A Hora e a Vez de Augusto Matraga
Estréia hoje no Sesc Anchieta com elenco e produção
do Rio de Janeiro e dirigidos por André Paes Leme.


Uma vez, uma amiga me disse nesse mesmo camarim (do Anchieta) que eu
era portadora de bons fluidos e que sempre trazia uma carga de humor e
inspiração. Sempre que volto lá, me lembro dela. Afeto e teatro.


O idealizador do projeto e diretor musical, maestro Alex Elias (foto acima).

O iluminador Renato Machado (acima), que nos concedeu
momentos de sua afinação de luz para este ensaio fotográfico.


O diretor de cena Elias, a rapaziada ajoelha e reza.


Depois de enfrentar aeroporto e vôo lotados.
Chegam para a temporada em São Paulo, se arrumam
para o ensaio. Já no Olympo!!!!!!
Meu muito obrigada a todos.
Escrito por Lenise Pinheiro às 11h49
Café-da-manhã
“Rainha Mentira” fechou sua curta temporada paulistana ontem. Não vi “Terra em Trânsito”, saio tarde do jornal. Mas era “Rainha Mentira”, a segunda peça do programa, que eu queria ver mesmo. É talvez a mais imperfeita que já presenciei de Gerald Thomas.
Há muito perdi a ilusão ou a esperança de encontrar ordem nos delírios apolíneos do diretor/autor. Ele é um grande artista assim, na confusão, no caos por vezes indulgente, mas em outras cortante, genial. “Rainha Mentira” é um caso à parte.
São pedaços de discursos e imagens em referência indireta à mãe. É tudo talvez próximo demais, presente além do controle da expressão. E a peça então não se resolve ou nem tenta se revolver com golpes de teatro, como tantos anteriores _e marcantes.
As cenas se amontoam quase sem liga, ao menos eu senti assim. Distantes na apresentação, o bombeiro que tudo apaga com a mangueira d’água, comicamente, e a tristeza sem fim de Fabiana Gugli diante das duas torres de livros. “Slapstick” e melodrama.
É Nova York, quem sabe, de onde o diretor não conseguiu sair para o enterro da mãe e para onde volta, sempre.
Antes tem o vídeo, com a imagem cotidiana de uma bandeja de café-da-manhã de hotel, opulenta, que é levada pelo que aparenta ser o vento, mas depois é a água da mangueira, mas por fim me pareceu, na verdade, a memória que se apaga.
Lá perto do fim tem os atores nus, entre patéticos e oprimidos, novamente, em seus banheiros cotidianos tornados solitárias.
E bem antes tem os nazistas diante da mãe, da avó. Aquela, sobre quem dez mil exemplares mentem até hoje, por aí, ter sido “alemã, amiga de Hitler e Goebbels” e coisa pior. Em verdade, era judia, perdeu a família em campo de concentração.
(É sempre assim, o monstro espreita e ataca, como agora, mais uma vez, aqui na Vila Madalena.)
Em “Rainha Mentira”, é Gerald Thomas quem dubla seus atores, não mais intervindo, mas falando, falando, todas as palavras. Um papel desta vez de criança, filho, em que pese a máscara da arrogância, que nesta peça não fascina nem engana.
Escrito por Nelson de Sá às 21h24
Terra sem Lei
Em cartaz no Tusp neste final de semana e no próximo.
Sob a direção de Francisco Medeiros.
Preparado com dedicação, talento e muita vontade.
Comunhão do elenco e da equipe técnica, que durante um
ano se envolveram no trabalho.
Estréia agora à noite.
Aqui, um registro dos bastidores.

Os atores Luciano Gatti e Mariana Senne.
Escrito por Lenise Pinheiro às 19h37
O Latão em Cuba
Já tive alguns choques furiosos com Sérgio de Carvalho, no passado longínquo. Se bem me lembro, foi em razão de alguma ironia sobre Heiner Mueller ou Fernando Peixoto. Do teatro político contemporâneo, porém, sempre me senti próximo, refletido de algum jeito em suas peças.
Como Brecht, ele não tem como esconder a sedução romântica, em meio às idéias tão claras sobre a injustiça, a opressão, a economia política. Não é diferente agora, na encenação de “O Círculo de Giz Caucasiano”, que andou por Rio, São Paulo, vai para Cuba e depois volta.
Cuba de Fidel, como a Alemanha Oriental de 1954 em que, meses depois da rebelião dos operários sufocada por tanques russos, a peça ganhou a célebre montagem de Brecht que abriu o Berliner Ensemble _e daí partiu para a celebridade no Ocidente.
“Círculo” que em verdade estreou seis anos antes nos Estados Unidos, onde foi escrita por um Brecht que não escondia sua obsessão pelo gigante americano. A mesma obsessão que este “Círculo” vai encontrar na Cuba do beisebol e dos artigos de Fidel no “Granma”, mas já também a Cuba sem Fidel, ameaçando se abrir aos Estados Unidos.
Enfim, é um momento histórico para estar na ilha com Bertolt Brecht, por uma companhia que nasceu ao celebrar a morte de Danton.
Mas queria falar da peça. É de longe a produção da Cia. do Latão de que mais gostei, talvez pela presença em cena, em interpretações amadurecidas e virtuosas, de Ney Piacentini, com quem atravessei anos atrás uma madrugada boêmia pelo Recife, e de Helena Albergaria, que vi tão jovem em uma montagem também inesquecível, para mim, de Tennessee Williams por Nilton Bicudo.
Eles estão ali novamente, tão iluminados quanto os conheci então, nos papéis de Azdak e Grusha.
O juiz corrupto, até devasso, mas afinal tão cruelmente justo, é um retrato do Brasil torto por um ator que o compreende e reflete como poucos. E a jovem mãe que ama o filho que não é seu, mais do que a mãe de sangue, é quase extensão da menina abandonada pela mãe, nem adolescente ainda, de “Esta Propriedade Está Condenada”.
A alegoria política é clara como sempre, de quem é a terra?, e aqui acentuada pelo contraste até formal com as imagens em vídeo dos sem-terra da "peça fora da peça". Mas o que me arrebatou neste "Círculo" de Sérgio de Carvalho foi mesmo o conflito encenado, seus atores, o teatro.
Escrito por Nelson de Sá às 22h14
Pequenos Milagres
Histórias de outras pessoas que são as nossas.

