Cacilda
 

Genial

Trem Fantasma no Sesc Belenzinho

Uma instalação operística.

 

Direção: Cristoph Schlingensief

Soslaio no Lugar

Cia. da Mentira

Gilda Nomacce e Donizeti Mazonas

Gabriela Flôres e Priscila Gontijo

Liana Matheus e Silvio Restiffe

Escrito por Lenise Pinheiro às 09h26

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Rio - São Paulo

Hoje, quinta-feira, O Bem Amado

Marco Nanini 

e a Cia. dos Atores

Direção: Enrique Diaz

Bola na rede. Gol

Teatro das Artes, Gávea, Rio de Janeiro

de quinta a sábado, 21:00 hs

aos domingos, 20:00 hs

Renato Russo

Bruce Gomlevsky

Dirigido por Mauro Mendonça Filho

Centro Cultural Banco do Brasil

Quinta a sábado às 19:30 hs

Domingo às 18:00 hs

Escrito por Lenise Pinheiro às 13h48

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Para que serve o teatro?

Releio “Teatro”, de Bernardo Carvalho, romance que me faz lembrar demais, em retrospecto, a peça “Blasted”, entre outras de Sarah Kane. De meados dos anos 90, as obras dos dois tematizam identidade, realidade e representação, terrorismo e sexualidade, até suicídio, de maneira semelhante, paralela _e quase como oráculo do que se tornaria obsessão global, com a queda das torres gêmeas.

 

Mas é na forma, no atravessar do espelho, na destruição da parede que acontece em ambas, no meio do jogo, que me atordoa mais.

 

Porém não é “Teatro” que eu queria abordar, propriamente. Estou há semanas, meses com dois textos do escritor e dramaturgo me rondando o pensamento, sobre blogs, jornalismo. Não tratam da teatrosfera ou da grande mídia, necessariamente. Aliás, se é que consigo distinguir o discurso de Bernardo, é provável que tenham como objetos imediatos a blogosfera literária e o irracionalismo da cena política.

 

Mas vamos lá, seguem as passagens que mais ecoaram em mim, de “Exterminador do passado”:

 

As celebridades e os reality shows fazem parte do mesmo universo dos blogs pessoais e de uma literatura que, originária e devedora dos blogs, foi reduzida a crônica, expressão da opinião e da experiência pessoal. A exemplo da encenação pública da intimidade, o eu dos blogs é uma projeção que se realiza numa segunda realidade, numa rede de inter-relacionamentos constituída por confrarias cujos parâmetros são os seus próprios limites, o elogio do igual, a reiteração do mesmo e a execração do diferente.

 

E outras, de “Fracasso do pensamento”, sobre este “mundo em que o jornalismo substitui a filosofia”:

 

Não se produz pensamento; tomam-se partidos. As idéias foram reduzidas a representações sociais. Basta que cada um fale e seja reconhecido como representante do seu grupo social (e que muitas vezes se aproveite disso para respaldar a banalidade ou a demagogia do que diz). O que conta não é o teor das idéias (em geral, as mais simplistas), mas que sirvam para identificar o lugar social de quem as manifesta no campo de batalha. Essa aparente desordem apenas encobre uma ordem geral, o consenso em torno da realidade como um campo de forças autônomo, um teatro de ação e reação, imune à reflexão e à inteligência. Na recém-publicada edição espanhola dos artigos e palestras do dramaturgo francês Enzo Cormann, “Para que Serve o Teatro?”, o autor diz que o teatro, por ser reflexão, “consiste em reinjetar subjetividade num corpo social entrevado pelo uniforme demasiado estreito do pragmatismo econômico” _ou (por que não?) do realismo oportunista que reivindica para si uma pretensa objetividade, condenando toda produção subjetiva à impotência e ao ridículo, como se dela não fizesse parte.

Escrito por Nelson de Sá às 11h46

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Monólogos da Marijuana

Hoje, quarta-feira, última apresentação.

Direção: Angela Dip

Atores: Ana Liz Fernandes, Fabek Capreri e

Sergio Guizé (foto)

Teatro Crowne Plaza, às 21:30 hs

Escrito por Lenise Pinheiro às 11h56

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Jogo de cena

A começar de Marília Pêra, algumas das atrizes que mais admiro no teatro estão no novo documentário de Eduardo Coutinho, sobre realidade e representação, “Jogo de Cena”. E no palco de uma sala de teatro, cadeiras de platéia ao fundo, câmera e o olhar do diretor no foco contrário.

 

Eu tinha que ver e, por sorte, foi no dia em que estavam lá Inácio Araújo e, à distância, Amir Labaki, críticos que estimo. Estava lá até o ministro da Fazenda, na sala lotada do Unibanco. Não sei o que Guido Mantega achou, mas Inácio e Amir gostaram muito, pelo que conversei com o primeiro e li do segundo.

 

E Silvana Arantes já falava de “Jogo de Cena” há tempos, ela que sabe de tudo antes e tem uma visão consciente que sempre me confunde as certezas e me guia na tela grande.

 

Da minha parte, foi a melhor coisa que o cinema brasileiro já produziu em sua relação mal resolvida, mas recorrente, com o teatro. Aliás, sei de poucos dramaturgos e encenadores, no palco, que manipulam conscientemente a mimese como Coutinho _ele que começou no teatro do CPC e no jornalismo. Talvez Zé Celso, Bernardo Carvalho.

