Cacilda
 

Tranqueiras Fraseadas

Da Confeitaria de Teatro, no Cacilda Becker.

Rua Tito, nº 295.

Sex. e sáb. às 21h e domingo às 19h.

Doró Cross Silva preenche o palco do teatro

com cenário e iluminação de Marisa Bentivegna.

É pura poesia, com muito rigor técnico.

A platéia se encontra com as histórias de Maria.

Compartilha pensamentos, idéias e docinhos.

Escrito por Lenise Pinheiro às 13h44

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Um homem célebre

Do projeto Machadianas, hoje às 21h.

No Ágora.

Dirigido por André Piza.

Elenco: Daniela Mustafci, Kuarahy Felipe, Paulo Placido e Thaís Aguiar.

Direção musical: Jorge Peña.

Escrito por Lenise Pinheiro às 13h39

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

After Darwin

Em cartaz no Centro Cultural São Paulo.

Sextas e sábados às 21h.

Direção de Rachel Aráujo.

Elenco: Carlos Palma, Vera Kowalska e Oswaldo Mendes.

Este ensaio contou com o apoio de Adriana Dham, atriz, iluminadora e

amiga do teatro. 

Escrito por Lenise Pinheiro às 09h29

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Folias de Getúlio a Lula

O Folias faz dez anos, o Latão e outros também, outros grupos têm pouco mais, pouco menos. E não é de estranhar que publicações como “O Caderno do Folias” ou “O Sarrafo” venham realizando um esforço de datação, de fixação de fontes e caminhos seguidos.

 

Hoje à noite, no Galpão do Folias, Iná Camargo Costa volta a tratar do CPC. Paulo Arantes vem aí para fazer o mesmo, mais à frente, pelas mãos de Fernando Peixoto, meu querido editor.

 

Mas desde antes do primeiro encontro do Arte contra a Barbárie, no Teatro Oficina, também uns dez anos atrás, eu desconfio das árvores genealógico-políticas que se montam para a história do teatro contemporâneo.

 

Já desconfiava daquela de Décio de Almeida Prado, de que o teatro brasileiro começou com a família real e o teatro brasileiro moderno começou com “Vestido de Noiva” e, principalmente, com o TBC.

 

Eu leio e sempre me pergunto, desconfiado: e o teatro de José de Anchieta e do índio Ambrósio Pires, o primeiro ator, no século 16? Ou de Flávio de Carvalho e Eugênio Kusnet nos anos 30? Ou de Pascoal Carlos Magno, ou de Álvaro Moreyra, ou de Itália Fausta? Para não falar dos sobreviventes, quase eternos, Oficina, Macunaíma/CPT, Ópera Seca, União e Olho Vivo na periferia, Cemitério de Automóveis no Paraná, Galpão em Minas.

 

No caso do Folias, o materialismo histórico foi parar no palco, com resultados estimulantes.

 

Acabo de ver a “Orestéia”, que vislumbra engenhosamente na trilogia de Ésquilo, pela adaptação de Reinaldo Maia, a tese, a antítese e a síntese da política nacional _e do próprio teatro_ de meio século para cá: Agamêmnon como populismo, talvez Getúlio, Clitemnestra como ditadura, talvez os generais, e Orestes como democracia, talvez Fernando Henrique e Lula.

 

O espetáculo é inteligente, como tudo a que assisti de Marco Antônio Rodrigues, desde “Enq, o Gnomo”, bem antes dos dez anos agora festejados.

 

Lembra, em sua crueza de “mise-en-scène”, a montagem de uma das últimas peças de Plínio Marcos, “O Assassinato do Anão do Caralho Grande”, na conjunção mais perfeita de dois grandes artistas em tempos de barbárie _e saídos ambos da Santos de Patrícia Galvão.

 

E que grande ator trágico é Danilo Grangheia, que faz Clitemnestra. Não sei a quantas andam os tantos prêmios, mas ele bem que merecia um.

 

Para quem, como eu, anda perdido em desesperança e niilismo diante do Brasil, a “Orestéia” é uma lição de persistência no sonho, ainda que nada ingênua, até cruel _e tirada do coração de uma tragédia de aristrocracia.

 

Orestes, afinal, é julgado e absolvido de seu crime. E se instaura a democracia, com o estabelecimento do estado de direito, até no detalhe de que em todo tribunal, em caso de empate no juízo dos cidadãos, o resultado é a liberdade.

 

PS – Como contraponto, lembro que “Hamlet”, peça de vingança que se inspira em parte na “Orestéia", tem final bem menos conciliador do que a trilogia de Ésquilo.

 

Também ela foi encenada como metáfora político-teatral pelo Oficina, na vingança que o fantasma do rei (anos 50/60, de populismo e revolução social) encomenda contra o irmão (anos 60/70/80, de ditadura e restauração oligárquica) ao filho (anos 80/90, de redemocratização). Mas o fim, tão mais à imagem de Shakespeare, que testemunha sem tomar parte ou partido, são os corpos de todos no palco, mortos.

 

Escrito por Nelson de Sá às 14h15

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

ontem

Vivo às voltas com as "coisas" da memória.

Arquivos e detalhes. Amigos e inspirações.