Pessoas que não se escondem da vida.

Que choram na frente de qualquer um.

E conseguem sorrir para elas mesmas.

Estão lá com o Grupo Galpão, na temporada em SP,

que hoje se encerra. No Sesc Anchieta.

Escrito por Lenise Pinheiro às 09h35
Tranqueiras Fraseadas
Da Confeitaria de Teatro, no Cacilda Becker.

Rua Tito, nº 295.

Sex. e sáb. às 21h e domingo às 19h.

Doró Cross Silva preenche o palco do teatro
com cenário e iluminação de Marisa Bentivegna.

É pura poesia, com muito rigor técnico.
A platéia se encontra com as histórias de Maria.

Compartilha pensamentos, idéias e docinhos.
Escrito por Lenise Pinheiro às 13h44
Um homem célebre
Do projeto Machadianas, hoje às 21h.

No Ágora.
Dirigido por André Piza.

Elenco: Daniela Mustafci, Kuarahy Felipe, Paulo Placido e Thaís Aguiar.



Direção musical: Jorge Peña.
Escrito por Lenise Pinheiro às 13h39
After Darwin
Em cartaz no Centro Cultural São Paulo.

Sextas e sábados às 21h.
Direção de Rachel Aráujo.
Elenco: Carlos Palma, Vera Kowalska e Oswaldo Mendes.


Este ensaio contou com o apoio de Adriana Dham, atriz, iluminadora e
amiga do teatro.
Escrito por Lenise Pinheiro às 09h29
Folias de Getúlio a Lula
O Folias faz dez anos, o Latão e outros também, outros grupos têm pouco mais, pouco menos. E não é de estranhar que publicações como “O Caderno do Folias” ou “O Sarrafo” venham realizando um esforço de datação, de fixação de fontes e caminhos seguidos.
Hoje à noite, no Galpão do Folias, Iná Camargo Costa volta a tratar do CPC. Paulo Arantes vem aí para fazer o mesmo, mais à frente, pelas mãos de Fernando Peixoto, meu querido editor.
Mas desde antes do primeiro encontro do Arte contra a Barbárie, no Teatro Oficina, também uns dez anos atrás, eu desconfio das árvores genealógico-políticas que se montam para a história do teatro contemporâneo.
Já desconfiava daquela de Décio de Almeida Prado, de que o teatro brasileiro começou com a família real e o teatro brasileiro moderno começou com “Vestido de Noiva” e, principalmente, com o TBC.
Eu leio e sempre me pergunto, desconfiado: e o teatro de José de Anchieta e do índio Ambrósio Pires, o primeiro ator, no século 16? Ou de Flávio de Carvalho e Eugênio Kusnet nos anos 30? Ou de Pascoal Carlos Magno, ou de Álvaro Moreyra, ou de Itália Fausta? Para não falar dos sobreviventes, quase eternos, Oficina, Macunaíma/CPT, Ópera Seca, União e Olho Vivo na periferia, Cemitério de Automóveis no Paraná, Galpão em Minas.
No caso do Folias, o materialismo histórico foi parar no palco, com resultados estimulantes.
Acabo de ver a “Orestéia”, que vislumbra engenhosamente na trilogia de Ésquilo, pela adaptação de Reinaldo Maia, a tese, a antítese e a síntese da política nacional _e do próprio teatro_ de meio século para cá: Agamêmnon como populismo, talvez Getúlio, Clitemnestra como ditadura, talvez os generais, e Orestes como democracia, talvez Fernando Henrique e Lula.
O espetáculo é inteligente, como tudo a que assisti de Marco Antônio Rodrigues, desde “Enq, o Gnomo”, bem antes dos dez anos agora festejados.
Lembra, em sua crueza de “mise-en-scène”, a montagem de uma das últimas peças de Plínio Marcos, “O Assassinato do Anão do Caralho Grande”, na conjunção mais perfeita de dois grandes artistas em tempos de barbárie _e saídos ambos da Santos de Patrícia Galvão.
E que grande ator trágico é Danilo Grangheia, que faz Clitemnestra. Não sei a quantas andam os tantos prêmios, mas ele bem que merecia um.
Para quem, como eu, anda perdido em desesperança e niilismo diante do Brasil, a “Orestéia” é uma lição de persistência no sonho, ainda que nada ingênua, até cruel _e tirada do coração de uma tragédia de aristrocracia.
Orestes, afinal, é julgado e absolvido de seu crime. E se instaura a democracia, com o estabelecimento do estado de direito, até no detalhe de que em todo tribunal, em caso de empate no juízo dos cidadãos, o resultado é a liberdade.
PS – Como contraponto, lembro que “Hamlet”, peça de vingança que se inspira em parte na “Orestéia", tem final bem menos conciliador do que a trilogia de Ésquilo.
Também ela foi encenada como metáfora político-teatral pelo Oficina, na vingança que o fantasma do rei (anos 50/60, de populismo e revolução social) encomenda contra o irmão (anos 60/70/80, de ditadura e restauração oligárquica) ao filho (anos 80/90, de redemocratização). Mas o fim, tão mais à imagem de Shakespeare, que testemunha sem tomar parte ou partido, são os corpos de todos no palco, mortos.
Escrito por Nelson de Sá às 14h15
ontem
Vivo às voltas com as "coisas" da memória.
Arquivos e detalhes. Amigos e inspirações.
No ano passado, em outubro, fotografei os afrescos de
Gianni Ratto, croquis que seriam exibidos na mostra que
hoje está em cartaz. Na Caixa Econômica da av. Paulista, esquina
com a rua Augusta. Até 23 de setembro.
Momentos de deslumbramento. Uma incursão no mundo da fantasia
desse encenador.
Aqui, surpresas que não estão na mostra, objetos do dia-a-dia
dele, que me foi permitido retratar.

