Cacilda
 

Individual

Audiotour Ficcional do grupo Bi Neural Monokultor.

É a novidade por aqui. E fica em cartaz até o final do Festival.

Cada audioturista recebe, no ponto de partida, um aparelho

reprodutor de mp3 com fones de ouvido. No aparelho, um enigma a

ser decifrado.

O espectador deve caminhar desacompanhado, escuta uma gravação com instruções que o conduzem para uma viagem por pontos estratégicos de São José do Rio Preto.

As partidas são a cada dez minutos. Os audioturistas partem sempre do mesmo ponto, fazem sempre a mesma trilha, mas nunca se encontram, não existem grupos. As instruções do personagem fictício Artur Castro são do ator Guido Caratori, ator de 35 anos, boa pinta, profissional, que se especializou em teatro, mas não descarta a idéia de trabalhar em TV, Cinema ou comerciais. Se autodenomina um saltimbanco.

Ele conta que o trabalho começou ainda na fase de pesquisa da dupla de diretores Christina Ruf e Ariel D’Avila.

Há um mês. Leu as informações de um cartaz na Casa de Cultura, onde se lia "Precisa-se de ator. Se paga cachê." (o que, para Rio Preto, foge do padrão). Fez o teste e foi aprovado. O trabalho seguiu em leituras de mesa e na gravação durante três dias no próprio percurso. Nada foi feito em estúdio para dar mais autenticidade. Ele reconhece que muito do que percorreu nunca havia lhe chamado a atenção. “O busto de Rui Barbosa, na praça, sempre esteve lá, mas só agora é que vi, e isso aconteceu com outros pontos que eu já havia passado, mas nunca reparado, o audiotour me possibilitou maior conhecimento da cidade em que moro.”

Outros atores participaram do trabalho de locução, os atores Bia Moretti, Leandro Aveiro e Anderson Niells também encarnaram os demais personagens da trama, que tem chamado a atenção dos transeuntes locais e dos participantes. Nas fotos, o ator da Cia. Triptal de São Paulo Wagner Menegare. Assombrado por Guido Caratori.

Guido Caratori é ator profissional desde 1992. Vive da profissão. Participou de inúmeras montagens, dentre elas Auto da Barca do Inferno, de Gil Vicente, dirigido por Jorge Vermelho; A Hora da Estrela, de Clarice Lispector, adaptação e direção de Ricardo Mattiolli; Maria me Dá Café, de Dinorah do Valle. Autora reverenciada pela sua atuação em teatro e nas edições anteriores do Fesfival de Teatro de Rio Preto.

Guido se prepara para sua primeira montagem de um texto de Shakespeare, Otelo, projeto em fase inicial. Mantém parceria com a atriz Drica Sanches, sua esposa e sócia na Cia. Fábrica de Sonhos, há 12 anos.

Diz ainda em tom apaixonado que a profissão possibilita ver a vida por diferentes prismas e que através dela aprendeu que não existe verdade absoluta. “A profissão nos possibilita não perder a carroça da vida.” Sugere à organização do Festival a criação do “Módulo Rio Preto”, com peças locais. Tomara!

Escrito por Lenise Pinheiro às 08h47

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Plan B

Por aqui, em Rio Preto, fica em cartaz até amanhã, no Teatro Municipal. Vou ver e fotografar novamente. Em São Paulo, estréia no Sesc Pinheiros, na semana que vem. Da Companhia 111 & Phil Soltanoff. Concepção e cenário de Aurélien Bory. Muita técnica, habilidade e humor. Na forma, figurinos austeros. A comunicação direta com o público, a fusão de técnicas circences com a provocativa ausência de uma história com começo, meio e fim. Tudo faz sentido.

Parte de uma trilogia em que linhas, planos e superfícies são os principais elementos. Plan B é impecável, sem narrativa linear, dialoga e compõe diversos universos. Iluminação e projeções de vídeo, recursos muito utilizados no teatro. Nesta montagem, apresentam técnicas e soluções cênicas geniais. Na minha opinião e no consenso geral da audiência.

Muitas possibilidades são exploradas, a constante crítica ao mundo moderno, onde a segurança do lar, a disputa empresarial e embates de toda natureza são postos à prova, desafiando inclusive a lei da gravidade.

É daqueles espetáculos que ficam povoando nosso imaginário. A organização do Festival acertou em cheio.

Escrito por Lenise Pinheiro às 16h47

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Braakland, parte dois

Depois da estréia, mais pistas sobre a montagem mistério do

Festival, que fica em cartaz até dia 14, sábado, em local desconhecido.

Onde tudo era vazio...

Agora não é mais.

O ator visto de longe...

Chegou mais perto.

Performance silenciosa.

Incêndios individuais controlados.

Emocionante apresentação.

Escrito por Lenise Pinheiro às 16h14

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Postadas

Segue o Festival de Teatro de Rio Preto.

Até amanhã, sexta dia 13 de julho, Savina do Rio de Janeiro

no Teatro Seta às 21h, publicada aqui no blog no dia 3 de abril de 2007,

e Sacrifício de Andrei, que chega à cidade no Teatro Nelson Castro. De 18

a 21 de julho, aqui no Festival.

Publicada na edição de 24 de março de 2007, na época que

blog Cacilda estreou. Vale dar uma olhada e ver o que aconteceu

de lá para cá.

Escrito por Lenise Pinheiro às 15h34

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Uma pilha de pratos na cozinha

Desde a distante interpretação de Arthur na “Santidade” de Fauzi Arap, no Crowne Plaza, e desde a recente encenação/recriação da “Chapa Quente” de André Kitagawa, no Viga, Mário Bortolotto para mim é ator e diretor de mão cheia. Faltava entrar ou compreender seu universo próprio, de dramaturgo.