 

Das atrizes célebres do filme, a que mais fascinou foi Fernanda Torres. Errou feio, foi por um caminho de representação do depoimento de uma mulher, sentiu-se falsa e cada vez mais falsa, mas não parou. Buscou explicar, não conseguiu, confundiu-se ainda mais, gaguejou. E não parou. Um divino desastre.

 

Marília Pêra e Andréa Beltrão problematizaram, nas mãos de Coutinho ou talvez com ele nas mãos, a emoção, as lágrimas nada ingênuas da atriz. Mas o espetáculo veio mesmo com as mulheres não necessariamente atrizes, que contavam _ou representavam_ as próprias experiências.

 

Não tenho informações para distinguir, em várias passagens, quem era atriz vestindo uma máscara e quem era a própria máscara. A Silvana sabe em detalhe, mas eu nem vou perguntar, pois a insegurança com a realidade me pegou tanto que prefiro ficar com ela, como memória do filme.

 

Uma passagem em especial. A de uma jovem que transou com um desconhecido, em uma cabine de ponto final de ônibus na Sé, e ganhou uma filha. Seu relato é extenso, engraçado e absolutamente verdadeiro. Até que na última frase, explicando um trecho da história ao diretor, ela diz algo como “foi o que ela disse”.

Escrito por Nelson de Sá às 10h29

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Mostra de Teatro Vento Forte

Lesão Cerebral

Hoje às 20:00hs

ATRIZES: NARUMA COSTA

AMANDA LYRA

E MARIA TUCA FANCHIN

DIREÇÃO: SILVANA GARCIA

NO TEATRO VENTO FORTE

Escrito por Lenise Pinheiro às 10h08

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Orfeu na roça

Júpiter ou o barítono Pedro Ometto, sob aplausos no final de “Orfeu no Inferno, a paródia”, puxou Neyde Veneziano de trás das cortinas para o palco e se curvou diante dela, braços estendidos em reverência e um sorriso largo. Ela fez por merecer, não só com a opereta de Offenbach via Vasques, mas há bem duas décadas.

 

É a maior referência contemporânea em pesquisa _e entusiasmo_ sobre o teatro musical brasileiro, da revista à opereta. Leio seus livros há tempos e lamento até hoje não ter visto “Deixa qu’Eu Empurro”, no Arena Eugênio Kusnet. Mas vi “Piolin”, na melhor atuação da carreira de Hugo Possolo, creio.

 

É dela “Não Adianta Chorar – Teatro de Revista Brasileiro... Oba!”, de uns dez anos atrás e que tenho somente em cópia de divulgação da editora, esgotado há tempos, segundo me informaram na Fnac. É imprescindível, melhor que tudo o que se produziu sobre música e teatro, do que conheço.

 

Também “De Pernas para o Ar – Teatro de Revista em São Paulo”, que revirei meus livros e não reencontrei, mas foi marcante para quem, como eu, assistiu à primeira peça em São Paulo, chegado do interior no fim dos anos 70, na rua Aurora. Era então um resto de revista, com strip-tease ingênuo e números de cortina, mas “dramaturgia e convenções” estavam lá.

 

“Orfeu no Inferno, a paródia”, explica ela no programa e explicou antes no palco, é a opereta de Offenbach que deu origem à febre do cancã na Europa _e que por aqui, desde a versão do ator Vasques em meados do século 19, com a transferência da ação e dos personagens da mitologia grega para a roça, deu forma ao teatro musical que sobreviveu décadas, na verdade até hoje.

 

O teatro São Pedro, que apresentou “Orfeu”, se quer a casa da ópera em São Paulo, no tedioso conflito mais político do que social e estético com o teatro Municipal. Mas Veneziano, ao lado de Mauro Wrona na direção cênica, encontrou o que imagino ser a verdadeira vocação do espaço, “volksopera”, a opereta. Em português, temas correntes, a paródia.

 

E é recorrente: ao fundo dos musicais que espelham Broadway ou West End, de grande público e receitas de indústria em São Paulo, toda uma cena está em ebulição, com artistas se revelando a cada oportunidade. É assim com a escola Operária e é assim, até bem mais, com os talentos oriundos do centro Tom Jobim, da Unesp, da Carlos Gomes, agora em “Orfeu”.

 

Dos que estavam em cena, não vou esquecer tão cedo _e sei que vou reencontrar_ a soprano Gabriela Rossi, que fez Eurídice, e o citado Ometto. Também a soprano Milena Tarasiuk ou Diana, também o barítono Sandro Bodillon, que representou no intervalo a ária do Brasileiro, de outra opereta de Offenbach _em quadro criado por conta do sucesso de “Orfeu” no Rio, no século 19.

 

Está neles, como antes em Marcos Tumura, a potência do gênero que avança e se estabelece, por aqui. E que, com Veneziano e outros, parece que vai reencontrando seu caminho nacional, popular. Nas suas palavras, como ela vê São Paulo em 2007, em contraste com o Rio da década de 1860, de Vasques:

 

A capital paulistana se torna a Broadway brasileira. Grandes produções em versões modernas e internacionalistas dividem a cena com sofisticados musicais nacionais. É em meio a este panorama moderno e sofisticado que ousamos reviver o início desta história de parodiar óperas e operetas. É importante que não percamos de vista nosso passado teatral e musical, com nosso olhar transgressor. Ele nos mostra quem somos.

Escrito por Nelson de Sá às 00h16

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Lenise PinheiroO blog Cacilda é coordenado por Nelson de Sá, articulista da Folha, e pela repórter-fotográfica Lenise Pinheiro.

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