Divido com vcs a vontade de conhecê-lo melhor.
Sempre. Salve Ratto.








Escrito por Lenise Pinheiro às 13h05
Cachorro
Espetáculo Cachorro, texto de Dea Loher.

Montagem dirigida por Juca Rodrigues e Roberto Lage.

No elenco, Irene Stefania e Edson D'Santana.

Uma homenagem ao escultor e pintor Alberto Giacometti (1901-1966).




Uma prostituta e um ladrão.
Escrito por Lenise Pinheiro às 12h57
Cancões para cortar os pulsos
No Teatro Ágora, em cartaz nos finais de semana.
O clima no camarim de descontração e a presença de
Marcelo Fonseca.


André Frateschi capricha no visagismo.

No palco, os atributos de Cida Moreira, que conheci durante as
filmagens de José Antônio Garcia e Ícaro Martins, nos anos 80.

A pujança nos teclados, no espetáculo Cancões para cortar
os pulsos. Perto de nós, no Bexiga.



Cida Moreira acompanhada pelos instrumentos de André Frateschi.
Escrito por Lenise Pinheiro às 11h51
Contra os paulistas 2
Na peça "Destinos", dois irmãos estudantes e burgueses, um engajado e outro devasso, este interpretado por Paulo Emílio Salles Gomes, travam relações com mundos exteriores. O primeiro se alia a um operário na mobilização de uma greve, o segundo a um gigolô traficante.
Um diálogo dos irmãos explicita o conflito, de cara:
Carlos – Isso que você anda fazendo é uma indecência. Gastando toda a sua mocidade nessas cretinices de uísque e amigos como aquele tipinho do cabaré, o tal Lauro. Você mesmo diz que aquele sujeito é gigolô, recebe dinheiro de mulheres da vida, toma cocacína, parece até que é meio invertido sexual, e agora vem aqui defendê-lo...
Álvaro – Pelo menos não banquei o besta como você, que esteve no front, quase morreu, e agora mete o pau na Revolução Constitucionalista. Eu pelo menos sou coerente.
Carlos – Você é coerente só na moleza. Quanto ao fato de ter combatido, eu estava certo naquela época que, se a revolução de São Paulo vencesse, tudo melhoraria, o povo seria mais feliz, haveria mais liberdade e tal. Depois eu vi que aquilo tudo foi uma safadeza de políticos misturados com banqueiros ingleses e americanos. Mas eu continuo a querer mais liberdade e melhor vida ao povo do Brasil. Só que agora eu aprendi que a maneira de conseguir e não cair mais em conto do vigário, que é o que foi a tal Revolução Constitucionalista.
Álvaro – Você vive pensando em gente pobre, em liberdade, nessa historiada toda. Deixe disso. Cada pessoa que trate de sua vida. Quem quiser ter dinheiro é só trabalhar e pronto. Agora, os vagabundos, esses têm que ser pobres.
No final, Carlos é preso em assembléia clandestina da greve e sai depois para anunciar, em congresso de operários e estudantes, “companheiros, a nossa hora se aproxima”, sob o Hino da Aliança. Imediatamente antes, nos diálogos cruzados, em crise de abstinência de cocaína, Álvaro se mata.
"Destinos", texto de juventude, se perdeu na censura até duas décadas atrás, quando foi descoberta por Edgar Carone. Retrata como o engajamento de Paulo Emílio se deu em confronto com a burguesia paulistana, a mesma que ele seguia abominando nos anos 70, ao escrever “Cemitério” e os contos de “Três Mulheres de Três PPPês”.
No posfácio deste último, que também editou há pouco para a Cosac Naify, Carlos Augusto Calil destaca o “profundo mal-estar [de Paulo Emílio] com a convivência inevitável da burguesia paulista, da qual tinha indisfarçável horror”.
Ele que ostentava com orgulho não ter “uma gota sequer de sangue paulista” em sua ascendência baiana, pernambucana, gaúcha e inglesa. Da derrisão dos contos não escapa nem o quatrocentão, melhor amigo de Paulo Emílio desde adolescente, Décio de Almeida Prado.
Calil, embora sublinhando o que separa a literatura setentista de Paulo Emílio do Oswald de “Serafim Ponte Grande”, nos anos 30, se arrisca a afirmar que, “apesar das diferenças”, eles “constituem uma linhagem”.
Escrito por Nelson de Sá às 11h37
Contra os paulistas
Os dois mil cansados da praça da Sé, ontem, tornam curiosamente atuais o “Cemitério” e a peça “Destinos”, de Paulo Emílio Salles Gomes, recém-editados por Carlos Augusto Calil para a Cosac Naify e que acabo de ler.
O primeiro, escrito nos anos 70, traz as memórias ficcionalizadas dos anos 30 de Paulo Emílio, à Oswald de Andrade. A segunda foi escrita e encenada no presídio Maria Zélia, no Belenzinho, em 1936. Ambas ecoam a chamada batalha da Sé, que opôs em
Paulo Emílio não suportava os paulistas, como evidencia no “Cemitério”. Não São Paulo: os paulistas. “São Paulo não tem nada que ver com os paulistas.” Por exemplo, “não há lugar no mundo em que dr. Getúlio tenha sido mais amado como
Foram eles que instituíram a repressão política violenta de Vicente Rao, “que os paulistas tinham mandado para servir de ministro”. Paulo Emilio relata, na boca de Rao: “Não adianta só prender, porque soltam e eles têm tempo de fazer a greve. Eu mando prender e malhar, mas malhar muito, de maneira que eles são soltos para a cama e até sarar não houve greve ou então a greve acabou”.
Como se vê, Vicente Rao, hoje também nome de avenida na florescente zona sul paulistana, nacionalizou a segurança pública como concebida antes por Washington Luís, em São Paulo.
Preso como comunista, Paulo Emílio fez também sua peça sobre greve, "Destinos", como antes dele Oswald, sua referência na juventude. Foi no presídio em que Rao amontoou operários e esquerdistas, no Belenzinho.
Antes, Paulo Emílio já havia criticado “O Homem e o Cavalo”, de Oswald, não pelo esquerdismo, mas por usar de derrisão, deboche, palavrões que poderiam afastar os operários da causa. Antes também, havia encontrado
A peça contou com Paulo Emílio como um dos atores, no “Teatro Popular Maria Zélia instalado no espaço grande ao meio do corredor interno do presídio de vastas janelas de fábrica”, teatro que “os policiais mascarados quebraram com porretes e cassetetes” e no qual “durante 40 minutos ou mais lançaram centenas de bombas lacrimogêneas”. Obra de Vicente Rao.
(continua)
Escrito por Nelson de Sá às 18h22
Metegol
O palco do teatro do colégio Santa Cruz foi o eleito.

As necessidades técnicas da Intrépida Trupe, do Rio de Janeiro,
determinam a escolha do espaço.

Em cena, movimentos que somam acrobacias, dança e teatro.


A ousadia e a alusão ao futebol capturam a audiência.


Escrito por Lenise Pinheiro às 11h56
3 paredes e meia
Espetáculo inspirado em "Nossa Senhora das Flores",
de Jean Genet.
Fui responsável pela iluminação deste ensaio, que carrega
nos tons frios a virulência dos cárceres.




Em cena, o ator Pedro Vieira.

A poética da encenação tomou conta de todos.

Dirigido por Emerson Rossini.

