Cacilda
 

E tudo começou na EAD

Passei a semana envolvida com mais uma criação de

iluminação. É maravilhoso criar a luz de um espetáculo. Desde

que comecei a trabalhar no teatro, em 1983, na EAD, um mosaico

de sombras e luz se instalou dentro de mim. Vivo plugando cenas e

situações cênicas que me realizam diariamente.

Na fotografia encontrei o suporte inicial, em "Laços", dirigido por Odavlas Petti.

Dia desses deu-se mais um encontro com o grupo que reestréia hoje,

no Next, "Se eu fosse eu...", baseado em Clarice Lispector. O espetáculo.

O elenco, oriundo da EAD, da esquerda para a direita.

Luciana Paez, Otavio Dantas, Flavia Melman e Daniela Duarte,

agora com novas referências, carregam as características da Escola

por mim identificadas de imediato. O entusiasmo é uma delas.

A disposição e a entrega para o ensaio fotográfico chamaram a atenção

do diretor, que nos brindou com sua presença. O Janô, como é conhecido

o Antônio Januzelli, celebrado diretor, que coordenou o grupo no

Laboratório Dramático do Ator na USP.

Vibrei ao conhecê-lo pessoalmente, nosso rápido encontro me fez

acreditar que por aí vem mais uma nova parceria.

Como é complexa a prática teatral. Que bom.

Escrito por Lenise Pinheiro às 11h43

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Esta noite

Eu a conheci quando ainda nem era atriz, mas estudante de psicologia. Tenho uma foto que tirei, ela e Cássio Scapin abraçados e de sorriso aberto, muito jovens, no estágio de uma semana que era a última prova para a EAD, Escola de Arte Dramática. De 40, entravam 20. Eles dois, de talento exuberante, viraram atores, eu fui ser crítico.

 

Pouco tempo depois e Marisa Orth estreava com “Fica Comigo esta Noite”, de Flavio de Souza, e o teatro conheceu a estrela potencial. Eu estava lá, na platéia. Mas não demorou e ela se dividia entre a música e, principalmente, a televisão. O teatro ficou para trás, Magda tomou prioridade _e a telinha sumiu com ela do palco.

 

Aconteceu assim com Denise Fraga, Fernanda Torres, com Bete Coelho. Nos meus primeiros tempos de espectador, informado por Zé Celso do mito da primeira atriz para o teatro, eram elas as minhas projeções de Cacilda Becker, aliás, prima distante de Marisa Orth, e de Tonia Carrero, de Maria Della Costa.

 

A televisão não deixou. Agora, duas décadas depois, Marisa Orth retorna hoje à noite, no Teatro Folha, no mesmo papel da viúva de “Fica Comigo”. Tem uma cena em vídeo no UOL (assinantes), tem uma reportagem no site do “Estado”. Flavio de Souza diz que viu “muitas montagens da peça, no Brasil e no exterior”, mas “poucas atrizes têm a capacidade de Marisa de transitar entre o humor e a dor”.

 

Ela está de volta, mas eu vou à pré-estréia de “Miss Saigon” no Teatro Abril.

Escrito por Nelson de Sá às 09h51

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Peter Brook e o "blablablá hippie"

Algum tempo atrás, estive no Bouffes du Nord, o célebre teatro de Peter Brook na periferia de Paris. O mesmo tapete, os mesmos figurinos esmaecidos, os mesmos atores. Do lado de fora, nas ruas do bairro que remete a Argel e à Casbah, as coisas pareciam mais vivas do que no teatro lindamente arruinado _assim como o Pari ou o Bom Retiro, com suas ruas de gente exótica, são bem mais vivos do que a Luz restaurada ou o Mercado Municipal.

 

A sensação não foi só minha ou do Ricardo. O dramaturgo inglês David Hare, ultrapolitizado, tachou o teatro recente de Brook de "um blablablá hippie universal que não representa nada além do medo de se comprometer". Mas o ataque é exagerado. O diretor, que associamos ao “Mahabharata” de 20 anos atrás e ao “Marat/Sade” de 40, que viraram filmes, segue na cena viva, pensante. Flertou até com a então nova dramaturgia inglesa. Mas, aos 82, não se permite mais tirar os olhos da África, de sua miséria a acusar o Ocidente.

 

E foi na África que ele buscou a resposta a David Hare, segundo o “Independent”. Semanas atrás, lá estava Peter Brook de volta a Londres, com “Sizwe Banzi Is Dead”, peça sul-africana que iniciou em 1972 o teatro de protesto contra o apartheid. Deu entrevistas para o “Guardian” e o “Independent”, nos intervalos de longos ensaios que, diz, quer morrer fazendo.

