Cacilda
 

Estréias deste final de semana

Gaivota, Tema para um conto.

Direção de Enrique Diaz.

Bel Garcia e Mariana Lima.

Gilberto Gawronski,

Pepinos, cenouras e Tchecov.

Na projeção, o personagem Babilônia, uma deferência ao

Teatro da Vertigem.

Matamoros, a fantasia.

Dirigido e encenado por Beatriz Azevedo.

Com o Luiz Paëtow, a Maria Alice Vergueiro.

Meu carinho especial ao Luiz, que desde 4.48

(montagem que o Nelson de Sá dirigiu no porão do

Sesc Belenzinho) tatuou Sarah Kane na minha memória.

Aqui, fotos da Sabrina Greve, que se transforma no texto

de Hilda Hilst.

Escrito por Lenise Pinheiro às 14h24

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A volta da "rainha mentira"

"É minha/ é minha/ a porra da boceta é minha." Os versos de Deise Tigrona não saem da minha cabeça desde que vi a direção de Gerald Thomas e a produção de Ricardo Fernandes (e a iluminação de Lenise) para a ópera de Schoenberg, no Sesc Pinheiros. Não posso dizer que apreciei "Luartrovado", sou espectador eventual, quando muito gosto de opereta.

Mas o choque de Deise Tigrona ficou e estava ecoando quando sentei ontem com Gerald para um café que avançou por duas horas de muita conversa à toa e alguma nostalgia. Foi pouco antes de ele embarcar para algum lugar, o que repetiu velhos encontros, até em aeroportos.

Brinquei, como diz Hamlet aos atores, se não era melhor ter seu próprio teatro, como os Satyros, Zé ou seu ídolo Richard Foreman. Na conversa, que saltava de uma coisa para outra, nem me lembro o que ele falou.

Dizia estar em algum ponto diverso de sua trajetória, aos 52, e relatava, com ironia mas também orgulho, que Bárbara Heliodora elogiou um texto seu, o "Rainha Mentira" que estreou no Rio e vem para São Paulo. Mas não, nada de novo quanto à edição de suas peças, velho projeto que, se bem me lembro, começou com Márion Strecker e Mario Cesar Carvalho.

Gerald voltou a falar com carinho, como sempre fazia, de Antunes Filho, de Zé, de Antonio Araújo, que são, como ele, referências da encenação contemporânea. E referências, comentei eu, da crônica insegurança material, eles que põem o dinheiro que conseguem no palco e, após décadas de história, levam vidas monásticas, até precárias.

Falamos de muito mais, do teatro de Nova York e Londres, da imprensa, do que representam os blogs de teatro, como o dele, um dos pioneiros, e os novos, de jovens que começam a acompanhar teatro. Contei a ele dos bacantes Maurício e Fabrício, o que podem representar _e como Richard Foreman já acordou para a cena.

Sobre "LuarTrovado", sua versão para o "Pierrot Lunaire" de 1912, falamos mesmo foi de Deize Tigrona, do choque que, conta ele, foi ainda maior no segundo dia, quando o público, não mais de convidados, levantou às carreiras. Também de Tom Zé, que tentou dar sentido ao que aconteceu no palco, aquele conflito de Schoenberg com funk carioca e Elke Maravilha.

Duas vezes Fabiana Gugli apareceu, sorridente e apressada, para tratar de problemas de passaporte, passagem. Eles viajaram horas depois, ele sempre correndo, fugindo daqui.

Escrito por Nelson de Sá às 10h27

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Publicações Teatrais

Raramente livros são alvo do desejo dos arrombadores de carros.

Não foram poucas as vezes em que os amigos do alheio se apossaram de meus pertences deixados no banco de trás do carro ou no porta-malas. Mesmo em ensaios de teatro, onde estranhos ao trabalho se infiltram e, em busca de reforço para o orçamento, levam objetos e carteiras, menos os livros. Eles sempre ficam.

Registros indispensáveis, eles nos alimentam e ficam gravados em nossa memória.

E como é fascinante o mundo editorial.

Nas bibliotecas, construídas pelos palcos afora, lá estão eles, cenografados.