Compartilhar o prazer da fumaça. E do trabalho.
Em cartaz no Centro Cultural São Paulo.
Terças, quartas e quintas às 21h.
Escrito por Lenise Pinheiro às 11h49
Catherine
Li e ouvi no fim de semana, no blog de Maria Alice Vergueiro, sua bela e nostálgica homenagem a Luiz Roberto Galizia, ator, diretor e pensador do teatro, que vi em “Mahagonny” para não esquecer mais. Ela conta a certa altura de correr, no dia da partida do amigo, os corredores do hospital, com Catherine Hirsch.
Horas depois, estava abraçado a Catherine, a francesa pequenina, no aniversário de Verônica Tamaoki e de Marcelo Drummond, “meu querido príncipe”.
É uma bênção reencontrar Catherine, toda vez, para mim e tantos. O primeiro contato foi como assistente de “As Boas”, Les Bonnes, de Genet, que ela co-traduziu e co-dirigiu. Fui um assistente que resistiu muito àquelas coisas novas.
É peça de conflito de classes, madame contra criadas, e o choque se estendeu ritualizado ao processo de encenação e à equipe. Nos confrontos que se seguiram até a saída de Raul Cortez, sempre me vi como o meio de campo e equilíbrio. Fantasio até que Raul não teria saído, se estivesse presente no dia do embate final.
Eram grandes artistas, com grandes visões, a começar de Catherine. Reagi muito de início, mas ensaios seguidos me fizeram compreender, se não incorporar, o teatro desta francesa radical. Nada é estanque em torno dela, o teatro é desejo e entrega ou não é nada.
Para dar exemplo, seu desenho de luz foi vermelho, sob todo o palco da arena do Centro Cultural. Importava menos o efeito aos olhos da platéia e mais aquele sobre o corpo e a imaginação dos atores, queimando sobre as chamas.
Sei muito pouco de seus trabalhos anteriores, na França ou já no Brasil. Ela estava por ali, na primeira e mais radical fase do Ornitorrinco; atravessou a década do ócio do Oficina ao lado de Surubim, Edgar Ferreira; traduziu o recente “Esperando Godot” do Rio, com Selton Mello.
Está sempre presente, mas à sombra, alimentando, curando, xamã do Bixiga. Agora, no mais que oportuno, urgente reencontro com Brecht que Maria Alice Vergueiro vem realizando, lá está ela de novo.
Escrito por Nelson de Sá às 00h03
Meu abajur de injeção
Espetáculo sobre Cacilda Becker.
Onde a atriz Luciana Carnieli, dirigida por
Georgette Fadel, alinhava os acontecimentos
marcantes da vida da diva do teatro brasileiro.
Hoje no Teatrix às 20h.




MERDA
Escrito por Lenise Pinheiro às 10h18
Oswald e a greve de 1917
Mais do que antropofagia e outras provocações oswaldianas, o que me fascina desde que li o “Teatro da Ruptura” de Sábato Magaldi, ano passado, é uma peça sem nome e sem data de Oswald de Andrade. Sábato arrisca que seus personagens e trama “a remeteriam” para pouco depois da “greve geral
A peça, daí o interesse, “apresenta o problema social da greve” meio século antes do Arena. Procurei muito pelo texto sem nome, falei com Sábato, com Zé Celso, com Sergio de Carvalho, ele que vasculhou a obras oswaldianas para seu trabalho acadêmico _e nada. Zé e Sergio nem sabiam dela.
Mas Sábato foi generoso na reprodução em seu livro, ele que não fez cópia e agora não tem idéia do paradeiro do manuscrito de Oswald.
