Salve 2008!
Viva!O blog Cacilda.

Muita saúde, amor e teatro para todos nós
Escrito por Lenise Pinheiro às 09h43
2007
Último dia da temporada teatral.
Às 14:30 no Teat(r)o Oficina

Cypriano e Chantalan, texto de Luiz Antônio Martinez Corrêa
Direção de Zé Celso, Marcelo Drummond e Pascoal da Conceição
Com o Grupo Uzyna Uzona
Às 19:30 no Teatro Folha

Por uma vida um pouco menos ordinária
Texto de Daniela Pereira de Carvalho
Direção: Gilberto Gawronski
Elenco: Eduardo Moscovis, Liliana Castro e Joelson Medeiros
Escrito por Lenise Pinheiro às 09h41
Natimorto
Hoje termina a temporada de “O Natimorto” no Anchieta e, pelo que me contou a Íris Cavalcanti, que produziu minha única direção e a quem admiro mais a cada nova e ambiciosa montagem, a pauta dos teatros anda difícil nos próximos dois, três meses.
Já foi um risco, imagino, estrear de terça a quinta num teatro de trezentos e tantos lugares, mas o espetáculo achou seu público, ao menos na apresentação que presenciei. Em todo caso, por um bom tempo, pode ser a última chance de ver “O Natimorto”.
Não posso dizer que compreendo ou me envolvo com o universo de Lourenço Mutarelli. Não vejo personagens, mas tipos; não distingo diálogos, mas “one-liners”. Já passado, preciso de tempo para identificar e apreciar um universo como o dele, de alegorias pós-modernas.
O que me pegou em “O Natimorto” foram a encenação de Mario Bortolotto e as interpretações de Nilton Bicudo e Maria Manoella.
O diretor, em nova adaptação de um criador muito diverso dele, como em “Chapa Quente”, se confirma inusitadamente apolíneo, rigoroso do cenário aos objetos de cena e às marcações. O paralelo costumeiro com o “sujo” e genial Plínio Marcos, em sua dramaturgia e atuação, desaparece na direção.
É como se tirasse uma máscara e deixasse transparecer o domínio do ofício, do tempo, do rigor técnico que não se permite na obra mais individual de autor e ator. No ambiente quase higienizado do Anchieta, a diferença é ainda mais flagrante.
Sobre Nilton Bicudo, ele se solta para uma noite de virtuose, no papel obsessivo que lhe cabe. O contraste com o recente “Faz de Conta que Tem Sol Lá Fora”, em que foi contido e delicado como o texto de Ivam Cabral, torna a interpretação de O Agente maior do que a vida, excessiva, mas de belo efeito.
Maria Manoella é quem traz calor à técnica da encenação de Bortolotto e sutileza, nuance à contracenção com Bicudo. Não vi “Ricardo 3º” nem “Madame Shakespeare”, não tenho parâmetros, mas para mim foi uma revelação.
Vulnerável sem ser idealizada, mais frágil do que romântica, sua A Voz rompe com o olhar tão obviamente masculino da trama e da própria encenação. Como acontece com Ofélia e tantos personagens femininos do palco, é em torno dela que corre o redemoinho, a vitalidade de “O Natimorto”.
Escrito por Nelson de Sá às 12h21
Mercadorias e Futuro
Hoje e amanhã, Lirinha

dias 19 e 20 de dezembro.

Poesia, música e mistério.
No teatro do Sesc Pompéia.




Encantado pelo teatro.
Escrito por Lenise Pinheiro às 17h02
Experiências e valores
Espetáculo: 1,99



Ricardo Castro para o grande público.


No Teatro Frei Caneca.

Hoje às 21:00 hs.


