Cacilda
 

5 x Celso Frateschi

É inevitável. Parece que toda peça que Celso Frateschi escreve, dirige ou representa _e são quatro ou cinco em cartaz em São Paulo_ trata de Lula e dos conflitos que sua presença no poder apresenta às esquerdas. O ator, um dos maiores de sua geração, é irmão do presidente do partido em São Paulo, foi secretário de Cultura de Celso Daniel e Marta Suplicy, agora preside a Funarte de Gilberto Gil.

 

Para o teatro, é um dos responsáveis por tornar o fomento uma instituição, um reflexo concreto do teatro de grupo _da “revolução”, como descreve Rodolfo Garcia Vasques, dizendo da mudança no modo de produção em São Paulo.

 

Da safra que anda em cartaz, não vi o “Shakespeare” que ele fez com a Banda Sinfônica, semana passada no Cultura Artística. Lamento até agora, seria uma forma de vislumbrar seu Hamlet dos anos 80, encenado então por Márcio Aurélio, e outras personagens do poder, de Ricardo 3º a Henrique 5º e Marco Antônio.

 

Mas assisti como ele foi grande ao arriscar o “Sonho de um Homem Ridículo” de Dostoievski, que estreou em meio à crise política, dirigido por Roberto Lage e programado por Ricardo Fernandes para abrir o Capobiano, com o questionamento não apenas do sonho tisnado, mas de si mesmo, principalmente.

 

E vi agora o “Horácio” de Heiner Müller, que não tem outro foco: como o herói e o monstro convivem no mesmo ser. A exemplo de Müller, o ator/político Celso Frateschi é cruelmente realista com seus anjos caídos. No trecho mais cortante, diz como o Horácio que fez a glória de Roma, ao vencer um Curiácio, e depois matou a própria irmã, "sem necessidade", tem que ser lembrado pelas duas ações na mesma frase.

 

No mesmo fôlego. Pode-se até aceitar como mal menor que alguém fale somente do herói e outro somente do monstro. Mas, para lembrar as duas faces, que seja em seqüência imediata. Se louvar a glória e só mais adiante abominar o crime, o autor deve ter sua língua cortada, pois é um falso, um mistificador _conclusão minha.

 

Por mais que se mostre em ambos os monólogos, em suas parábolas de pesadelo, é na direção de “A Grande Imprecação Diante dos Muros da Cidade”, de Tankred Dorst, e na dramaturgia de “Estação Paraíso” que se encontra aquilo que para mim, seu espectador de duas décadas, parece mover o ator/político.

 

A luta persistente, de Davi contra Golias, da mulher que exige do imperador a volta para casa do marido tornado soldado, já seria bastante para apontar e confrontar a injustiça, com o arrebatamento de Renata Zhanetta em sua imprecação diante da muralha.

 

Mas é “Estação Paraíso”, de todas a mais imperfeita, que toca mais. Nela, vai o programa, “dois homens se encontram numa estação deserta do metrô de uma cidade convulsionada”, a São Paulo de hoje. Um homem negro e um homem branco, que estabelecem “o jogo entre os dois: preconceito, conhecimento, vida e morte”.

 

É imperfeita porque Celso Frateschi não concede ao oprimido a complexidade que permitiu ao opressor, o que o revela _ao autor_ ainda mais, expõe mais dele. Lenise já publicou fotos dos atores Dácio de Oliveira e Osvaldo Raimo. O primeiro se mostraria ainda maior, um mito, se fosse dado a ele ser não apenas a vítima, mas também o criminoso. No mesmo fôlego.

Escrito por Nelson de Sá às 18h36

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Nada mudou

 

 

 

O Perfeito Cozinheiro das Almas desse Mundo.

Final da temporada paulista.

A cenografia caprichada, em dia de gravação para o DVD,

fica em evidência, realçada pelo reforço da iluminação.

O diretor Jefferson Miranda conduz o ensaio.

Inspirado em Oswald de Andrade, que se inspirava em

Menotti del Picchia. O mundo e a literatura de

Monteiro Lobato.

Os atores Luiza Marini e Diogo Salles

Mateus Solano

Thiare Maia

O passado e o futuro. 1918 e 2100.

E a avenida Paulista lotada.

Escrito por Lenise Pinheiro às 08h55

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Álbum de Família

Dirigido pelo Alexandre Reineke.

ÁLBUM DE FAMÍLIA 
 
Reestréia sexta-feira, dia 22, no Espaço Parlapatões.
 
 
 
Cacá Amaral (foto acima)
 
 
 
Ângela Barros vai chacoalhar a praça, com sua
 
solteirona.
 
Nelson Rodrigues gostava de mulher?