 

Sempre guardei reserva. Cresci nos anos 70 em Assis, não muito longe de Londrina, e aquele mundo das peças _aquela agressividade adolescente, aqueles tipos, até aquele americanismo empostado_ não colava mais comigo, se bem me lembro.

 

Mais de década depois, tendo visto pouco dele pelo caminho, mas leitor do blog e sempre com a lembrança de Raul Cortez, o maior ator que eu conheci e que fez dois textos de Bortolotto, fui assistir a uma remontagem nos Satyros, no ano passado _e não aconteceu de novo, fora a sensualidade, a fascinação de Fernanda D’Umbra.

 

Lamentei dias atrás com um amigo, que me questionou e aconselhou ver, como prova, “Uma Pilha de Pratos na Cozinha”, o texto teatral mais recente e maduro, um salto, dizia ele, na dramaturgia de Bortolotto.

 

Fui no sábado, sozinho. Meu amigo estava certo. Ainda senti falta de estrutura, ordem, mas se tem algo que a dramaturgia não requer mais é ordem. Minhas velhas reservas caíram todas já no primeiro diálogo.

 

As personagens são trágicas, não mais pós-adolescentes, mas com “baggage”, muito peso a carregar nas costas. As referências obsessivas à cultura pop americana soam agora, mais que pertinentes, verdadeiras.

 

A agressividade se volta não mais para o outro, mas para todo e qualquer personagem, ninguém escapa, nem mesmo seu alter ego vivido por Otávio Martins. Pela primeira vez, me fez lembrar Plínio Marcos _que dizia, sobre sua própria perseguição pela ditadura, que ele fez por merecer.

 

Me fez lembrar, sobretudo, as primeiras peças que vi do teatro “in-yer-face”, de Mark Ravenhill, Sarah Kane. A mesma compulsão, afirmada no próprio texto, por contar histórias, não ceder às facilidades pós-modernas. Enfim, uma peça que tentar agarrar o monstro do teatro pelos chifres.

 

A expressão do vazio, do abandono do amor, da infinita e insuportável tristeza. Não é para qualquer um.

 

PS – Queria já estar com a Lê em Rio Preto, de todos, o festival brasileiro que mais arrisca. Mas eu vou, de algum jeito.

Escrito por Nelson de Sá às 22h26

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Mobile Homme

Hoje é a abertura do Festival de Teatro de Rio Preto,

estou afivelando as malas para a cobertura. Vou tentar cobrir o maior

número de apresentações para o Blog, o Nelson também foi convidado.

O espetáculo de hoje à noite é Mobile Homme, da companhia francesa

Transe Express.

Fiz essas fotografias na sexta-feira à tarde, durante

a exibição deles no Anhangabaú. Eles se apresentaram às 13h de

uma tarde ensolarada, música e circo, no ar. Literalmente.

A expressão dos atores/músicos/acrobatas.

A produção local é da Julia Gomes. Um abraço a todos. Nos vemos lá.

Escrito por Lenise Pinheiro às 08h47

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De volta ao poço

Antunes Filho e Antonio Araújo se fascinaram pelo poço abandonado do Sesc Belenzinho, queriam trabalhar lá. Depois eu também, quando Lenise apareceu com uma imagem do filme “Ring” e meu filho adolescente se mostrou fã da série _ele e também Walter Salles, com quem me encontrava regularmente, então.

 

E também Gabriel Villela, que instalou lá o “Godot” de Bete Coelho e Magaly Biff _de que tanto gostei, mas parece que só eu mesmo.

 

O poço foi aterrado junto com o Belenzinho, como se sabe. Mas outro se abriu agora, no porão de outro prédio histórico de São Paulo, não mais uma indústria, mas o cofre enterrado da primeira agência do Banco do Brasil.

 

Quem me contou foi o operador de “O Poço”, apontando as portas pesadas e as prateleiras que um dia foram de jóias e documentos, no cenário claustrofóbico da peça, o poço instalado ao centro.

 

Como nos livros de Koji Suzuki, em que o personagem da menina presa, Sadako, se revela afinal uma atriz, ele é o cenário para o corpo abandonado pelo amor.

 

O poço e o corpo, a carne como matéria integral da atriz, me voltaram à cabeça ao assistir extasiado à montagem anteontem no CCBB. O poço e os corpos de Carla Candiotto e Alexandra Golik são o espetáculo. Uma performance, mais, uma instalação.

 

A água do círculo escuro como metáfora da vida e, sem parar, como na nossa e na peça de Gabriel, da alternativa da morte. Foi fascinante seguir os músculos de Carta e Alexandra mergulhados em movimentos de nascimento e afogamento, dentro e fora d’água.

 

Elas, Carla e Alexandra, foram esculpidas por Philippe Gaulier, Jacques Lecoq, o Théâtre de Cumplicité e outras referências de teatro físico em longos anos de Europa, onde criaram a companhia Le Plat du Jour.

 

Lembro de encontrar Carla pelas ruas de Edimburgo, no festival, bebê no colo, exuberante. Estava lá, se bem me lembro, para a apresentação do Rodrigo Matheus como Prometeu. Sempre o corpo, a resistir.

Escrito por Nelson de Sá às 13h17

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Lenise PinheiroO blog Cacilda é coordenado por Nelson de Sá, articulista da Folha, e pela repórter-fotográfica Lenise Pinheiro.

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