Escrito por Lenise Pinheiro às 14h10
A vida dos outros
Eu não estava lá no dia 9 de novembro de 1989, mas corri, era um momento para a história. E dois meses depois da queda do muro de Berlim fui parar diante dele, nos portões de Brandenburgo. Continuava de pé, a parte derrubada estava com barreiras, policiada, e foi preciso passaporte para atravessarmos, eu e uma amiga.
Mas era só a maneira alemã, pensei então, organizada até para uma revolução. Tentei arrancar um pedaço do muro com martelo, em outro trecho, não deu e acabei comprando dos jovens que vendiam aos montes, nas ruas. Andei pelo lado oriental, praças, bares, o metrô, fui ao Berliner Ensemble..
Ao contrário de Praga e da contemporânea Revolução de Veludo de Vaclav Havel, que visitei no trem que atravessava as ainda Tchecoslováquia e Alemanha Oriental, não havia naquela Berlim a liberdade no ar, gente cantando jazz nas ruas. Talvez as cidades fossem sempre as mesmas, qualquer o regime.
Mas não é o que revela agora “A Vida dos Outros”, o extraordinário filme de Florian Henckel von Donnersmarck. A opressão do regime, não da sociedade, está em toda parte, nas vidas das pessoas, no palco. Os mais vulneráveis, não por acaso artistas, atores, não sabem como lidar com tamanha carga e se matam.
Primeiro, o diretor de teatro que é proibido de criar, trabalhar. Por fim e de maneira absolutamente trágica, a atriz que cede ao poder para se manter e talvez crescer; que depois reage a ele pelo amor de um dramaturgo; até que é presa, tenta não trair, mas não suporta e o faz.
A cena de sua resistência, o sorriso que esboça, é de uma demente.
Já seu amor, o dramaturgo de sucesso, era amigo da mulher do ditador no regime fechado, Margot Honecker, e entra na sociedade do espetáculo como uma celebridade das artes. Em suas peças, pouco ou nada de política e contestação. O que se destaca como tal é obra do diretor, afastado e que se suicida.
E o protagonista do filme, afinal, é aquele que antes acredita no regime, o agente da Stasi, a polícia que segue “a vida dos outros”. É quem vive a maior transformação, ao perceber na atriz e no dramaturgo os efeitos da opressão de que faz parte.
É interpretado por Ulrich Mühne, que morreu meses atrás. Sua história se mistura ao enredo. Alemão oriental, foi policial de guarda no muro, antes de ator. Foi o “Hamletmaschine” de Heiner Mueller em pleno
Não vi, mas foi ele o jornalista Ian de “Blasted”, de Sarah Kane, na montagem célebre de Thomas Ostermeyer levada em Londres, ano passado.
No filme, é com uma ironia brechtiana, contradição aberta, que ele surge lendo Bertolt Brecht e depois, descobre-se, cria e relata uma suposta peça que os artistas estariam escrevendo quando ele os espiona. Na realidade, escreviam um artigo contra o regime, sobre suicídios em grande proporção no país.
É ele, o capitão Gerd Wiesler, o herói ou anti-herói da história, que do coração do autoritarismo distingue o imperativo da liberdade _e age.
“A Vida dos Outros” é muitíssimo inteligente. Foca liberdade e opressão, não esquerda e direita, pobres e ricos. A espionagem é realizada com sofisticação, não a caricatura do regime que se espalhou desde então. E a primeira cena da Berlim unificada traz dois mendigos na rua, em contraste com o vazio tão limpo da Berlim Oriental.
Mas não é o que importa, a pobreza. É a opressão. Como em Brecht ou Mueller, tudo no filme escorre ironia, um desvio, uma armadilha para a esperança. É uma celebração do que o teatro tem de maior, a liberdade, expressa no desespero da atriz e na revolução silenciosa que se opera na mente do quase imóvel “hauptmann” Gerd Wiesler.
Escrito por Nelson de Sá às 11h30
Jogos de cena
As primeiras cenas que vi, com depoimentos tornados teatro, foram de Anna Deavere Smith, em “Twilight Los Angeles,
Era “teatro documentário”, como descrito então, parte da série sobre o “caráter americano” que a atriz, diretora e professora de Stanford realizou por duas décadas _e que deixou outra obra significativa, anterior, “Fires in the Mirror”, sobre os “riots” do Brooklyn após o atropelamento e morte de um menino negro e em seguida o assassinato de um menino judeu.