Sinopse: os operários Marcos e Vanni, este o líder, debatem num bar, como em assembléia, o que fazer _o primeiro é anarquista, radical, o segundo é objetivo, negociador. Em trama paralela, Maria, operária que Vanni trocou por Ana, filha de seu patrão, denuncia o líder como traidor da categoria e convence Pedro, outro rival de Vanni na greve, à vingança mortal. No fim, Vanni passa a Marcos a liderança da greve e, ao se encontrar depois com Ana, sofre um atentado _e Ana morre.
Do que está reproduzido em “Teatro da Ruptura”, o mais expressivo da peça sem nome envolve o líder e seu opositor anarquista.
“Vocês precisam ter chefe porque não sabem ser livres”, diz Marcos aos operários, sobre Vanni. “Ele quer a revolta de todos, a destruição completa, a violência, e nós não podemos”, responde Vanni. “Assassina se tu queres ser justo, deixa o teu caminho cheio de sangue se tu queres ser justo”, defende Marcos. “Nós todos temos, tu também tens essa necessidade de acreditar em qualquer coisa, de estender a mão para agarrar qualquer coisa, olha, essa tua vontade de vingança é religião. Porque tu também tem medo como os outros”, diz Vanni.
Mais que a ausência de título e de partes do manuscrito, a falta de data confunde. Em 1917, afinal, Oswald conheceu e passou a conviver com Di Cavalcanti, que registrou em suas memórias: “E a célebre greve de 17? Brás e Mooca sitiados. Lembro-me de Oswald com aquele reacionarismo católico, querendo fazer incursões armadas pela madrugada para desalojar os grevistas”.
Em suas próprias memórias, Oswald passa ao largo de 17, da peça sem nome e só menciona ter assistido em 12 “ao bulício e à desordem dos comícios ditos ‘anarquistas’ em Santos e à carga da cavalaria”. Nas mesmas memórias, sobre o mesmo período, derrama-se em elogios ao “secretário de Segurança” Washington Luís, que “se fazia temido por sua conhecida energia”.
Quem viu o documentário dos Racionais sobre o racismo
No vaticínio de Sábato Magaldi, “personalidade extremamente contraditória, Oswald poderia ter a melancólica atitude [em 17] e logo depois ter escrito uma peça que vislumbrasse os diferentes caminhos da esquerda”. Afinal, “estava aí, sem dúvida, parte de sua grandeza”.
Escrito por Nelson de Sá às 20h51
RESILIÊNCIA, pela definição do dicionário, quer dizer: Resistência ao choque
Mas para mim neste momento quer dizer muito mais.
Fiquei sem minhas câmeras, chocada, com a impossibilidade
de trabalhar. Mas isso durou apenas alguns minutos.
Contei com o apoio imediato de pessoas muito queridas e valorosas.
Algumas saíram correndo pra ver se encontravam alguma coisa.
Seguindo rastros daqueles que, numa fração de segundos, levaram meus
cartões com ensaios fotográficos inéditos, minhas máquinas, lentes e meus
documentos. E mais nada. Deixaram comigo muita coragem e determinação.
Muitas manifestações de afeto pipocando aqui e ali nos mais amorosos gestos.
Vivemos nesta guerra civil abrasileirada pelo sorriso, pelo abraço e pelo
companheirismo que no nosso teatro se manifesta a todo instante.
Levaram tb muitas chaves, mas o que elas podem abrir? Meu coração não está
trancado ou resistente, volto ao local do crime, com meu andar
apatetado e com o sorriso e humor de quem conhece a vida.
Me sinto elástica.
Meu horóscopo de hoje no jornal manda "lidar com as perdas", mas...
... para quem tem 3 Iris, como eu, positivamente perder está fora de cogitação.
Para provar que tudo é verdade, Ai Carmela, espetáculo ambientado na
Guerra Civil Espanhola, onde um casal de atores "mambemba".