No ano passado, em outubro, fotografei os afrescos de

Gianni Ratto, croquis que seriam exibidos na mostra que

hoje está em cartaz. Na Caixa Econômica da av. Paulista, esquina

com a rua Augusta. Até 23 de setembro.

Momentos de deslumbramento. Uma incursão no mundo da fantasia

desse encenador.

Aqui, surpresas que não estão na mostra, objetos do dia-a-dia

dele, que me foi permitido retratar.

Divido com vcs a vontade de conhecê-lo melhor.

Sempre. Salve Ratto.

Escrito por Lenise Pinheiro às 13h05

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Cachorro

Espetáculo Cachorro, texto de Dea Loher.

Montagem dirigida por Juca Rodrigues e Roberto Lage.

No elenco, Irene Stefania e Edson D'Santana.

Uma homenagem ao escultor e pintor Alberto Giacometti (1901-1966).

Uma prostituta e um ladrão.

Escrito por Lenise Pinheiro às 12h57

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Cancões para cortar os pulsos

No Teatro Ágora, em cartaz nos finais de semana.

O clima no camarim de descontração e a presença de

Marcelo Fonseca.

André Frateschi capricha no visagismo.

No palco, os atributos de Cida Moreira, que conheci durante as

filmagens de José Antônio Garcia e Ícaro Martins, nos anos 80.

A pujança nos teclados, no espetáculo Cancões para cortar

os pulsos. Perto de nós, no Bexiga.

Cida Moreira acompanhada pelos instrumentos de André Frateschi.

Escrito por Lenise Pinheiro às 11h51

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Contra os paulistas 2

Na peça "Destinos", dois irmãos estudantes e burgueses, um engajado e outro devasso, este interpretado por Paulo Emílio Salles Gomes, travam relações com mundos exteriores. O primeiro se alia a um operário na mobilização de uma greve, o segundo a um gigolô traficante.

 

Um diálogo dos irmãos explicita o conflito, de cara:

 

Carlos – Isso que você anda fazendo é uma indecência. Gastando toda a sua mocidade nessas cretinices de uísque e amigos como aquele tipinho do cabaré, o tal Lauro. Você mesmo diz que aquele sujeito é gigolô, recebe dinheiro de mulheres da vida, toma cocacína, parece até que é meio invertido sexual, e agora vem aqui defendê-lo...

 

Álvaro – Pelo menos não banquei o besta como você, que esteve no front, quase morreu, e agora mete o pau na Revolução Constitucionalista. Eu pelo menos sou coerente.

 

Carlos – Você é coerente só na moleza. Quanto ao fato de ter combatido, eu estava certo naquela época que, se a revolução de São Paulo vencesse, tudo melhoraria, o povo seria mais feliz, haveria mais liberdade e tal. Depois eu vi que aquilo tudo foi uma safadeza de políticos misturados com banqueiros ingleses e americanos. Mas eu continuo a querer mais liberdade e melhor vida ao povo do Brasil. Só que agora eu aprendi que a maneira de conseguir e não cair mais em conto do vigário, que é o que foi a tal Revolução Constitucionalista.

 

Álvaro – Você vive pensando em gente pobre, em liberdade, nessa historiada toda. Deixe disso. Cada pessoa que trate de sua vida. Quem quiser ter dinheiro é só trabalhar e pronto. Agora, os vagabundos, esses têm que ser pobres.

 

No final, Carlos é preso em assembléia clandestina da greve e sai depois para anunciar, em congresso de operários e estudantes, “companheiros, a nossa hora se aproxima”, sob o Hino da Aliança. Imediatamente antes, nos diálogos cruzados, em crise de abstinência de cocaína, Álvaro se mata.

 

"Destinos", texto de juventude, se perdeu na censura até duas décadas atrás, quando foi descoberta por Edgar Carone. Retrata como o engajamento de Paulo Emílio se deu em confronto com a burguesia paulistana, a mesma que ele seguia abominando nos anos 70, ao escrever “Cemitério” e os contos de “Três Mulheres de Três PPPês”.

 

No posfácio deste último, que também editou há pouco para a Cosac Naify, Carlos Augusto Calil destaca o “profundo mal-estar [de Paulo Emílio] com a convivência inevitável da burguesia paulista, da qual tinha indisfarçável horror”.

 

Ele que ostentava com orgulho não ter “uma gota sequer de sangue paulista” em sua ascendência baiana, pernambucana, gaúcha e inglesa. Da derrisão dos contos não escapa nem o quatrocentão, melhor amigo de Paulo Emílio desde adolescente, Décio de Almeida Prado.

 

Calil, embora sublinhando o que separa a literatura setentista de Paulo Emílio do Oswald de “Serafim Ponte Grande”, nos anos 30, se arrisca a afirmar que, “apesar das diferenças”, eles “constituem uma linhagem”.

Escrito por Nelson de Sá às 11h37

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Ver mensagens anteriores

PERFIL

Lenise PinheiroO blog Cacilda é coordenado por Nelson de Sá, articulista da Folha, e pela repórter-fotográfica Lenise Pinheiro.

SITES RELACIONADOS

RSS

BUSCA NO BLOG


ARQUIVO


Ver mensagens anteriores
 

Copyright Folha Online. Todos os direitos reservados. ɉ proibida a reprodução do conteúdo desta página
em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita da Folha Online.