O processo de Anna Deavere Smith se disseminou nos anos seguintes, ganhou adeptos pelo mundo, como Klaus Pohl na Alemanha unificada. E me vem à memória agora, ao ver “Simpatia”, com texto de José Rubens Siqueira e direção de Renata Melo, que pelo jeito faz este fim de semana as suas últimas apresentação
Aqui, o jogo é o mesmo, como também em “Domésticas”, uma peça anterior de Renata Melo que virou filme, o primeiro de Fernando Meirelles. Mas o conflito social espelhado por Smith, Pohl e até por “Domésticas”, nos anos 90, dá lugar a outra demanda do teatro e da sociedade, evidenciada entre outros por “Les Éphémères”, de Ariane Mnouchkine.
É a família, o drama ou até o melodrama de suas relações que surge nos depoimentos _e que vai ao palco ou à tela em cenas breves, solilóquios como os de “Simpatia” ou, no cinema, com estrutura idêntica, “Jogo de Cena”, a delicada obra-prima de Eduardo Coutinho. São mulheres, mães, jovens ou velhas, seus anseios, desejos.
Imagino que José Rubens e Renata, como Coutinho no filme, tenham saído a campo para os depoimentos sem saber bem o que encontrariam. E o resultado é tão próximo porque estava lá _assim como a vaga melodramática da França de Mnouchkine não é “movimento”, mas expressão do tempo. Seja o que for, é emocionante.
Como “stand-up”, nos depoimentos cômicos que escorregam para a melancolia ou a tristeza, ou como “mise-en-scène”, na dança dos cenários e dos corpos retratados, é uma peça que não vou esquecer tão cedo. Em reação mais pessoal, talvez auto-induzida, trouxe muito da minha juventude e infância, na pequena cidade em que cresci, como Renata.
Reconheci, naquelas vendedoras evocadas por uma grande atriz como Xuxa Lopes ou por uma revelação, para mim, como Leandra Leal, por Luciana Carnieli, Verônica Nóbili, Ana Andreatta, sem exceção, as minhas tias, mães de amigos, amigas de minha mãe, ela mesma. E me reconheci e aos meus nos tipos masculinos de Maurício Marques e Eric Nowinski.
Escrito por Nelson de Sá às 11h44
Novo velho Nelson
Recebi o cartão de Ano Novo de Antunes Filho, como todo dezembro e toda a classe, há tantos anos. E lá está o que já anunciou antes, a encenação de “Senhora dos Afogados”, para 2008. Ouvi que Zé Celso deve encenar também, para Maria Padilha.
Não entendo bem o que acontece entre eles dois, há meio século. Um monta Oswald, o outro monta Mario de Andrade. Um demora duas décadas para encenar “A Pedra do Reino”, o outro o mesmo tanto para “Os Sertões”. Os paralelos poderiam prosseguir longamente. Ainda vou perguntar aos dois.
Mas o que importa agora é Nelson Rodrigues, que Antunes já vasculhou em tantas montagens, a minha preferida é “Os Sete Gatinhos” de “Paraizo Zona Norte”, e Zé tateou em uma só, “Boca de Ouro”. Atacados pelo dramaturgo, de geração anterior, os então jovens diretores se mostraram afinal seus redentores. Mas por que “Senhora dos Afogados”?
A questão me levou a assistir à versão de Zé Henrique de Paula no Centro da Terra, há pouco, no final da temporada. A produção, de elenco numeroso, figurinos carregados e procissões pelo pequeno palco, me pareceu dever bastante a Antunes.
Interessou mais pela estranhíssima conjunção entre as canções de Chico Buarque e as personagens de Nelson. Com uma ou outra exceção de vínculo mecânico entre as letras e os diálogos, foi revelador o resultado.
Personagens como dona Eduarda e Moema ganham outra cara, conjugando a lendária sensualidade feminina de Chico às obsessões psicológicas e familiares de Nelson. O “mashup” enriqueceu inesperadamente a experiência com o dramaturgo, mais distanciada agora de seu modelo, Eugene O’Neill.
Ao lado do “Anjo Negro” de Frank Castorf, em “mashup” com Heiner Mueller, a peça abre novos caminhos para Nelson Rodrigues, nosso autor maior. Como vai fazer Antunes, o que poderá inovar, ele também? Não tenho a menor idéia. Mas é uma das minhas esperanças para 2008.
PS 23h – Por acaso, poucas horas depois de postar, um amigo me contou ter visto o ensaio de “Senhora dos Afogados”, já bem desenvolvida. Se serve de pista, nestes tempos em que tudo se sabe, on-line, antes do registro formal do fato, o novo velho Nelson de Antunes está menos para o mito e mais para o verbo. Mais não arrisco relatar.
Escrito por Nelson de Sá às 11h04
Bruta-Flor
Mãe Coragem parece que foi escrita para ela:
Louise Cardoso

