Cacilda
 

Iluminação, vida e névoa

Nada melhor do que a combinação Ética + Elke.

Cílios artificiais para um olhar iluminado, por mim.

Gerald trabalhou em grupo, deixou que a luz fosse proposta.

Para um trabalho apaixonado. Espacial.

Idealizado por ele e por Ricardo Fernandes,

que temperaram a produção.

Especialmente preparada para este final de semana.

Estamos na Lua ou na Suíça?

A criação do mundo e nosso trabalho realizado em 7 dias.

A magia da ópera. Música no compasso e no ritmo de

Arnold Schönberg e Lívio Tratemberg.

A neofeminista Deyse Tigrona e seu refrão.

Tom Zé foi a prova dos nove.

Viva!

Escrito por Lenise Pinheiro às 08h01

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Trindade, hoje no Aliança Francesa

Gostaria de agradecer aos atores Guilherme Leme, Luciano

Chirolli e Pedro Neschiling, pela disposição para esse ensaio

fotográfico.

Meus agradecimentos se estendem aos rapazes do palco

do Teatro da Aliança Francesa, pela força.

A força motriz do teatro é a ação em grupo. Isso parece

fundamental. Desejo tudo de bom para a temporada.

MERDA

Escrito por Lenise Pinheiro às 07h47

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Teatro Negro e as "madames"

Mais um registro sobre a CIE. Fui ver o Teatro Negro de Praga, o que não consegui quando estive por lá, semanas depois da Revolução de Veludo de Vaclav Havel. É lúdica, é envolvente. E é teatro da Boêmia: o que estava fazendo no Citibank Hall, a R$ 180 a entrada?

 

O público era de “madames da Daslu”, me comentaram. Não é bem assim, vi gente de teatro aqui e ali, também pequenos grupos de, me parece, tchecos. Mas muitos estavam ali porque era o Citibank Hall, era a Ticketmaster, a CIE. Alguns expressaram em voz alta seu incômodo com o espetáculo, ao saírem para o intervalo. Outros foram embora.

 

É flagrante que a CIE comandada por Fernando Altério quer abrir novas frentes, “formar público”, como se diz em outras partes. Vêm aí o Blue Man Group, que não é mais o off-off Broadway que conheci, mas a origem não se perde _espero.

 

Por melhores que sejam as intenções da gigante da produção, no fim da apresentação fiquei pensando no impacto que o Teatro Negro de Praga poderia ter, a influência que alcançaria, fosse outro o espaço e menos limitado o público.

 

Em tempo, a companhia de Jirí Srnec, hoje dirigida pelo filho de mesmo nome, foi um dos expoentes da renovação teatral tcheca dos anos 60, uma das faces mais conhecidas da Primavera de Praga _cujo nome maior, até hoje, é Havel, dado como um dos nomes do “Teatro do Absurdo”.

 

Hoje a temática de seu Teatro Negro, que não é o único em Praga, é mais tradicional, da Boêmia. Mas a adaptação da “caixa preta” chinesa e o uso de “luz negra” já foram inovadores, desde o primeiro impacto sobre o teatro ocidental, no festival de Edimburgo, naqueles mesmos anos 60.

Escrito por Nelson de Sá às 10h44

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Chega de saudade

João Máximo, jornalista, entusiasta da música popular e também do teatro musical, fez o roteiro musical de “Rádio Nacional”, em cartaz em São Paulo depois de ser premiado com o Shell na última temporada carioca. Foi por ele, pelo que já fez antes no teatro e sobretudo pela biografia monumental de Noel Rosa, escrita com Carlos Didier, que fui ao shopping Frei Caneca ver o espetáculo.

 

Os livros e a paixão de Máximo são uma janela para o Rio de quase um século atrás, em trabalho só comparável ao de Sergio Cabral, pai do governador. De Cabral, são imperdíveis as biografias de Nara Leão, que fez história ao lado de Zé Kéti e João do Vale no "Opinião”, de Almirante, de Pixinguinha _e principalmente, para mim, a biografia de Ari Barroso.

 

Ari foi um ultrapodutivo autor de teatro, esquecido hoje porque seus musicais foram esquecidos, talvez perdidos. É dele _que conquistou a Broadway muito antes de a CIE conquistar o Bexiga_ o quadro mais emocionante de “Rádio Nacional”, que fecha apoteoticamente o primeiro ato.

 

Mas é flagrante, não tem mais jeito, que o modelo dos musicais cariocas saudosistas, revistas de velhas canções de sucesso, não dá mais. Até pelas limitações geracionais de seu público, também saudosista mas cada vez menos engajado, o “pot-pourri” soa cansado, esteticamente.

 

Artistas como Solange Badim e Sílvio Ferrari, entre tantos que se entusiasmam em cena, na montagem, parecem pedir mais ambição ao espetáculo de Fábio Pilar _ele que nasceu para o gênero com o histórico, no melhor sentido, “Theatro Musical Brasileiro”, idealizado e encenado por Luiz Antônio Martinez Corrêa, irmão mais novo de Zé, também no Rio de Janeiro.