Os atores Virgínia Buckowski e Maurício Marques, dirigidos por Marco
Antonio Braz, se apresentam na Sala da Memória do Instituto
Cultural Capobianco. Fiz essas fotos no final de semana passado.

Minhas antigas máquinas se foram, pararam de registrar comigo
as imagens que tão generosamente vimos passar.
Estou melhor equipada agora. Câmera digital de última geração,
mas, além de mais sofisticação e tecnologia,
carrego comigo uma carga maior de inspiração.
Baterias e credenciais que ninguém me levou.
Escrito por Lenise Pinheiro às 12h47
Oswald na Casa do Saber
Oswald de Andrade na Casa do Saber, por Zé Celso. Eu tinha que ver. Entrei meio atrasado, ele estava espalhado numa poltrona e um professor comandava academicamente a cena enquanto os alunos, espalhados também por poltronas, pufes e sofás, liam trechos de “A Crise da Filosofia Messiânica”.
Pascoal da Conceição estava lá, Aury Porto e Ana Guilhermina também. Jovens entusiastas de Oswald também, assim como alguns senhores. Era Oswald levado a sério, mas sem o rito, como reclamaria Zé depois, já anunciando para a semana que romperia a formalidade na próxima aula, segunda que vem.
Uma das alunas perguntava e comentava demais, impertinente, e terminou “eliminada” pela organização como num “reality show”. Ao saber, no fim, Zé a queria de volta, para coroar o “bode”. Também ficou para a próxima.
Nem o vinho nem a pipoca da Casa, o que me prendeu foi como o texto, que eu tinha lido anos antes com desatenção, é carregado de referências mas também de ironias nada cabíveis na academia.
Foi uma tese, aquela recusada celebremente pela Universidade de São Paulo em 1950. Aquela que, se aceita, como me afirmou Décio de Almeida Prado certa vez, representaria a desmoralização da universidade.
Na própria Casa do Saber se leu um comentário de Benedito Nunes que, uma vez mais, questionou na base as visões de Oswald, sua vinculação entre matriarcado e antropofagia. Ou seja, fui esperando a coroação do bode modernista e, mesmo diante de Zé Celso, nada aconteceu, deu-se até o contrário.
Perfilaram-se pensadores citados por ele, rememoraram-se as peças, também os conflitos com seus contemporâneos e com os “chato-boys” que o amavam tanto, a começar de Décio, e que tanto o estigmatizaram. E a coisa parou por aí. Zé me pareceu exausto.
A recusa em montar “O Rei da Vela”, pelo mesmo Décio, o questionamento de seu teatro, sua poesia, prosa, filosofia _o rancor político-estético que passa de geração para geração parece mesmo não ter fim, pouco importa o que façam Zé, os irmãos Campos ou o esquecido Ruggero Jacobi, talvez o primeiro e ainda um dos poucos a celebrar a dramaturgia oswaldiana, não por acaso um estrangeiro.
Escrito por Nelson de Sá às 03h00
Aos amigos,
a Lenise pede para avisar que furtaram as suas câmeras, ontem à noite, e ela deve ficar um tempo fora do ar.
Escrito por Nelson de Sá às 10h58
Mentiras sinceras me interessam
Estréiam daqui a pouco em São Paulo Terra em Trânsito e
Rainha Mentira. Espetáculos do Gerald Thomas.
Quadros vivos de arte em carne e osso.

