por que “Senhora dos Afogados”?

 

A questão me levou a assistir à versão de Zé Henrique de Paula no Centro da Terra, há pouco, no final da temporada. A produção, de elenco numeroso, figurinos carregados e procissões pelo pequeno palco, me pareceu dever bastante a Antunes.

 

Interessou mais pela estranhíssima conjunção entre as canções de Chico Buarque e as personagens de Nelson. Com uma ou outra exceção de vínculo mecânico entre as letras e os diálogos, foi revelador o resultado.

 

Personagens como dona Eduarda e Moema ganham outra cara, conjugando a lendária sensualidade feminina de Chico às obsessões psicológicas e familiares de Nelson. O “mashup” enriqueceu inesperadamente a experiência com o dramaturgo, mais distanciada agora de seu modelo, Eugene O’Neill.

 

Ao lado do “Anjo Negro” de Frank Castorf, em “mashup” com Heiner Mueller, a peça abre novos caminhos para Nelson Rodrigues, nosso autor maior. Como vai fazer Antunes, o que poderá inovar, ele também? Não tenho a menor idéia. Mas é uma das minhas esperanças para 2008.

 

PS 23h – Por acaso, poucas horas depois de postar, um amigo me contou ter visto o ensaio de “Senhora dos Afogados”, já bem desenvolvida. Se serve de pista, nestes tempos em que tudo se sabe, on-line, antes do registro formal do fato, o novo velho Nelson de Antunes está menos para o mito e mais para o verbo. Mais não arrisco relatar.

Escrito por Nelson de Sá às 11h04

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Bruta-Flor

Mãe Coragem parece que foi escrita para ela:

Louise Cardoso

Dirigida por Paulo de Moraes

Atrizes: Patrícia Selonk e Louise Cardoso

 

Armazém Cia. de Teatro 

Carroça de si mesma!

Estréia hoje

no Centro Cultural Banco do Brasil - RJ

Escrito por Lenise Pinheiro às 14h53

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O Natimorto

Texto: Lourenço Mutarelli

Adaptação e direção: Mário Bortolotto

Atores: Maria Manoella, Nilton Bicudo e

Martha Nowill

Figurinos: Cassio Brasil

Cenário: Valdy Lopes Jn

Iluminação e fotografia: Lenise Pinheiro

Záfrica Produções/Iris Cavalcanti

Até 20 de dezembro

Sesc Anchieta

Escrito por Lenise Pinheiro às 14h29

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Galados

O Casamento

Um espetáculo pequeno burguês.

Entendidos. No camarim.

Ator: César Ferrário

Grupo de teatro Clowns de Shakespeare.

Direção: Fernando Yamamoto e Eduardo Moreira

Atores: Marco França e Rogério Ferraz

Atores: Carolline Cantídio e Fernando Yamamoto

Atores: Renata Kaiser e Marco França

Atriz: Nara Kelly

Atriz: Carolline Cantídio

No palco,  cerimônia.

Saúde!!!!

No Tusp.

Até 16 de dezembro.

Escrito por Lenise Pinheiro às 15h11

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Lenise PinheiroO blog Cacilda é coordenado por Nelson de Sá, articulista da Folha, e pela repórter-fotográfica Lenise Pinheiro.

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