Cacilda
 

De mentira

Não vi Yoko Ono. Fui assistir a Elisa Ohtake, no jardim do MIS, depois de tentar e a chuva não deixar. Era a última chance, a despedida, Ruy e Tomie Ohtake estavam lá. Já vinha ouvindo de amigos que era, em performace, um achado. E foi um deleite.

 

“Falso Espetáculo” é inteligente, divertido, arriscado. Está sempre no limite da inconseqüência, na negação do espetáculo, mas escapa de todas as armadilhas ou catástrofes artísticas” que vai erguendo, ele mesmo. Como expressa, vai do impossível ao possível e de volta. É lúdico, mas nada ingênuo, sabe o que faz no seu jogo de verdade e mentira em “tudo”.

 

Quando se abre um saco de balões sobre a platéia, os balões não caem, voam. As cenas são sempre enganosas, como em algumas das melhores passagens de Robert Lepage, mas aqui em descompasso histriônico. No rosto de Elisa, em seu cabelo e seus gestos, a ironia fez lembrar o Kabuki, o único que vi, anos atrás.

 

Sheila Melo, em vídeo, faz que não dança axé. E Ricardo Oliveira faz que dança, mas ele não sabe dançar? Elisa finge dançar passos de balé, mas ela o faz tão bem; ela sabe? É na dúvida sobre o “falso” e o verdadeiro, sobre o incompetente e o virtuoso, que se mantém o não-espetáculo do início ao fim. Como em uma fantasia de crianças, mas com o rigor de adultos.

 

Nem o próprio espetáculo é certo, suas paredes, seu teto, todo o ambiente depende do tempo _e se dissolve pela mão dos atores ao final da própria apresentação. Elisa, como seus colegas de etérea Cia. Vazia, expressa a precariedade, a dúvida, o risco nos movimentos de seu próprio corpo. E tudo, em palavras do texto de “Falso Espetáculo”, para que “a inércia não seja tanta”.

 

 

Falando em corpo e também em teatro pós-dramático, termina hoje, em poucos instantes, até segunda ordem, a temporada de “Febre” _o espetáculo escrito e dirigido por Marcos Azevedo na sede do Grupo de Arte Global, na Lapa, a três quadras do Cacilda Becker.

 

Azevedo é uma das forças por trás do fascinante GAG, que no ano passado se apresentou ao mesmo tempo em três partes da Terra, com “Play on Earth”. E que vai repetir o feito, agora com integração ainda maior, em poucos meses no Rio e outras. Foi o que contou o diretor Rubens Velloso, no dia em que fomos ver “Febre”.

 

Como em “Falso Espetáculo”, em “Febre” foram os corpos e seus movimentos que mais se fixaram na memória. E uma cena especial, em que a exuberância de Ravel Cabral e Fernanda Franceschetto expressou em minutos a febre conflituosa do título _e do mundo em convulsão que a peça de Azevedo expressa.

Escrito por Nelson de Sá às 12h20

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Teatro do Arrebol

Pra vc que me esqueceu.

Teatro Denoy de Oliveira

Sáb. às 21:00 hs e dom. às 20:00 hs

Até dia 16 de dezembro

Texto de Claudia Pucci

Direção: Dagoberto Feliz

Músico: Tiê Alves

Atrizes: Gisela Millás e Evelyn Klein

Escrito por Lenise Pinheiro às 10h11

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Nessa fila é diferente,

o teatro e suas sombras caminham,

e nós ficamos pasmos. Paralisados.

A Instalação é de autoria.

Gigi Manfrinato e Sandra Lee.

A Inspiração é divina.

Artistas pra lá de plásticas.

Em cartaz no Sesc Consolação

Escrito por Lenise Pinheiro às 15h05

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Ana Kfouri

Animal do Tempo

Texto: Valère Novarina

Direção: Antonio Guedes

 

Atriz: ANA KFOURI

SESC Avenida Paulista - Teatro de Câmara

Sex. a dom. às 20:30 hs

Até 16 de dezembro

Escrito por Lenise Pinheiro às 10h37

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Quinta-feira

Licurgo - Olhos de Cão

Texto e Direção: Celso Cruz

Ator: Marcos Suchara

Espaço dos Satyros 2, às 23:00 hs

Até dia 13 de dezembro

Ay, Carmela!

Texto de José Sanchis Sinisterra

Atores: Virgínia Buckowski e Maurício Marques

Espaço Parlapatões, às 21:00 hs

Até dia 13 de dezembro

A Festa de Abigaiu

Texto de Mike Leigh

Direção: Mauro Baptista Vedia

Atores: Ana Andreatta, Eduardo Estrela,

Ester Laccava e Marcos Cesana

Teatro Augusta - sala nobre

Até dia 20 de dezembro, às 21:00 hs

Escrito por Lenise Pinheiro às 11h14

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Homens ao Mar

Estréia amanhã, dia 8 de novembro, no Galpão do Sesc Pompéia

Longa Viagem de Volta para Casa

Parte 3 do Projeto Homens ao Mar

Inspirado na obra de Eugene O'Neill

Com a Companhia Triptal da Cooperativa Paulista de Teatro

Guilherme Lopes (sentado) e Pepe Ramirez

Roberto Leite

Juiliana Liegel, Reinaldo Taunay e Aline Reis

Kalil Jabbour e Malu Leiserovitch

Iluminação caprichada do Nelson Ferreira.