O trabalho do Gerald é precioso e caprichado.
Aliado ao da Fabiana Gugli. Tintas de sofisticação.

Rainha Mentira/Queen Liar.

Mãe é mãe, só muda de endereço?

O indefectível perfil do a(r)mado diretor.
Não fiz esse trabalho de iluminação com ele, mas estou no próximo.

Vou correndo para o Sesc Anchieta, a temporada é de terça e quarta.
às 21h.
MERDA
Escrito por Lenise Pinheiro às 19h09
Camino Real
Hoje no Tucarena, às 19h.
Camino Real, de Tennessee Williams, sob a direção de
Nelson Baskerville.

Um sonho de dom Quixote, fiel às palavras.
Com os atores da Companhia Antikatartika Teatral.


O palco/set de filmagem. Cores e artes plásticas. Sofisticação.














Célebres personagens da história misturados na trama e no drama.
Aos atores, aplausos emocionados.
Escrito por Lenise Pinheiro às 11h12
"Play on Earth"/"Super Night Shot"
Passou quase batida no ano passado, a não ser por “Guardian”, Overmundo e algum outro, uma das apresentações mais estranhas que já acompanhei. No palco imenso do teatro da Unip, perto do final da Paulista, três grandes telas apresentaram “Play on Earth” _ao vivo desde São Paulo, também de Newcastle e também de Cingapura.
Aqui, foi encenada por Rubens Velloso, com interpretação de Marcos Azevedo, também co-autor junto com Beto Matos.
Era engenhosa a coisa, com as telas _como no "Napoleão" de Abel Gance_ contracenando. As imagens, a certa altura, fundiam as marcações nas três cidades. As peças simultâneas, talvez pelos próprios limites da conexão, ecoavam um humor meio nonsense e físico, mais para Buster Keaton que para Beckett.
E o sinal caía, aqui e ali, levando a parar a ação, à espera, enquanto os técnicos se descabelavam, eles também no palco.
A sensação de estranheza, quase de ficção científica, foi quando os espectadores daqui aplaudiam os atores dos outros dois cantos do mundo e os de lá faziam o mesmo _até que as câmeras se voltaram para os três públicos. Foi um instante bastante esquisito, como perder o pé do tempo e do espaço.

E ontem à noite eu estava perdido no trânsito da Paulista, querendo ver alguma coisa e a Lê, sempre ela, sugeriu pelo telefone o “Super Night Show”, com o pessoal que fez o “Tempo-depois”
Surgem os quatro, câmeras na mão, o público faz sua partcipação e depois entra no auditório, atrás deles. Começava ali, mas afinal sem a presença dos atores, o espetáculo, talvez o “filme”. Uma hora antes, os quatro haviam saído dali para a Paulista, um para cada lado com as câmeras, para as locações.
Era o que estava agora diante de nós, espectadores: quatro telas passando sem parar o que eles vivenciaram e filmaram, sem qualquer edição de imagem, mas com o som comandado por Eugênio Lima.
"Super Night Shot" tem roteiro, algumas ações mais ou menos previstas e um objetivo final anunciado _encontrar alguém para beijar um dos quatro, o mesmo Rodrigo Nogueira de “Tempo.depois”. As cenas se sucedem aleatoriamente, no contato dos atores com as pessoas na rua, na relação com os lugares, no imprevisto sempre mais revelador e tocante.
Não sei dizer se foi a melhor coisa que vi ultimamente, até porque têm sido muitas, mas fazia tempo que não me divertia assim no teatro _ou no cinema, sei lá o que é aquilo.
Na saída, encontrei Ricardo Fernandes, que produziu “Super Night Shot”. Contou que a coisa já havia acontecido antes na Mesbla, no centro, e que com os trabalhadores pobres do entorno foi ainda mais fora do comum, extraordinário _as palavras são, é claro, minhas, o Ricardo não usa expressões assim.
De minha parte, saí em seguida pela Paulista pensando como se distingüe, hoje nos discursos sobre teatro, uma oposição entre a opção pela busca de espaços concretos e a opção pela tecnologia e pelo virtual. “Super Night Shot” e “Play on Earth” mostram que é um conflito que não existe.
PS - O Fabrício tem outra visão e já escreveu do "Super Night Shot" na Bacante.
Escrito por Nelson de Sá às 15h54
No Retrovisor
Espetáculo escrito por Marcelo Rubens Paiva e
dirigido por Mauro Mendonça Filho (na foto abaixo).

Com Otavio Müller e Marcelo Serrado no elenco.

Em cartaz em temporada popular no Centro Cultural São Paulo.


O enfoque central da peça é a Amizade.
A vida devia ser assim.
Escrito por Lenise Pinheiro às 13h39
Mojo
Hoje às 21h30. MOJO no TEATRO AUGUSTA.