 

Uma passagem é especial, sobre seu primeiro contato com o teatro sul-africano, em 73 no Royal Court, como espectador de outra peça dos mesmos autores de “Sizwe Banzi”, o dramaturgo Athol Fugard e os atores John Kani e Winston Ntshona, “The Island”, ambientada na célebre prisão de Nelson Mandela, a ilha de Robben: 

_ Nada havia nos preparado para aquilo. Começou com 14 minutos de silêncio, nos quais aqueles dois homens quebravam pedras no palco, fazendo a platéia viver uma experiência que acontecia naquele momento na África do Sul. Você sentia o Sol, os músculos doendo. John fez a coisa mais extraordinária. Quando entrou uma sujeira imaginária nos olhos de Winston, ele tirou o pau, mijou na mão e limpou os olhos do amigo. Foi um instante de ternura e também de tanta verdade. Não havia água, como eles poderiam fazer? Foi uma das maiores coisas que vi no teatro, em termos de ligação entre a imaginação e a absoluta verdade.

“Sizwe Banzi”, contemporânea de “The Island”, toma outra direção, de maior ressonância nos dias de hoje, no Ocidente: seus personagens não podem se locomover sem passaporte, são estrangeiros na própria terra. Como hoje são estrangeiros, esclarece o diretor, os africanos que migram e morrem em contêineres de navios para a Europa ou para o Brasil _ou andam por aqui mesmo, no rap sempre revelador dos Racionais, “quem é preto como eu já tá ligado qual é: nota fiscal, RG, polícia no pé”.

 

Sobre seu próprio passaporte, ele que mora fora da Grã-Bretanha há quase quatro décadas, Peter Brook diz que segue britânico até o fim, não tem jeito. 

_ Eu viajo e viajo e me sinto em casa em todo lugar. Mas quando alguém fala “poste de luz”, eu não consigo pensar num poste de luz em Berlim Oriental. Quer dizer, um poste é um poste na rua Fairfax, W4. Trocar de nacionalidade é só um carimbo no seu passaporte, mas mesmo assim é impensável.

Escrito por Nelson de Sá às 09h48

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Pré-estréia em Niterói

No final de semana retrasado, vivi com Gerald

Thomas a satisfação de iluminar a ópera Luartrovado,

inspiração de Pierrot Lunaire, que levamos para o palco

do Sesc Pinheiros. A platéia lotada, o encontro com

Elke Maravilha e a funkeira Deyse Tigrona, a musicalidade

de Lívio e Lucila Tratemberg, o Tom Zé falando maravilhas

no final me fizeram pensar que aquele seria o melhor final

de semana de teatro do mês. Engano meu.

Constato diariamente que viver de teatro é satisfatório,

mas arriscado. A via Dutra, escolhida para driblar o caos

aéreo, as dificuldades de produção e as preliminares de um

ensaio geral,  nada é vencido pelo cansaço.

Encontrei os animados  Débora Bloch, Otavio Muller e

Bia Lessa envolvidos na montagem de “Brincando em cima

daquilo”. Texto de Dario Fo, que em priscas eras movia

Marília Pêra de um canto para outro do Teatro do Hotel

Copacabana Palace.

O que sobrou na lembrança daquilo que fora encenado

não está aqui no momento. A modernidade chegou. Pelas mãos

do produtor Eduardo Barata.

E a camaleônica Débora se transforma numa revisitada

Carmem Miranda, um tanto Cacilda.

 

Débora e seu espírito

determinado assombram o palco do Teatro da UFF, aqui em

Niterói. Onde neste final de semana acontece a pré-estréia.

Escrito por Lenise Pinheiro às 15h42

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Pré-estréia em Niterói parte 2

A montagem, carregada de signos teatrais

 

e políticos, desperta a curiosidade de conhecer

melhor as mulheres, de dar a elas maior atenção, e

a alma feminina de Otávio Muller, o diretor do

espetáculo, não se faz de rogada e junto com Bia Lessa

e o iluminador  Samuel Betts desconstrói cenas,

para que Débora Bloch  construa tudo sozinha, do nada,

do palco aparentemente vazio, ela faz seu show.

Traz o funk à cena teatral, o samba de raiz e engrossa

o coro nas canções do Rei Roberto Carlos, que, convidado,

se sentirá tão à vontade que certamente evoluirá mais

uma etapa em sua recuperação, deixando que  a cor marrom

imprima em suas retinas, nas curvas salientadas pelo figurino,

o corpo da atriz.

Memorável o ensaio apresentado ontem para a sessão fotográfica.

Aqui está o resultado.

Nada fica evidente, fora a precisão das falas de Débora.

Sua personagem angustiada,

engraçada e sexy. Pautada na medida que o rigor técnico

impõe.

Escrito por Lenise Pinheiro às 15h38

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Lenise PinheiroO blog Cacilda é coordenado por Nelson de Sá, articulista da Folha, e pela repórter-fotográfica Lenise Pinheiro.

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