Cacilda
 

Negrinha

Direção de arte de Renato Bolelli (foto acima).

Inspirado em cacos de uma civilização que se libertou da

escravatura.

E nos textos de Monteiro Lobato, Gilberto Freyre e Câmara

Cascudo.

Com a atriz Sara Antunes. Que aos pedaços se prepara para entrar

em cena. Conversamos enquanto recolhíamos cacos de um lampião

partido por mim. Vivências de uma jovem atriz mergulhada em sua

nova personagem. A boneca da escrava. A força do trabalho.

Direção de Luiz Fernando Marques.

Espetáculo solo, projeto paralelo da XIX de Teatro, em sua sede, fruto da

ocupação na Vila Maria Zélia.

Liberdade para seguir as sugestões de cores e da iluminação

à luz de velas.

Que dão o clima do espetáculo.

Em cartaz até 14 de outubro. Sáb. e dom. às 19h.

Escrito por Lenise Pinheiro às 14h10

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Sobre a vida dela

Mais que o foco no suicídio, no terrorismo ou outro conteúdo que se escolha, “(a)tentados” ou “Attempts on her Life”, que acabo de ver no distante Sesi Vila Leopoldina, é um exercício sobre a forma.

 

O britânico Martin Crimp, como Caryl Churchill antes dele e Sarah Kane depois, esta inspirada por Crimp, levou para a página, para as palavras, as experiências contemporâneas com a encenação. Nada de pós-dramático, portanto, no teatro inglês.

 

O título pode ser traduzido como “atentados contra a vida dela”, mas também como “tentativas” ou possibilidades “sobre a vida dela”, Ann. Foi a deixa para Beth Lopes, que desde “O Cobrador” experimenta com o texto e com a cena, arriscar novas e muitas tentativas, até desenfreadas.

 

De multimídia a musical, a peça avança pelos gêneros todos, pelos efeitos, pelos métodos de interpretação. Até carro estaciona em cena. O impacto sobre os sentidos é grande, envolvente, por vezes no limite da saturação.

 

Talvez por história pessoal, foi das passagens em que o romantismo _a vida dela_ vazou pelo turbilhão cênico que eu gostei mais. Quando através do olho de um ator como Eduardo Mossri se vislumbrou a personagem, sua angústia, enfim, ela integral, Ann.

 

O desequilíbrio em prol da forma está na origem da encenação: a dramaturgia de risco, mas sempre fria, de Crimp, como se assistiu antes em “menos emergências”, neste último festival de Curitiba.

 

E como se viu também em “Blue Heart”, na montagem inglesa apresentada tempos atrás no teatro Sérgio Cardoso, e em “Um Número”, dirigida por Bete Coelho no perdido Sesc Belenzinho _ambas peças quase de laboratório elaboradas por Caryl Churchill.

 

Bem diferentes, para mim ao menos, são as cinco peças de Sarah Kane, tão únicas. Nelas não existe desequilíbrio, mas conflito sem vencedor e sem trégua. Forma e conteúdo, carne e espírito se integram violentamente, à força, verso a verso. Era esta a obsessão de Sarah, não a morte, mas o contrário.

Escrito por Nelson de Sá às 20h13

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Sonhos são como Deuses...

... Se não acreditamos neles, deixam de existir.

Uma lista com dez grandes amigos? Daqueles de dez anos atrás?

Quantos deles vemos até hoje? Quantos deles já não vemos mais?

Letras de músicas, pares de amigos. Festa no Céu!! Estou no Rio.

Foi assim durante toda a semana passada.

Duplas de clowns onde quer que eu vá ou sonhe.

Em "Disk Ofensa", Regina França e Mário Bortolotto.

Fragilizam-se em duo. Se deixam favelizar em humanidades.

A comovente encenação do texto mais "comercial" de Pedro Vicente

fala de mulher, de crueldade, lida com os vícios, com a feiúra das ruas,

com a beleza da Christiane Torloni, na mesma praça e num outro banco.

Atrás das grades, sem muitas flores, nos reflexos das paixões e das amizades.

Palhaços de fé.

 

 

Como no camarim de "Terra em Trânsito" que assisti três vezes.

Fabi Gugli e seu Ganso transformam realidade em patê.

Solidificam massas e brindam nossa existência através da

inteligência de Gerald Thomas.

Sigo adiante, novas praças, de frente para a carroça de Marco Lima

em "Bisbiglio". Reencontro Cida Almeida e Sofia Papo, atrizes sagradas

nos trilhos de Alfredo Mesquita, que fundou a Escola de Arte Dramática.

Apresentadas a mim, 25 anos atrás, por outro Alfredo, o Damiano.

Um coração que já bate no compasso da Eternidade. Longe de mim.

Meu primeiro parceiro de Teatro. Fiquei meio do palco, minha máquina e eu,

e ele foi embora dizendo... MERDA!!!!

De volta às carroças e às praças, conheci uma dupla de um homem só.

Tonheta + Antônio Nóbrega em "Brincante". Antes da Purpurina,

antes dos prêmios, longe da fama. Perto das Estrelas.

Encantamento revivido na dupla Palha e Branca do texto de "Bisbiglio".

 

 

Montagem que aproxima Homeless a Hamlet. A interpretação das duas

disseca intuições e desperta cadáveres insepultos,

ávidos por felicidade e sorrisos.

Nossos dentes ainda são os mesmos. E os amigos? Caíram?

Não é o que sugere o Teatro de duplas. Carlitos e Chaplin.

As Farras na Terra. A Lena e o Hamilton.

Nossas Manhas e Manias. Cacilda e Joseph K. Tantos afetos.

Na montagem de "O Terceiro Sinal" com a  Bete e texto do Otavio, 

em meu sonho recente.

 

 

 

Pode ser que seja normal acordar vendo novas parcerias com Dionísios.

No colorido de nossas Iris. Aqui nos trópicos. Sem explicação.

Vidas que embaralham as duplas. De tanto amar. Teatro.

Aqui no Rio. "Fala Baixo Senão Eu Grito" de Leilah Assunção,

em cartaz no Teatro Leblon, sacode Ana Beatriz Nogueira nos braços

fortes de Eriberto Leão, ela Mariazinha, ele ladrão.

 

 

 

Comediantes de agora. Dirigidos pelo Paulo de Moraes.

Montagem que Eduardo Barata produz. Histórias e Estórias.

Aponta sugestões entre o clássico e o popular. 

E o Asdrúbal trouxe o trombone, afinal? Acordes?

 

Às voltas com as duplas, a desimportância de ser fiel e

a prudência de ser leal.

Aplausos.

Escrito por Lenise Pinheiro às 19h13

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Lenise PinheiroO blog Cacilda é coordenado por Nelson de Sá, articulista da Folha, e pela repórter-fotográfica Lenise Pinheiro.

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