Juliana Liegel e Daniel Ribeiro

Beth Rizzo

 

e Bruno Feldman

Direção de André Garolli

Escrito por Lenise Pinheiro às 09h23

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Pós-qualquer coisa

E saiu a tradução do “Teatro Pós-Dramático” de Hans-Thies Lehmann, pela CosacNaify. Comprei sábado na Cultura e acabei de ler, antes só conhecia pedaços. Vem com introdução de Sergio de Carvalho, desta vez menos incisivo; mas nos trechos em que se permite questionar ele dá saudades do polemista, agora recolhido à academia _e à cena!

 

Sobre o livro, a sensação primeira é de frustração. Faz lembrar velhas entrevistas com Gerald Thomas, um “name-dropping” de horas, como aliás reconhece o autor. E mais, vinculando alhos com bugalhos, em contradições que se amontoam e entediam. Em que a síntese historicista passa por cima das incoerências, flagrantes, com o que só consigo descrever como cara-de-pau.

 

Entra tudo e qualquer coisa na colagem de Lehmann. Nomeie um dramaturgo que escreveu dos anos 50 em diante, até antes, e ele se mostrará “pós-dramático”, de um jeito ou de outro. Nomeie um diretor até os anos 90 e ele também se mostrará pós-dramático. Pense em qualquer encenação de prestígio que você já viu _e ela será pós-dramática, em algum aspecto.

 

Lehmann chega ao ponto de prenunciar seu “teatro pós-dramático” como uma volta ao drama, agora pós-naturalista.

 

Imagino vagamente que a repercussão local de Lehmann se deve antes ao enredo histórico que ele incorpora _de Brecht para Heiner Mueller e deste para Bob Wilson. É em torno deste último que tudo corre, na colagem. É nele que enredo, ação, mimese, política e o texto ficam todos para trás, supostamente. Mas não, nem Wilson é assim, creio até que jamais foi.

 

Artaud, Adorno, Debord, Lyotard, Baudrillard _a salada é completa. Se é para datar historicamente o pós-modernismo na cultura, prefiro o bem mais rigoroso Fredric Jameson. Ou os pensadores originais, como o genial Lyotard _ou, para deixar claro o neoconservadorismo pós-moderno que veio com a televisão nos anos 50, Daniel J. Boorstin, de “The Image”.

 

Mas o que mais me aborreceu foi confirmar como é datado, velho mesmo, o ambiente em que se Lehmann se movimenta.

 

O livro foi escrito em 99, mas é uma justificação sem parar, mais até, um esforço para cobrir buracos da tese “pós-dramática” lançada _ou ecoada_ em 91 por ele mesmo. Tem os anos 80 e seu teatro da imagem como paradigma de contemporaneidade. É anterior à world wide web e desconhece as experiências da dramaturgia dos anos 90.

Escrito por Nelson de Sá às 13h51

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Malefícios e encantamentos

Teatro infantil... Não é fácil para “gente grande”, mas queria apresentar o teatro ao meu filho de cinco anos. E queria rever Luciana Vendramini, depois de tanto tempo do buraco no Belenzinho. E lá fomos nós para “A Saga da Bruxa Morgana”, no teatro da nova Livraria Cultura, que ocupou o espaço do grande cinema do Conjunto Nacional.

 

Luciana está engraçada, sempre meio fora de sintonia, mas sempre um fascínio, como a Morgana em versão menor de Rosi Campos. Tenho hipóteses e nenhuma certeza, até hoje, mas ainda vou compreender o que leva a tamanho foco sobre Luciana, que passou do pop dos anos 80 para a blogosfera indie, agora.

 

Sei que ela é, para mim, um encanto, quase como uma criança. Exposta e quebradiça, envolta que sempre está em uma nuvem midiática de desejos agressivos e censuras idem. Em cena, diante de tantas crianças, parecia em casa, à vontade, feliz. E no palco, entre amigos.

 

 

Mas o espanto maior _e bem-vindo_ foi encontrar Samantha Dalsóglio, antes Monteiro, no elenco. Não nos letreiros dos tijolinhos, mas lá, em cena, com o grande talento que Deus lhe deu. Guardo sempre a Chapeuzinho, Lady Macbeth, a naturalidade com que vive o ofício de atriz, da fábula “pós-dramática” à tragédia e agora à comédia infantil.

 

Nem deveria insistir no assunto, mas é tabu e não tem jeito. Ela representou em uma campanha política e, como Helen Helene e tantas outras, se viu estigmatizada, marcada. Para mim, só fez crescer seu “fascìnum”, no dizer do Houaiss, “malefício” ou “encantamento”. Deveria usá-lo, jamais esquecer.

 

Ou não, sei lá. Tamanho talento, tesouro, tem apenas que estar em cena.

Escrito por Nelson de Sá às 09h35

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Companhias Ruído Rosa e Fictícia na EAD

Na Escola de Arte Dramática, espetáculos do curso de Artes Cênicas

da ECA-USP.

Em cartaz até 11 de novembro (exceto dia 9, sexta-feira).

SOLITÁRIA - Companhia Ruído Rosa

Texto e interpretação de Anna Carolina Longano.

Direção de Patrícia Noronha.

O HOMEM DE AREIA  -  Cia. Fictícia (nome provisório)

Texto original: E.T.A. Hoffmann.

Dramaturgia: Camilo Schaden.

Meus agradecimentos ao elenco pela presteza e atenção.

O diretor musical Gustavo Sarzi (Caipira).

A diretora Rafaella Uhiara.

Elenco: Adriana Oliveira, Bel Moraes, Diogo Spinelli,

Guilherme Yasbek, Lívia Piccolo e Rafael Truffaut.

Escrito por Lenise Pinheiro às 08h40

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Lenise PinheiroO blog Cacilda é coordenado por Nelson de Sá, articulista da Folha, e pela repórter-fotográfica Lenise Pinheiro.

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