 

Não posso dizer com segurança, mas penso que Luiz Antônio foi o responsável pela sobrevivência ou redescoberta do musical carioca naqueles anos 80, iniciando o subgênero. Se estivesse aqui, estaria dando um passo à frente, mobilizando Pilar a arriscar mais, Máximo a se embrenhar pela dramaturgia, Caetano Veloso a compor e quem mais pudesse, para enfrentar “O Fantasma da Ópera” de igual para igual.

Escrito por Nelson de Sá às 10h39

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Luz, câmera, ação

Conheci o trabalho de Gerald  Thomas em 1985, no espetáculo

"Carmem com Filtro". A encenação está cravada em minha memória.

Na seqüência fotografei "Electra com Creta", no Sesc Anchieta, numa

sessão à meia-noite. Nunca mais fui a mesma.

Hoje, trabalho com ele na iluminação de "Luartrovado".

Ópera fundamentada em "Pierrot Lunaire", com a Elke Maravilha

no elenco. Lívio Tragtenberg, na direção musical (abaixo).

E o Ricardo Fernandes na produção.

Muitas montagens nesses 22 anos de convívio, com o Gerald.

Ele que, nos anos 80, aparecia na minha casa, pernoitava e me enchia

de motivação. Sempre valorizou minhas fotos e flechou meu coração

com seus elipsos e com sua fumaça, a marca registrada.

Ele que, hoje, não fuma mais. É o mesmo cara de sempre.

Divide o palco com a Fabiana Gugli e com todos os que se aproximam.

Afeto é o que não falta nesse novo trabalho, no Sesc Pinheiros.

 

Duas récitas apenas. Sábado e domingo. Dias 9 e 10 de junho.

Elke Maravilha, Arnaldo Alves de Moura (Tuba) e

Lívio Tragtemberg.

Até já. 

 

 

 

 

 

Escrito por Lenise Pinheiro às 10h35

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Escola do riso

Por coincidência, pouco depois de estrear aqui o “Lost in Translation” de Sofia Coppola, eu viajei para Tóquio para duas semanas, convidado pelo ministério do exterior do Japão.

 

O quarto de hotel de dar vertigem, a grande janela para o parque imperial, os programas de televisão, as escapadas noturnas para Shibuya, os bares, restaurantes, os bandos de jovens coloridos: passei o tempo todo me sentindo como Scarlett Johansson e Bill Murray no filme, perdido na tradução, mas um estranho em fascínio permanente.

 

Tentei achar pontes pelo teatro, Kabuki em Tóquio e depois Bunraku em Osaka, uma São Paulo futurista à qual viajei a pedido, de trem-bala. O apelo popular do primeiro, com seu primeiro ator cheio de bordões físicos, para um público que reage sem parar _e que, no intervalo, comia pelos corredores. No segundo, a perfeição dos mitos.

 

“Escola do Riso”, que assisti ontem no Cinesesc, não tem nada a ver com isso, à primeira vista. Ambientado no decadente distrito teatral de Tóquio na Segunda Guerra, o filme, adaptado de uma peça que fez sucesso uns dez anos atrás, nos teatros mais ocidentalizados de Shibuya, opõe um jovem comediógrafo e seu censor que não sabe e não quer rir.

 

É um deleite _e não sei onde Inácio Araújo, meu crítico favorito, modelar, foi encontrar as reservas que li no cartaz, no saguão do cinema. Inácio sempre se arma contra a intromissão do teatro na tela grande, mas desta vez foi até menos resistente, na verdade. Talvez porque, mais do que o teatro ou o Japão, “Escola do Riso” retrate a criação e seu poder de corrosão de qualquer obstáculo que se interponha.

 

O jovem dramaturgo Tsubaki, dia após dia, de caso pensado, dissolve fraternalmente a crueldade do censor Sakisaka contra sua paródia de “Romeu e Julieta” _e o toma afinal para o seu lado, o do riso, não o do horror militarista que crescia em Tóquio.

 

O mais prazeroso é acompanhar como as batalhas se dão verso a verso, piada a piada, na dramaturgia mesma. O autor da peça original e do roteiro, Koki Mitani, é um aficcionado _como eu_ de Neil Simon. O enredo ecoa “Broadway Bound” _a primeira que vi, de Simon_ e seu grupo de teatro se chama Tokyo Sunshine Boys, da peça de mesmo nome, de Simon.

 

O espelho do baixo distrito teatral é outro prazer de “Escola do Riso”, menos pelo contraste com a delegacia de polícia fria e mais pelos detalhes que expõe. O primeiro ator canastrão e seus bordões, o pequeno palco e o público que se aperta, as ruas bagunçadas, com seus cartazes e bandeiras teatrais para seduzir os transeuntes que passam em figurinos de toda ordem.

 

De certa maneira, aquele colorido, em conflito constante com a austeridade, sobrevive no Japão que eu conheci, ainda que bem mais rico. O riso, o prazer escorre pelos vãos, pelas ruelas, como nas noites de sexta-feira em que os bandos de executivos engravatados, em ritual, tropeçam abraçados pelos cruzamentos de Tóquio, bêbados, às gargalhadas.

Escrito por Nelson de Sá às 00h07

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Lenise PinheiroO blog Cacilda é coordenado por Nelson de Sá, articulista da Folha, e pela repórter-fotográfica Lenise Pinheiro.

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