Cacilda
 

Estréias de hoje

Chorinho

Texto inédito de Fauzi Arap. No Espaço Parlapatões.

Claudia Melo e Caio Blat, dirigidos por Fauzi Arap e Marcos Loureiro.

Como me tornei estúpido

Texto de Martin Page, adaptação de Fernando Bonassi.

Pulso firme da direção de Beth Lopes.

Cenários, figurinos e adereços de Theodoro Cochrane.

Elenco (da esq. para a dir.): Clarissa Kiste, Paula Picarelli,

André Blumenstein e Kiko Bertholini.

Espaço Viga. Sex. e sáb. às 21h e dom. às 19h.

Escrito por Lenise Pinheiro às 10h41

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Um dia, no verão

Uma noite no teatro, nesse palco... Hoje a estréia.

Nesse cenário onde Renata Sorrah e Sílvia Buarque

vivem a mesma mulher.

MERDA

Escrito por Lenise Pinheiro às 11h46

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A Queda

Em cartaz no Sesc Consolação.

Rua Dr. Vila Nova, nº 245, 3º andar.

Aury Porto, Luah Guimarães, Rogê e Ricardo Morañez.

Até sexta, amanhã, dia 28 de setembro.

Escrito por Lenise Pinheiro às 18h46

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Teatro em tudo que vejo

Onde será que uma platéia se anima tanto?

Não é na Virada Cultural, nem no Recife. Onde eles reuniram 40 mil

e 10 mil pessoas, respectivamente. É na USP, na fase inicial do grupo

Teatro Mágico.

Fernando Anitelli, o vocalista e autor das canções/protesto em

cena aberta.

É cativante a reação do público que canta em uníssono durante os

shows espetáculos.

Cheios de garra e energia. Esquetes de circo e de teatro.

Abrindo a discussão através do microfone. Nos tablados.

Com os pés fincados no palco. Maquiados e (con)sagrados.

Escrito por Lenise Pinheiro às 17h45

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Através do muro

De Pedro Corrêa, nos comentários:

nelson, estou esperando seu post sobre o "roda viva" com o mano brown. achei que os entrevistadores não conseguiram aproveitá-lo. alguns mal sabiam de quem se tratava (um até se surpreendeu ao ouvir que os shows dos racionais podem reunir 20 mil). de resto, salvo em raros momentos, me pareceram perdidos, abordando as questões erradas, fazendo perguntas vazias ("afinal, vc é o pedro paulo ou o mano brown?")... por outro lado, às vezes me pareceram intimidados, o que foi até ironizado pelo brown quando classificou a entrevista de "suave". ainda assim, o que (não) aconteceu no programa traz à tona uma série de questões, como a dificuldade de estabelecer um diálogo entre os grupos que estão por cima e por baixo etc. o que achou??

Senti falta de muita coisa também, Pedro. Acho que a Cultura pensou em Mano Brown a partir de suas poucas entrevistas anteriores e do preconceito que temos dele, para o bem ou para o mal. E não pensou, por exemplo, em sua poesia, na coerência e nas contradições que expõe, sem falar do choque e da beleza das imagens, do eco em outras artes etc.

Daí as perguntas tediosas de política, a partir de posturas em que estamos todos fechados, e não sobre aquilo que ele poderia, creio, apresentar de novo e revelador. Por exemplo, sobre o movimento hip-hop, suas fontes aqui, no Bronx, Jamaica, mais do que sobre o movimento dos sem-terra ou o crime organizado nas favelas do Rio.

Com exceção talvez de Maria Rita Kehl, a impressão foi de um grupo de entrevistadores disposto a classificar Brown por tudo e qualquer coisa, menos como artista. Senti falta, principalmente, de mais alguém que mostrasse ter ouvido "Fim de semana no Parque" ou "Vida Loka".

E os momentos mais importantes para mim, no fim das contas, foram aqueles em que ele falou de seu filho, sua consciência de pai, também de sua mulher, da mãe que é referência e do pai ausente. Da favela, da prisão e dos que erram, também. Os momentos em que se deixou levar.

Como você escreve, Pedro, faltou diálogo entre os que estão por cima e por baixo. Estavam todos intimidados, de Paulo Markun ao próprio Brown. Mas foi um primeiro contato em paz, através do muro.

PS 29/09 – Pelo jeito, a visão geral foi mesmo de abismo entre entrevistado e entrevistadores, mas passam os dias e o “Roda Viva” cresce na memória, mais e mais revelador, complexo. Amanhã à meia-noite, domingo para segunda, a Cultura vai dar chance de rever e revisar este acontecimento que, acho, é um marco para a indústria cultural.