A dificuldade para publicá-los é inversamente proporcional ao prazer que eles nos trazem depois de editados.

Soube que o Ulysses de James Joyce foi recusado por muito tempo pelos editores. Precisa dizer mais alguma coisa?

Já Franz Kafka em seu leito de morte pediu para seu melhor amigo, Max Brod, que destruísse toda a sua obra. Ele teve coragem para não acatar essa decisão. E publicou, deu no que deu.

A publicação de livros de teatro está cada vez mais dinâmica, graças à iniciativa das próprias companhias, que captam recursos para a elaboração de seus projetos.

O Grupo XIX de teatro, dirigido por Luiz Fernando Marques, lançou o “Hysteria + Hygiene”.

Ensaios sobre os 18 anos da Companhia dos Atores, dirigida pelo Enrique Diaz, saem agora em SP, “Na Cia. dos Atores”.

E “Aqui Ninguém é Inocente”, organizado pelo Maurício Paroni de Castro e pela Ziza Brizola, foi lançado pelo Atelier de Manufactura Suspeita e Companhia Linhas Aéreas no Espaço dos Satyros 2.

Eu mesma estou na batalha para publicar meu livro Fotografia de Palco. Para tanto, preciso da autorização de todos os que foram fotografados por mim. A advogada Andréa Francez gentilmente preparou uma autorização. Muitos atores já assinaram, mas vou precisar da adesão de todos.

Escrito por Lenise Pinheiro às 12h11

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Em pé

De volta à praça Roosevelt, mas para ver um stand-up, “Comediantes em Pé”, como traduziram. Para fechar os três meses de apresentações às quartas, tarde da noite, surgiram no palco Rafinha Bastos, o mestre de cerimônias, e Fábio Rabin, Murilo Flores e Danilo Gentili.

 

Não sei de onde eles apareceram, o que faziam antes, por que fazem, mas estava lá, diante de mim, um stand-up de verdade. Talvez tenha sido o estímulo do Terça Insana, que já vai para seis, sete anos. Mas eles mesmos, os quatro, com momentos geniais, são coisa inteiramente nova.

 

Nem sei quando quando vi stand-up pela primeira vez. Foi em meados dos 70 ou 80, na Califórnia ou em Nova York, aprendi que tem parentesco com as palestras de Mark Twain, mas sempre me soou muito próximo do Brasil. Aquela pessoa falando, falando, contando supostas verdades e acabando consigo mesmo e depois com o resto _a família, a platéia, o país.

 

Curiosamente, talvez porque política seja piada pronta e gasta, eles pouco ou nada trataram de política. O problema de todos, se bem marquei, não é o presidente ou o governador, mas a mãe. E tem também Rondônia, o Estado com as pessoas mais feias que um deles já viu. Tem a solidão. E tem palavrão sem parar, a ponto de nem se perceber mais, lá pelo meio.

 

Eles paravam, davam pausas imensas, esqueciam textos, testavam e viam piadas se perderem _e nada parecia tirar dos quatro o domínio da platéia, o controle da cena.

 

Rafinha, que entrava e saía como nos velhos números de cortina, nem se preocupava em dar linearidade, parecia falar o que lhe vinha à telha. Fabio foi brilhante, a longa pausa mais engraçada que já vi. Murilo em personagem, a conversar com leveza e sedução como num cabeleireiro.

 

E Danilo com algo raspando a genialidade, ele e Fábio, mas ele sobretudo, preparando a piada e sempre fazendo aquela que você não espera, sempre inteligente, jamais óbvio.

 

No final, Rafinha avisou que ele e Danilo estão no Clube da Comédia Stand-up, Murilo está no Nunca se Sábado, que meu amigo de velhos tempos Laert Sarrumor ajuda a escrever, e Fábio no Comédia ao Vivo. E que tem mais na praça Roosevelt, sexta que vem. É a cena, finalmente, em pé _como vai o nome recriado, acho, pelos parlapatões.

Escrito por Nelson de Sá às 09h52

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Lenise PinheiroO blog Cacilda é coordenado por Nelson de Sá, articulista da Folha, e pela repórter-fotográfica Lenise Pinheiro.

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