Clima e iluminação com recursos experimentais.
Direção de José Henrique de Paula.

Universo violento ambientado nos anos 50.



Falar de violência no teatro nos lembra que o que nos espera, fora das salas de espetáculo, não é ficção. O rapaz do banco em que eu tenho conta apareceu todo estourado. Quatro sujeitos o espancaram na noite de domingo, ele estava perto do metrô Paraíso fazendo hora, sentado numa praça.
Um vizinho da casa do meu pai é o acusado de matar o turista francês no Ritz, no dia da Parada Gay. E todos convivendo na mesma atmosfera.
Já no pequeno palco da Sala Nobre do Teatro Augusta, sinto-me mais protegida, apesar da contundência do texto Mojo, do inglês Jez Butterworth, onde Alexandre Cruz, Fabrício Pietro e Marcelo Góes usam a força bruta para lembrar que são atores.
O dono do teatro, André Ferreira, se faz valer de muita garra para se defender das dificuldades que um espaço teatral oferece, sem perder a ternura.
O que me faz lembrar da alegria em que ficava Joaquim Zacarias Goulart, antigo proprietário do Teatro, que ao receber os amigos que passavam nos baixos da Rua Augusta recebia a todos com a sofisticação de quem não deixa a violência entrar.
Escrito por Lenise Pinheiro às 10h45
Kassandra em DVD





Escrito por Lenise Pinheiro às 15h40
No Bixiga, o demônio da rua Fleet
Estive ontem à noite no teatro Brigadeiro, que para mim ainda é Jardel Filho, o grande ator filho do Jardel Jércolis dos velhos musicais, para uma apresentação de fim de curso dos estudantes da Operária (oper/ária), a escola da Zona Leste.
Era “Sweeney Todd”, para alguns a obra-prima de Stephen Sondheim. Ainda prefiro “A Little Night Music”, que vi com Judi Dench no National em Londres, e “Company”, que vi no Roundabout
Tempos atrás, Declan Donnellan esteve no Brasil e Leão Serva e Mario Vitor Santos organizaram um jantar para o diretor de “As You Like It”, “Angels in America” _e “Sweeney Todd”. Lembro que, preso ainda de preconceito, questionei como ele havia cedido a um musical leve, acho que falei até superficial. Ele reagiu pasmo e me explicou, paciente, que não era o caso.
“Sweeney Todd”, como quase todos os musicais de Sondheim, é para apreciar em muitas camadas, não permite estigmatização. O compositor/autor quebra aos poucos as defesas, seduz cena a cena sobretudo aquelesjá partidários da comédia musical, para depois puxar o tapete de forma violenta.
O barbeiro Todd é um herói da vingança, contra a opressão do poder que tirou dele a mulher, o filho e a liberdade. Lembra o conde de Monte Cristo. É um assassino que o público aceita idolatrar, até que suas ações monstruosas se voltam contra o que ele mais ama e supostamente protege. Termina como “Hamlet”, corpos espalhados pelo palco e uma sensação de valores revirados na mente do público.
Na montagem algo improvisada pela Operária, com um mês de ensaio, tamanha gravidade é garantida pela presença do brasiliense Saulo Vasconcelos. É o maior protagonista do gênero, hoje no Brasil, e também a maior referência _e a generosidade com que divide a cena com aspirantes, alguns deles quase crianças, já é tocante por si só.
E são dele, em dupla com Ana Flávia Bueno, os quadros que mais envolvem e até chocam, no contraste entre a tragédia expressa por Vasconcelos e a comédia de sua co-protagonista. Ambos retratam Sondheim, agarram-se deliciados aos versos e à música do gênio do musical moderno. Não ficam muito atrás, antes embasam suas interpretações, a tradução de Vitor Beire e a direção musical de Guilherme Terra.
Mas é uma montagem de escola, como evidenciaram cenários, figurinos, a própria encenação, os tropeços técnicos _e principalmente a aparente insegurança do elenco jovem, aqui e ali, ao longo das três horas da apresentação.
Porém se vislumbram talentos, vencendo a inexperiência e outros tantos obstáculos. Rodrigo Alfer, que interpretou Toby, me fez lembrar do Carlos Loeffler dos primeiros musicais da retomada (onde andará o neto de Oscarito?). Olavo Cavalheiro, o romântico Anthony, talvez um dia se revele um protagonista. Vânia Canto e Deborah Graça, sem os figurinos desastrosos e livres do aparente pavor de palco, também prometem.
Dias antes, o mesmo Saulo Vasconcelos, mais Marcos Tumura e outros que fazem a cena musical hoje, estrelavam espetáculo para arrecadar fundos para portadores de HIV no Gazeta. Canções clássicas do gênero, para um platéia também lotada, a paixão nos rostos dos mais jovens, me contava ontem Cíntia Abravanel, ao lado de seus dois filhos, no intervalo de “Sweeney Todd”.
Escrito por Nelson de Sá às 09h52