 

Arrisco que, se aconteceu, se rachou o muro, deve muito a Markun, até pela coragem, e a Maria Rita Kehl. Para quem não sabe, ela foi das primeiras a mergulhar no universo dos Racionais, a pensar sobre Brown.

 

E eu não esqueço. Décadas atrás, quando fazia vigília de madrugada no ameaçado Comitê Brasileiro pela Anistia, na frente do Oficina, era o “Movimento” que eu lia _e era ela a editora de cultura. Fantasio, desde então, que germinou ali o jornalismo cultural do Brasil democrático.

Escrito por Nelson de Sá às 12h59

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Mocinhos e bandidos

Também vi “Tropa de Elite”. É nova evidência de que o cinema comercial, indústria do espetáculo, não tem jeito. À primeira vista, são todos apresentados como imperdoáveis: os traficantes, a classe média que os sustenta, os policiais que se vendem e os sustentam, o Bope... bem, o Bope é incorruptível. Não se vende ao tráfico, apenas tortura e mata para alcançar seus propósitos.

 

As cenas editadas para pontuar os crimes do Batalhão de Operações Especiais, a “tropa de elite” do título, são golpes de teatro intercalados à ação _e resultam em nada, absolvidos, na memória do filme. “Tropa de Elite”, em novo capítulo da estetização da violência, não tem outra moral da história a não ser sua violência.

 

Da abertura que ecoa “A Batalha de Argel” à tortura de um favelado no fim, por um policial negro, o jogo com opostos, com a inversão de representações, resulta em apologia ao crime dos puros _em falseamento descarado, até porque o retrato do Bope é dado, na origem, por seus ex-integrantes. É o inverso de "Argel", é como uma história da guerrilha pelos olhos de Sérgio Paranhos Fleury.

 

Em “Cidade de Deus”, de Fernando Meirelles a partir de Paulo Lins, eram oprimidos os protagonistas, não opressores, ainda que a estetização estivesse lá também. Em “Tropa de Elite”, de José Padilha a partir de coronéis, os oprimidos nem são personagens, só aparecem para a tortura e morte.

 

Para contrastar mais, é só ver Pascoal da Conceição em “Salmo 91”. É dela que eu queria falar, não do filme que atravessou o caminho neste domingo.

 

Dos dez personagens que desfilam no palco, nenhum é inocente, mas todos são, àquele momento, puros. Alguns foram monstros, outros ladrões de galinha, mas o instantâneo em que aparecem no pavilhão 9, às vésperas da entrada do choque, é um vácuo de tempo. Nem mocinhos nem bandidos.

 

Acuados e sozinhos, estão à mercê, à espera. Alguns riem da opressão cotidiana, outros fantasiam contra ela. Seus corpos, os olhos, pés, é que carregam marcas, não as mentes. São vítimas, mas existem, com seus passados, as mulheres que os visitam, com a imaginação. Se um escapa no fim, é pelo salmo que a mãe vislumbrou, não por agir e sim por acaso, ação de Deus. Mas eles todos existem, têm nome, forma.

 

E são assim não apenas pela representação original no livro de Drauzio Varella, pela adaptação/peça de Dib Carneiro Neto ou pela direção de Gabriel Villela, que nada deixa se sobrepor à interpretação, como ele alertou ao estrear, mas ao desenvolvimento final dos personagens nos atores.

 

Em toda a linha, desde a escritura de “Estação Carandiru” até a interpretação, o que se percebe é olhar atento e reverente, jamais o floreio ou a exploração espetacular. Se uma ou outra representação é mais virtuosa, parece antes característica do personagem, daquele ser, não do ator.

 

 

Por coincidência, assisti à peça no sábado, um dia antes de encerrar a temporada no Oficina, ao lado de Ricardo Fernandes e Antunes Filho. Antunes dizia, rindo, que vai sim ao teatro, tenta sempre, “mas são quantas, 150 peças em cartaz?”. Não foi a primeira vez em que ouvi _e pensei eu mesmo_ que em São Paulo o problema agora é escolher o que ver.

 

De todo modo, do palco, os atores viram Antunes, sempre vêem. Pascoal, no final, brincava que Antunes tinha que sentar logo ali, na frente. E dizia, aliviado, que a apresentação havia sido boa, “graças a Deus”.

Escrito por Nelson de Sá às 15h52

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Lenise PinheiroO blog Cacilda é coordenado por Nelson de Sá, articulista da Folha, e pela repórter-fotográfica Lenise Pinheiro.

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