Dirigida por Paulo de Moraes


Atrizes: Patrícia Selonk e Louise Cardoso









Armazém Cia. de Teatro


Carroça de si mesma!

Estréia hoje
no Centro Cultural Banco do Brasil - RJ
Escrito por Lenise Pinheiro às 14h53
O Natimorto
Texto: Lourenço Mutarelli
Adaptação e direção: Mário Bortolotto

Atores: Maria Manoella, Nilton Bicudo e

Martha Nowill

Figurinos: Cassio Brasil

Cenário: Valdy Lopes Jn

Iluminação e fotografia: Lenise Pinheiro

Záfrica Produções/Iris Cavalcanti
Até 20 de dezembro
Sesc Anchieta
Escrito por Lenise Pinheiro às 14h29
Galados
O Casamento
Um espetáculo pequeno burguês.
Entendidos. No camarim.

Ator: César Ferrário
Grupo de teatro Clowns de Shakespeare.
Direção: Fernando Yamamoto e Eduardo Moreira

Atores: Marco França e Rogério Ferraz




Atores: Carolline Cantídio e Fernando Yamamoto

Atores: Renata Kaiser e Marco França

Atriz: Nara Kelly

Atriz: Carolline Cantídio

No palco, cerimônia.

Saúde!!!!
No Tusp.
Até 16 de dezembro.
Escrito por Lenise Pinheiro às 15h11
O artesão do teatro
As traquitanas dos bonecos do Grupo Sobrevento



Messias.
Se desdobra nas coxias.
Arteiro. Cheio de talento.

Podem apostar.
Escrito por Lenise Pinheiro às 14h18
Palavras divinas e o bispo
Não tenho boa lembrança de “Divinas Palavras” desde uma versão de Nehle Franke, alemã estabelecida em Salvador, em que o contorcionismo ocupou a boca de cena, esquecendo o “esperpento” das palavras e imagens. Em que a platéia giratória em que fiquei, esprimido, saltava de um quadro de preciosismo físico a outro.
Mas Rodolfo García Vázquez tem lá as suas razões para se fixar no texto de Valle-Inclán, que monta pela segunda vez, pelo que sei, antes
A exploração de sua miséria, como hoje nos semáforos, é disputada por duas partes. Mais ou menos como se vê aqui e em toda parte, “quem nunca pecou que atire a primeira pedra”, num bordão da montagem. É um desenvolvimento, me pareceu, de “120 Dias de Sodoma”, mais do que da recente “Inocência”. E também uma metáfora das pressões que cercam a praça Roosevelt.
Mas o que me pegou em “Divinas Palavras” foi mais sua representação material da deformidade. De resto disforme ela também, a encenação tem um jogo de máscaras e bonecos e climas que, nos momentos de mise-en-scène mais depurada, fez recordar David Lynch. Mas, de novo, não sou dos mais entusiasmados por Valle-Inclan e seu decadentismo ibérico.

Talvez a chave mais esclarecedora para o universo grotesco deste texto e a impressão que ele deixou em Rodolfo, não é de hoje, foi dada por Ivam em uma conversa dias atrás, de forma casual e sem qualquer referência à peça. Ele contou que o diretor, há bem duas décadas, deu aulas de espanhol para um então desconhecido Edir Macedo, o próprio, no Berlitz
Depois deu aulas particulares, depois passou a verter os textos da Igreja Universal do Reino de Deus para o espanhol e por fim quase foi parar nos subúrbios “latinos” de Nova York com o bispo _de onde a pequena seita retornou ao Brasil como o gigante em Cristo e a corporação em mídia que é hoje.
Rodolfo, envolto talvez como Laureano, assistia regularmente aos cultos e, por pouco, não se integrou. Saltou na undécima hora, mas algumas das imagens de então sobrevivem, imagino eu, em “Divinas Palavras”, “120 Dias de Sodoma” e outras _e podem ajudar a entender, quem sabe, um encenador tão radical desde o princípio.
Escrito por Nelson de Sá às 23h31
Festival de peças de um minuto
Inédito.


Elenco: Ângela Figueiredo, Bebel Ribeiro,
Claudinei Brandão, Henrique Stroeter, Hugo Possolo,
Jaqueline Obrigon, Lula Martinelli, Paula Cohen,
Raul Barreto e Sergio Mastropasqua.



No Espaço dos Parlapatões.

Hoje às 21:00 hs.