Escrito por Lenise Pinheiro às 19h22

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Montagem de 2003

Vejo os textos do Nelson, cheios de simbologias e significados, ele

o primeiro a me confiar a iluminação de um espetáculo. Sinto

muito orgulho de ser sua parceira.

4.48, montagem dirigida por ele, e destinada à Denise Assunção,

que num momento de crise deixou os ensaios. Os trinados dela

(hoje ela é o Anjo Negro do diretor alemão Frank Castorf e está

na Alemanha), sua entonação de voz ainda ecoam nos meus ouvidos.

"O que vc dá aos seus amigos, que faz com que eles te apoiem

tanto, o que vc dá"!!??? O texto de Sarah Kane começava assim.

Luis Paëtow deu tudo de si, com muita garra ele e a Luciana Vendramini

defenderam e cobraram os pênaltis, que insistiam em resvalar as

traves dessa montagem, no fundo do poço. Outros participaram.

Presenças fundamentais, naquele momento.

Hoje ao ver as imagens da peça me emociono.

Gostaria de montar assim que possível, com o Nelson,

"Triunfo", nós dois juntos de novo. Num musical.

Por enquanto seguimos por aqui, nesse blog,

nos Festivais de Teatro.

Cheios de carinho e teatro.

Escrito por Lenise Pinheiro às 16h29

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Os demônios

A anistia e a promoção de Carlos Lamarca a coronel ou general me pegaram, por acaso, no fim de “Não és tu, Brasil”, de Marcelo Rubens Paiva, e no meio de “Pessach: a travessia”, de Carlos Heitor Cony. Queria ter postado antes, mas o assunto é espinhoso.

 

Agora já acabei o Paiva e estou nas últimas páginas da obra-prima de Cony. São novas edições de dois livros sobre o terrorismo ou a guerrilha urbana _dependendo de que lado está, você escolhe a palavra. O primeiro é nostálgico, a viagem de um personagem em torno de um tema que o obceca desde a juventude. O segundo também, mas é mais entranhado, de alguém que vive, não aquelas ações, mas aquele tempo e aquela gente.

 

São, ambos os protagonistas, máscaras de seus autores. Também eu, que abomino _e temo_ a violência, acabei desenvolvendo uma obsessão por aquele tempo. O mito do conflito armado está por todo lado, até hoje, como tabu.

 

Luta armada e porão parecem sobreviver como pólos de um conflito latente, como nó dramático ainda sem resolução, por mais que comandados de Carlos Marighella estejam hoje em altos postos da democracia, de ambos os lados, e longe das armas.

 

Jamais compreendi por que o teatro, em contraste com o cinema, não se volta para o tabu da luta armada e do porão. Deve ter existido, mas eu não conheci peça do gênero. Como não suporto os filmes, soando falsos e enviesados todos os que vi, todos mal escondendo a má consciência, restam os livros para desatar o nó.

 

Pouco antes de Paiva e Cony, li “Autópsia do Medo”, de Percival de Souza, a complexa biografia de Sérgio Paranhos Fleury, e “A Verdade Sufocada”, de Carlos Alberto Brilhante Ustra, que comandou o DOI-Codi.

 

Antes deles e de outros, li “Cale-se”, de Caio Túlio Costa, sobre o abandono da luta armada pela esquerda derrotada, mas também e sobretudo “Abusado”, de Caco Barcellos, sobre o Marcinho VP traficante que se queria descendente da guerrilha e escrevia peças de teatro. Cheguei a falar com sua irmã, mas ela não me abriu os textos.

 

Não sei bem quando começou ou se acentuou a minha recente obsessão, talvez ao trabalhar com Zé Celso e descobrir por que ele havia sido torturado no Dops. Talvez ao montar “4.48”, quando Sarah Kane e “Os Demônios” me evidenciaram a ligação direta entre a destruição de si mesmo e a destruição de tudo e de todos.

 

“Os Demônios”, de Fiódor Dostoiévski, está aí um livro que nada deve ao “Hamlet” de William Shakespeare. Falta, se não um romance, uma peça assim por aqui, para desatar o nó.

Escrito por Nelson de Sá às 23h45

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Domingo no Tusp

Hoje às 18h, apresentação de Abajur Lilás.

Com o Grupo Tusp. Dirigido pelo Marco Antonio Braz.

A atmosfera degradada do ambiente de Plínio Marcos.

Os personagens bem contruídos.

Identifico os atores na seqüência. 

Escrito por Lenise Pinheiro às 09h00

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Lenise PinheiroO blog Cacilda é coordenado por Nelson de Sá, articulista da Folha, e pela repórter-fotográfica Lenise Pinheiro.

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