Escrito por Lenise Pinheiro às 15h19
D-Equilíbrio
O coreógrafo e bailarino Marcos Abranches

Teatro e dança no texto Desvios, de Michel Fernandes


Ensaios e superação

Apresentação hoje às 20:00 hs na Galeria Olido

A felicidade está em "ser o que é".
Salve!
Escrito por Lenise Pinheiro às 12h03
Disk Ofensa no Satyros Um
Regina França em apresentação comemorativa.

Final da temporada de 2007.

O amor ao teatro.

A paixão pelo texto de Pedro Vicente.

Regina França e Aline Abovsky


Salve Rainhas

Hoje às 22:30 hs
Escrito por Lenise Pinheiro às 15h00
Crimes
Em uma festa meses atrás, mais uma no triângulo em que vivo hoje
A facilidade com que ouço _e ultimamente leio_ comentários racistas, ecoando pseudociência, prova para mim como é oportuna a peça “Os Crimes do Preto Amaral”. Assisti tempos atrás, ainda em cartaz na cracolândia, em frente a um restaurante boliviano, onde esperei a apresentação lendo um jornal de e para os bolivianos dos “sweatshops” do Bom Retiro.
Mano Brown, se não viu, deveria assistir à encenação, só até amanhã no teatro Imprensa. É bem o retrato da São Paulo que tinha sua segurança pública definida por gente como Washington Luís, em que os escravos libertos e seus quilombos urbanos eram o foco da ação policial, quando não da ação “higiênica”. E em que a eugenia era a regra nos círculos bem-pensantes.
É dela, da eugenia, das idéias sobre degenerecência racial, que trata a peça. José Augusto do Amaral, o Preto Amaral, é preso como suposto “serial killer” que estrangulava “jovens neófitos” e depois os currava, “corpos ainda quentes”. Adão Filho mostrou naquela apresentação, para mim ao menos, a interpretação de sua vida, entre todas as que já presenciei. Foi magnífico.
Lendo agora “Raça Pura”, de Pietra Diwan, “uma história da eugenia no Brasil e no mundo” (Contexto), fica ainda mais claro o projeto político que trouxe minha ascendência italiana a esta São Paulo. Na frase mais marcante reproduzida no livro, expressa por Renato Kehl, um dos propagadores da coisa no Brasil, “a nacionalidade brasileira só embranquecerá à custa de muito sabão de coco ariano”.
As palavras de Kehl são de 1929, contemporâneas dos episódios de “O Crime do Preto Amaral”, de 1927. Preto Amaral morreu na prisão, os crimes prosseguiram e jamais se esclareceu quem foi responsável pelos “crimes do monstro negro”, como eram descritos à época pela imprensa paulistana, segundo relata Paulo Campos, autor da tese que inspirou o espetáculo da Cia. do Faroeste.
O livro de Diwan, agora, acrescenta informações. A eugenia nasce com Francis Galton, primo de Charles Darwin, e se dissemina como ciência e “política pública”, da Califórnia à Suécia. É financiada por fortunas americanas, até chegar ao poder com o nazismo. Aqui, engaja nomes como Vieira de Carvalho e Monteiro Lobato, este com o romance “O Choque das Raças ou o Presidente Negro”, de 1926 _descrito por ele como “grito de guerra pró-eugenia”.
Assim como Darwin, que chegou a assinar estudos com o primo, se afastou ruidosamente de Galton no século 19, também Renato Kehl se viu isolado, sobretudo quando o Brasil tomou partido na Segunda Guerra. Mas o “embranquecimento” prossegue por aqui e no mundo, com as máscaras costumeiras, distorcendo ciência, seduzindo segurança pública e mídia, em parte ao menos.
É só rever a transmissão da execução de dois “bandidos” por um helicóptero, no Rio. Preto Amaral está lá, como aqui. Que o diga Miriam Leitão, naquele ambiente em que tenta resistir. “O esforço dos negros de entenderem sua história, origem e identidade é visto como uma ameaça que legitimaria o racismo. Como se o racismo brasileiro precisasse de mais reforço.”
Escrito por Nelson de Sá às 15h53
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Michel Melamed de volta a São Paulo.



Aos sábados, 21:00 hs.
No Sesc Santana
Salve a "Trilogia Brasileira".
Vem aí Homemúsica.
Escrito por Lenise Pinheiro às 13h17

